Os encontros do desacordo não terão sido inúteis. O diálogo esquecido foi retomado e os
dois grandes partidos ficaram com a difícil tarefa de mostrar que as conversas havidas
talvez possam te-los tornado mais realistas.
Na busca de um compromisso, nenhum partido provou ter Portugal como a sua
primeira preocupação. Provaram, sim, que os interesses pessoais superaram os
interesses partidários. Esta geração de políticos precisa de “virar muitos
frangos” para estar à altura da situação de emergência que o país atravessa.
Esta será, creio, em muitas décadas, a primeira geração, que deixará os
seus filhos em pior situação do que aquela que recebeu dos seus pais.
Lamentável.
Neste jogo o PS quis que o PSD tomasse como seu o programa de
governo e o PSD quis o mesmo do PS. O CDS foi apanhado nas curvas porque o PS
se apoderou de alguns dos seus cavalos de batalha, retirando-lhe, assim, valor negocial.
Estranhamente, ninguém foi capaz de perceber o espaço de diálogo que a
ocasião podia ter proporcionado, mesmo sem acordo assinado.
Passos estava convencido das suas razões próprias. Seguro estava
espartilhado e submetido às razões dos históricos socialistas, que não se coibiram de
lhe apertar os cordões e de o deixar sem oxigénio. A inflexibilidade de um
lado e o medo do outro, deram o resultado que está à vista.
Teria sido muito melhor para o país se Seguro acreditasse mais nas suas ideias próprias e se Passos acreditasse mais nas ideias dos outros. Já não será mau se, ao menos, tiverem aprendido
alguma coisa sobre as vantagens do diálogo.
Todavia convém lembrar que, se Seguro não vier a ter maioria absoluta em próximas
eleições – antecipadas ou não –, irá pagar muito caro o “não” que agora deu.
A solução está, assim, de novo, nas mãos do Presidente que, me parece,
não terá sido muito bem aconselhado e, por isso, não possui, agora, grande
espaço de manobra.
Qualquer que seja o coelho que Cavaco Silva tirar da cartola, o governo
que dela sair ficará submetido a duas tutelas. A da Troika e a do próprio
Presidente…