quinta-feira, 18 de Setembro de 2014

Formação em voluntarido

Muitos de nós decidem passar uma parte da sua vida a fazer voluntariado ao serviço dos outros. Com bastante frequência, trata-se de uma expressão de amor pelo próximo, para qual não se possui qualquer preparação específica. Ora hoje esta formação específica existe para que esse serviço possa ser prestado nas melhores condições.
É o que vai acontecer na Unidade de Cuidados Paliativos do Hospital da Luz, onde nos dias 4 e 11 de Outubro, se realizará um Curso de Formação para Voluntários naquele tipo de cuidados. 
Caso queiram frequentar esta iniciativa poderão faze-lo através dos contactos seguintes: 

    

O que fazemos pelos outros não tem habitualmente história. Só quando acontece connosco é que lhe damos o devido valor!

HSC

Hollande, um homem normal?

Acabei de ler, na semana passada, o livro "Merci pour ce moment", escrito pela ex namorada do Presidente François Hollande, Valérie Trierweiler, que nele conta não só como há pouco mais de sete anos se apaixonou, mas também como foi o seu ano e meio de Primeira Dama no Eliseu.
Interessa-me muito pouco a vida sentimental de quem exerce funções políticas, porque entendo que se trata do foro privado de cada um. Quando, porém, por vontade expressa dos próprios, ela transcende esse domínio e se torna peça pública, a questão muda de figura.
Este livro é muito menos violento do que eu esperaria e mostra como alguém psicologicamente frágil - contrária à imagem que dava de si - vive na dependência absoluta da atenção daquele com quem partilha a sua vida.
É, como muitas outras, a história de uma ruptura vivida por uma mulher duplamente atraiçoada. Primeiro, atraiçoando ela Ségolène Royal que, por sua vez, lhe dá paga, acabando como segunda figura do governo de Hollande, quando este já tinha expulsado Valérie. Segundo, provando ela própria, com Julie Gayet, o veneno que, antes havia instilado a Royal.
Aliás, o livro é muito mais sobre o casal político inicial, do que sobre a actriz que, de capacete de motard, o Presidente da França visitava e alimentava a croissants. É uma vendetta? É seguramente. Mas Valérie suspendeu até ao último momento a publicação do livro, na esperança de uma reconciliação que acabou, felizmente para ela, por se não dar. E mostra como, afinal, ao contrário do que afirmava, ela gostaria de ter sido a "legítima" do Presidente.
Hollande sai deste envolvimento como um mentiroso compulsivo, um homem que é capaz de se desfazer dos amigos em proveito próprio, alguém que não sabe assumir frontalmente posições. Confirmando, assim, tudo o que o ex ministro Arnaud Montebourg disse, há pouco tempo na televisão, a quando da sua saída...

HSC

terça-feira, 16 de Setembro de 2014

Sublime!

"Na presente corrida eleitoral no PS, asseguram-nos isentíssimos comentadores, há o candidato que insulta, ofende e agride. E há o outro.
Na presente corrida eleitoral no PS, asseguram-nos isentíssimos "analistas políticos", há o candidato que recorre aos argumentos mais rasteiros para fugir ao debate de ideias. E há o outro.
Na presente corrida eleitoral no PS, asseguram-nos isentíssimos opinadores, há o candidato sem elevação nem nível. E há o outro.

Espreitei dois blogues que apoiam o outro.
Chamam gajo ao candidato que combatem. Mas não só: chamam-lhe também bandido, sacana, rufia, canalha, pulha, porco.

Insultos, ofensas, agressões. Argumentos rasteiros. Enfim, um modelo de elevação."

                      Pedro Correia in Delito de Opinião

Dei uma volta pela blogosfera com o mesmo intuito. Seguramente não teremos visitado os mesmos blogues. Mas, então, porque será que o resultado foi o mesmo? Será que viver em democracia é isto?! Que tristesa, que vergonha, que imagem dos partidos e do país.
E o mais grave, é que quem não alinhar, fica pelo caminho...

HSC

Teresa Guilherme


Pode ou não, gostar-se de Teresa Guilherme. Eu gosto - foi ela que acreditou e me convenceu de que eu seria capaz de fazer televisão - e julgo que ninguém poderá negar que é uma mulher de fibra, que sempre viveu a sua vida da forma que quis e a que considerou ter direito. Este vídeo mostra-o uma vez mais!

HSC

segunda-feira, 15 de Setembro de 2014

Magias!

Magic in the Moonlight – entre nós, Magia ao Luar - é o ultimo filme de Woody Allen e foi realizado no meio do turbilhão que lhe causou a acusação de abuso sexual feita pela filha adoptiva de Mia Farrow, sua ex-mulher. Talvez isso explique a necessidade que o realizador, de 78 anos, terá sentido de fazer uma comédia leve, que vive muito de ideias e situações recicladas de obras suas anteriores.
Stanley (Colin Firth) interpreta um falso mágico com talento para desmascarar charlatões, que é contratado para acabar com a suposta farsa de Sophie (Emma Stone), uma jovem americana de origem humilde a quem são creditados poderes mediúnicos.
Inicialmente céptico, ele irá aos poucos começar a duvidar de suas certezas e sentir-se cada vez mais encantado pela jovem.
O ambiente decorre nos finais dos anos vinte e é um filme sobre  magia. A magia a sério e a magia do amor.
Woody Allen centra a sua história na Côte d'Azur, e volta a especular sobre os seus dois antagónicos universos. Um movido pela razão, o outro alimentado pela fé. 
A acirrada discussão entre racionalidade e religião decorre entre citações a Hobbes, Freud e Nietzsche e a dúvida sobre a natureza da cura de uma doente se dever às preces da família ou à qualificação dos médicos que a atenderam. No caso do filme, a oposição dá-se, ainda, entre a magia como a arte da habilidade, ciência e precisão, que encanta quem quer ser iludido, e a clarividência, vista como arte da dissimulação em que um se vale da ingenuidade e boa fé. A questão afinal é sempre a mesma: Deus existe ou está morto?                                         

Escorpião de JadeScoop - O Grande Furo e este Magia ao Luar são três filmes recentes de Woody Allen que possuem duas carcterísticas em comum. Uma, a de trazerem histórias envolvendo mágica ou ilusionismo. Outra, a de estarem entre os filmes mais fracos deste grande director. Apesar disso, a linha média de qualidade de Allen - que alterna entre  filmes óptimos e filmes menos bons -, tem conseguido manter-se sempre uns degraus acima daquilo que se costuma ver nas salas de cinema do circuito comercial.                                                 

HSC

Os Maias de João Botelho

O enredo passa-se em Lisboa, na segunda metade dos séc. XIX e conta-nos a história de três gerações da família Maia.  A acção vai decorrer no Outono de 1875, altura em que Afonso da Maia, nobre e rico proprietário, se instala no Ramalhete. O seu único filho – Pedro da Maia – um fraco, casa-se, contra vontade paterna, com a negreira Maria Monforte, de quem terá dois filhos – um rapaz e uma rapariga. Aquela acabará por o abandonar para fugir com um napolitano, levando consigo a filha, de quem nunca mais se soube o paradeiro. O filho – Carlos da Maia – será entregue aos cuidados do avô, após o suicídio de seu pai. 
Carlos passará a infância com o avô, formando-se em Medicina, em Coimbra. Regressa médico ao Ramalhete,  onde se vai rodear dos amigos, João da Ega, Alencar, Damaso Salcede, Palma de Cavalão, Euzébiozinho, o maestro Cruges, entre outros. Seguindo os hábitos da época e dos amigos envolve-se com a Condessa de Gouvarinho, que depois abandonará.
Ao conhecer Maria Eduarda, que julgava mulher do brasileiro Castro Gomes, fica deslumbrado e serve-se da sua qualidade de medico para se aproximar dela, na ausência do marido. A paixão leva-o a comprar uma casa onde instala a amante.
Castro Gomes descobre o sucedido e procura Carlos, dizendo-lhe que Maria Eduarda não era sua mulher, mas sim sua amante e que, portanto, podia ficar com ela.
Entretanto, chega de Paris um emigrante, que diz ter conhecido a mãe de Maria Eduarda e que a procura para lhe entregar um cofre que esta deixou à sua guarda e que continha documentos que identificariam e garantiriam para a filha uma boa herança. Essa mulher era Maria Mão Forte – a mãe de Maria Eduarda e também a mãe de Carlos. Os amantes eram irmãos...
Carlos esconde o facto e mantém abertamente, a relação incestuosa com a irmã, que tudo ignora. Afonso da Maia, o velho avô, ao receber a notícia more de desgosto.
Quando, finalmente Maria Eduarda toma conhecimento dos factos sofre, mas está rica. Parte para o estrangeiro. Carlos, para se distrair, vai correr o mundo.
O romance termina com o regresso deste a Lisboa, passados 10 anos. No seu reencontro com Portugal e com Ega,  este dir-lhe-á a memorável frase: "falhámos a vida, menino!".

Com argumento e realização de João Botelho esta é a primeira adaptação cinematográfica da obra homónima de Eça de Queirós, considerada uma das mais importantes da literatura portuguesa. 
O elenco é formado por 52 actores, entre os quais se destacam João Perry como Afonso de Maia, Graciano Dias como Carlos da Maia, a actriz brasileira Maria Flor como Maria Eduarda e Pedro Inês como João da Ega. A voz narrada de Eça de Queirós é a do barítono Jorge Vaz de Carvalho.
Os cenários e o decor são lindíssimos e a ideia de colar as pinturas ao real resulta em cheio. Talvez o filme pudesse ter menos dez a quinze minutos de duração, mas editar cinematograficamente uma obra como esta não é tarefa para qualquer um.
João Botelho é, inegavelmente, um realizador de talento e torna-se indispensável ir ver o filme que mostra bem a evolução que o cinema nacional tem feito e como pode vir a constituir, ao lado do turismo, uma importante fonte de receita. Assim o saibam publicitar os responsáveis da Cultura em Portugal...

HSC 

Nota: O Clube do Autor lançou recentemente uma nova edição, muito cuidada, dos Maias. Para quem não tenha ainda lido, vale a pena comprar.

Bem amada!


"Saltou-me à vista (ainda a entrevista de DOliveira) que a Helena foi muito bem amada".

Este comentário feito ao meu anterior post, fez-me sorrir e deu origem a estas linhas. De facto, saldo feito - já tenho idade para os poder fazer -, é verdade que fui e sou uma mulher bem amada.
Fui-o no passado porque sempre soube equilibrar o que desejava com o que tinha. Sou-o hoje, porque continuo a saber fazer isso cada vez melhor. Ou seja, o meu copo nunca está meio vazio. Está sempre "quase" cheio.
Por experiência própria sei que nem todos, em amor, damos o mesmo. Na gíria, costuma dizer-se que "um ama sempre mais do que o outro". Mas não é bem assim. Cada um ama como sabe. O que acontece, é que muitas vezes, o que se deseja não é o que o outro sabe dar.
A minha sorte - sim, porque também é de sorte que se trata - foi a de me ter esforçado sempre por entender as "limitações" que podem advir da forma como cada pessoa vivenciou o seu passado que, forçosamente, foi diferente do meu. Neste domínio dei sempre o meu melhor. Talvez por isso, o divórcio não me castrou, não me azedou, nem sequer me tornou incapaz de amar de novo. 
E Deus compensou o meu esforço pondo no meu caminho não só quem devia ter posto, como permitiu que, olhando para trás, eu só lembre o lado bom e belo do que vivi, e que, afinal, me preparou para o que de mágico o futuro me havia ainda de reservar. 

HSC