quarta-feira, 11 de setembro de 2019

O 11 de Setembro


Passam hoje 18 anos sobre os fatídicos acontecimentos do 11 de Setembro. Aos poucos, eles vão-se esquecendo em nome de outros mais recentes. Possivelmente é esta a lei da vida.
Há 18 anos pelas 8h46 um Boeing 767 da American Airlines chocava com a torre norte do World Trade Center. Uns minutos depois seria a torre sul a visada. Duas horas mais tarde o que restava do que havia sido aquele local, eram cadáveres e escombros.
Um terceiro avião despenhar-se-ia sobre o Pentágono em Washington e um quarto a sudoeste de Pittsburg, quando se dirigia para aquela primeira cidade. O balanço destes quatro atentados suicidas seria de 2977 mortos e 6291 feridos. 
Este dia é dedicado, desde então, à oração pelos mortos, que receberam, a título póstumo, a Medalha de Ouro do Congresso. Todos edifícios têm, dede então, nesse dia, a bandeira a meia haste.
O mundo que assistiu horrorizado às imagens que a televisão transmitia, já pouco relembra este trágico acontecimento que também teve nos bombeiros os seus heróis.
Não me parece que esse esquecimento seja saudável. Embora não seja passadista, é bom lembrar que o futuro de um país se faz do presente e da memória do passado, que não vale a pena ignorar porque ela estará sempre a aparecer!

HSC

terça-feira, 10 de setembro de 2019

As coimas aplicadas pela AdC

A Autoridade da Concorrência (AdC) condenou 14 bancos, que operam em Portugal, ao pagamento de coimas que ascendem a 225 milhões de eurosEm causa está a prática concertada de troca de informação comercial sensível no período entre 2002 e 2013.
De acordo com os elementos constantes dos autos, a prática terá durado, pelo menos, entre maio de 2002 e março de 2013, data em que a AdC realizou diligências de busca e apreensão nas instalações dos bancos visados.
Por parte da AdC, o processo está concluído. Os bancos visados poderão recorrer da decisão da AdC para o Tribunal de Concorrência, Regulação e Supervisão, que apreciará esses recursos.
AdC não tem conhecimento da existência de condenações semelhantes (nos mesmos mercados) noutros Estados Membros da União Europeia, sendo, por isso, esta uma condenação inédita.

São muitas as perguntas e as inquietações que esta decisão levanta. Não as vou colocar aqui, por terem, algumas, caracter eminentemente técnico ou também político, e eu entender que não é em época eleitoral que elas devem ser questionadas.
Mas é mais uma providência que revela, por parte da banca, um comportamento altamente duvidoso e nocivo para todos aqueles que a ela recorrem. Pessoalmente é algo que me causa uma enorme desconfiança em instituições onde somos obrigados a colocar as poupanças que, ao longo da vida, tenhamos feito!

HSC

quinta-feira, 5 de setembro de 2019

O que está por detrás disto?


Em entrevista divulgada hoje no Jornal de Negócios Mario Centeno, admitiu que os aumentos do próximo ano serão iguais à inflação.
O ministro das Finanças disse também que, na próxima legislatura, haverá lugar à redução de IRS para aqueles rendimentos que menos beneficiaram com as alterações aos escalões. Mas afastou cortes no IRC ou no IVA.
De acordo com Mário Centeno, a mudança nos escalões do IRS dirigiu-se aos rendimentos mais baixos, mas na próxima legislatura será possível beneficiar a classe média.
Na entrevista, Mário Centeno mostrou-se disponível para continuar como ministro das Finanças caso o Partido Socialista (PS) vença as eleições.
"Primeiro, vamos obviamente pedir a opinião dos portugueses sobre esta legislatura e isto dará o resultado das eleições. A partir dai, veremos. Assumi um compromisso e esse compromisso foi para esta legislatura. 
Sou presidente do Eurogrupo, tenho como objetivo terminar o mandato como presidente do Eurogrupo se o resultado das eleições de 6 de outubro assim o permitir", sublinhou.
Mário Centeno diz que "mais do que vontade ou a disponibilidade pessoal", o importante é "permitir aos portugueses avaliar a legislatura que agora termina, assim como as propostas que estão em cima da mesa para a próxima legislatura".
"O PS deve fazer, face aos resultados eleitorais, aquilo que fez em 2015, que é procurar no quadro parlamentar que saia das eleições uma solução que seja estável, que dê clareza à política económica e orçamental portuguesa e permita que num processo muito participado de reformas e de credibilidade, e, portanto consolidação orçamental, Portugal possa manter as linhas de evolução que tem tido nos últimos anos", disse.
Mário Centeno defende também na entrevista que em "crise já se pode deixar os estabilizadores automáticos funcionar até dois pontos do Produto Interno Bruto (PIB)".
O governante refere também na entrevista que na política económica "as pessoas acham que estão cheias de coragem", mas isso não existe, há "é uma boa análise e bons dados".

                     Excertos retirados da TSF radio noticias

Quando leio um discurso deste género - Centeno é, hoje, além de economista, um politico refinado - por parte de um profissional da área em que me movo, pergunto sempre "o que será que está por detrás disto". É exactamente a pergunta que neste momento estou a fazer...

HSC

quarta-feira, 4 de setembro de 2019

A ressaca

“Contrariando os números oficiais sobre o crescimento da economia e a queda do desemprego, menos de um terço por portugueses sentem que a crise económica foi ultrapassada e 53,5% estão mesmo convencidos que esta ainda não passou.A conclusão é de um estudo do Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa, coordenado por Luisa Schimdt.
...A investigadora defende que estes números e a perceção dos portugueses sobre a existência ou não, ainda, de uma crise, mostram que, no fundo, estamos de "ressaca" e que a crise económica de 2008 foi tão forte e afetou tantas pessoas que deixou marcas profundas.”

                                    Elementos colhidos na TSF

Há algum tempo que desconfiava de que esta era uma realidade psicológica que se pretendia esconder, já bastante antes das eleições. 
Para quem como eu pertence a uma classe média que vive do seu trabalho, é dona de casa a tempo inteiro, faz as compras de supermercado, e paga todas as contas relativas ao seu nível de vida, os resultados daquele estudo não surpreendem. 
Já aqui escrevi, por mais de uma vez, que o aumento do custo de vida não acompanhava a subida das pensões e dos salários, sobretudo os mais baixos.
Com efeito, o trauma da crise de 2008 está longe de ter sido superado. Ele subsiste sob a forma de medos vários que persistem, nomeadamente no que se refere à saúde e à eventual perda de emprego. E isto, mesmo entre os mais novos...
No caso dos traumas individuais, as pessoas tratam-nos ou no psiquiatra, ou no analista. No trauma colectivo o processo é bem mais difícil, porque para além do sentimento geral, há a vivencia, o comportamento, próprios de cada um. Ou seja, vive-se uma espécie de duplo traumatismo.
Não são os discursos dos políticos a dizer que está tudo bem, ou tudo mal que aliviarão os nossos medos. Pelo contrário, já que muitos de nós, pensam que quando esse discurso acontece, é porque algo pode vir a correr mal.
Entrámos no período eleitoral. Ou seja, na altura em que se vai ouvir dizer justamente o contrário do que este estudo afirma. Vamos ter que ter muita paciência...

HSC

terça-feira, 3 de setembro de 2019

Um Setembro de ficção

Entre escrever e ir diariamente à televisão, ando um pouco afastada do vida real, que é habitualmente aquela em que me movo. A juntar a isto, acredito, alguns neurónios meus devem ter fundido com este calor demoníaco.
Hoje tentei saber o que se passava aqui no burgo. É que, para além das campanhas políticas e do futebol, da Amazónia, do Bolsonaro, concluí que Boris Jonhson se apoderou do mundo em que estamos inseridos.
Quer-me parecer que vai ser um Setembro de alta ficção muito pouco interessante...

HSC

domingo, 1 de setembro de 2019

Um novo cardeal português


O Papa Francisco acaba de anunciar a nomeação de D. Tolentino Mendonça como cardeal. A informação é avançada pela Renascença que aponta o dia 5 de Outubro como a data da cerimónia, a realizar-se no Vaticano.
Recorde-se que o arcebispo português D. José Tolentino Mendonça é bibliotecário e arquivista da Santa Sé, passando agora a cardeal.
O consistório para a criação de 13 novos cardeais (10 eleitores) está marcado para 5 de outubro, no Vaticano.
Segundo a Renascença, o nome de D. José Tolentino Mendonça foi o segundo a ser anunciado, este domingo, após a recitação do Angelus, numa lista que inclui colaboradores directos do Papa e responsáveis de várias dioceses do mundo.
O arcebispo madeirense torna-se o sexto cardeal português do século XXI e o terceiro a ser designado no actual pontificado; passa a ser o segundo membro mais jovem do Colégio Cardinalício, logo após D. Dieudonné Nzapalainga, cardeal da República Centro-Africana, de 52 anos.
                                     Informação recolhida no DN

Não consigo descrever a alegria que sinto com esta notícia e o que ela representa para mim. Enquanto Padre acompanhou de perto os anos mais difíceis da minha vida toda, após a morte do meu filho Miguel. Só ele permitiu que eu me reencontrasse inteira, depois dessa dor. E desde que está em Roma, são os seus livros que me têm acompanhado. Que Deus o proteja é a única preocupação que tenho!

HSC

Uma injusta sangria

“...O peso do que nos é imposto asfixia a nossa liberdade. Os portugueses entregam em média quase 40% do seu rendimento ao Estado, o que significa que muitos entregam mais de metade sem se aperceberem.
Pense, por exemplo, na utilização de um carro comprado a crédito. Paga o imposto automóvel e o IVA que incide sobre o valor do carro e sobre o valor do imposto automóvel pago. Paga impostos sobre os combustíveis mais o IVA que incide sobre o valor do combustível e sobre o valor do imposto pago. Paga imposto de circulação. Paga imposto de selo sobre o contrato de financiamento. Para além disso, é obrigado a fazer um seguro que não é barato e sobre o qual tem de pagar imposto de selo e ainda 2 taxas (para o INEM e para o Fundo de Garantia Automóvel).
Mas não é só isto, pois ainda paga IRS sobre o rendimento que usou para comprar o carro e para liquidar os 9 “impostos” que já pagou alegremente. No total, paga 10 “impostos” sobre o rendimento que vai usar para a utilização de um bem como um automóvel, para além de outros custos como portagens ou estacionamento...”

               Ricardo Pinheiro Alves no Observador

Este exemplo do que se está a pagar em impostos no nosso país demonstra bem o estado a que chegámos em matéria de impostos invisíveis. O pior ‘e que os visíveis já são altíssimos e visam sobretudo a classe média e o trabalho. 
E é por isso que perdemos cada vez mais médicos, enfermeiros, engenheiros e até outras profissões ditas administrativas. É uma sangria de gente formada aqui e que vai desenvolver a sua actividade em países que nada pagaram por essa formação. Chama-se a isto uma sangria profissional... Não é justo.

HSC