quarta-feira, 18 de outubro de 2017

Para além dos afectos


O Presidente da Republica fez ontem o discurso que se impunha, face ao comportamento do PM António Costa relativamente a dois membros do seu elenco governativo.
Há umas semanas escrevi aqui que Marcelo Rebelo de Sousa criara, com o apoio dado ao governo, uma situação que os brasileiros chamam de "saia justa". E que, um dia, a saia apertava demasiado e seria a ele, que todos iriam pedir responsabilidades.
Ontem o discurso, curto e incisivo, correspondeu ao que muitos esperávamos dele. Correrão decerto muitas opiniões negativas sobre o mesmo. Em democracia é saudável que assim seja. Mas ele re-centrou, como devia, o problema. É à Assembleia e aos deputados que apoiam a solução encontrada, que compete decidirem o que fazer face à moção de censura que o CDS vai apresentar.
Ela não vai, decerto, passar. Mas os deputados serão obrigados a mostrar se as atitudes tomadas pelo governo face aos incêndios, merecem ou não o seu apoio. E isso é, a meu ver, um passo importante para clarificar a posição em que nos encontramos.

HSC

terça-feira, 17 de outubro de 2017

Quatro meses depois...

“Hoje, quatro meses depois do incêndio do Pedrógão Grande que matou 65 pessoas, o Governo decretou três dias de luto nacional por mais 36 vidas perdidas para o fogo.

... Quatro meses depois, nada, ou quase nada mudou. A ministra da Administração Interna é a mesma, o comandante da Proteção Civil foi demitido por causa de uma licenciatura e substituído pelo numero dois que adulterou a fita do tempo da tragédia do Pedrógão e não houve uma única medida concreta no terreno. O Governo ficou quatro meses à espera das conclusões da Comissão Técnica Independente que António Costa prometeu ontem implementar. Só para relembrar as principais: criação de uma agência que faça prevenção e combate, bombeiros profissionais no combate ao fogo e guerra ao fogo durante todo o ano. Primeiro-ministro, ministra e secretário de Estado pediram "atitude madura", "proatividade" e "resiliência", que é o mesmo do que pedir paciência. Ninguém pediu desculpa. A não ser a representante das vítimas do Pedrógão que lamenta não ter sido mais dura com o Governo.”



                       Rui Gustavo em Expresso Curto, hoje

Para quê acrescentar algo ao que aqui ficou escrito? É completamente desnecessário. Basta pensar um pouco no verdadeiro luto que tudo isto representa para o país.

HSC

segunda-feira, 16 de outubro de 2017

Férias...na neve!


“Já não falo da ética da responsabilidade, a que alguns - de forma mais restritiva - preferem chamar ética republicana. Cada um faz a interpretação deste princípio de acordo com a sua formação e a sua consciência.
Até dentro da mesma maioria política há discrepâncias nesta matéria. Em 2001, por exemplo, Jorge Coelho renunciou dignamente à pasta ministerial que ocupava quando ocorreu a tragédia de Entre-os-Rios alegando que a culpa não podia morrer solteira. O País, mergulhado em estado de choque, compreendeu bem o que este gesto e estas palavras significavam.”

                                  Pedro Correia no Delito de Opinião

A única explicação que a titular da Administração Interna sabe dar ao país é a de que a culpa do que acontece nos fogos é sempre de terceiros.
Não bastou a tragédia de há três meses e todas as trapalhadas que marcaram, então, a actuação dos responsáveis. Portugal está, de novo, mergulhado no mesmo drama e pelas mesmas razões. Neste momento a tragédia alastra a dois terços do país e a mais 35 vitimas mortais.
A forma como Constança Urbano de Sousa se dirige aos portugueses não é admissível. Depois de já terem sido apuradas, em relatório oficial, as responsabilidades sobre Pedrogão Grande, o mínimo que esta Senhora deveria fazer era, primeiro pedir desculpa  pública aos familiares das vítimas e depois pedi-las ao país, pondo o seu lugar à disposição de António Costa e libertando-o de tomar as decisões que entendesse convenientes.
Deixa-la continuar a aparecer na televisão para dar as suas explicações ofende todos nós. E, se o Primeiro Ministro não percebe isto, então o Presidente da República não pode deixar de lhe chamar a atenção para o prejuízo que esta ministra está a causar ao elenco governativo.
É urgente que algum destes responsáveis sugira que a Senhora Ministra faça férias. De preferência férias na neve...

HSC

sábado, 14 de outubro de 2017

Um momento único!


Portugal vive um momento único e original. Se não relembremos sem ordem nem pontuação que o Ministério Publico concede entrevistas, os banqueiros e os empresários suspeitos de má conduta mantêm o mesmo estilo de vida, o Orçamento é apresentado antes de tempo, mas fora de horas, a reunião que se lhe segue decorre de madrugada, Madona vive em Portugal e diz-se encantada, os portugueses estão felizes como as cigarras costumam estar antes do inverno chegar, a dívida sobe paulatinamente mas ninguém parece lembrar-se da formiga que amealha no bom tempo para sobreviver na tempestade, os sindicatos só falam na função publica, esquecendo que há quem não tenha o Estado como patrão, o relatório sobre Pedrogão Grande é arrasador mas a ministra, tendo mesmo ao seu lado António Costa, afirma que se não demite, pese embora ja tenha demitido um responsável, que já fora readmitido e agora volta a ser demitido. Confuso? Nada! 
É o Portugal europeu, aquele que até já saíu do lixo de uma agência, pejado de turistas, comprado por chineses e paraíso fiscal para todos menos para aqueles que aqui tiveram a sorte de nascer e resolveram ficar. Amália e o Marceneiro, sim, é que nos haviam de cantar... mas azar nosso, já morreram e faltam-nos poetas para propalar o tal momento único e original! 

HSC

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A Voz das Mulheres


A Inês Pedrosa e a Patricia Reis são as comissárias do primeiro encontro "Mulheres nas Artes - Percursos de Desobediência" que se realizará nos próximos dias 16 e 17 na Fundação Calouste Gulbenkian. A curadoria destas duas escritoras é garantia da qualidade do que ali irá decorrer. 
Para este encontro vem a escritora libanesa Joumana Haddad, que aproveitará a ocasião para lançar, pelas 19h, o seu livro "Eu Matei Xerazade: Confissões de Uma Mulher Árabe em Fúria", cuja apresentação estará a cargo de Nuno Júdice.
Este vai, também, ser  o primeiro título da nova editora Sibila, que a Inês se propõe agora lançar. 
A programação, extensa para um blog, pode ser consultada no site da FCG, ou através da net e está recheada de matérias de grande importância e actualidade. A não perder.

HSC

domingo, 8 de outubro de 2017

É o que há...



"Tendo em conta que o alvo da campanha para sensibilização da população para a vacinação contra a gripe são sobretudo os idosos, e entre estes, provavelmente, os com menos instrução serão os que mais carecerão ser sensibilizados, quem se lembrou de ir buscar a Guerra dos Tronos e um texto em inglês? Melhor: quem foi a besta que autorizou esta campanha?" 

                  Rui Herbon em Delito de Opinião

Alguém me explica porque é que se faz uma campanha pró vacinação em inglês?! Será que alguém considera que há mais turistas que portugueses? Ou, pior, que estes são mais importantes que nós?
Francamente, estas cabecinhas pensadoras, deixam muito a desejar...
É a vida. É, sobretudo, o que temos...

HSC

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Vulnerabilidades...

“Por mais que me custe admiti-lo, a verdade é que na presença de um médico, qualquer que ele seja, me sinto de algum modo intimidada. É inevitável. De todas as vezes, toma-me uma estranha sensação que nem sei explicar bem. Talvez seja a inquietação diante de um veredicto que se espera sempre feliz, o nervoso miudinho que traz o desconforto do que não é certo nem visível, a intuição de que sabem mais do que querem dizer(nos) temendo que não o possamos entender, ou a esperança no bom resultado do que advém dos seus diagnósticos, das suas decisões, do trabalho preciso das suas mãos.
Veja-se o caso do dentista: como podemos não nos sentir diminuídos e especialmente frágeis quando estamos em posição inferior, no sentido literal, com um "guardanapo" ao peito e o médico inclinado sobre a  nossa boca escancarada e cheia de tubos e os mais diversos instrumentos, que nos impedem de dizer o que quer seja? Não me parece que alguém possa sentir-se confortável nesta situação, sempre constrangedora, quase humilhante. Enfim, podia dar outros exemplos, mas não me parece necessário. 
Precisamos dos médicos, hélas, dependemos deles até para grande parte do que é o nosso bem-estar e a nossa saúde (o mais precioso de todos os bens), mas eu não consigo livrar-me desta coisa assim meio infantil de estar sempre a querer fugir deles”.

             Isabel Mouzinho em isabelmouzinho.blogspot.pt

Hoje é a minha amiga Isabel a dona deste espaço. Tudo o que ela escreve aqui em cima, eu assino por baixo. E só por alguma contenção, é que não falo no constrangimento que sentirmos, nós mulheres, perante uma consulta ginecológica...

HSC