terça-feira, 21 de abril de 2015

E são doze!

O documento que António Costa irá hoje apresentar como programa económico de um futuro governo do PS é o resultado de seis meses de trabalho de um grupo constituído por uma dúzia de individualidades, a saber:

Mário Centeno, economista, assessor especial da Administração do Banco de Portugal;
Elisa Ferreira, economista, eurodeputada, antiga ministra do Ambiente e do Planeamento;
Fernando Rocha Andrade, professor de Finanças Públicas da Universidade de Coimbra;
Francisca Guedes de Oliveira, professora de Economia Pública da Universidade Católica do Porto;
João Galamba, economista, deputado, dirigente nacional do PS; 
João Leão, economista, antigo director-geral do Gabinete de Estratégia e Estudos do ministério da Economia;
João Nuno Mendes, economista, quadro superior da Galp Energia;
Manuel Caldeira Cabral, professor de Economia e Gestão da Universidade do Minho;
Paulo Trigo Pereira, professor catedrático de Economia do ISEG; 
Sérgio de Ávila, economista, vice-presidente do Governo Regional dos Açores;
Vieira da Silva, deputado, autor da reforma da Segurança Social de 2006, antigo ministro do Trabalho; e
Vítor Escária, professor de Economia Aplicada e Métodos do ISEG.

Não será por falta de cabeças pensantes que o programa não brilhará. Aguardemos, então, as propostas das mesmas!

HSC

segunda-feira, 20 de abril de 2015

É urgente tomar medidas



O naufrágio da madrugada de domingo, a 70 milhas da costa líbia, constitui uma tragédia de proporções aterradoras. Quer sejam 700 ou 950 os ocupantes da embarcação naufragada, como diz a imprensa e garantem os 28 sobreviventes, o horror permanece.

A resolução deste problema exige medidas em duas frentes distintas. Umas no destino e outras na origem. No destino urge que a Europa unida tome medidas, porque a Itália não pode arcar sozinha com um problema que respeita a todos nós. Na origem criando condições para que estes seres humanos não procurem uma morte certa. E aqui é mais difícil intervir porque há questões de soberania e de diplomacia que são difíceis de ultrapassar. O que é impossível é continuar a fingir que não vemos este drama.

HSC

sábado, 18 de abril de 2015

As imperfeições


Um tempo houve, na minha vida, em que teria gostado de ser perfeita. Devia ter à volta de uns dez anitos. Na minha família havia vários tipos de "santidade" na profusão de tias e primas que a constituiam. Curiosamente, não era a santidade que eu desejava - o que era natural porque só me baptizei a caminho dos vinte anos - era, sim a perfeição. Não me perguntem qual a razão de tal patologia porque a desconheço. Mas era real e objectivamente uma finalidade a atingir. 
A adolescência havia de trazer-me outros aditivos - como agora se diz relativamente aos combustíveis - que me foram paulatinamente afastando de tal desidério e aos vinte anos o que eu queria era bem diferente. 
Foi deste modo aditivado que cheguei aos prazeres da imperfeição, na qual milito sem que se tenha tornado propriamente um objectivo. Surgiu porque a persecução do perfeito deixou de me interessar e comecei a dar-me conta da atração que o imperfeito pode - diria mesmo, deve - ter sobre nós. E de quanto ser humanamente imperfeito faz, afinal, bater o nosso coração!

HSC

Opiniões e certezas


Há quem considere que quem emite opiniões tem, por norma, muitas certezas. Não é verdade. Muitas vezes pensamos sobre os assuntos e vamos progressivamente formando opiniões. As certezas são algo diferente. Quando muito, serão o resultado de termos formulado sucessivas opiniões e chegado a conclusões.
Eu, por exemplo, tenho muito poucas certezas. Mas as que tenho acompanham-me há muito tempo. Porém, sou opinativa, ou seja não me demito de ir tendo opiniões à medida que vou percebendo sobre os assuntos. E não me importo nada de mudar de opinião, se perceber que a que tinha havia resultado de defeito pessoal ou até, de carente informação, 
Muda-se tanta coisa ao longo da vida, que seria surpreendente não mudar de opinião. Se olhar para trás julgo poder dizer que me "enganei" várias vezes. Umas, porque era muito nova e pouco experiente. Outras, porque o campo de visão foi limitado por espartilhos pessoais. Outras, ainda, porque à época os elementos de que dispunha estavam longe de esgotar o assunto. 
Assim, sobre algumas áreas, seria surpreendente que, com esta idade, pensasse do mesmo modo como pensava quando tinha vinte anos. O que significa que, ao opinarmos, o fazemos num determinado contexto. Noutro contexto diferente, possivelmente a opinião seria distinta. É por tudo isto, que as certezas que tenho são muito limitadas!

HSC

sexta-feira, 17 de abril de 2015

Morte e Vida



Morreu Mariano Gago a quem a investigação científica deste país muito deve. Tenho imensa pena, porque julgo que ainda teria muito para dar a todos nós.
Mas não quero falar de coisas tristes, porque também é bom celebrarmos a vida. Ela continua a existir e a sorrir para muitos de nós, apesar das dificuldades que possamos enfrentar.
Por isso vou falar-vos de um evento a que fui ontem e me deu muito prazer. O Expresso decidiu lançar um livro com as crónicas que Tolentino de Mendonça publica semanalmente naquele semanário sob o título "Que coisa são as nuvens".
A cerimónia decorreu na Cinemateca Nacional e a apresentação esteve entregue a Miguel Sousa Tavares que a levou a cabo de forma brilhante. O seu texto impressionou-me tanto que lhe pedi para mo remeter. E posso garantir-vos que depois de o ler, ainda me pareceu mais tocante.
O agradecimento do autor não ficou atrás. Quando saí para a rua, confesso-vos, vinha com a alma cheia. Há dias felizes, assim!

HSC

quarta-feira, 15 de abril de 2015

Coragem, precisa-se!

Hoje fui ao lançamento do último livro da Maria José Costa Felix, cujo título "Viver com doenças sem ser doente", já diz muito do seu conteúdo. Quem o apresentou foi a Alice Vieira que é uma força da natureza.
A sala estava cheia e eu, de repente, tive a consciência de que, neste momento, seis das minhas melhores amigas têm cancro. Embora até agora me tenha dividido - mal - por todas, a verdade é que, com o meu ritmo de trabalho, começo a perceber um sentimento de culpa por não dar a todas elas o que queria.  A juntar a este quadro, o meu irmão mais velho continua a dar-me muita preocupação. Por isso gostava de ser centopeia para chegar a todos bem melhor.
Há períodos difíceis na vida de todos nós. Hoje, quando cheguei a casa, disse para comigo, "precisas coragem, Helena!"

HSC

Felicidade suburbana

"A noite próxima, quando a gente chega a casa, cai uma calma sobre o bairro que limpa as ruas e os espíritos. Não falo de silêncio, nem de sono, mas de uma serenidade habitada pelos ruídos do costume, pelos hábitos diários e as urgências da necessidade. O pão que é preciso comprar na loja da esquina, ir buscar os filhos à escola, preparar o jantar de janela aberta, o cheiro a refogado enchendo os ares. As conversas de quem encontra o vizinho e precisa de alimentar os laços e as ilusões de proximidade enquanto se vai afastando, recuando, recolhendo ao engano do lar. O ronco dos carros a serem estacionados, o barulho dos pratos e das chávenas no café da esquina, o vento trazendo pela janela o odor distante de fumo que vem das vivendas. 
Há medos que espreitam, como sempre, todos os dias, todos os medos emboscados no caminho, e os poucos segundos que se transformam em minutos, minutos imersos nessa proximidade quotidiana e fingida, são as bóias que nos mantêm à tona. Nadamos entre escolhos, e vamos ao encontro de quem nos reconhece, mesmo que não saiba o nosso nome, nem de que sonhos somos feitos. Entre escolhos, resgatando connosco a verdade que vamos fabricando, chegamos a ilhas que não aparecem no mapa. 
A noite empurra o dia para o passado. Somos como um velho disco riscado, de cada vez que tocamos mais ruído de fundo produzimos. Mas as mãos que retiram o disco da capa, que puxam a agulha e a deitam devagar sobre os sulcos, as mãos, reconhecemos nelas o que somos, o seu cheiro, a pele porosa por onde se infiltra o amor. A mesma canção tocada tantas vezes, e nunca nos cansamos dela. Talvez um dia o bairro faça sentido. Cá dentro, a isso nos conduz, um sonho de quem nunca encontrou o lugar certo para dormir." 


                    Sergio Lavos in aubade.blogspot.pt

A blogosfera é um campo onde se encontra do melhor e do pior. Compete a cada um de nós fazer a necessária selecção. 
Hoje descobri este belo texto e apeteceu-me partilha-lo convosco. É um "tom" bem diferente do meu e, parece-me, revela algum cansaço, algum desencanto. Por isso mesmo, chamou a minha atenção! 

HSC