domingo, 22 de janeiro de 2017

A série Os Trump

Quando fui para o hospital a notícia em todos os media era a embrulhada da TSU dos patrões versus aumento do salário mínimo. Reabro a televisão uma semana depois e apanho com Trump e a primeira dama em todos os canais. Pior um pouco os comentários sobre a toilette de Melanie e as semelhanças com Jackie Kennedy. Fora isto só as desgraças do meu Sporting e do Jesus que lhe arranjámos. Perdi de vista o PR e estou sem saber se foi culpa do horário em que abri a TV ou se ele começou a aparecer menos. Se foi este o caso parece-me decisão acertada.
Mass pergunto a mim própria porque é que Trump nos entra todos os dias em casa. Não basta já termos que aceitar que ele foi eleito por vontade soberana dos eleitores? Ainda teremos que aguentar os comentários sobre as fatiotas da sua terceira mulher em canais tidos por "sérios"?!

HSC

quinta-feira, 19 de janeiro de 2017

Retorno à realidade

Cá estou eu, de novo, depois de ter feito uma cirurgia ao canal cárpico, um síndroma que não é pera fresca e resulta, por norma, de muito trabalho manual. Vivo da minha cabeça e das minhas mãos. O resultado foi este. Vá lá que a cabecinha parece que não foi afectada. A primeira cirurgia foi ao lado esquerdo e... quando eu me esquecer do que passei, farei ou não o braço direito...
Para quem conheça "o mal" sabe as dores insuportáveis que isto causa. Há praticamente três meses que não sabia o que era dormir uma noite inteira. Enfim já está despachado um lado, embora se mantenha a insensibilidade do polegar, do indicador e do médio. A mobilidade, essa, felizmente está boa. 
Viver só com um mão permitiu-me descobrir uma série de coisas a meu respeito e o amor da minha família, em particular o do meu mano mais novo e da fada com quem ele casou há 38 anos. Foi ela que cuidou de mim como se eu fosse sua filha. 
E confirmei que sou uma mulher cheia de amigos que me rodearam de sucessivas manifestações de carinho, em particular o meu Padre Tolentino que pediu por mim lá para o Altíssimo.
Mas aprendi, repito, mais umas surpresas sobre a vida, as suas dificuldades e a maneira como podemos encara-las. O facto real é que só temos consciência do verdadeiro valor dos bens que temos quando, por algum motivo que nos transcende, deixamos de os ter!

HSC

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Uma explicação

A partir de hoje e durante uns dias não deverei postar nada. Não estranhem portanto o meu silêncio.

HSC

domingo, 8 de janeiro de 2017

Ser católica,hoje!

Embora católica estou longe de não ter desaguisados com a Igreja à qual pertenço por escolha própria. Ao longo destes sessenta anos que passaram sobre o meu batismo, não foram raras as vezes em que discuti decisões que a mesma tomava em relação a algumas matérias. E sempre tive por essencial "compreender" antes de "aceitar" normas que, de algum modo, colidissem com o que pensava ou sentia.
Julgo haver em mim uma costela de rebeldia que vem naturalmente ao de cima em momentos de descontentamento teológico ou de irritação eclesiástica. E, quando alguém me diz, nessas ocasiões especiais, "que é preciso ter fé", a coisa torna-se complicada, porque entendo que se pode ser católico, sem possuir a dádiva da fé.
Não tenho a mais pequena presunção de ver os iões ou outras partículas do género, para acreditar que elas existem. Como não preciso de nenhuma prova administrativa de que os filhos que tenho são meus e não foram trocados na maternidade. Vivo eu e vivemos todos nós, de par com uma série de situações cuja autenticidade nem sequer lembramos de questionar.
Tudo isto vem a propósito daquilo que é ser católico nos dias de hoje, e que certamente é muito diferente daquilo que possa ter sido há seis décadas, quando fiz essa opção. É que, no tempo actual, não passa pela minha cabeça que essa escolha limite a minha liberdade ou a minha consciência, das quais não abdico. Porque isso, sim, é para mim a expressão mais clara do livre arbítrio que Deus pôs à minha disposição enquanto Sua filha!

HSC

sábado, 7 de janeiro de 2017

Mario Soares


Morreu Mário Soares um mês depois de ter completado 92 anos, no mesmo dia em que eu completava uma década menos. Pessoalmente tenho algumas mágoas ligadas ao seu nome. No entanto, Maria Barroso, sua companheira de uma vida, muito havia de fazer para atenuar essas mágoas, como inteligente e grande Mulher que era.
Todavia, neste momento, o que relembro e a maioria dos portugueses deve ter presente, é aquilo de que ele livrou o país. 
Como diz Pedro Correia, no Delito de Opinião, "em democracia, só existe uma forma legítima de mudar os titulares das instituições políticas: pelo voto. E quem nos ensinou isto, numa sucessão de actos exemplares durante os anos de brasa da revolução, foi um homem chamado Mário Alberto Nobre Lopes Soares, que hoje morreu aos 92 anos. Um homem que no Portugal pré-constitucional, quando a guerra civil esteve por um fio, enfrentou a "rua" com notória coragem física e um desassombro cívico que a História (com H maiúsculo) registará. A "rua", instrumentalizada pelo Partido Comunista e pela extrema-esquerda, não valia afinal mais de 15% nas urnas, como muitos concluiram com espanto ao fazer-se a contagem dos primeiros votos."
Mario Soares, personalidade muito contraditória foi - quer se goste ou não dele -, o primeiro presidente português não militar que havia de deixar a sua indelével marca nos acontecimentos históricos que se seguiram ao 25 de Abril.
Para a Familia e em particular para João Soares vão as minhas condolências.

HSC

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Datas...

Todos temos meia dúzia de datas que guardamos por alguma razão. No meu caso são poucas, mas na sua maioria estão associadas a acontecimentos felizes. O que até não será de estranhar numa pessoa otimista, como julgo que sou.
Mas hoje desde que me levantei algo parecia incomodar-me, apesar de não descortinar qualquer razão aparente que o justificasse.
Quando vim sentar-me à secretária para pôr alguma ordem nos papeis que nela abundam, tive um sobressalto. É que ao olhar no computador a data, de repente percebi. Faz hoje - daqui a mais ou menos duas horas -, exactamente 50 anos que passei a minha primeira noite de mulher divorciada. 
Eram 23h45 quando, há meio século, meti a chave na porta da casa onde iria começar a nova vida que me trouxe até aqui. Por momentos fechei os olhos, respirei fundo e escrevi estas linhas. Agradecendo a Deus não só tudo o que vivi desde então, como a força que Ele me deu para apreciar, até à ultima gota, estas últimas maravilhosas cinco décadas!

HSC

segunda-feira, 2 de janeiro de 2017

Transparência qb...


"A SIC Notícias tem informações que indicam as razões da saída antecipada de António Domingues da Caixa Geral de Depósitos, rejeitando o pedido do Governo para assegurar a transição até ao dia da entrada em funções de Paulo Macedo
O presidente demissionário da CGD estaria disposto a ficar por mais alguns dias, mas seria confrontado com a necessidade de entregar mais uma declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional; tal como já tinha acontecido no ano passado, António Domingues não se mostrou disponível para divulgar os detalhes dos próprios rendimentos e acabou por dar ao Ministério das Finanças uma resposta negativa.
                                 
                                         in Noticias ao Minuto

O caso da CGD é paradigmático da forma como se olha o público e o privado, em certas funções, no nosso país. Pessoalmente considero que quando se aceita uma determinada função, aceitam-se todas as implicações que a mesma traz à nossa vida. O problema é que essa aceitação acaba, nalguns casos, por ter consequências, também, nos familiares.
Estou à vontade para abordar o tema, porque durante anos as declarações de património feitas pelos meus filhos, arrastavam naturalmente a revelação do meu. 
Sempre lidei bem com essa situação porque não podia nem queria dar-me ao luxo de ter contas em que os meus filhos não pudessem mexer. E até paguei cara a decisão. Com efeito, num diferendo que opunha os deputados europeus do BE e a nossa Autoridade Tributária, por um qualquer milagre foram-me à conta que tinha na CGD e um terço ficou logo bloqueado. 
Na altura a situação irritou-me bastante, mas depois pensei que continuava a ser o preço que tinha de pagar pelas funções que ambos desempenhavam e pelo critério de partilha que eu tomara. 
A transparência deveria, de facto, limitar-se aos visados. Mas isso não acontece. E, no caso de António Domingues, admito que ele se tenha cansado de tanta transparência!

HSC