terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

Abaixo as máscaras


O pedaço de texto que se segue é retirado de um artigo intitulado BAS LES MASQUES de Nicolas Baverez, publicado na última Le Point, e tem tradução livre minha.

"...A França país do sul da Europa pelas suas realizações, sem as reformas do sul mas com taxas de juro próximas das do Norte da Europa é, mais do que nunca, uma bomba ao retardador no coração da zona euro. O melhor serviço que a Alemanha e os seus parceiros europeus lhe podem prestar, consiste em fazer prova de uma intransigência absoluta face à louca deriva dos seus deficits. Não em se bater pelo objectivo dos 3% de deficite publico em 2013, que até pode ser adiado, mas exigindo, sim, a realização de reformas em matéria de flexibilidade e de baixa do custo do trabalho, de desmantelamento da fiscalidade confiscatória e de redução das despesas públicas, nomeadamente as sociais.
Competem, neste momento, à Europa, as reformas que, para deshonra dos seus cidadãos e da classe política, a França se recusou de forma sistemática a realizer e cuja ausência faz agora pesar sobre ela e sobre o euro uma ameaça fatal…”

Este é o discurso que o nosso país conhece bem. As perguntas que me surgem são as de sempre: Europa unida e solidária? Onde? Como? Até quando?!

HSC


Improvisar um tango...


Há dias em que aquilo de que necessito para acreditar no mundo que me cerca é mesmo um disco destes. Fabuloso!

HSC

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

Michelle



As palavras que se seguem foram inspiradas no post de Pedro Correia, no Delito de Opinião. Mas reflectem bem o que senti quando vi a cerimónia.
Com efeito, o momento mais excitante da noite da entrega dos Óscares foi a aparição da primeira dama norte-americana a anunciar, em directo da Casa Branca, o Óscar para o melhor filme, escolhido de entre as nove longas-metragens nomeadas. Fê-lo com muita pompa e alguma circunstância. Diga-se que Michelle Obama abriu, com elegância, o envelope mistério e soube pronunciar ARGO, a mágica palavra de quatro letras.
Que Ben Affleck se tenha emocionado, eu compreendo. O que já tenho mais dificuldade em perceber é esta intromissão da máquina governamental neste tipo de espectáculo. 
Ah! se isto fosse na Europa, o que se não diria... Mas na América de  Obama tudo se torna possível.
Como eu admiro Hillary Clinton!
HSC

domingo, 24 de fevereiro de 2013

O que é o amor?

Pode um filme menor pôr questões maiores? Pode. É o caso de Take This Waltz que entre nós se chama Notas de Amor.
Escrito e realizado por uma mulher, Sarah Polley, conta a história de Margot (Michelle Williams), a qual julga ter um casamento feliz com Lou (Seth Rogen), escritor de livros de culinária sobre a maneira de cozinhar frangos até, acidentalmente, numa viagem, conhecer Daniel (Luke Kirby), um seu vizinho.
Algo faz com que se sintam, de imediato, atraídos. Os dois tentam desvalorizar essa química recíproca mas, com o passar do tempo, apercebem-se da enorme atracção que sentem um pelo outro. A qual leva Margot a enfrentar-se a si própria e ao seu casamento. Portanto uma história banal de um triângulo amoroso.
Acontece que o filme que na primeira metade é, do meu ponto de vista, excessivamente lento a explicar a relação do casal, tem, na segunda parte, não só um diálogo que, por si só, vale a ida, como mostra uma lindíssima cena de amor numa piscina, na qual os corpos se procuram, incessantemente, sem jamais se tocarem. 
Todos se lembram, com certeza, da cena em que Meg Ryan, num restaurante, simula um orgasmo. Pois aqui, passa-se algo semelhante, quando Luke Kirby - um pedaço de mau caminho - diz a Margot o que lhe faria se estivessem a sós. É uma cena plena de erotismo não explícito, a não perder...
Depois, bom depois, é perceber se o amor tem ou não, prazo de validade. Ou se, mesmo trocando-se de parceiro, e explorando-se todas as aventuras de uma  sexualidade completamente livre, não haverá uma tendência natural para repetir aquilo de que se fugiu.
Nas mãos de outro/a realizador/a de alto gabarito, aquele triângulo tinha pernas longas para andar. Assim, vê-se, mas fica-se por aí. Ao jantar, nem mesmo comendo frango, relembraremos o filme.
Todavia, Leonard Cohen está lá e a música, que dá título ao filme, é absolutamente única!

HSC

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Amour fou


Por uma estranha contradição, gosto de ler biografias, pese embora a vida dos outros, enquanto rendilhado de factos, me interesse muito pouco. O que, sim, me estimula, é perceber quem é que se esconde por detrás do personagem, já que todos somos um pouco actores.
Já aqui falei, por mais de uma vez, de DSK, ou seja de Dominique Strauss-Kahn, o ex Presidente do Fundo Monetário Internacional, que tem estado no centro de um furacão de escândalos sexuais. Embora o tema atinja hoje até as instituições religiosas, a verdade é que, neste caso, houve um lado quase rocambolesco - não encontro outra expressão - a envolver todos os acontecimentos. Os quais, ainda não esclarecidos nem julgados, acabaram não só por dar origem à dissolução de um dos casais mais mediáticos da França, como serviram de tema de literatura.
Com efeito, acaba de sair em França, na editora Stock, um livro explosivo, intitulado "Belle et Bête", de autoria de Marcela Iacub, que conta o seu relacionamento com DSK, durante sete meses, de Janeiro a Agosto de 2012.
A autora não é uma qualquer arrivista, mas é uma figura controversa. Nascida na Argentina em 1964, chegou a França em 1989, estudou filosofia e direito, entrou para o CNRS - Centre National de la Recherche Scientifique – do qual se veio a tornar directora de investigação, em 2010. É também cronista do jornal Liberation.
Convenhamos, pois, que decerto terá medido bem as consequências da publicação da obra, dado que o envolvimento de ambos data de um período em que já eram públicas as potenciais acusações.
No último Nouvel Observateur são dados a conhecer excertos do livro em questão. O que li deixou-me algo surpreendida. Não pelas revelações, mas pela interpretação que Marcela – uma bela mulher – dá aos seus sentimentos e, sobretudo, à forma como “vê” o homem a quem se entregou. Parece-me uma história de paixão fulminante, mas em que um dos intervenientes foi capaz de, em simultâneo, actuar e se analisar, quase como se de um desdobramento de personalidade se tratasse.
Confesso que fiquei curiosa, porque ainda hoje continuo a pensar que a história da França e, muito possivelmente a da Europa, seria outra se DSK tivesse chegado, como queria, a Presidente da República.

HSC

A Legalidade da injustiça

"...Três notícias dos jornais desta semana. 
Primeira - "Dois terços da pensão de 170 mil euros mensais [de Jardim Gonçalves] advêm de uma renda vitalícia, constituída pelo banqueiro. Estado não pode tocar- -lhe". Resumindo, o fundador e líder do BCP não paga impostos sobre grande parte da sua reforma. 
Segunda - "IRS devolve taxa sobre pensões. Cavaco, por exemplo, receberá 11 mil euros". Traduzindo: entre o que é retido na fonte este ano e terá de ser ajustado na próxima declaração de IRS, Cavaco pagará agora 30 mil euros, mas receberá depois 11 mil. 
Terceira - "Doação [para o forcado que ficou inválido] alcança 115 mil euros. Finanças ficaram com mais de 26 mil". Explicando: a homenagem que foi feita no Campo Pequeno para arranjar uma cadeira de rodas elétrica a um forcado que ficou tetraplégico teve mão pesada do fisco: 11 500 euros em imposto de selo; 15 mil euros dos 13% de IVA. Isto não é populismo. É mesmo injustiça fiscal."
(in DN "A semana" por Filomena Martins)

Aqui estão, de facto, três notícias que dão volta à cabeça de qualquer um, pelo uso que em Portugal se faz da legalidade da injustiça. E é por sermos um Estado de Direito que, quem mais pode, encontrará, sempre, consultores jurídicos pagos a peso de ouro, para lhes manterem a posição de "intocáveis"...

HSC 


sexta-feira, 22 de fevereiro de 2013

Só contas de diminuir...

Eu gostava de ser inteligente. Até agora, agradecia ao Altíssimo os dons que Ele me havia concedido. E aos meus queridos Pais e a mim própria o esforço que havíamos feito nesse sentido.
Pois bem, estava errada. Acredito que não seja estúpida - seria desastroso chegar a essa conclusão nesta idade -, mas não sou tão inteligente como pensava. Pus o patamar muito elevado e agora, catrapus, caí na realidade.
Qual realidade perguntarão os que me lêem? A do Dr. Vitor Gaspar, pois então. Quem mais havia de ser? Explico-me.
Quando recebi o documento relativo à pensão do Banco de Portugal, de Janeiro, não quis olhar para ele. Pareceu-me ter mais rúbricas do lado do débito, mas morreram-me nesse mês vários amigos e eu "dei-me" um tempo de serenidade. Mas Gasparito não mo deu, essa é que é essa.
De facto, quando hoje recebi uma carta da Segurança Social, dei um pulo. O choque foi tal que reuni, num ápice, os papeis todos - são poucos, infelizmente -, com a estranha sensação de que fora tributada duas vezes, uma em sede do Banco e outra em sede da chamada Solidariedade Nacional.
Passei a tarde inteira de uma sexta feira chuvosa, a refazer cálculos. Nenhum batia certo com o que me haviam tirado. Como não fui aluna do Ministro das Finanças, cuja capacidade previsiva é muito pior do que a minha, tive que chegar à trágica conclusão de que, só sendo mesmo muito inteligente, é que os nossos cálculos coincidiriam. Ora como tal não aconteceu, não só fiquei sem o dinheiro, como vi substancialmente reduzida a minha massa cinzenta, ou, pelo menos, aquela que eu julgava ter.
Conclusão, nestes tempos perigosos, nunca mais me vou "dar" um tempo, porque, se o fizer, já sei o que acontece: vão-me ao bolso! 

HSC