Crescer não é necessariamente convergir. São dois movimentos diferentes, embora muitas vezes sejam confundidos.
Crescer é alargar horizontes, acumular experiências,
desenvolver capacidades, descobrir novas possibilidades e ganhar dimensão. É um
movimento de expansão, de abertura ao mundo e de afirmação daquilo que somos.
Convergir, pelo contrário, pressupõe aproximar posições,
encontrar pontos de contacto, construir entendimentos comuns e, por vezes,
abdicar de diferenças em nome de um objetivo partilhado.
Mas nem sempre crescer significa aproximar-se de alguém, de
uma ideia ou de um modelo. Pelo contrário, há processos de crescimento que
tornam as diferenças mais evidentes, as convicções mais sólidas e os caminhos
mais distintos.
Uma pessoa pode crescer sem convergir. Uma organização pode
desenvolver-se sem uniformizar pensamentos. Uma sociedade pode evoluir sem
perder a pluralidade. E duas pessoas podem amadurecer sem necessariamente se
aproximarem nas suas escolhas ou visões do mundo.
Talvez seja esse um dos equívocos do nosso tempo: acreditar
que o progresso exige consenso, que a maturidade implica concordância ou que a
evolução só acontece quando todos caminhamos na mesma direção.
Não é assim.
Crescer é ganhar dimensão; convergir é encontrar uma direção
comum. Podemos fazer o primeiro sem alcançar o segundo. E isso não significa
necessariamente fracasso, retrocesso ou incapacidade de entendimento.
A verdadeira maturidade talvez esteja precisamente em
reconhecer que podemos crescer juntos sem pensar da mesma maneira, respeitar
sem concordar e construir em comum sem apagar aquilo que nos distingue.
Porque a diversidade de pensamento não é um obstáculo ao
crescimento. Muitas vezes, é a sua condição essencial.
Nem todo o crescimento conduz à convergência. E nem toda a
divergência impede o progresso.

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