terça-feira, 5 de novembro de 2013

Expoente literário...

valter hugo mãe, em entrevista ao DN

Que pensar do jovem, talentoso e premiado escritor que assim se exprime?!

HSC

Querer ou crer?

Na página 47 do jornal Público de hoje, num texto intitulado "Governação Alternativa" , assinado pelo deputado Carlos Zorrinho, vem o parágrafo seguinte

"...Não há, ao contrário do que alguns parecem querer fazer querer, um troikismo duro e um troikismo privado".

Não será antes

"...Não há, ao contrário do que alguns parecem querer fazer crer, um troikismo duro e um troikismo suave.?

Enfim, em matéria de português e com o (des)Acordo Ortográfico, nunca se sabe...

Ó valha-nos Santa Engrácia...

HSC

sábado, 2 de novembro de 2013

A vida dos outros

Falamos de mais. Da vida dos outros e até da nossa. Quando qualquer delas só deveria interessar aos próprios.
Desvendamos as nossas casas como se elas não fossem o nosso mais intimo refúgio e como tal não devessem apenas ser reveladas ao mais próximos. Partilhamos casamentos, baptizados e divórcios. Falamos das nossas doenças e até fazemos livros sobre elas. Enfim, nesta pós modernidade, habituámo-nos a viver nus. De corpo e de alma, sem que isso pareça já incomodar ou surpreender alguém. Ou seja, como se diz no nosso povo sábio "pomo-nos a jeito"!
É evidente que se podem abordar todos estes temas - afinal eles fazem parte de viver - mas não há nenhuma necessidade de os personalizar.
Se há algo que não faço sobre os outros, são juízes de valor ou de carácter, embora quem navegue na net seja isso que encontra em grande profusão, numa leitura do que é publicado nos jornais e sem o menor conhecimento da vida real ou circunstâncias das pessoas em causa. São criaturas que fazem a sua própria catarse, bolsando ódio sobre os outros e sabendo, sempre, melhor que os próprios, o que fariam no seu lugar. A mim confrange-me um pouco porque sei o que está por detrás desses comentários odiosos.
A imprensa e a net têm sido o caldo de cultura e o desagradável veio de transmissão de tudo isto. Mas há uma responsabilidade individual que assaca todos nós, consumidores de tais enormidades. Não há, de facto necessidade, como diria o nosso diácono Remédios!

HSC

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

Gosto de gostar

Hoje numa entrevista perguntaram-me de que é que eu mais gostava, na vida. A resposta saíu célere:"gosto de gostar". O entrevistador ficou bloqueado e demorou algum tempo para ainda perguntar, incrédulo, "gosta, como?". Aí sorri e respondi "de todas as formas pelas quais se gosta". Felizmente para ele - e talvez para mim -, foi já no fim da nossa conversa...
Será assim tão difícil de compreender que um ser humano considere "gostar" como a essência da sua vida?!

HSC

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Autopromoção

Pronto, sai amanhã para as livrarias, o meu novo livro. É um pouco diferente do que costumo escrever. São 31 textos - um por cada dia do mês - que resultam de muitas conversas laicas que mantive com o Miguel.
Depois dele desaparecer, esses temas constituíram o caminho de pedras que tive de percorrer sozinha. Não teria sido capaz de o fazer sem o apoio do Padre Tolentino a quem o livro é dedicado.
Quando desaparecem aqueles que amamos o "luto" faz-se de formas muito diversas. Esta foi a minha maneira. Que agora partilho com os meus leitores fiéis. 
No fim da dura caminhada, o ritmo da minha vida mudou muito. Tiro muito mais prazer das pequenas alegrias, sofro menos com aquilo que não tem importância, tolero mais o que é diferente e o meu olhar sobre o mundo que me rodeia suavizou-se. 
São as faces de que essa experiência se revestiu que tentei transmitir nesta nova VIDA E ALMA.

HSC

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

A morte e a vida

"O final da tarde de ontem, é à Helena Sacadura Cabral que tenho que o agradecer. Porque foi o que ela escrevera há dias no seu blogue que me fez ir até à Universidade Católica. Para assistir ao lançamento de um livro que reúne cinco textos de Cicely Saunders, a pioneira do movimento moderno dos cuidados paliativos. Com duas aliciantes: a apresentação deIsabel Galriça Neto, que admiro muito e cujo filho, Francisco, traduz a obra (Watch with me no original) e do Padre Tolentino de Mendonça. Razões mais do que suficientes para valerem a deslocação.
Mas não só. Tal como dizia a Helena no seu post, esta é uma causa da maior importância, que nos implica a todos. Ainda bem que fui. Porque fiquei a saber mais sobre este assunto e, sobretudo, porque me emocionei com o discurso de ambos, feito com simplicidade, rigor e sentimento.
Mais do que a apresentação de um livro, aquela hora em que estivemos juntos foi uma partilha e uma reflexão conjunta sobre a vida e a morte, sobre a vulnerabilidade do fim de um caminho, visto não como uma derrota, mas como a possibilidade e o direito de viver tão intensamente quanto possível até ao fim, celebrando a vida. Dizia o Padre Tolentino de Mendonça "Sabemos tantas coisas úteis e inúteis. E ninguém nos ensina a morrer". É que a morte é, na sociedade moderna, um tabu, uma ideia que tentamos afastar de nós, como se ao não pensar nisso evitássemos que acontecesse. E depois, o magnífico e comovente testemunho dos momentos finais de vida do seu pai, de quando lhe pegava na mão e, em passinhos muito pequeninos, o levava até a uma janela do hospital, de onde se via o mundo. Naquele altura, dizia, "ele era simultaneamente meu pai e meu filho, mas a sua mão era, e ainda é, maior que a minha".
Foi mais ou menos com estas palavras que o Padre Tolentino terminou, de uma forma que me tocou muito especialmente, talvez porque, todos os Domingos, quando estou com a minha mãe, é também um pouco isso que sinto; quando lhe pego na mão e esse contacto silencioso com a mão que me ensinou a vida diz tanto do que não chega às palavras; e é uma forma de a amparar e de enfrentar a morte. E de a encarar com a maior naturalidade de que sou (somos) capaz(es). Ontem, tomei consciência do que de certo modo já sentia no coração: que aceitar a morte, por mais difícil que seja, é também aprender muito acerca da vida."

Permito-me reproduzir este post de uma comentadora que me visita muito - isabelmouzinho.blogspot.pt -, porque tive a oportunidade de a conhecer e porque a tarde de ontem foi uma lavagem da alma.
Nunca serei rica - nem quereria - mas sou milionária nos afectos que possuo. Disso não tenho qualquer dúvida!

HSC


Saber ouvir...

A economista e professora Manuela Silva, que coordena o grupo Economia e Sociedade da Comissão Nacional Justiça e Paz, da Igreja Católica, concedeu ao jornal Publico uma curiosa entrevista que pode ser lida AQUI.
Muitas das suas sugestões deveriam ser pensadas pelo actual governo cuja navegação à vista tem trazido os resultados que se conhecem. Mas em Portugal dialogar, ouvir quem pensa diferente, questionar as próprias decisões, não são apanágio da "partidarite bacoca" que se apossou do que entendemos ser a democracia. E isto, infelizmente, aplica-se tanto ao governo como à oposição.


HSC