terça-feira, 22 de maio de 2012

As estatísticas da realidade




Os números do Boletim Estatístico do BdP, revelam que a dívida do Estado à banca continua a crescer. Esse aumento é de quase 12 mil milhões de euros em relação a Março do ano passado.
Foi em 2010 que a dívida do Estado à banca disparou e quase duplicou. De facto, passou de 22.887 milhões de euros em Dezembro de 2009 para 45.235 milhões no mesmo mês do ano seguinte.
Na segunda metade do ano passado, a mesma dívida reduziu-se ligeiramente, mas voltou a crescer no início de 2012.
Esta evolução deve-se ao endividamento progressivo da administração central.
A dívida à banca representa menos de um terço da dívida total do Estado mas foi a que mais cresceu nos últimos anos, ultrapassando mesmo o crescimento da dívida ao estrangeiro, que se situou nos 40% nos últimos quatro anos.
Pelo contrário, o crédito ao sector privado reduziu-se e essa quebra é maior a partir do final de 2010, ou seja quando a banca aumentou de forma mais expressiva o crédito concedido ao Estado.
Se em Dezembro de 2010, a dívida concedida pela banca a particulares ascendia a 157.341 milhões de euros, em Março ultimo ela estava nos 151.350 milhões. No mesmo período, o crédito concedido às empresas privadas passou de 144.858 milhões para 136.097 milhões de euros.

Não quereria estar na pele de quem tem de gerir este barco, tentando conciliar o interesse do país com a troika e uma certa ideologia. De facto, estes números podem ter várias leituras. A minha é preocupante. Mas eu só interpreto, não giro nem governo. E, sobretudo, tenho muito poucas ideologias. Sou uma tecnocrata, que é o pior que hoje se pode ser...

HSC

6 comentários:

Anónimo disse...

Trata-se apenas de um artificio humano por mais teorias pedantes e torcidas com que nos queiram baralhar.
Papel imprimido e moeda cunhada que podiam ser conchas noutras tribos/culturas. As regrs podem-se mudar quer a bem, quer a mal.

Paulo Abreu e Lima disse...

Helena,

O que se passa é tenebrosamente simples: já não bastava ao Estado sugar impostos para gastar nos seus desmandos, como também retirar aos privados a já pouca capacidade de crédito concedida. Há uns bons anos que a CGD é uma fonte privativa de financiamento do Estado, assim como todos os outros bancos que dependem dele até ao tutano.

(Desculpe-me a acidez...)

Silenciosamente ouvindo... disse...

Concordo totalmente com o comentário
anterior. Muito, muito preocupante.
Bj.
Irene Alves

aNaTureza disse...

"Papel imprimido e moeda cunhada que podiam ser conchas noutras tribos/culturas".
Não é verdade, o dinheiro hoje é mais virtual do que existente. Este é o problema. Alguns ficam a "arder" e sabemos quem são, não é?
Para além de ser preocupante, é de facto muito triste a falta de ética que se anda a replicar.

Nita disse...

Nutro uma desmedida admiração por si!

Beijo da Nita.

Anónimo disse...

Mil beijinhos*