terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Os políticos que merecemos!

Por defesa da minha sanidade mental, não tenho acompanhado esta "campanha eleitoral". Os poucos momentos que medeiam entre o dedo no comando e a lenta resposta/imagem da Tv velhinha que tenho na cozinha, dá para avaliar de que possam ter servido estes deprimentes direitos de antena. E, nem mesmo o facto de alguns meus comentadores me dizerem que lá fora "é parecido", me consegue confortar.
Julgo que estes actos devem servir para esclarecimento público dos programas de cada candidato e não para tornar público o lado privado da vida de cada um deles, sobretudo em domínios de pura intimidade. De facto, a coberto do direito à transparência, o voyeurismo nacional tem-se refinado em pormenores de uma insanidade assustadora.
Tamanha falta de qualidade justifica amplamente a enorme abstenção prevista. Se cada povo tem os políticos que merece... quem seremos nós, meu Deus, para merecer tais representantes!
Felizmente que "a coisa" - nem consigo encontrar palavra mais adequada - está mesmo a acabar...

HSC

domingo, 16 de janeiro de 2011

Minutos hilariantes


Ontem estava com dificuldade em adormecer. Fui fazendo zapping numa tentativa de encontrar algo que não fosse sangue, crime ou baboseira política que, se durante a semana dominam os noticiários, no fim da dita são o tema obrigatório para noites tranquilas.
Foi assim que assisti a uns minutos hilariantes em televisão. É que parei no Eixo do Mal, um conhecido programa de má língua política intelectual, mas onde, nesta madrugada, cada um dos seus brilhantes comentadores peroravam em...silêncio.
De facto, uma anomalia do canal pôs Daniel Oliveira, Clara Ferreira Alves - que estranhamente todas as semanas muda a cor do cabelo, sendo a última versão negro azeviche -, Pedro Lopes e Luis Pedro Nunes a gesticularem vivamente, sem que algum som saisse da boca deles. Era hilariante e imperdível ver como eles se levam a sério...
Finalmente, o som reapareceu. E Clara Ferreira Alves poude fazer, uma vez mais, a defesa do Primeiro Ministro, que considera o único membro do governo que trabalha com afinco.
Foi nesta altura que a minha insónia acabou e eu mergulhei nos braços do Morfeu. Quando, de manhã acordei, ainda sorria daqueles cómicos minutos de silêncio gesticulante.
Nem os Monty Pyton me teriam feito rir mais. Sugiro que a SIC repita a avaria...


HSC

terça-feira, 11 de janeiro de 2011

E são eles que proibem a bofetada...

"Tribunal da Relação de Lisboa iliba militar que mandou superior «prò c...». A fundamentação dos juízes é um autêntico tratado sobre a palavra proibida
Segundo o Diário de Notícias, o caso remonta a Agosto de 2009, quando o militar em causa reagiu com desagrado à recusa de um superior em permitir uma troca na escala de serviço: «Não dá para trocar, então pró c...».
O oficial ofendido, um sargento, decidiu apresentar uma queixa-crime por insubordinação, e o Ministério Público quis levar o cabo a julgamento.
No entanto, o Tribunal da Relação de Lisboa decidiu arquivar o caso. O desabafo do militar não é nennhum crime, mas apenas uma demonstração de «virilidade verbal», conta o DN.
Os juízes desembargadores que fundamentaram o arquivamento explicam que «c... é palavra usada por alguns (muitos) para expressar, definir, explicar ou enfatizar toda uma gama de sentimentos humanos e diversos estados de ânimo. Por exemplo, 'pró c...' é usado para representar algo excessivo. Serve para referenciar realidades numéricas indefinidas ('chove pra c...'; 'o Cristiano Ronaldo joga pra c...'; 'o ácaro é um animal pequeno pra c...'; esse filme é velho pra c...')».
Mais ainda, os juízes admitem que o palavrão funciona por vezes como «verdadeira muleta oratória», sobretudo «no Norte de Portugal», onde «não há nada a que não se possa juntar um 'c...'». E ainda ensinam que há duas teorias para a origem de 'c..'. Ou vem do latim caraculo, que significa pequena estaca, ou é uma palavra genuinamente portuguesa, referente a mastro, muito utilizada na época dos descobrimentos.

Já em 2009, a Procuradoria Distrital de Lisboa tinha arquivado um caso semelhante. Um agente da PSP apresentou queixa contra um procurador que reagiu de forma exaltada durante uma operação stop: «Eu não pago nada, apreenda-me tudo, c...!». ( in SOL , 11/ de 2010)

Vem este texto do Sol a propósito de um post de Rita Ferro, no seu Actofalhado.blogs.sapo.pt de hoje, que refere um artigo de Helena Matos, publicado no Publico, no qual se dá conhecimento duma lei recente de "nuestros hermanos", que prevê multas de milhares de euros para quem dê a entender que acha o outro feio. Julgo que acontecerá o mesmo para quem "achar" outras coisas sobre quem quer que seja.
Mas o mais delicioso do artigo é a referência a "uma lei que obriga os funcionários das escolas a impedir as criancinhas de terem brincadeiras "sexistas" - ou seja os clássicos rapazes a jogarem à bola versus as raparigas a esnobarem deles".
Confesso que não conhecia nenhuma destas inteligentíssimas disposições espanholas. Nem sequer que, agora, qualquer nacional, de ambos os géneros, poderá mandar para o c... quem muito bem entenda, sobretudo se for um superior.
Porque se tivesse sido o oficial a mandar o sargento para o c... duvido que a Justiça fosse tão branda!
De facto, num país em que os Pais já não podem dar um tabefe a um filho, sem incorrer no risco de serem penalizados, só faltava mesmo esta última manifestação de tolerância.
Alguém já terá pensado que existe na educação como em tudo o resto, algo que se chama AUTORIDADE, sem a qual nenhum barco vai a bom porto?!

HSC

O orgulho de ser português!

"Desculpem mas vou falar em português. Tenho muito orgulho em ser português", disse ontém José Mourinho, na ocasião em que lhe era atribuído o "prémio de melhor treinador do mundo".
Além disto, soube agradecer a todos os jogadores, presentes e passados, que o haviam ajudado a ganhar tal distinção. E, finalmente, não esqueceu aqueles que o amam e que foram o esteio e suporte durante o caminho percorrido até chegar ao topo.
Mourinho é um português que se orgulha de o ser. E nós, os outros compatriotas, orgulhamo-nos dele e do país que ele nobilitou.
Mas o desportista sabe o que vale e não é de falsas modéstias. Sabe que não foi a pátria que lhe deu nome nem prémio. Apesar disso, não esquece a terra que o viu nascer. Como eu gosto de quem assim pensa!

HSC

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Vítor Alves

Conheci alguns capitães de Abril. De uns gostei, de outros nem tanto.
Vítor Alves foi um dos primeiros. Era frequentador assíduo do Botequim, um bar onde pontificava Natália Correia, de quem eu era amiga, e no qual alguns dos ditos militares da liberdade se reuniam. Foi aí e pela mão da poetisa que o conheci, na informalidade da noite lisboeta de então.
Nessa época apenas três desses revolucionários suscitavam a minha curiosidade. Um vinha da Marinha e era muito inteligente. O outro foi Ministro dos Negócios Estrangeiros e considerado a cabeça pensadora do Movimento. Vítor Alves era o terceiro. Guardo dele a imagem de um homem que sabia ouvir e sabia comunicar. E, no trato, era uma pessoa sensível.
A sociedade portuguesa continua, neste fim de 2010 e princípio de 2011, a perder, em dose concentrada, alguns dos seus melhores. É pena!

HSC

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

O nível da política

Não consigo compreender que se faça da política o campo do ataque pessoal. É verdade que pouco ou nada tenho seguido, na televisão, dos "debates"/"ataques" para as presidenciais. Mas o pouco a que assisti e as notícias que li mostram bem não só o nível da discussão, como realçam a falta de vontade de esclarecer os portugueses.
Ainda acredito que este tipo de campanhas deveria servir para esclarecer quem vota. Esclarecer sobre "quem é quem" e que "projectos e compromissos" assumem os candidatos. Para que, quando pusermos a cruzinha, saibamos o que estamos a votar.
Nada disso. O que interessa é saber da vida de cada candidato como se, individualmente, qualquer deles tivesse de nascer duas vezes para ser melhor do que o outro. Um verdadeiro cansaço para todos os que tiverem a pachorra de assistir. Não será o meu caso. Chega-me o que vi!
E ainda se admiram que a previsão da abstenção seja de mais de 60%?!

HSC

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

O ano não começou bem...

Azar meu e de alguns amigos. Neste fim de ano vi morrer três. Daqueles que, em diferentes momentos, marcaram a minha existência. A sensação que tenho é a de que perdi bocados preciosos da minha memória e do meu coração.
Todos dizemos que a morte faz parte da vida. Mas nenhum de nós parece estar convencido disso. Talvez porque entre o saber e o sentir há uma enorme diferença. Que se torna mais acentuada quando tais acontecimentos se dão de uma forma inesperada.
José Luís Pinto Basto e David Stillwell foram os últimos a desaparecer. A ambos tinha ligações diferentes, mas a sua perda foi quase simultânea. À missa do último ainda consegui chegar a tempo de abraçar as filhas, de quem tanto gosto.
Assim, a despedida de 2010 - que faria com muito gosto - acabou por ensombrar 2011 que não recebi com grande alegria, embora tivesse estado rodeada de muito carinho.
Enfim, agora vem a dura realidade, ou seja, aguardo os pagamentos de Janeiro para saber quanto vou passar a receber, depois da "caridade obrigatória" que este governo, que não é da minha simpatia, impôs a alguns de nós, de modo a tornar os portugueses cada vez menos iguais nos direitos e nas obrigações...

HSC