Confesso que me cansam muito estas festejos obrigatórios em que ao 365º quinto dia todos se desejam o melhor e acompanham as doze últimas badaladas com doze pedidos listados de antecedência.
Até ao desastre do malfadado Prestige, a minha família fugia para a neve e aí decorriam as nossas celebrações numa tentativa de esquecer a dolorosa data de 25 de Dezembro em que a minha Mãe faleceu.
As responsabilidades de um dos filhos na pasta da Defesa obrigaram a que, nesse ano, não saíssemos, sempre à espera de ver se a mancha do derrame se encaminhava ou não para Portugal.
A partir daí o Miguel e o Paulo queriam sempre ir para pistas de que eu não gostava e instalou-se a sistemática ditadura da maioria. Até que eu dei o grito do Ipiranga, cortei a colecta e decidi ficar com os meus irmãos. O argumento económico foi decisivo e a neve foi à vida. Desde então todos nos reunimos em casa do mano mais novo. Quem quer e pode vai. Os que têm outras famílias, dividem-se como entendem. Creio que é um pouco o que se passa com muitos de nós!
O que este ano me surpreendeu foi a loucura das compras num período de crise. Há muito tempo que não via um tal frenesim e sou capaz de apostar que o consumo interno terá dado um pulo bastante significativo, apesar de haver quem diga o contrário. Como economista surpreende-me e como cidadã fico perplexa, porque o cartão de crédito vai ter de ser pago em Janeiro...
HSC