segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Liberdade de pensar

É sabido que não aprecio política. Menos ainda esta coisa a que apelidam de democracia partidária e que sistematicamente permite que as acções individuais se diluam  nesse mar vago da acção partidária. Assim, quando o senhor X do partido Y não cumpre nada do que em campanha prometeu, ele dorme descansado e eu não posso pedir-lhe contas. E já agora, neste belo sistema, alguém sabe quem é o/a senhor/a que vem em terceiro lugar numa qualquer lista partidária? Talvez os próprios e alguns militantes... Só que os votantes são em número muito superior aos que militam!
Vem isto a propósito do comentário de uma minha leitora, que considerou que o recurso a explicações que não pagam impostos era um mau exemplo para quem é mãe de um ministro deste governo e que, de certo modo, pela profissão que exerce, é "figura pública", seja lá o que isso for.
Ora eu não tenho que pensar pela cabeça do meu filho. Nem tenho que ser confundida com ele. Só tenho que dar exemplo daquilo que defendo. Ou seja, não devo opinar num sentido e depois praticar noutro que lhe seja inverso. Eu, como aliás qualquer pessoa que se permita dar opiniões. 
Como aqui tenho escrito, é público que não defendo a política económica seguida por este governo. Logo, o que julgo dever fazer é apontar o que considero estar mal e cumprir com aquilo que entendo ser o mais correcto. Daí que tenha feito um post a clarificar que vou trabalhar menos e reduzir não só as as minhas receitas como também as minhas despesas. É a minha opção pessoal face a uma política que me é imposta e com a qual estou em desacordo.
Se o dinheiro não chegar e tiver de recorrer a um ou dois explicandos é um direito que me assiste no quadro da legislação vigente. E só o farei em último caso, eventualmente trocando lições por azeite ou qualquer outro bem que me seja necessário.
Não roubo mas, sobretudo, não me deixo roubar!

HSC

domingo, 6 de janeiro de 2013

Egoista

Sou uma leitora fiel da revista Egoista desde que ela nasceu. Sou amiga e admiradora da Patrícia Reis que lhe dava conteúdo. Estimo Mário Assis Ferreira que a ajudou a criar e com quem cheguei a trabalhar.
Acabo de saber que ela morre após cinquenta números sempre deslumbrantes e únicos no panorama cultural português. A sociedade Estoril Sol irá perder Assis Ferreira e fechar a torneira que tornava possível este mecenato cultural, apesar dos Casinos continuarem a dar lucro.
Lamento a decisão tomada. Lamento, mais ainda, a perda de trabalho de profissionais como a Patricia. Para não falar da pena que tenho de não voltar a ver uma revista a que me aficionei. 

HSC

Uma excelente pessoa

Não tive até agora coragem de falar dele. Mas hoje, que assisti à missa de sétimo dia, apetece-me faze-lo. Porque vi, de novo, a Basílica da Estrela cheia de gente, tal como aconteceu no dia 31 de Dezembro.
O Manuel Bobone nunca ocupou cargos que pudessem ditar estas enchentes. Quem lá estava, da direita à esquerda eram, exclusivamente, os amigos . Dele, da família e da Ana Maria Caetano, a fiel amiga destes últimos anos a quem, de repente, Deus privou de mais um tempo de felicidade.
O Mané, como todos lhes chamávamos, foi uma das melhores pessoas que conheci, solidário, prestativo, alegre, com imenso sentido de humor, bom pai, bom irmão, enfim alguém de quem nunca ouvi fazer, senão, elogios. E porque nunca teve funções de poder, os que o apreciavam era porque ele o merecia inteiramente.
Há muito tempo que não via tanta gente a despedir-se de um homem de bem. Onde quer que esteja terá, decerto, gostado de nos lá ver todos juntos.
Adeus Mané, guarda-me aí um lugarzinho perto de ti, porque vou ter imensas coisas para te contar e para nos rirmos, quando aí chegar.

HSC 

sábado, 5 de janeiro de 2013

Gaspar, eu, e os anos sessenta

Hoje, com uma displicência digna de quem decidiu por-se a ver a música passar, recusei dois convites de natureza laboral. Expliquei que tinha decidido fazer cortes radicais nas despesas e também no trabalho imenso que tinha. 
Na verdade, a minha revolta é tal que não quero que o Dr. Gaspar seja o maior beneficiário do meu esforço. Prefiro reduzir gastos e consumo, mas o meu ele não leva mais. Assim, estabeleci as metas que se seguem e vou cumpri-las.
1. Gasolina: deposito e meio/mês, para ir à Sic e sair ao fim de semana.
2. Aquecimento: apenas nas habitações onde esteja.
3. Cabeleireiro: uma vez no mês.
4. Empregada: 3h por semana.
5. Cinema/teatro: três vezes no mês 
6. Livros, discos: metade do que gastava.
7. Roupa: não preciso. Tenho que chegue.
8. Férias: em casa.
Seguem-se cortes em despesas específicas, como a comida, na qual eliminei tudo o que era dispensável. Se conseguir não aumentar os gastos de saúde, este esquema permitir-me-á reduzir 25% do que antes despendia.
A ver vamos como me comporto nesta economia de guerra. Se não chegar, arranjo um ou dois explicandos, cuja receita é integralmente para mim. Voltarei, deste modo, aos anos sessenta, quando tinha o primeiro emprego. Só que não tenho a mesma idade. Mas, em compensação, sou muito mais sabida...

HSC

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Para a Rússia, com amor!



Vladimir Putin decidiu oferecer passaportes a milionários perseguidos pelo Fisco. A medida vai naturalmente ter grande sucesso a nível internacional. 
Depardieu já deu o salto. Outros se lhe irão seguir. Agora, até é a ainda famosa Brigitte Bardot que ameaça pedir um passaporte russo. 
Mas por razões diferentes. O protesto é motivado, no seu caso, pelo abate de elefantes em França. Nem mais, elefantes. É exactamente isso que acabou de ler. 
Ignoro se o senhor Hollande ou a sua Valerie terão lançado algum imposto que justifique esta medida. Mas estou mais crédula que tenha sido uma loucura súbita que acometeu a protagonista de Et Dieu crea la femme, após saber que dois elefantes tuberculosos teriam que ser abatidos.
Não quererá Vladimir Putin, dar-nos uma ajudinha e, ao invés, para compensar os ricos que vão entrar, conceder passaportes aos portugas sem dinheiro nem trabalho? É que com os impostos abusivos e as medidas de austeridade, emigrar tem sido a solução. 
Ora se tal medida acontecer, sempre poderemos partir para a Russia com amor.

HSC

Não há coincidências, disse ela

Faço já aqui uma prévia declaração de interesses: o Banco de Portugal foi, depois da Universidade onde estudei, a minha grande escola. Profissional e de vida. 
Tenho um enorme orgulho dos 18 anos que lá trabalhei e de ter servido pessoas como Jacinto Nunes e Silva Lopes. Tudo quanto possa dizer do muito que lhes devo, é pouco face ao que deles recebi. Costa Leal tem, também, lugar cativo na minha memória, pela forma como sempre me tratou 
Infelizmente não trabalhei para Carlos Costa, o actual Governador, e tenho pena. Já o disse mais de uma vez. Admiro-o muito.
Feito este intróito dei-me conta de algo curioso. É que todos os nomes de que hoje falamos - bem ou mal -, passaram por lá. Com efeito, Cavaco Silva, Ernâni Lopes, Manuela Ferreira Leite, Vitor Constâncio, Vitor Bento, Oliveira e Costa, Catroga, para só citar alguns, todos tiveram assentos no Banco Central.
Porque será que de uns temos boa impressão e de outros não? Porque é que uns são dados às boas práticas e outros nem tanto?
Será que, como diz a Margarida Rebelo Pinto, "não há coincidências"? A resposta só pode ser uma e é igualmente dela: "sei lá"!

HSC

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Perguntem-lhes

Como não ouvi o discurso do Senhor Presidente da República à Nação - tinha-vos aliás, já incitado, por questões de sanidade mental, a fazer o mesmo, por ocasião da faladura do Senhor Primeiro Ministro, que também não maculou os meus ouvidos - hoje, quando tornei ao mundo das notícias fiquei perplexa. De facto, as interpretações das palavras pronunciadas eram tão díspares, que eu duvido que todos tenham escutado a mesma mensagem...
Percebi que aqui, como na América - sendo "culta e versada" já havia postado, em tempo oportuno, sobre a matéria -, o Orçamento era um berbicacho. Nada que se não esperasse de um lado e do outro do Atlântico. Lá o acordo não é ainda total. Aqui a baralhada parece-me grande porque Sexa Prof. Cavaco Silva deu, respeitosamente, uma no cravo e outra na ferradura, para usar uma tão sábia versão popular daquilo que os eruditos apelam de justiça de Salomão. Com efeito, e uma vez mais, caberá ao Tribunal Constitucional - o único que tem poderes retroactivos - a tarefa de dirimir as questões suscitadas não só pelo supremo chefe do país como pela oposição.
E o Tribunal Constitucional que, no ano findo, tendo em atenção a crise, "tolerou" um Orçamento que continha algumas disposições inconstitucionais, vai ter agora de ser menos tolerante, porque dois anos seguidos da mesma estória seria, digamos, no mínimo, incompreensível...
Assim, o Dr. Gaspar já deve andar a ver onde irá arranjar os milhões que pode/deve ser obrigado a devolver. Numa rápida primeira análise não vejo qualquer Fundo a que possa deitar a mão. Sócrates usou o Fundo de Pensões da PT e Passos já usou o Fundo de Pensões dos Bancários.
Como já chorámos tudo o que havia a chorar e não pudemos ir para o Brasil, no fim do ano, afogar mágoas, proponho que se peça àqueles que, sendo governo, banqueiros ou comentadores e para lá foram, o favor de nos indicarem o caminho. Porque eles, decerto, hão-de saber...

HSC