Disse aqui, há ano e meio, que o ritmo da minha vida tinha mudado muito depois de perder o meu filho. Outra morte dolorosa se lhe havia de seguir num relativamente curto espaço de tempo.
Ambas fizeram com que passasse a demorar mais o meu olhar sobre aquilo que me rodeava e a dar mais valor às pequenas emoções do dia a dia: um café numa esplanada, um passeio à beira rio, um almoço com amigos, um ramo de flores frescas, enfim, às coisas simples da vida. Mas continuei a trabalhar demasiado.
A crise recente pela qual passámos obrigou-me - no meu caso particular de cidadã e de mãe - a um outro tipo de exercício. Que, sobretudo, conciliasse, as duas posições sabendo-se, como se sabe, que sempre pensei pela minha cabeça, e me não demito desse direito. E, embora haja ainda quem goste de me negar essa força identitária, ela existe e eu não abdico dela.
Assim e porque não vou ter ferias - corporizei-as no ar condicionado - reduzi o trabalho e tenho aproveitado para passear em Lisboa e "ver" aquilo que antes já lá estava, mas eu não reparava. Foi deste modo que pude, há dias, deliciar-me a ver o meu neto André - que estuda e trabalha -, no desempenho das suas funções laborais, sem que ele desse por isso...
A crise existe, eu sinto-a, mas tomei, de novo, a firme decisão de não ouvir políticos ou governantes nacionais, de modo a tentar manter esta sanidade interior o maior tempo possível. Fi-lo com Socrates e faço-o agora com Passos Coelho.
Ah! e preparo-me para passar Agosto em Lisboa, o que no meu caso, constitui já uma deliciosa forma de descanso...
HSC



