
Não há nada mais falível que a noção que temos de tempo. Sendo o bem mais precioso que possuímos - mais precioso do que a própria liberdade - é também aquele que mais desperdiçamos. Há tempos de alegria, tempos de tristeza, tempos de lazer, tempos de trabalho e, sobretudo, há o tempo que não damos ao tempo.
É quando alguem proximo desaparece ou adoece que, de repente, a noção de escassez dessa preciosidade nos assalta. Nuns casos porque a morte ou a doença acontecem em idades demasiado prematuras. Noutros casos porque, ao contrário, elas se verificam numa fase em que cada dia que passa já pertence a outro tempo.
Há tambem tempos fáceis e tempos difíceis. Queixamo-nos dos últimos, mas valorizamos muito pouco os primeiros. Esta estranha noção de temporalidade faz com que passemos metade da vida a libertar-mo-nos de quem toma conta de nós e outra metade a desejar que tomem conta de nós.
Portugal atravessou momentos de grande facilidade de que apenas alguns se deram conta. Agora que os ventos são tormentosos, as queixas são enormes. Parece que, afinal, só nas dificuldades é que tomamos consciência do tempo que passa sobre nós!
HSC



