terça-feira, 17 de julho de 2018

João Semedo


Tive hoje um grande desgosto. Morreu João Semedo, uma pessoa de quem eu gostava muito e que foi um dos bons amigos do meu filho Miguel. A estima que lhe dedicava vinha mais do que ele era como ser humano do que daquilo que ele pensava, que, como calculam, não era exactamente o mesmo que eu pensava. Mas concordávamos em aspectos da vida muito importantes e, sobretudo, eu sabia que havia nele alguém de uma enorme seriedade e verticalidade.
O João era o exemplo de como as pessoas se podem estimar, mesmo que em campos  ideológicos diferentes e sempre senti que no seu apreço pelos outros, a ideologia não seria o mais importante. Perco, assim, um ser humano com quem gostava de estar e cuja doença me fez voltar a pisar os corredores do IPO, onde tanta vez, por seu lado, ele foi abraçar o Miguel.
Para a Família, nomeadamente a sua Mulher, que também tive ocasião de conhecer, vai o meu abraço de sentidas condolências.

HSC

segunda-feira, 16 de julho de 2018

Um mês especial

Terminamos um mês marcado pelo acidente dos jovens futebolistas encerrados numa gruta da Tailandia, com a paranóia de quem iria ganhar o Mundial de 2018, com um debate da Nação que mais parecia o "olhem como nós somos competentes e os anteriores uns asnos" e, finalmente, para dar alguma pimenta à historia o fica ou sai de Lula da Silva, coroado pela transferência do nosso Cristiano Ronaldo para o Juventus de Turim e mais uma "estórias" das gaffes do Sr Trump ou a visita quase misteriosa do Sr Obama...
Convenhamos que qualquer destes acontecimentos deu pano para mangas nas televisões e orgãos de comunicação social. 
Assim, as notícias da terrinha ficaram-se pelos festivais - mais do que as mães - e a entourage que os rodeou, uns tantos crimesitos já banais de violência domésticas, coisa pouca, uns maridos que matam mulheres, uns filhos que matam os pais e umas rusgas feitas ao futebol e autarquias cujo resultado demorará tanto tempo como o roubo das armas de Tancos, cujas ultimas peripécias envergonhariam qualquer país decente.
Escrever sobre estes pontos seria um mera perda de tempo. Eles só interessam a quem vende jornais ou aos que dependem das audiências. Não é, felizmente, o meu caso, que nem publicidade consenti ter neste blogue.
Esperemos, enfim, por melhores dias, embora a silly season seja tudo menos a mais adequada a algo de interesse que se possa escrever.

HSC

terça-feira, 3 de julho de 2018

Viver feliz para sempre!


“...Num mundo em que as ideologias - de esquerda e de direita - estão a soçobrar, os eleitores também se tornaram "migrantes". Tal como eles, flutuam entre quem a cada instante lhes oferece as soluções que lhes parecem mais adequadas aos problemas do momento, ou que estão mais conforme o que exigem as suas preocupações. É asfixiante o espaço reservado para a discussão dos problemas estruturais e à política distante do ruído dos holofotes mediáticos que, como é natural, estão mais interessados em ganhar audiências do que em resolver os problemas do mundo...”
 
Álvaro Nascimento in Negócios

É um facto que o debate politico no nosso país está reduzido à chamada propaganda eleitoral. As televisões encharcam-nos de pseudo discussões que, em lugar de nos esclarecerem, visam apenas definir quem é o vencedor das mesmas.
Sendo assim, os melhores não perdem tempo com querelas partidárias e, quando chegam ao topo das carreiras, sabem que para se manterem é conveniente/vantajoso ir distribuindo as suas benesses por todos os partidos do chamado arco do poder e deste modo... viverem felizes para sempre!

HSC

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Madonna nossa!



A notícia divulgada no último sábado, sobre uma cedência a Madonna de uns terrenos da CML para que esta pudesse estacionar a sua frota de 15 carros é algo que, no mínimo, se reveste de alguma bizarria.
Com efeito, Fernando Medina gere e administra dinheiros que são dos contribuintes. Logo, impõe-se que a “coisa pública” seja tratada de acordo com regras de transparência e clareza.
É claro que todos sabemos existirem benefícios quando grandes estrelas internacionais se instalam no nosso país, já que divulgam e promovem lá fora a “marca” Portugal e, no caso, a “marca” Lisboa. 
Mas, ou a “estória” está mal contada, ou as decisões tomadas são tudo menos transparentes. De facto, a Câmara começou por não divulgar o valor do contrato. Depois, lá revelou que o valor cobrado seriam 720 euros mensais e,  por fim, soube-se que este valor não só não está ainda a ser cobrado, como só o será no fim do período de utilização.
Os mecanismos de excepção sempre existiram. Mas, por norma, as balizas são previamente definidas. Como seria de esperar, a oposição camarária trouxe o tema para a praça publica.
O que significa que Medina não só vai ter de esclarecer este assunto rapidamente, como os seus esclarecimentos têm de ser muito claros e...transparentes. É que ser autarca e político com ambições, tem os seus custos!

HSC

domingo, 1 de julho de 2018

O caminho é para a frente

Lá estive pendente do aparelho, a ver a nossa seleção. Malfadada relva aquela em que os jogadores escorregavam como se estivessem numa pista de gelo. Julgo que não jogámos mal, mas a equipe adversária não largava os nossos pés. Parece que havia sempre um uruguaio á frente de cada um dos nossos jogadores.
É o futebol, é a vida. Ganhámos quando jogámos pouco e perdemos quando fizemos bom serviço. Mas fiquei com pena, gostava que pudéssemos chegar às finais. Não foi possível. Não vale a pena chorar sobre leite derramado. Para a frente é que é o caminho!

HSC

sábado, 30 de junho de 2018

Uma experiência desagradável

Com a idade que tenho, não estou habituada a estar doente. Mas chega um dia em que, inesperadamente, os "azares" que habitualmente se resolviam numa semana, ficam e se transformam em estados complicados. Estou, desde o dia 5 de Junho, com uma situação totalmente nova, ou seja, em casa doente. E o que começou por ser uma inflamação respiratória transformou-se num pesadelo.
Às vezes precisamos deste tipo de abanões para tomarmos consciência da idade, da finitude da vida e da vulnerabilidade do ser humano. E, às vezes, também se juntam, sabe-se lá porquê, um conjunto de circunstâncias que nada mais faz do que agravar as nossas falências.
Acredito que, mais devagar, a outro ritmo, as coisas hão-de voltar ao normal. Felizmente e de novo, pude confirmar o amor do meu filho e a inesgotável amizade de certos amigos. Sou uma felizarda!

HSC

sexta-feira, 29 de junho de 2018

Tolentino de Mendonça


Todos os que lêem este blog com alguma regularidade, sabem quanto estimo e quanto devo ao Padre Tolentino de Mendonça. Desde a morte do meu filho mais velho, ele foi o suporte da força de que eu carecia para continuar a tratar dos vivos que ainda necessitavam de mim. Posso afirmar que cada degrau que subi neste seis últimos anos teve a sua marca.
A recente indigitação do seu nome para arcebispo e bibliotecário da mais rica biblioteca do mundo, encheu-me de uma profunda e sentida alegria. Mas, egoísta que também sou, senti um aperto de coração ao pensar que deixava, para sempre, de o ter ali "ao alcance da vista". O ser humano é capaz destas ambivalências e eu não sou "super" em nenhum aspecto.
Irei, assim - como, aliás, muita gente que conheço e que o estimava tanto com eu -, iniciar uma nova caminhada na fé e na vida, um pouco mais solitária, porque não vai ser fácil substitui-lo na orientação espiritual que me dava. Já aqui disse que não o via muito neste seu mister. Posso dizer que o procurava cerca de duas vezes no ano. Mas cada uma delas enchia-me o coração até à visita seguinte.
Não perco um amigo, porque hei-de ir a Roma vê-lo se Deus me der vida e saúde. Mas perco a "proximidade" que tanto me fortaleceu estes anos. 
Parabéns Arcebispo Tolentino. Bem haja por tudo quanto partilhou connosco!

HSC