sábado, 7 de novembro de 2026

A ESCOLHA PARTIDÁRIA

 

Uma pessoa honesta poderá entrar na política porque acredita que os partidos são, apesar de todas as suas imperfeições, instrumentos essenciais da democracia. Porque entende que ficar de fora, limitando-se a criticar, também é uma forma de deixar o espaço livre para aqueles cujas motivações podem não ser as mais nobres.

Mas há um preço. A filiação partidária exige, ou parece exigir, uma capacidade de integração num coletivo, de aceitação de hierarquias e de disciplina. E é precisamente aí que pode surgir o conflito: até onde se pode ir em nome da pertença a um partido sem trair a própria consciência?

A honestidade, na política, não deveria ser uma qualidade excecional nem uma bandeira de circunstância. Deveria ser uma condição de entrada e uma exigência permanente. Não significa ser perfeito, nem acreditar que se tem sempre razão. Significa não abdicar da liberdade de pensamento, não pactuar com aquilo que se considera errado e não trocar convicções por lugares, favores ou protagonismo.

Talvez o que ainda possa atrair uma pessoa honesta seja a possibilidade de contrariar, por dentro, aquilo que tantas vezes critica por fora. De tentar mudar práticas, devolver dignidade à participação política e demonstrar que a fidelidade a um partido nunca poderá estar acima da fidelidade aos princípios.

Mas há uma pergunta que cada pessoa deverá fazer a si própria antes de entrar: estou disposta a mudar a política ou corro o risco de deixar que a política me mude?

Porque entrar num partido pode ser um ato de cidadania. Permanecer nele, sem perder a independência de pensamento e a integridade moral, pode ser um verdadeiro exercício de coragem.

Sem comentários: