domingo, 16 de setembro de 2012

Facebook: o divórcio

Diversas pessoas me têm escrito dizendo que não conseguem aceder à minha página de Facebook. Esclareço que isso acontece porque, finalmente, consegui fecha-la, embora ainda não tenha sido possível eliminar uma antiga que possuía antes das transformações porque esta rede social passou entre nós.
A mais simples explicação para o facto é que eu só ia à minha página quando tinha algo para anunciar, nomeadamente um novo livro.
Mas há outras razões, que derivam de ter passado cerca de uma semana, cansativa, a olhar para os conteúdos de diversas páginas. E o que vi causou-me alguma impressão porque ou se fala de nada ou se fala de intimidades que deveriam continuar a se-lo, ou se fala dos outros, ou se tiram conclusões apressadas, ou pior, se fazem julgamentos pessoais. Enfim um mundo bastante diferente daquele que eu conhecera quando o Face chegou a Portugal.
Pesando todos estes factores resolvi que nem eu nem o Face ganhávamos nada um com o outro. Daí o divórcio por mutuo consentimento!

HSC 

sábado, 15 de setembro de 2012

As palavras...

Pedro Correia publica hoje no blogue O Delito de Opinião, na sua rubrica "Frases de filmes" a que reproduzo abaixo e que é da fita O Carteiro baseado no romance de Pablo Neruda.

"...quando um homem começa por tocar-nos com palavras, pode chegar muito longe com as mãos."

Pareceu-me importante relembra-la nos tempos conturbados que nos regem...

HSC

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Um aniversário especial

Hoje o meu neto mais velho, o André, fez 19 anos. Como sempre acontece almoçámos a dois, e posso afirmar que desde sexta feira foi o único bálsamo que aliviou a minha latente irritação.
Foi também o seu primeiro aniversário após a morte do Pai. Está um homem que estuda e trabalha e faz a primeira experiência de viver independente compartilhando a casa com três amigos. Enche-me de ternura - eu sei como tudo isto é difícil -, esta sua inesperada transição da juventude para a independência, que ele não só aceitou como considerou ser o caminho correcto.
Sempre aprendi alguma coisa com os meus alunos. Continuo a aprender com os netos e em especial com este que desde muito pequeno - tanto que mal falava -, "pexijava da avó helena". 
Hoje sou eu quem precisa dele...

HSC

A inefável leveza do ser

Tento ouvir. Tento compreender. Não consigo. Insisto.  Espanto-me. Rebelo-me. Perco-me nas explicações. Pergunto-me se me terá dado uma branca, se estarei a esquecer-me dos conceitos que me ensinaram. Não é verdade, ainda me lembro muito bem do que aprendi. E não aprendi assim. 
Só pode haver uma explicação. Cruel. É a inefável leveza do ser...

HSC

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

A imaginação ao poder

As pequenas poupanças aplicadas em Depósitos a Prazo nas instituições de crédito já eram taxadas a 25%. Agora passarão a se-lo a 26,5%.
Ou seja, todos os depositantes são tratados da mesma maneira, quer se tenha muito, quer se tenha pouco. O que significa que quem é rico se pode dispensar de trabalhar ou investir porque se aplicar todo o seu dinheiro a prazo a taxa de 26,5%, é manifestamente mais baixa do que a que pagaria se criasse uma empresa, postos de trabalho e corresse riscos.
Quem tem pouco dinheiro e o põe num banco, a prazo, para garantir uma doença ou uma velhice menos angustiada, face a esta taxa e aos baixos juros que remuneram as suas poupanças, decide te-lo à ordem ou, eventualmente, até gasta-lo.
Parece-me, por isso, que também aqui haveria que fazer alguma coisa que não castigue, de novo, aqueles que menos têm. E já não falo, claro, na velha tradição que, por esse país fora ainda existe de o pôr debaixo do colchão.
Porque não aproveita o governo as pequenas poupanças, que juntas já darão alguma coisa que se veja, e cria produtos atractivos de divida pública interna?
Mas com a garantia, claro, de que não muda, a meio do processo, os termos contratuais estabelecidos, como já se fez no passado com PPR's e quejandos.
Não seria de levar a imaginação ao poder...económico?!

HSC

terça-feira, 11 de setembro de 2012

A democracia do sofrimento

- Vivemos em democracia?
- Vivemos
- Os governantes foram legalmente eleitos?
- Foram
- Foi o povo que os escolheu?
- Foi
- Há dinheiro?
- Há. Mas mal distribuído
- Porquê?
- Porque o muito está nas mãos de poucos e o pouco está nas   mãos de muitos.
- E o desemprego?
- Tem vindo a aumentar
- E a Justiça?
- Demora muito
- E o deputados não fazem nada?
- Dizem que sim. Mas cada grupo toca a sua música e ninguém se entende
- E os velhos?
- Estão cada vez mais velhos
- E os novos?
- Nascem cada vez menos
- E o ensino?
- Sabe-se pouco
- Têm dívidas?
- Todos têm. O Estado porque gasta demais e não tem coragem de meter na ordem as PPP, a banca porque faz negócio com o dinheiro dos clientes e estes estão a diminuir, as famílias porque não têm dinheiro nem emprego e precisam de comer.
- Mas isso é democracia?
- Dizem que sim.
- Ah! Já sei, É a nova democracia. A do sofrimento!

HSC

Dá-me Luz



Estas duas fotos dão uma pequena imagem do que é a loja da Patricia Esquível, que é linda e merece uma visita com tempo. Mas antes vou contar um pouco da sua original história que prova  bem que todos podemos sempre mudar de vida.
A Patrícia que é doutorada em Teoria da Arte, fez a sua carreira profissional sempre ligada à investigação. Viveu uns anos na Alemanha e foi nesse país que sentiu que precisava de "dar forma" ao património teórico que possuía.
Quando voltou para Portugal aquela necessidade tornou-se mais imperiosa e ela tomou a decisão de juntar a prática à teoria. Servindo-se de novos materiais decidiu explorar as possibilidades de os juntar a essas novas luzes que chamamos de LED's.
Sozinha foi criando peças tão diversas como colares, anéis, candeeiros, jogos de mesa, jarras, etc.
Aos poucos foi colocando os seus produtos. A dada altura, entendeu que talvez se justificasse ter um espaço seu. Quem a conhece, sabe como é discreta. Daí que não pudesse nem quisesse gastar muito dinheiro, para além de lhe apetecer dar um cunho muito pessoal àquilo em que se ia envolver.
Um dia descobriu um pequeno espaço, ali ao elevador da Bica,  quase em cima do Chiado. Tratou de tudo e quando terminou teve a sensação de se ter feito luz dentro de si. Nascia a loja, o atelier e o nome. Nascia, afinal, a LUZ ME, de que dou nas fotos acima uma pálida ideia.
Há dias levei a um jantar uma peça que ela criou para mim. Eu estava particularmente cansada nesse dia. Mas a luzinha que tinha ao pescoço, não só me tirou as olheiras de cima, como levou os meus amigos todos a perguntarem-me de que material era feito o meu colar!
A loja fica na Rua da Bica de Duarte Belo 68. Quando passar o sol da praia, vão lá porque ficam iluminados. E percebem como se pode sempre mudar de vida.

HSC