Aquietem-se, porque não é de política que vou falar. É de homens. Os que guardo nas minhas lembranças.
Aquietem-se de novo, porque também não é acerca dos meus amores que vou escrever. Esses estão no meu coração, guardadinhos a sete chaves. Vou falar-vos dos homens que estão na minha memória e que embalaram as minhas paixões.
São vários. Na música, quatro: Sinatra, Montand, Cohen e Aznavour. Georges Moustaki é da mesma fornada mas não ocupava o lugar dos outros. Vinha na segunda linha. Acaba de morrer. Ficará o registo da sua voz, já que o da imagem se degradou muito. Quando veio a Lisboa já era um velho. Ao contrário dos outros dois vivos que citei, nos quais o passar dos anos foi menos cruel.
No cinema Redford mantém-se entre aqueles por quem a minha pressão sanguínea acelerou. E vou ficar triste, se ele partir antes de mim.
Estas figuras contam nas suas rugas - e ainda há quem queira apaga-las! - a história de um meio século, ao qual eu tive a sorte de pertencer. As vozes, essas, com os olhos fechados, eu distinguiria qualquer delas à distância.
Redford, no meu caso, personifica "aquele" homem com quem se tem o direito de sonhar. Aos vinte, aos trinta, aos cinquenta, aos noventa! Felizmente, o coração só envelhece nos electrocardiogramas...
HSC






