sábado, 19 de março de 2011

Um sábado glorioso...




Hoje tive de trabalhar. Entreguei, antes da data limite, o novo livro para paginar mas, para cumprir prazos, o descanso de sábado foi à vida... Não me queixo, porque ainda tenho trabalho e há quem nem isso tenha. Mas, confesso, ando cansada!
Liguei, displicente, a televisão. Confesso que apenas queria saber as notícias do Japão, já que se me demorasse muito a vê-la, apanhava com o Congresso do CDS.
Pois tive o merecido castigo divino para mães que não gostam de política. Não é que apanhei quarenta minutos de Socrates no Porto, em discurso já de campanha, Carvalho da Silva numa manifestação impressiva no Rossio, e Portas filho no palanque?
Ora certamente que o Engenheiro conhecia a data da convocatória da CGTP e a do Congresso do CDS, ambos marcados para este fim de semana. Terá sido para silenciar as outras duas vozes que resolveu "botar" discurso no mesmo dia, à mesma hora?!
Ou foi porque - estando tão aberto ao diálogo - resoveu triangulá-lo? Que cansativa é esta democracia nacional e que pouco estimulante é o seu conceito de ética política...
E lá vamos nós ter de os continuar a ouvir nas próximas e várias eleições que se aproximam. Começo a desconfiar que é por estas e por outras que aumentam entre nós os acidentes cardio vasculares. É que não há coração que resista!

HSC

quinta-feira, 17 de março de 2011

Abertos ao diálogo

Um aluno perguntou-me porque é que na democracia portuguesa não havia a mínima harmonia entre os partidos, na defesa do que é melhor para o país?
Parecia o princípio de uma canção. Não era. Tratava-se apenas da surpresa e da angústia de um jovem de 19 anos que sentiu na família o efeito das medidas anti crise tomadas pelo governo, que lhe roubaram a possibilidade de continuar a estudar e lhe hipotecaram, assim, um futuro pelo qual ele próprio e os pais trabalharam.
Pouco depois desta conversa oiço a resposta do nosso Primeiro Ministro ao discurso de Passos Coelho, em que afirma, após seis anos de governação, "estar aberto ao diálogo".
O que será, para os iluminados que nos governam, o significado de abertura ao diálogo?
Continuar a mascarar os números vendendo imóveis para depois se tornarem seus arrendatários e tudo isto com a aquiescência da Comissão Europeia? Impor aos reformados e pensionistas mais pobres, que as suas pensões e reformas se mantenham no próximo biénio? Prometer uma baixa generalizada dos medicamentos e depois voltar atrás?
Se isto é governar, o "iô-iô" não é um brinquedo. É uma mera ferramenta política!

HSC

sábado, 12 de março de 2011

O censo obrigatório às... 20 horas!

Eram cerca das 20h de ontém, sábado, quando a campaínha da porta de cima tocou. Perguntei de dentro quem era. Responderam-me que era do Censo e que precisavam de me fazer perguntas. Respondi que as fizesse de onde se encontrava porque eu não abria a porta a ninguém àquela hora. E sugeri que deixasse na caixa do correio os impressos respectivos.
Que não podia ser, porque precisavam de saber quantas pessoas viviam aqui em casa. Esclareci este ponto. Quis saber se eramos da família ou não e se aqui ficava a empregada. Disse que não tinha empregada e ainda que só responderia ao restante em dia de semana e com identificação prévia. Insisti que as pessoas que aqui viviam saberiam responder aos questionários em causa e que, se fosse necessário, também saberiam como ser esclarecidas. Nada. O homem ficou especado no patamar até que a luz automática da escada se apagasse, tendo ainda acrescentado que o Censo era obrigatório. Foi quando clarifiquei ser esse mais um motivo para ele deixar na caixa postal os ditos documentos.
No meio da violência de que muitos de nós podemos ser vítimas, será que as 20h de um sábado, constituirão a altura mais adequada a este exercício?!
Eu sei que a maioria das pessoas trabalha e que, portanto, para ser inquirida, o ideal será em horário pós laboral. Mas ao sábado, dia habitual de descanso?!
Eu sei e compreendo que se fazem censos de dez em dez anos. Mas utilizando este caminho, de usar o fim de semana à noite, muitos de nós não vão poder "responder obrigatoriamente", porque têm cuidados especiais em relação à segurança da sua residência. Nomeadamente se viverem sós. Seria bom que as autoridades competentes tivessem consciência desta dificuldade.
Hoje de manhã fui ver a caixa do correio para saber se lá tinha ficado o que precisava para responder via net. Não havia lá nada. Logo, neste momento, não sei sei se quem me procurou era o censor ou alguem a fazer-se passar por ele. E que, mal eu abrisse a porta, me assaltasse a casa...
Fui à net informar-me. O número de apoio só funciona nos dias úteis das 9 às 20 horas. Ou seja os serviços só atendem nos dias de trabalho. Mas os inquiridos são abordados... ao fim de semana.
Se o inquiridor tivesse deixado na caixa do correio os números de identificação necessários ao acesso via net, eu estaria agora habilitada a cumprir a minha obrigação. Como não o fez vou ficar à espera. O que muito possivelmente significa não poder responder no dia 21 de Março.
Com censo ou sem ele, eu não abro a porta a ninguém a partir das 20horas. Apenas a amigos e conhecidos que previamente se identificam. Como eu, muita gente mais!
Porque será que as decisões entre nós nunca são devidamente ponderadas? Sobretudo quando são obrigatórias...

HSC

Mais outro discurso

Acabo de ouvir na televisão Pedro Passos Coelho dizer num longo discurso, em Viana do Castelo, que desconhecia o PEC IV que o Primeiro Ministro levara a Bruxelas, elaborado com a intervenção e "conivência" da Comissão Europeia. Pelo que entendi, nem a oposição, nem os parceiros sociais, nem o Presidente da República, tinham tido conhecimento do seu conteúdo.
A ser verdade, o governo prepara "novos saques" aos portugueses sem que, à anteriori, as restantes forças políticas fossem auscultadas.
A ser verdade, nenhum dos partidos vai facilitar a vida ao Engenheiro Socrates e à sua equipa. O que se traduzirá, a muito breve trecho, e tendo em consideração o discurso de Cavaco Silva, no mínimo, em eleições antecipadas.
A ser verdade, como o país não pode esperar pelo resultado do voto popular e Sócrates é parte do problema, temo bem que os próximos dias nos tragam surpresas que apenas antevira para Junho.
E, como não tenho bola de cristal, as previsões que faço, são meros raciocínios de bom senso. É que ninguém aguenta ter um novo PEC por mês. É humanamente insuportável.
Os portugueses que tantos sacrifícios têm feito, não mereciam isto. E o país muitíssimo menos!

HSC

quinta-feira, 10 de março de 2011

O discurso

Alguém esperaria do Presidente, neste segundo mandato - e no estado em que o Estado se encontra -, na sua nova tomada de posse, um discurso de optimismo? Eu não esperava.
E se ele tivesse surgido teria tido muitas e justificadas dúvidas. Porque uma coisa é o que nós precisamos de ouvir. Ou gostaríamos que ele dissesse. Outra coisa é o que o Prof. Cavaco Silva é capaz de nos dizer.
O Professor é um técnico experiente que já deu provas do seu saber. Mas não é um tribuno. Nem sequer um político consensual. Ele vê a política não como um fim, mas sim e só, como um instrumento que deve servir a Economia nacional.
Não se lhe pode pedir que seja um estratega como foi - é - Mário Soares. Mas este, em compensação, de Finanças, percebe seguramente muito pouco. Entre os dois géneros, tivemos o General Ramalho Eanes, um militar.
O discurso da posse foi uma antecipação de um semi-presidencialismo que pode estar na calha. Ou a antecipação de algo semelhante ao que fez Jorge Sampaio. Goste-se ou não do estilo, o aviso está feito. Veremos o que se segue...

HSC

domingo, 6 de março de 2011

Uma certa forma de vida

Jorge Sampaio gosta de falar. Tem, aliás, frases lapidares, que ficarão, para sempre, ligadas ao seu discurso como político. Refiro, em particular, a célebre afirmação de que "existe vida para além do orçamento" feita em 2004, quando tudo aconselhava a uma enorme contenção verbal.
Nunca teve. Nem agora. Em que se lembrou, seis anos decorridos, num jantar debate que decorreu no Porto, de que o país está em apuros. Ou seja, afinal, parece que a vida sempre se resume ao orçamento. E que, sem ele, a vida em Portugal, practicamente, não existe...
Haja paciência. Se saber envelhecer é, em si, um desafio, saber ser um velho e respeitado ex- Presidente é uma obrigação. De certo difícil. Infelizmente nem todos o conseguem!

HSC

quarta-feira, 2 de março de 2011

A sexualidade das portuguesas

Não. Não comecem já a rir. Depois de quase dois anos a falar de Portugal, um dia teria de acontecer falar de sexo. E o tema veio através de um comentário da minha querida amiga virtual Julia Macias - Valet, ao meu post anterior. Prometi-lhe que abordaria a matéria. É a altura.
Num programa de rádio - "Conversas de Raparigas" - de Rita Ferro, Ana Coelho e Rita Matos, a primeira terá duvidado dos resultados de um estudo que revelava ser elevado o grau de satisfação sexual das portuguesas. Porque, dizia ela, "como é que se pode medir a satisfação? Provavelmente, a D. Alzira de Vila Nova de Poiares tem relações uma vez por semana ou por mês e considera isso satisfatório".
A frase, fatal como o destino, deu origem a um artigo intitulado "Luta de classes" em que o autor - sim, um homem - servindo-se de textos literários clássicos, faz uma análise engraçadíssima da questão. Pronto, em resumo, foi isto. Os pormenores estão no post anterior.
Vamos nós, então, ao assunto.
1.Isto de medir a satisfação sexual por inquérito/sondagem, deixa-me sempre imensas dúvidas. Porque há a "tendência gabarola" e o seu oposto a "tendência metafísica", para não falar já de "orgasmos múltiplos versus orgasmos únicos", ou mesmo, versus orgasmos "a ver navios".
2.Por outro lado, a medição pelo sistema quantitativo também não leva a lado nenhum. Porque, um fim de semana "empenhado" pode satisfazer muito mais do que cinco dias úteis apressados.
3. A idade, a instrução, ou a localização geográfica, são factores que alteram comportamentos e por isso não devem ser misturados.
4. Não conheço o estudo. Mas conheço pessoas sexualmente felizes com 18 ou 70 anos. E o contrário também
5. O sexo não depende só de um. Ou pode até depender. Mas refiro-me aqui ao dueto tradicional de géneros opostos. Há mulheres que funcionam bem com uns parceiros e mal com outros.

Estes são alguns tópicos que, julgo, merecem ponderação. Prometo que voltarei ao assunto, pese embora não seja sexóloga. Apenas praticante. Mas, do meu ponto de vista, sexo é sedução, erotismo, liberdade. Sobretudo, liberdade. Até, de lhe dizer não. Apesar de ser uma pena!

HSC