segunda-feira, 6 de janeiro de 2014

Mário Soares e a morte de Eusébio.

Podia comentar o comentário do ex Presidente da República. Mas não o faço porque, para mim, como dizia Eugénio de Andrade, as palavras são de cristal. E estas, manifestamente, não o são. Uma pena...

HSC

domingo, 5 de janeiro de 2014

Eusébio

Na morte todos são formidáveis e merecem elogios. Em vida é mais difícil  o reconhecimento.
Eusébio foi uma das maiores figuras do nosso desporto. Elevou Portugal e deu-o a conhecer a milhões de pessoas. Os anos setenta trouxeram-lhe uma vida dura de que poucos se lembram.
Tive a alegria imensa de o ver jogar e vibrar com as suas vitórias. Mas é português porque, no seu tempo, Moçambique era Portugal e foi lá que ele nasceu. Por isso, julgo que, além do desporto, são os dois países que estão de luto pela sua morte.

HSC

sábado, 4 de janeiro de 2014

Receios...

Numa declaração à Renascença sobre os seus desejos e receios para 2014, a segunda figura do Estado diz que o seu desejo para 2014 é uma co-responsabilização europeia em matéria social. 
Já quanto aos receios que enfrenta torna-se bem mais difícil entende-la, porque a linguagem utilizada é um pouco fora do comum. Ou então sou eu que estou com dificuldades de compreensão acrescidas. Vejamos: 

"Temos sempre um receio humano de não conseguir. O meu medo é o do inconseguimento, em muitos planos: o do inconseguimento de não ter possibilidade de fazer no Parlamento as reformas que quero fazer, de as fazer todas, algumas estão no caminho; o inconseguimento de eu estar num centro de decisão fundamental a que possa corresponder uma espécie de nível social frustacional derivado da crise."

Mas o seu maior receio é de “um não conseguimento ainda mais perverso: o de a Europa se sentir pouco conseguida e de não projectar para o mundo o seu 'soft power sagrado', a sua mística dos direitos, a sua religião civil da dignidade humana. E não conseguirá se não for capaz de agilizar as suas instituições políticas.”

“Tenho medo do egoísmo, do egoísmo que nos deixa de certo modo castrados em termos pessoais e nos deixa castrados em termos colectivos.”

Confesso que não estou habilitada para tamanhos receios. Os meus são manifestamente mais corriqueiros!

HSC


Vão, mas não voltam!

O texto que se segue é da autoria da Teresa Ribeiro que o postou hoje no blogue colectivo Delito de Opinião onde também escrevo. Ele diz tudo o que eu penso sobre o assunto.

"O que distingue os novos dos velhos emigrantes é o corte afectivo. A renúncia dos jovens, que agora partem, ao país que os viu nascer mas não lhes permitiu fazer planos, atingir objectivos, progredir na vida é uma novidade na nossa história de emigração. Esta nova geração não se vai rever nas canções de emigrantes que gemem de saudades pelo país solar que ficou para trás, nem vai fazer poupanças com o intuito de um dia voltar. Os seus filhos serão filhos de países bem sucedidos e aprenderão a falar as línguas que contam."
A globalização ajudá-los-á a descartar os sentimentos de pertença que sempre atrapalham na hora da despedida, mas será o sentimento de rejeição o principal responsável por todo este desprendimento. Ao contrário dos mais velhos não é com humildade que saem, mas com despeito. Na verdade, não partem, dão as costas. Dão as costas ao país que lhas virou". 

O que mais dói é o corte com o país. Os filhos destes novos emigrantes não tornarão a ele. E os seus progenitores irão, progressivamente perdendo o contacto com as origens. Morrerão portugueses, mas longe de Portugal. Será a nova diáspora nacional!

HSC

sexta-feira, 3 de janeiro de 2014

Perseguição

Estou a tentar digerir o OE para 2014 e as novas medidas persecutórias nele anunciadas. De facto, parece que este governo não sabe fazer outra coisa que não seja penalizar os funcionários públicos, pensionistas e reformados.
Não falo como economista, porque este não é espaço adequado para tal. Um blogue não é o local para derimir questões técnicas. Não concordo com a política seguida e tenho argumentos para sustentar o que penso.
Falo, sim, como cidadã que faz parte de uma classe social que o actual governo decidiu que deveria pagar não só a crise, como o resultado das suas más políticas. A isto chama-se perseguição. Aqui e em qualquer outra parte do mundo.

HSC

quinta-feira, 2 de janeiro de 2014

Um estranho filme

Num destes dias de "festas felizes" fui ver o filme dos manos Ethan e Joel Cohen. Por norma não perco nenhum. Têm sempre uma forma curiosa de abordar as histórias que contam e um humor quase trágico com o qual me identifico.
Este chama-se «Inside Llewyn Davis», e é difícil defini-lo. A branco e preto, de uma lentidão soberba, com um protagonista fabuloso na forma como canta e interpreta, narra uma semana de vida de um músico falhado. 
Em condições normais, este enredo seria suficiente para não pôr os pés no cinema. Dramas e miserabilismo já todos temos dose diária que chegue. Mas o um filme dos Coen tem de ser bastante mais do que isto, e de facto é. É também uma narrativa sobre a mediocridade humana e a falta de consciência dela.
Claro que podemos perguntar-nos porque é que se faz uma película sobre este tema. Eu perguntei-me. Mas não encontrei resposta. E contudo, sinto que é um filme que deve ser visto.
Saí da sala um pouco perplexa, incapaz de dizer algo mais que não seja, "é lento, mesmo maçador, mas não pode deixar de se ver".
Entendem? Eu não, mas é a verdade!

HSC

quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

Pronto...já passou!

Confesso que me cansam muito estas festejos obrigatórios em que ao 365º quinto dia todos se desejam o melhor e acompanham as doze últimas badaladas com doze pedidos listados de antecedência.
Até ao desastre do malfadado Prestige, a minha família fugia para a neve e aí decorriam as nossas celebrações numa tentativa de esquecer a dolorosa data de 25 de Dezembro em que a minha Mãe faleceu.
As responsabilidades de um dos filhos na pasta da Defesa obrigaram a que, nesse ano, não saíssemos, sempre à espera de ver se a mancha do derrame se encaminhava ou não para Portugal. 
A partir daí o Miguel e o Paulo queriam sempre ir para pistas de que eu não gostava e instalou-se a sistemática ditadura da maioria. Até que eu dei o grito do Ipiranga, cortei a colecta e decidi ficar com os meus irmãos. O argumento económico foi decisivo e a neve foi à vida. Desde então todos nos reunimos em casa do mano mais novo. Quem quer e pode vai. Os que têm outras famílias, dividem-se como entendem. Creio que é um pouco o que se passa com muitos de nós!
O que este ano me surpreendeu foi a loucura das compras num período de crise. Há muito tempo que não via um tal frenesim e sou capaz de apostar que o consumo interno terá dado um pulo bastante significativo, apesar de haver quem diga o contrário. Como economista surpreende-me e como cidadã fico perplexa, porque o cartão de crédito vai ter de ser pago em Janeiro...

HSC