quarta-feira, 17 de julho de 2019

Ainda serei economista?

As notícias sobre a banca portuguesa deixam-me o sangue a ferver. Chego, por vezes, a acreditar que se trata de uma invenção, tal a criatividade / permissibilidade que se alcançou nesta área. 
Hoje pode ler-se nos jornais a lista, sem nomes, dos maiores devedores - ia-me saindo outro nome, mas infelizmente sou muitdo educada - e nela se dá conta de que "há devedores e devedores na banca portuguesa e entre os maiores está a Grécia. É o cliente “112” da lista divulgada pelo Banco de Portugal. Os gregos deram um rombo de 766 milhões de euros ao BCP e BPI, depois do maior perdão de dívida da história, concedido ao país em março de 2012, aquando do segundo resgate financeiro internacional a Atenas".
Alguém consegue entender o que isto representa e como é que aconteceu? É que por mais que tente servir-me da preparação técnica que tenho, assola-me já sempre a dúvida, real, sobre os meus próprios conhecimentos, enquanto economista. Daí o titulo deste post...

HSC

terça-feira, 16 de julho de 2019

Destino marcado

Esta questão recente de Fátima Bonifácio, que empolgou o país, acabou por me proporcionar a leitura    de muita coisa que me fez pensar. 
O caso dos ciganos, de novo retomado, lembrou-me o drama de uma colega que tive e foi marginalizada pelos seus, porque se apaixonou por um homem que não era da sua etnia. Nem calculam o que esta mulher passou.
Do ponto de vista feminino a obrigação de casar com os seus, na adolescência, e numa iliteracia ainda muito grande, dada a pouca simpatia que os pais têm pela actividade escolar das filhas, causa-me algum incómodo.
Como conciliar tradições, que vão contra os nossos costumes, com a integração que todos desejamos porque eles são tão portugueses como qualquer de nós? Angustia-me pensar que algumas daquelas mulheres interiorizaram de tal modo em si aquelas tradições, que as sentem como fazendo parte do seu destino e nem sequer estão interessada em fazer nada para o alterar.
Aquela minha colega sofreu tanto, que quando enviuvou, quis voltar para o seu povo. Mas, entretanto, já tinha tido filhos e filhas que foram para a Universidade e a aconselharam a não o fazer, porque duvidavam que a mãe depois de proscrita, fosse aceite. E muito menos, com filhos que nunca por lá haviam passado.
Como fazer? Como integrar sem aceitar praticas que ferem os nossos princípios? Há quem acredite que é possível. Decerto têm razão. Mas parece-me tão difícil!

HSC

domingo, 14 de julho de 2019

Gosto deste júri!


Vejo pouca televisão nacional como já aqui tenho dito, nomeadamente na área do entretenimento. Todavia há um programa que vejo sempre que posso na sua nova versão. Trata-se do “A tua cara não me é estranha”, que é muito bem filmado e tem uma excelente produção.
Mas aquilo de que hoje quero falar é do actual júri, que considero uma mais valia do espectáculo. São três pessoas completamente diferentes mas que funcionam muito bem em conjunto. Destaco para já Rita Pereira, que está lindíssima depois de ter sido mãe, e Rui Maria Pego, ambos tentando e conseguindo pontuar com justiça os candidatos, também eles de excelente qualidade. A primeira vem do mundo da moda e mostra que é bastante mais que uma bela modelo. Rui Maria é ele próprio e eu nem me lembro de quem ele é filho, o que prova que quem ali está é ele próprio. E eu gosto disso.
Finalmente, Fernando Pereira está como peixe na água, já que a sua carreira tem muito daquilo que é o objectivo deste programa. Falta-me, apenas, ver o Cifrão, mas dizem-me que é ele que nos bastidores treina e coordena as danças.
Não sou perita nestas áreas mas, do meu ponto de vista, o programa parece-me totalmente novo e para mim a TVI está de parabéns com os novos jurados. Dos concorrentes hei-de falar mais tarde.

HSC

Este Domingo...


Pelo menos para mim, o domingo não devia ser o dia do Senhor, da ida à missa, das refeições tomadas em família. O domingo deve ser o dia em que se só se faz o que nos apetece. Há bastante tempo que sigo esta prática e, por isso, muitas vezes a missa do dia passa para o sábado ou até para sexta. Ou nem sequer passa. E não me sinto menos filha de Deus por estes eventuais incumprimentos, com tendência a ocorrerem sobretudo no Verão.
Hoje foi um deles. Creio que ainda irei à missa da tarde, mas a manhã foi passada num verdadeiro dolce farniente, apenas interrompido, aqui e ali, pela duvida cartesiana sobre se valeria ou não a pena fazer a cama. Vingou a negativa...
Foi com este espírito que aceitei o convite para ir almoçar ao novo restaurante JNCQUOI ÁSIA, aberto recentemente, mas já apinhado de gente como o primeiro. Valeu o convite.
O espaço é fabuloso, o ambiente ótimo - para mim, talvez, demasiado ruidoso - e a comida variada e de muita qualidade. Em certas ocasiões parece mesmo que estamos nesse outro continente, o que, creio, será o melhor dos elogios que eu posso fazer. 
Os preços não matam, ao contrário de alguns outros espaços da mesma categoria, e o pessoal é de uma enorme atenção e gentileza. Nada que espante, sabendo-se do curriculum do Miguel Guedes de Sousa - seu proprietário -, nestas matérias. 
Enfim, um bom domingo, uma boa refeição e um bom descanso a fazer aquilo de que gosto: comer bem, gozar da companhia de quem gosto e passear à sombra pela Avenida da Liberdade, deitando o olho às montras de luxo, agora já em saldos. Bela vida, esta!

HSC

sábado, 13 de julho de 2019

Mudar de vida


Há já algum tempo que me andavam a convidar para participar de uns Pequenos Almoços denominados "Breakfast Girls Just Wanna Have Fun" que se realizam mensalmente, sob inscrição, num grupo criado no Facebook pela jornalista Sandra Nobre. Impedimentos de agenda só agora tornou possível essa ida, num dia desta semana.
Foi uma experiência muito curiosa. Na minha geração, mudar de vida, de estado ou de profissão, era pouco frequente, para não dizer inaceitável, quando aplicado ao mundo feminino. E, quem, como eu, o fez no dealbar dos 30 anos, sabe bem do que fala.
Surpreendentemente, uma parte das 14 mulheres que ali estavam reunidas, eram mais novas e foram a este encontro por vontade própria, para falarem das razões porque o haviam feito. E eu tive a nítida sensação de como  as mulheres se souberam transformar nestas duas ultimas décadas.
Não foi só o acesso ao mundo do trabalho, a independência financeira, as quotas ou a pílula libertadora. Foi tudo isso, mas foi muito mais. Foi, sobretudo, a tomada de consciência de si próprias, dos sonhos que nem sempre podem ser partilhados, enfim, de que "ser" e "existir" não são a mesma coisa, embora a sociedade nos empurre a considera-los como tal.
Na orgânica de uma cidadania consciente e à semelhança do que se já faz noutros países, estes grupos de reflexão existem, são ouvidos e têm um legítimo poder representativo. Possivelmente, até já existirão entre nós, outros que não conheço. 
Se assim for, dêem-se por favor, a conhecer, contem o que fazem e porque o fazem, já que não serão só as mulheres a agradecer. É o país que fica mais enriquecido!

HSC

E as legislativas?!

As legislativas aproximam-se, de mansinho, sem que delas nos estejamos a dar conta. Sob o efeito do calor abrasivo, os nossos neurónios só acordam sob a acção de certo tipo de notícias, como desastres, de preferência com ambulâncias e mortes à mistura - e, claro, o inefável questionário a um cidadão que por acaso passava ali na ocasião e tem, nesta entrevista, o seu grande momento televisivo - ou de uma qualquer efeméride inesperada, que permita manter em lume muito brando, até Outubro, o necessário esclarecimento político. 
Assim, quanto menos os partidos falarem dos seus programas, melhor para António Costa que pode falar quanto baste do seu e, com o seu talentoso jeito nos convence de que o caminho que trilhou é o único que nos pode levar à redenção. Habilíssimo político - dos melhores que já conheci ao longo da minha também já longa vida - o que lhe interessa, mais que tudo, é a possível maioria absoluta que o liberte de compromissos muito difíceis de alcançar.
Um "fait divers" como aquele que criou o infeliz texto de Fátima Bonifácio, foi o sopro inesperado, que estava a faltar, para que o país se pusesse em pé de guerra e não fizesse nem ouvisse ou pensasse noutra coisa. Iremos, provavelmente, ouvir falar do tema durante os próximos meses, já que isso convém a todos, dando-lhes folgo para se esfolarem nos últimos 15 dias de campanha. E nós, ansiosamente  desejosos de sermos politicamente correctos, nem daremos conta da "marosca"!
Enfim, esperemos que os neurónios de alguns cerebros menos sobreaquecidos, acordem a tempo de perceber que a altura é de esclarecimento sobre os programas de cada partido que pretende governar e não para abrir a caça às bruxas, que não leva a lado nenhum!

HSC

segunda-feira, 8 de julho de 2019

Liberdade para pensar

Todos falam muito de "liberdade" de expressão. Todos falam muito de democracia. Todos falam muito de tolerância. Mas quando alguém se arroga o direito de dizer ou escrever o que pensa e esse pensamento não obedece ao que se considera politicamente correcto, cai o Carmo e a Trindade, o verniz estala e a incitação á violência de certos textos críticos, parece tudo menos de gente que tem a obrigação de ter tento na língua. Que mais não seja, por pertencer à chamada elite pensadora.
Já se sabe que Portugal é um país maioritariamente de esquerda. Mas por sorte ou por azar, nem toda a esquerda tem o monopólio da verdade, já que muito esquerdistas não passam de burgueses encapotados ou de ditadores disfarçados, que se um dia detivessem o poder, não hesitariam em liquidar quem não pensasse como eles. 
No passado, há quatro décadas - é bom não esquecer -, já tivemos quem quisesse encurralar no Campo Pequeno, oposicionistas a democratas tipo Vasco Gonçalves...
Pois bem, passou quase meio século de revolução em que se acreditou terem-se interiorizado os valores democráticos. Afinal não. Se lhes dessem uma espingarda, os iluminados democratas de hoje, feririam sem apelo nem agravo, todos aqueles que não partilhassem a sua maneira de pensar! Para os acordar e pôr no bom caminho.
É uma pena que assim seja, mas  há democracias que se assemelham muito a certas ditaduras. Depois, admiram-se que a direita se esteja a expandir e nas piores circunstâncias.

HSC