Eu nunca sei ao certo onde fui feliz,
mas sei onde me sinto livre:
nas cidades onde não tenho história,
onde nada de mim deixei,
onde uma rua é apenas uma rua e não um encontro antigo,
onde nenhum rosto passado vejo surgir em qualquer lugar,
à mesa do restaurante onde nos juntávamos,
à esquina em que nos vimos sorrir ao mesmo tempo,
no quarto pequeno ao fundo do apartamento amigo,
em todos os assaltos da memória ao coração.
Somos livres onde não temos história,
o coração atento nada lembra:
mas tu junto de mim sorris e dizes-me
onde comprámos flores à beira do canal."
Este lindíssimo pedaço de alma foi roubado do blogue timtimnotibet.blogspot.com, cujo autor é Luis Filipe Castro Mendes, um dos nossos poetas vivos que mais aprecio.
Mas não estou de acordo com ele, quando diz que somos livres onde não temos história. A minha liberdade está profundamente ligada à minha história pessoal, às pessoas que amei, aos lugares por onde passei, às lágrimas que chorei, às alegrias que partilhei.
Sou livre porque a minha história e a minha memória existem, contam quem fui, quem sou e quem posso ainda vir a ser. É este percurso que marca uma certa liberdade - a minha -, aquela que eu tive a coragem, ou o medo, de agarrar.
E até penso que a maior limitação à liberdade individual é o amor!
HSC





