sábado, 19 de janeiro de 2019

Privilégios da idade...

Moro num ultimo andar que, por isso mesmo, sofre com mais facilidade das oscilações do tempo. Acresce que o arquiteto que desenhou a casa, devia ter a fobia das janelas, já que quase não tenho paredes, o que, como se calcula, só acentua aquela característica.
Assim, no inverno não me apetece sair e aproveito o fim de semana para fazer tudo o que está por fazer. Mas com o frio imenso que temos apanhado, este sábado olhei para o monte de papeis e para o comprimento da lista dos pendentes e, "feita cega", sentei-me no meu quarto a ler e ouvir música, que é algo que me enche de prazer. Cheguei, mesmo, a recusar o convite filial para ir ao cinema - o que raramente faço porque o tempo de que ele dispõe para mim é, agora, muito pouco - e mandei às urtigas as obrigações para ficar como um lagarto, enrolada no meu canto.
Trata-se, de facto, de um privilégio da idade, poder dar-me ao luxo de passar um fim de semana sem fazer coisa nenhuma. E, confesso, sorri para dentro, ao lembrar-me dos heróicos fins de semana, a cozinhar para receber toda a familia. É que, depois desse lado muito agradável do convívio, ficavam uma cozinha e uma casa de jantar em pé de guerra, e apenas eu para as arrumar. À época, a célebre divisão do trabalho doméstico era, apenas, uma frase para certos intelectuais aproveitarem o sentimento de culpa das mulheres com vida profissional, para não fazerem qualquer esforço no sentido de partilharem tarefas. Por isso, agora, ao escrever estas linhas, ainda sorrio com a liberdade de que, no momento, disponho, com filhos e netos já criados. Faz sempre bem ver o lado positivo das situações. Ou, como diz o nosso povo, " ver o copo meio cheio"!

HSC

7 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Temos uma empregada em casa.
Que, como qualquer pessoa, sai aos fim-de-semana porque tem todo o direito a ter uma vida própria.
E aí há divisão de tarefas.
Nem pensar em sobrecarregar a minha mulher e as minhas filhas com tarefas domésticas.
Faço questão de ajudar.
Boa semana

Luisa disse...

Vivo sozinha, com duas filhas e netos bem longe. Revejo-me completamente neste seu prazer. Às vezes, a solidão é a melhor das companhias.
Luísa Moreira

Silenciosamente ouvindo... disse...

É muito bonito esse tipo de amizade que
a drª. Helena refere. Que daqui a 10 anos
o possam fazer de novo são os meus votos.
Os meus cumprimentos.
Irene Alves

Anónimo disse...

🌹

Olinda Rio disse...

Por enquanto só tenho duas filhas com cerca de 25 e 23 anos.
Mas compreendo tão bem o que sentem.
Passei por um divórcio horrível há cerca de 10 anos, mas valeu muito a pena recuperar a minha LIBERDADE e hoje inspirar e servir de modelo às minhas filhas.

Anónimo disse...

Dama D'oiro

https://youtu.be/B9TE8D5Vs8k

Ghost

Ana disse...


Que sejam muitos, os bons momentos.