Vou deixar-vos por quatro dias. Só se algo muito especial acontecer é que aqui voltarei antes de Domingo. Por norma, escrevo diariamente. Mas vou viajar e jurei que não levava computador. Todavia, confesso, as minhas juras nesta matéria são bastante duvidosas.
Em princípio até segunda feira. Espero que sintam muito a minha falta!
H.S.C
Análise séria e acutilante, humorada ou entristecida, do Portugal dos nossos dias, da cidadania nacional e do modo como somos governados e conduzidos. Mas também, um local onde se faz o retrato do mundo em que vivemos e que muitos bem gostariam que fosse melhor!
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Só mais uma quedazinha!
Com efeito, e a acreditar no que as estatísticas revelam, Portugal terá perdido cinco pontos no ranking que mede as desigualdades entre homens e mulheres.
Pois é isso mesmo que acabam de ler. Apesar da igualdade garantida na lei e dos discursos paritários, tão aconchegantes, por parte dos responsáveis políticos, a nossa terrinha situa-se agora em 46ª posição, atrás de países como a África do Sul, Lesoto, Sri Lanka, Argentina, Namibia ou Bielorussia.
Este índice é, como se sabe, patrocinado pelo Forum Económico Mundial. E, à semelhança do que acontece com outras taxas que tentam medir certos aspectos da nossa vida, baseia-se em critérios que podem ser dicutíveis. Mas, nesse caso, são-no tanto para as boas como para as más posições... Logo, parece que continua a haver ainda muito por fazer no que à igualdade entre os sexos se refere. É que não basta arranjar umas senhoras para o governo. É preciso muito mais.É, sobretudo, necessário dar-lhes reais oportunidades de exercerem um mister. E compreender as causas reais do seu afastamento dos lugares de topo nas carreiras que escolhem...
H.S.C
terça-feira, 27 de outubro de 2009
Dois homens e dois discursos
Não sou entendida a esmiuçar discursos políticos. Sobretudo, depois das provas de doutoramento dadas sobre o assunto pelos Gato Fedorento. Mas voltei a ler jornais e a ver alguma televisão. Logo, como qualquer português interessado pelo seu país, acompanhei parte da tomada de posse do velho/novo governo.Ouvi o Presidente da República e ouvi o Primeiro Ministro. E li, hoje, como costumo, a crónica de Constança Cunha e Sá. E, confesso - já vai sendo hábito - não percebi muito bem o que se vai passar em matéria de convivência.
Cavaco, face à situação do país, chama particular atenção para o desemprego e o endividamente externo, salientando que quer um quer outro, impõem o aumento da produção de bens transacionáveis e o reforço da competetividade. E termina afirmando: "nunca faltei à palavra dada e aos compromissos em público ou em privado". Não deixa, também, de acentuar que não se afastará um milímetro do compromisso que assumiu perante os portugueses.
Socrates, por seu lado, enfatiza a legitimidade do seu governo e define três prioridades, a saber: combater a crise, modernizar a economia, desenvolver a justiça social. E finaliza dizendo que pretende servir a República, os portugueses e a pátria.
Preferia que a ordem fosse outra, mas quem sou eu, para preferir alguma coisa?!
Claro que ambos os oradores referem algo a que chamo de "lealdade institucional", embora não esteja pessoalmente segura de que qualquer dos responsáveis máximos da ditosa pátria entenda o conceito da mesma forma...
Esclareço: se o PR se quer recandidatar, não vai perder nem mais um centímetro da sua autoridade, que já foi ameaçada com dois ou três episódios passados. Pelo contrário, vai fazer tudo para a reforçar. O que, do meu ponto de vista, significa que se o XVIII governo se quer manter em funções - dadas as limitações que a próxima eleição presidencial impõe -, vai ter de tomar muita cautela e comer bastantes caldos de galinha. Que, como se sabe, se não curam, também não fazem mal a ninguém!
H.S.C
António Feio
Pertenço há já bastante tempo ao grupo de admiradoras de António Feio. Proporcionou-me sonoras gargalhadas que sempre tiveram origem naquele subtil humor e amor que dedica a Portugal. O dueto que forma com José Pedro Gomes é imbatível no non sense e muitos dos seus diálogos são peças inesquecíveis.Há tempos o seu amigo Zé esteve bastante doente. Escapou e felizmente está aí vivinho da costa para nos continuar a fazer rir.
Agora é a vez do António estar doente. Mas nem por isso deixa de usar o humor ao chamar a atenção para situações que precisam de ser revistas. De facto, recebi hoje um mail - que julgo verídico, vindo de quem vem - que nos conta, na primeira pessoa, uma sua aventura que podia ter sido fatal e atingir qualquer de nós.
Sentindo-se profundamente enjoado com os tratamentos de quimioterapia, pediu ao seu oncologista algo para atenuar aqueles efeitos. Foi-lhe recomendado um determinado medicamento. Depois de várias facécias com o horário de abertura da farmácia a que se dirigiu, começou a tomá-lo.
Como os enjoos não passassem, voltou a falar com o médico que lhe receitou outro remédio, esse sim, eficaz. Quando voltou ao clínico, falou-lhe sobre o assunto. Foi então que percebeu que a farmácia lhe havia vendido, não o que ele pretendia, mas outro de nome parecido, que se destinava à diabetes. Resultado, se tivesse continuado a tomar o primeiro, poderia ter tido más consequências.
Sugestão de António Feio para que casos destes se não repitam: legislar no sentido de que os nomes dos medicamentos sejam escritos em letra de imprensa.
Tem ele toda a razão. Por algum motivo se diz da má ortografia, que parece escrita de médico!
Ouso mesmo ir mais longe. Pedir que as receitas, sobretudo de medicamentos de risco, sejam escritas em computador. Assim os erros seriam menores...
H.S.C
sexta-feira, 23 de outubro de 2009
Eles lá sabem porquê...
Os dados estatísticos que vão saindo constituem o outono do nosso desassossego. Agora são os do Banco de Portugal a revelar um trágico panorama de endividamento incobrável para as famílias e para as empresas. De facto, o montante dos créditos de cobrança duvidosa ascendeu, no último mês de Agosto, a cerca de 8,5 mil milhões de euros.Nas famílias o mal parado atinge 3,7 mil milhões de euros, e é no crédito à habitação que surgem os maiores problemas, com um montante de 1.839 milhões de euros que os devedores não conseguem pagar à banca.
Também no consumo, embora com valores ligeiramente inferiores, a dívida duvidosa ronda os 1.060 milhões, o que representa, só, o dobro do que se atingiu em Agosto de 2008.
Porém, se contabilizarmos todo o endividamento sem retorno - vulgo calote - durante um ano, fica-se aterrado com a sua média de progressão, que ronda valores acima dos oito milhões e meio de euros por dia.
No que às empresas se refere e apesar dos empréstimos na banca terem subido apenas 7%, o crédito mal parado explodiu 94%, revelando 4.459 milhões de euros que as empresas não sabem como liquidar.
Para agravar a situação as poupanças dos particulares nas instituições de crédito diminuiram, entre Julho e Agosto, de 1008 milhões, situando-se nos 115.789 milhões de euros.
Quanto ao defice externo ele contrai-se nos primeiros oito meses do ano 24,6% relativamente a igual período do ano passado, atingindo agora 8.539 milhões de euros.
Resumindo, para não economistas, os calotes das famílias e das empresas crescem sem parar. As poupanças e o comércio com os outros países, ao contrário, diminuem a olhos vistos.
Não vale a pena fantasiar: o ano duro vai ser 2010. Disso, não tenha ninguém dúvidas. Mas quem governa continua a dizer que a recuperação já começou. Eles lá sabem porquê...
H.S.C
Agradecimento
Bem haja o sustentabilidadenaoepalavraeacçao.blogspot.com e a Manuela Araujo que teve a imensa amabilidade de me atribuir o selo "este blog é vip" . São estas pequenas atenções que me enchem de satisfação. Iniciado há cerca de nove meses - uma "gestação literária"- o Fio de Prumo já ganhou quatro prémios da blogosfera. Um orgulho que devo a todos os que têm a paciência de me ler!H.S.C
quinta-feira, 22 de outubro de 2009
Ai, a liberdade...
De acordo com o Relatório dos Repórteres sem Fronteiras Portugal estava, em 2007, muito bem posicionado no que à liberdade de imprensa dizia respeito. De facto, ocupava, então, o 8º lugar, a par de países como a Dinamarca, Finlândia e Irlanda.Mas cá na terrinha as coisas têm sempre que evoluir. Só que nem sempre pelo melhor caminho. Foi o que aconteceu em 2008 em que passámos para a 16ª posição.
Pois bem o mesmo Relatório para o ano de 2009 dá o 1º lugar à Dinamarca e a nós um desprestigiante 30º posto...
Mas sosseguemo-nos, porque há outras preocupações na velha Europa. É que a França e a Itália ainda estão pior do que nós! Ao contrário da América, onde a política seguida ultimamente a faz transitar de 40º para 20º lugar.
Entre a imensidão das nossas preocupações, esta não será, talvez, o matéria mais importante. Mas que é um indicador a ter em conta numa democracia que tanto fala de liberdade, lá isso é!
H.S.C
Subscrever:
Mensagens (Atom)