Uma pessoa honesta poderá entrar na política porque acredita
que os partidos são, apesar de todas as suas imperfeições, instrumentos
essenciais da democracia. Porque entende que ficar de fora, limitando-se a
criticar, também é uma forma de deixar o espaço livre para aqueles cujas
motivações podem não ser as mais nobres.
Mas há um preço. A filiação partidária exige, ou parece
exigir, uma capacidade de integração num coletivo, de aceitação de hierarquias
e de disciplina. E é precisamente aí que pode surgir o conflito: até onde se
pode ir em nome da pertença a um partido sem trair a própria consciência?
A honestidade, na política, não deveria ser uma qualidade excecional
nem uma bandeira de circunstância. Deveria ser uma condição de entrada e uma
exigência permanente. Não significa ser perfeito, nem acreditar que se tem
sempre razão. Significa não abdicar da liberdade de pensamento, não pactuar com
aquilo que se considera errado e não trocar convicções por lugares, favores ou
protagonismo.
Talvez o que ainda possa atrair uma pessoa honesta seja a
possibilidade de contrariar, por dentro, aquilo que tantas vezes critica por
fora. De tentar mudar práticas, devolver dignidade à participação política e
demonstrar que a fidelidade a um partido nunca poderá estar acima da fidelidade
aos princípios.
Mas há uma pergunta que cada pessoa deverá fazer a si própria
antes de entrar: estou disposta a mudar a política ou corro o risco de
deixar que a política me mude?
Porque entrar num partido pode ser um ato de cidadania.
Permanecer nele, sem perder a independência de pensamento e a integridade
moral, pode ser um verdadeiro exercício de coragem.

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