sábado, 7 de Novembro de 2009

Felicidade

O que é a felicidade? Não sei responder. Nem sequer sei se há um conceito que se aplique à generalidade das pessoas. Apenas sei, melhor, o que, acontecendo, me torna infeliz.
Usei a expressão "torna" e não "faz", como seria mais natural porque, para mim, o estado de infelicidade deve ser transitório e o verbo fazer tem uma conotação mais rígida que o verbo tornar. É pessoal e não gramatical, a interpretação.
Depois, o que me torna feliz, muito possivelmente não diz nada a outras pessoas. E o que me dá, hoje, felicidade, é bem diferente daquilo que, há 30 anos, me provocava tal sentimento.
Assim, quando os economistas e sociólogos pretendem encontrar uma "taxa de satisfação pessoal", sinto uma grande desconfiança acerca daquilo que se pretende medir. Para além de que, estar satisfeito não é o mesmo que estar feliz.
Por outro lado, se não sei responder à pergunta que coloquei, sei que o sentimento que me invade quando penso que tenho família, amor, amizade, saúde, casa e trabalho, é muito próximo do que, julgo, será a felicidade. E, quando me é dada a fabulosa possibilidade de ver dois netos crescer, eu devo estar muito próxima de ser uma mulher feliz!
Será que não deveríamos todos, neste momento difícil para muitos, tentar requalificar as nossas prioridades, de modo a sentir-mo-nos um pouco menos infelizes?

H.S.C

Mal eu sabia...

Mal eu sabia que, ao colocar aqui no blog uma pergunta que vinha de uma conversa tida na véspera, daria origem a tanto post. A todos os que me deram a sua visão do assunto, um muito obrigada, porque me fizeram reequacionar a questão e pensá-la, nalguns pontos, em outros moldes. Se, e quando, chegar as novas conclusões, aqui delas darei conhecimento.

H.S.C

sexta-feira, 6 de Novembro de 2009

Os blog's

Desde que passeio por estas coisas da blogosfera algo anda a intrigar-me. Refiro-me à "ilustração/foto" que personifica o detentor do blog. No meu caso, puz o retrato e o nome. Fiquei-me por aí, dado que estes dois elementos esclareciam quem eu sou.
Mas verifico que algumas pessoas, ou não põem nada, ou usam um símbolo certamente escolhido pelos próprios. Trata-se de uma espécie de anonimato corporal.
Será que eu não devia fazer o mesmo? É que comecei a pensar se não terá sido demasiado ostentatório, o caminho que escolhi.
Por isso, aviso já. Se resolver mudar de rota vou escolher como foto, uma flor ou uma árvore. Quanto ao nome, será uma aventura descobrir-me. Como tenho três ou quatro cativos, escolho um deles. O título do blog, esse, será uma autêntica supresa. E esta hein?

H.S.C

Na Assembleia da Republica


Ontém na Assembleia da Republica devia discutir-se um programa para o país. Discutiu-se o programa eleitoral do PS. Melhor teria sido discutir-se aquilo que serve melhor Portugal, no momento delicado que atravessa. Mas parece que governo e oposição estão cheios de contumélias. O primeiro, porque quer comprometer a segunda nas suas decisões. Esta, porque não quer deitar o governo abaixo e correr o risco de novas eleições. Houve um bom discurso a que me não refiro porque elogio em causa próxima, não é o meu estilo.
O que será mais o meu estilo é o retrato actual da minha terra. Aquela que amo e onde decidi permanecer. São 10 milhões de habitantes e 3 milhões de contribuintes líquidos efectivos para fazerem face a 3,5 milhões de reformados, 800 mil funcionários públicos, 400 mil beneficiários do subsídio de desemprego, 350 mil beneficiários do rendimento social de inserção. Esta não é senão a ponta do iceberg. Se cada um destes itens fosse dissecado, a fotografia era bem pior.
Não é preciso ser economista para se lerem estes números. Eu só pergunto: como vai ser?

H.S.C

quarta-feira, 4 de Novembro de 2009

O eterno problema

O estado das finanças públicas foi, desde Salazar, um problema de delicada abordagem. E, claro, o defice, outro tanto. Temas quase tabús.
A Comissão Europeia deu uma forte bolada nas nossas perspectivas, ao revelar, ontém, que havemos de sair da crise. Mas apenas lá para 2011. Todavia, com o endividamento que temos - mais de 90% do PIB -, o desemprego que temos - mais de 9% -, e o défice que tranquilamente temos - próximo dos 9% -, quem é que acredita que sairemos? Donde? Do quê?
Já aqui disse que 2010 vai ser o nosso ano mais duro. Mas é em 2011 que vamos começar a pagar uma factura muito alta.
E ninguém parece verdadeiramente interessado em rever posições. O governo apresenta um programa igual ao que já tinha em maioria absoluta. Perdeu-a. Fez alguma alteração? Não. Espera o quê? Que a oposição apoie o mártir? Porquê? Pelo amor à pátria? Mas acaso governo e oposição têm o mesmo conceito de pátria? É que, o mesmo modelo, não têm com certeza.
Eu, ignara cidadã, estou alarmada. Em muitos anos de economista já me não recordava do que "era crescer com base no endividamento". Lembrei-me agora. Claro, que associado, também me veio à memória, o tempo em que o FMI por aqui andava e mandava...
Porque terá sido?

H.S.C

Levy - Strauss

Morreu no último sábado uma das mais fecundas e importante mentes do sec. XX. Nascido na Bélgica e filho de judeus franceses, o fundador da moderna Antroplogia tinha 100 anos. Estudou na Sorbonne Direito e Filosofia. Em 1943 foi para o Brasil ensinar Sociologia na Universidade de S.Paulo e é aqui que descobre a sua vocação de etnólogo.
Os índios que rodeavam a cidade foram aqueles por quem primeiro se interessou. Depois, partiu para o Mato Grosso e Amazónia e começaria a divulgar as suas teses. Dois do seus livros, "As estruturas Elementares de Parentesco" (1949) e " Tristes Trópicos" (1950) iriam ter particular relevância. Este último chegou, mesmo, a ganhar o Goncourt.
Em 1958 a sua Antropologia Estrutural vem permitir o desenvolvimento do "estruturalismo", corrente de pensamento da qual foi o principal dinamizador e que, dito de um modo grosseiro, tenta aplicar aos acontecimentos humanos de natureza simbólica um método que permite encontrar o que é constante naquilo que tem conteúdos variáveis.
Entraria posterirmente, 1959, para o Collége de France onde titulava a Antropologia Social, e do qual apenas sai quando se reforma, em 1982. De algum modo foi, também um percursor dos movimentos ecologistas.
As Ciências Sociais estão assim de luto pela morte de um Homem a quem as mesmas muito devem!

H.S.C


Nota em tempo:
Numa entrevista concedida há quatro anos, Levy- Strauss terá, segundo o jornal Público, afirmado: "Dirigimo-nos para uma espécie de civilização à escala mundial(...) Estamos num mundo a que já não pertenço. Aquele que conheci, aquele de que gostei tinha 1500 milhões de habitantes. O mundo actual tem seis mil milhões de humanos. Já não é o meu".
Continuava com extrema lucidez, direi eu!
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terça-feira, 3 de Novembro de 2009

Uma Bolsa especial

A primeira Bolsa de Valores Sociais foi criada em 2003 na cidade de S.Paulo e partiu de uma ideia de Celso Neto. Por ela passaram já 400 milhões de euros que financiaram 100 projectos.
A segunda será em Portugal e foi ontém apresentada ao público, contando com os apoios da Euronext Lisboa, Fundação Calouste Gulbenkian e Fundação EDP. Através dela podem comprar-se acções de organizações que visam fins sociais, não deixando de acompanhar o investimento feito, numa espécie de plataforma que se estabelece entre quem dá e quem recebe.
A partir das 00h.00 de hoje, quem quizer pode ir ao site http://www.bvs.org.pt/ e aplicar um mínimo de dez euros em quatro instituições na área da luta contra a pobreza e exclusão social.
A bolsa irá procurar organizações e projectos que ataquem as causas dos problemas sociais e não os seus efeitos.
Aqui, como nas outras bolsas, o funcionamento é semelhante. Junta-se uma empresa que quer ter ganhos com um investidor interessado e em relação ao qual é assumido um compromisso. Só que aqui o lucro não é financeiro mas sim social.
Sou uma entusiasta deste tipo de solidariedade. Seja o Banco do Tempo ou a Bolsa Social. Em qualquer deles cada um dá o que pode. E a entrega - tempo ou dinheiro - tem destino certo.
Uma boa ideia que, espero, tenha sucesso. O que também depende de nós!

H.S.C