quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Este Calor!

Não sou de grandes queixumes. Cá vou aceitando o que a vida me dá, umas vezes mais contente, outras vezes menos satisfeita. Mas nada que dê origem a grandes perturbações.
Até agora. Até chegar este calor desalmado, que me faz parecer uma criatura fugida de um qualquer goulag e que seca os poucos neurónios que ainda mantenho.
Há anos que o aguento. Há anos que suporto, estoicamente, as consequências de viver no último andar de um edifício virado para o mar. Mais concretamente num andar com quatro devassadoras janelas viradas a sul. Acopladas a um terraço onde se poderiam grelhar ditadores da América do Sul sem que se desse por isso.
Há anos que luto para não colocar ar condicionado, receando os efeitos maléficos do mesmo nesta carcassa que está longe de ser nova.
Pois bem, este calor, este capacete cinzento sobre a minha cabeça, este ar irrespirável que se apoderou do país faz com que pela primeira vez me queixe e reclame dum clima que se diz temperado.
Temperado, uma figa, digo eu que ainda permaneço com um resquício de educação! Basta de tempero. Venha o destempero, venha a chuva, mesmo sem ter ido ainda para férias...

HSC

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Notícias? Crise?

Uma passagem pelos jornais diários, permitiu ficar com uma tormentosa noção do que aqui se vai passando, além dos fogos que nos devoram. Escolhi:
D.NOTÍCIAS - No ano 2009/2010 foram abertos processos disciplinares a 17.649 alunos, o que representa em relação ao ano anterior um aumento de mais de 15%. A situação preocupa Pais e Professores. O Ministério da Educação afirma que se trata de "uma maior atenção e rigor nas escolas"...
PÚBLICO - Cerca de 40% das empresas portuguesas apresentaram prejuízos em todos os exercícios que se desenrolaram ao longo do período 1997/2007, último para o qual há estatísticas oficiais. Antes, entre 1989/1996 os prejuízos acumulados somavam 35 mil milhões de euros. Agora, entre 1997/2007 aquele montante situa-se em cerca de 100 mil milhões de euros! Um "pequeno acréscimo" como se vê...
Neste mesmo jornal afirma-se que ninguem sabe exactamente quantas Fundações existem nem tão pouco quanto recebem do Estado aquelas às quais é reconhecida utilidade pública. Em 2009 os dados disponíveis apontavam para 306 instituições a receberem do erário público algo como 166,5 milhões de euros. Um pequena migalha sem qualquer importância...
JORNAL i - A OCDE prevê, num seu estudo, que a retoma de certos países que a integram está parada. No caso português a situação é bastante complicada, porque regista a terceira pior marca do euro. Será que nos especializámos em ser "os piores"?!
Podemos dizer que o panorama não é, de facto, animador. Mas, em compensação os festivais de música e as festas algarvias, vão de vento em pôpa e ninguem se queixa do preço dos bilhetes...

HSC


domingo, 8 de agosto de 2010

Um Domingo simples!

Tenho alguns amigos especiais. Hoje passei o Domingo na casa de dois deles. Com cerca de mais quarenta outros. Não, não era uma festa especial. Tudo bem mais simples do que isso. Trata-se de uma quinta na Ericeira, cujos donos abrem o Verão recebendo os amigos todos os Domingos. Faz-se uma grande almoçarada, levam-se coisas e compram-se outras. No fim, somam-se os gastos e divide-se pelo numero de convivas.
A Quinta dos Leitões que, aliás, também serve para eventos, pertence a um casal que há anos mantém esta tradição, recebida dos bisavôs, de partilhar o seu espaço de descanso, com todos aqueles que os estimam e apreciam a simplicidade com que vivem.
A Teresa e o marido ficam felizes rodeados dos seus e dos dilectos. As gerações vão-se sucedendo, mas o ritual mantem-se com as pequenas alterações que a modernidade consente.
À vinda para Lisboa trazia o coração cheio. De ternura, de alegria, de sossego interior. E, mais uma vez confirmei que, além da família, os amigos têm sido, ao longo da minha vida, o esteio da minha força!
HSC

sábado, 7 de agosto de 2010

Cada vez pior!

Algo de verdadeiramente surrealista atravessa este país. Antes nacionalizámos o que era privado, na sequência de uma revolução. Agora vendemos as jóias, já que os dedos não interessam a ninguém. Porquê?
Confesso que, por mais que me esforce, não consigo deixar de ficar triste. EDP, GALP, CTT, ANA, TAP, VIVO, o que faltará alienar mais? Entretanto e a ajudar, a solução encontrada para a privatização do BPN, até me causa arrepios. É mais dinheiro, nosso, dos contribuintes sem qualquer garantia de retorno. Será que tudo isto, que vai acontecendo nas nossas costas - ou na nossa frente, tanto faz -, não carece de uma explicação cabal de "como", "porquê", "quando"?
Se este é o exemplo da nossa democracia, em que "o povo" só existe para votar e no restante é tratado como débil mental, eu pergunto: onde está a vantagem do sistema?!

HSC

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Chumbos...

Hoje em dia já ninguém sabe que termos usar. Entre o novo Acordo Ortográfico, a escrita utilizada nos telemóveis, os programas de computação em inglês e a desejada integração de novos "termos étnicos"na nossa língua, deixei de ter certezas. De como se diz, ou de como se escreve. O que é grave, na a minha actividade profissional.
A situação chega a ser tão bizarra que tenho alunos, na Universidade, a dizerem-me que "deletaram" completamente uma matéria, ou colegas a darem-me o conselho de "linkar" para tal "site" onde encontro os "files" de que preciso... Alguém entende tal conversa, quando há termos portugueses para todas estas expressões? Devemos aceitá-las? Porquê?!
Hoje ao almoço Francisco Assis - felizmente um homem inteligente - na Sic Notícias recusava o uso do termo técnico "repetências" e mantinha o comum "repetição". Fiquei feliz!
Todavia, apesar disso, continuei sem perceber patavina do que se pretende com o fim dos "chumbos", se é que a expressão ainda está em uso. Será que se quer acabar com ela, por ser feia? Será para efeitos estatísticos? Será porque o ensino e os estudantes são tão bons, que já não se justifica o vocábulo?
Mas então se as repetências existem, não é porque houve chumbos?
Não será normal e desejável que quem não está apto no conteúdo duma matéria chumbe e repita a dita?
O defeito deve ser meu. De facto, não consigo perceber o que se pretende com esta eliminação que me parece uma tremenda via de ajuda à desqualificação escolar...

HSC

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Bettencourt Resendes

Faleceu esta madrugada um homem a quem pessoalmente muito devo. Trata-se de Mário Bettencourt Resendes, que conheci quando comecei a escrever na Máxima.
Anos mais tarde, pela sua mão, entraria no Diário de Notícias para ocupar o espaço deixado vago por Emídio Rangel. Seria a última página do jornal e, por cima de mim - salvas sejam as más interpretações -, perorava à época, Vasco Pulido Valente.
Jamais esquecerei a urbanidade e simpatia com que me disse " pode escrever sobre o que quiser", em resposta às minhas dúvidas em aceitar tão honroso convite. Julgo que na base de tal proposta terá estado a mão de Fernanda Mestrinho, que era e é, muito minha amiga.
O certo é que os anos que lá permaneci - e foram vários - marcaram para sempre a minha ligação aos jornais e muito em particular ao DN daquela altura, onde ainda guardo bons e saudosos amigos.
Atravessei quatro direcções diferentes. À excepção da última, todas me trataram de modo impecável, não questionando jamais a escolha feita por Resendes. Por isso, a morte deste homem entristece-me profundamente e só tenho pena se não chegar a Lisboa a tempo de lhe prestar uma última homenagem!

HSC

domingo, 1 de agosto de 2010

Inusitadamente, ao Domingo!

De repente, na sexta feira, duas das minhas editoras resolveram mandar-me as provas de dois livros para corrigir. Uma hecatombe para quem ainda se não refez do calor e do corte do cabelo.
De um lado, esperavam-me 240 páginas da vida de nove mulheres. Do outro, 320 folhas de gostosas receitas familiares.
Por onde começar era a minha questão filosófica básica sabendo, à partida, que o que me apetecia mesmo era ir tomar uma banhoca à piscina de uns amigos. Porém, para completar o quadro desesperante, no sofá sorriam-me dois pares de calças para apertar - sim, sou muito prendada, cozinho e coso razoavelmente - e, confesso, a vontade de lhes mexer também não era muita.
Comecei por elas, nem eu própria sei porquê, visto que enquanto as arranjava, sentia que devia estar a tratar dos livros. Incongruências femininas!
Terminado o problema do vestuário, persistia o profissional. Finalmente decidi. Veria alternadamente 20 folhas de cada um dos montes que estavam à minha frente.
Uma aventura. A certa altura já misturava rabanadas com a pesquisa de plutónio, aletria com as golas Chanel, bifes à café com os amores de Gala Dali. Parei. O que se adivinhava a este ritmo era dantesco... E, ainda outra vez, tomei a opção mais insólita. Vim escrever este post!

HSC