quarta-feira, 13 de abril de 2016

O cotovelo


No meio das diatribes de saúde que vos narrei, não pude deixar de me rir quando, um grande amigo meu, que me viu no hospital, à noite me telefonou a perguntar pelo meu cotovelo. 
Dei uma gargalhada e disse-lhe que o que tinha, era no joelho.
Do lado de lá, com um suspiro de alívio, e alguma ironia oiço ele dizer-me: 
- ai mulher ainda bem que é no joelho.
- ainda bem porquê? disse eu
, por que se fosse no cotovelo é que era coisa séria.
- mas eu não tenho idade para ter dor de cotovelo, arrisquei.
- deixa-te de coisas que eu sou mais velho e ainda o ano passado tive uma bem grande.
- tiveste, porque julgas que tens quarenta anos e atiras-te às pequenas, larguei eu.
- isso são maus jeitos...
-  então prepara-te, porque para essas dores, não há idade!
- mas há juízo. E eu tenho-o! disse
- sabes que mais? É por seres ajuizada e ires tanto à missa, que te dói o joelho!
- estás enganado. Na Capela do Rato não nos ajoelhamos, retorqui.
- então, bem digo eu. É castigo por ires a uma missa onde não te ajoelhas!

HSC

terça-feira, 12 de abril de 2016

O joelho


A semana passada uma dor instalada num joelho há mais de dois meses levou-me ao hospital. O meu relacionamento com estas instituições é delicado. Num morreu-me um filho. Noutro o outro filho esteve entre a vida e a morte. Num terceiro uma grande amiga havia de falecer. 
Assim, há anos que apenas os frequento para ver amigos ou familiares, e o estado em que de lá saío não é, por norma, de grande alegria.
O meu neto mais velho havia sido operado a uma anca há quatro meses e nessa semana seria operado à outra para corrigir dois defeitos congénitos.
Foi, portanto, a pior altura para eu me meter a tratar de mim, tanto mais que a minha anja protectora não podia estar presente.
Da dor do joelho resultaram uma ressonância, uma série de radiografias e uma densitometria óssea, para além de variadíssimas e variadíssimas análises. Salvou-se o enfermeiro que me tirou o sangue sem eu dar por isso e que era um bonitão com idade para ser meu neto.
Resultado descobriram-me uma série de imperfeições e o médico, logo à partida, disse-me que teria de abater 6 quilitos. O resto seriam tratamentos e mais exames que farei na próxima semana.
Estão a ver no que pode dar uma mulher decidir saber porque é que lhe doi o joelho?!

HSC

domingo, 10 de abril de 2016

A melhor das escolhas!


Devo, à partida, fazer uma declaração de interesses. Sou uma admiradora incondicional do poeta Luis Castro Mendes. Acresce que a sua poesia me levou ao seu conhecimento pessoal, que havia de confirmar tudo o que a sua obra permitia adivinhar.
Iremos ter como Ministro da Cultura um homem muito inteligente, muito culto, e cuja profissão de origem, a diplomacia, lhe permitiu correr mundo e contactar com culturas muito diversas.
Humanamente é um homem caloroso, cujo olhar sereno mas directo só pode tranquilizar aqueles que, na área que vai conduzir, ponham parte do destino profissional nas suas mãos.
Desta vez, não posso deixar de louvar António Costa pela escolha feita. Vamos ter à frente de um dos mais importantes ministérios, alguém que sabe o que deve fazer. Só desejo que com todas as limitações financeiras que temos, Luis Castro Mendes possa mostrar bem aquilo de que é capaz. E a única pena que tenho, é a de não poder, certamente, continuar a lê-lo com a mesma regularidade.

HSC

domingo, 3 de abril de 2016

Duzentas Receitas

Iniciei o meu blogue a Agenda dos Sabores, que se pode ver no link - http://agendadossabores.blogspot.pt/ - no dia 29 de Dezembro do ano passado, ou seja, nasceu há exactamente 96 dias. 
Encontra-se lá de tudo: sopas, legumes, peixes, carnes, doces, aproveitamentos. Não é alta cozinha e não é para gente rica. É para gente que gosta de meter a mão na massa e dar de comer à família aquilo que é melhor e alimenta.
Cozinho com prazer desde muito cedo. Tinha talvez 12 anitos quando a minha avó Joana me entregou o almoço por um dia - bons tempos esses, em que as crianças aprendiam o trabalho das "criadas", como então eram chamadas, para poderem mandar fazer - e eu tive que me apurar muito para levar a tarefa a bom cargo.
Não tenho falsas modéstias. Cozinho bem e sou boa dona de casa. E continuo ainda hoje a preparar tudo quanto como.
Costumava dizer, por graça, que se me não "safasse" como economista, havia de sobreviver a fazer comida para os outros. Creio, até, que ganharia bem melhor do que ganho. E, quem sabe, talvez um dia seja capaz de enveredar por este negócio que, como eu, nada tem de intelectual!
Quis provar que seria capaz de fazer esta proeza, sem descurar dois livros que tenho em mão e cujo primeiro sai em Maio, as colaborações que presto e a assistência à família que tanta alegria me dá.
Aos 81 anos pode fazer-se muita coisa útil, desde que se tenha saúde e se não queira virar "dondoca". É o caso desta vossa amiga!

HSC

Isto está mesmo muito calmo


Como eu dizia no post anterior, o país voltou a sorrir, está calmo e como dizia ontem uma das minhas comentadoras, que apreciava o despique político, agora não vê televisão, porque tudo lhe parece um marasmo. Refugia-se nas séries policiais.
Eu, ao contrário, agora vejo telejornais, embora não tenha abandonado os programas policiais e os de cozinha. Qualquer dos três me diverte imenso, sobretudo o primeiro com as sucessivas aparições do PM, que festeja tudo o que pode e faz bem. E quando não é para festejar é para se explicar, seja Banif, seja Novo Banco...
Por outro lado, no Congresso do PSD, apesar de apenas ter ouvido duas vozes dissidentes, pareceu-me hoje que Pedro Passos Coelho estava num tom menos pacato e gostei de ver que ele puxou pelas mulheres. E, melhor ainda, que estas começam a gostar de política. Não por serem estas, já que não conheço nenhuma delas - nem sequer Assunção Cristas - mas porque o BE deixou de ser o único partido onde elas mandam e bem.
A única engrenagem que julgo estar pouco oleada é a banca. Essa, infelizmente mexe muito e desconfio que ainda irá mexer muito mais. Todos quererem atribuir a culpa de tudo o que nela acontece a Carlos Costa, o que me parece conter certa injustiça. E, creio, ao contrário de muitos, que um dia se irão perceber melhor as decisões que ele tomou. Estou à vontade para o afirmar porque nunca trabalhei com ele, nem lhe devo favores. Mas não tenho qualquer dúvida em considerar que ele é muito mais sagaz como governador, do que foi Vitor Constâncio, de quem surpreendentemente ninguém fala...
Mas, como ia dizendo, fora a banca - já agora como estarão os seguros? - isto está mesmo muito calmo!

HSC

sexta-feira, 1 de abril de 2016

Estão todos muito bem...


Como eu me tenho, agora, divertido a ler e ouvir os comentadores políticos. Opostos ou do mesmo plantel. Chegou, finalmente, a minha vez de olhar a política com a bonomia que ela merece...
Rio não vai ao Congresso para não o desestabilizar, disse-o, ontem em entrevista televisiva e com efeito quase igual ao que conseguiu Marcelo, quando pôs os congressistas de pé, a aplaudi-lo, numa sala que o não esperava.
O Presidente vai apoiando o governo e dando umas suaves bicadinhas na oposição que sente frouxa, com a arte política de que só ele é capaz.
Passos, esse, parece ainda não ter acordado para a realidade e continua a mencionar o passado como se fosse com ele que poderá combater o presente.
Cristas está cheia de vigor e parece saber que o seu tempo não está para estados de alma, porque esta é a altura ideal para  repescar os votos que fugiram ao CDS nas eleições legislativas. E tem a seu favor, poder começar quase tudo de novo.
Como se vê estão todos muito bem, muito satisfeitos e à parte uns "delitos" que há muito se esperavam na banca - por mim, ainda estou à espera de outro, oxalá me engane - os actuais situacionistas estão numa fase que quase diria de lua de mel. Pelo menos é o que transparece. E há quem acredite que em política o que parece, é!

HSC