domingo, 19 de fevereiro de 2017

Uma petição

Assumi, há dois dias, aqui neste blog, a minha mágoa por não ver reconhecido a dois heróis da aviação nacional – Gago Coutinho e Sacadura Cabral – o que me pareceu ser um justo  louvor ao feito que os guindou ao reconhecimento internacional. Foi um desabafo de quem sente uma injustiça e entende não dever cala-la. 
Pois houve quem fizesse o que não ousei fazer e tenha aberto uma petição para dar ao aeroporto do Montijo o nome de meu tio.
Fiquei, como seria natural, bastante comovida. Já a assinei. Compete-me, agora, o dever de dar conhecimento dela. Assim, quem esteja disposto a assina-la, poderá faze-lo no endereço


Que o novo aeroporto possa consagrar o nome dos dois heróis. E que a vossa assinatura corresponda a um imperativo de  consciência é o meu sincero desejo. 


HSC

Pelo país

A semana começou com críticas do PSD a Marcelo Rebelo de Sousa e aproxima-se do fim com críticas do PS a Marcelo Rebelo de Sousa.
Prova evidente de que o Presidente da República está a cumprir bem o seu papel.

                           Pedro Correia in Delito de Opinião

HSC

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

O namoro ficou tremido...

Declarações do deputado João Galamba

"O Presidente da República está profundamente implicado nisto. O que ele tentou fazer na segunda-feira, político hábil como é, foi tentar demarcar-se disso e tentar desresponsabilizar-se de algo que é também responsabilidade sua", afirmou ontem o deputado socialista no programa "Sem Moderação", emitido pela TSF (minuto 16 da emissão) e pelo Canal Q.
"Tudo aquilo de que é acusado Mário Centeno pode Marcelo Rebelo de Sousa, o Presidente da República português ser, ipsis verbis, acusado exatamente da mesma coisa", defendeu.
... João Galamba sustentou que, "das duas, uma": ou o Presidente pretendia incluir a obrigatoriedade da entrega da declaração de rendimentos no Tribunal Constitucional na alteração legislativa introduzida no estatuto do gestor público e foi "convencido pelos argumentos do Governo" de que não havia necessidade disso, ou concordou com o executivo de que a lei de 1983 que obriga os gestores a entregar a declaração de rendimentos "era válida" e não foi preciso incluí-la no decreto.
… Já mais tarde (minuto 33), Galamba reafirma a sua posição, considerando que o presidente da República "esteve mal, está profundamente implicado nisto". E repete: "As responsabilidades de Mário Centeno, quaisquer que elas sejam, são também as de Marcelo e Marcelo tentou sacudir a água do capote".

Há afirmações que não merecem ser comentadas porque elas próprias já são comentário. Ontem, no "Frente a frente", na Sic, o deputado Galamba tentou dar uma interpretação mais suave das suas palavras, dizendo que se Centeno não cometera nenhuma irregularidade, o Presidente, pelo mesmo motivo, também a não teria cometido...
Tudo isto é lamentável e cada um tirará as suas próprias conclusões. Esperemos é que a CGD e os seus depositantes não venham a ser seriamente prejudicados e o actual Presidente se não canse com esta "telenovela ao jeito mexicano"!


HSC

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Aeroportos


Nao costumo fazer auto elogios. Muito menos de natureza familiar. Mas, hoje, vou abrir uma excepção e enaltecer o apelido que me identifica e identifica a minha família. 
Com efeito, quando se mudou o nome do Aeroporto da Portela para Aeroporto Humberto Delgado apeteceu-me escrever alguma coisa a esse respeito. Não o fiz por contenção pessoal e pensar que, um dia, noutra oportunidade, havia de faze-lo.
Chegou agora, ao tomar conhecimento da proposta do Senhor Presidente da Republica que visava dar o nome de Mario Soares ao Aeroporto do Montijo. É que julgo não dever calar mais, algo que sinto como injusto e profundamente revelador da forma como o país trata os seus heróis. Neste caso específico, heróis da aviação.
Gago Coutinho e Sacadura Cabral caminham para celebrar o centenário de um feito que pode considerar-se, no campo aeronáutico, uma efeméride de que todos  nos devíamos orgulhar.
Pois bem, parece que assim não é, pois não mereceram, até à data, mais do que a associação do seu nome às denominadas vias terrestres. Concluo que para que tal pudesse ter acontecido importava, não que fossem heróis, mas sim, que tivessem sido políticos. Todavia, confesso, tenho pena que a primeira figura da nação assim pense!

HSC

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

À bon entendeur, salut!

João Gomes de Almeida, no ECO:

"Mas numa coisa concordo com Fernanda Câncio: uma fação da sociedade não tem o direito de impor à maioria dos cidadãos a sua vontade. É por este motivo que acredito que os temas socialmente fraturantes, ou como a jornalista refere as “escolhas do domínio da ética”, devem ser decididas por todos. Ou seja, através de referendo, tal como aconteceu com a Interrupção Voluntária da Gravidez. Isto porque nunca uma minoria deveria ter o poder de sobrepor o seu interesse ao da maioria. Certo? Não é isso que significa ser de esquerda?
Mas quando chega à hora de dar a palavra ao povo, a esquerda normalmente encolhe-se e gosta de disparar um dos argumentos mais falaciosos do jogo democrático: “os direitos não se referendam”. O tanas é que não! O povo afinal não é soberano? Foi à conta desta retórica que os partidos de esquerda têm conseguido, na maioria das vezes à pressa e atabalhoadamente, fazer passar na Assembleia da República diplomas sobre os temas que dividem a sociedade. Socorrendo-se sempre da falácia de que “estes temas só dizem respeito a quem é afectado por eles” – o que é imperativamente mentira, se partimos do princípio de que todos vivemos em sociedade e de que as transformações que se operam na mesma dizem respeito a todos."

                                   Diogo Noivo, in Delito de Opinião

Ha temas, assuntos, matérias, sobre os quais ninguém tem o direito de se apropriar, fazendo da sua posição uma verdade universal. Também há quem não goste de referendos por receio de que os seus resultados se não coadunem com o que tomam por única verdade. Mas viver em sociedade raramente se coaduna - a não ser em ditadura - com uma visão exclusiva do mundo. 
Aceitemos, então, democraticamente, a posição da maioria. Para isso é necessário ouvir todos. Ouça-mo-los. E depois de os ouvirmos, procedamos em consciência, já que essa maioria não nos obriga a seguir os seus passos. Apenas nos concede a liberdade de o fazer ou não, de acordo com a nossa consciência!

HSC

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2017

Política de A a Z


Pedro Correia foi e é, manifestamente, alguém que gosta de política. E arriscaria até dizer que “acredita” nela. Como se pode deduzir, estamos perante o oposto da autora destas linhas. Felizmente para nós que é um homem culto e se interessa por muitas outras coisas e mundos.
O seu último livro POLÌTICA DE A a Z, é uma espécie de glossário sobre a matéria, escrito de parceria com Rodrigo Gonçalves. Na sua badana fascinou-me, logo, uma frase de Jorge Luís Borges, que jamais esqueci, porque me identifico inteiramente com ela.
De que se trata? Da resposta dada pelo escritor ao seu colega Mario Vargas Llosa, quando este lhe pergunta o que é para ele a política. A resposta veio incisiva e directa: “é uma das formas do tédio”!
O livro, que vai da Abstenção ao Zé Povinho - ou seja todos nós -, consegue a façanha de percorrer, sem falhas, todo o jargão político conhecido, sem sequer lhe faltar a célebre “gerigonça”, sempre atribuída a Paulo Portas, mas cuja paternidade pertence, de facto, a Vasco Pulido Valente que a criou num momento de particular inspiração.
Eu que li o livro porque sou amiga do Pedro, só posso aconselhar a sua leitura. É que se eu, que sou nula no assunto, aprendi com gosto várias coisas, que prazer não irá ele provocar em quem seja um adicto na matéria?!


HSC

sábado, 4 de fevereiro de 2017

Eutanásia

Permitam-me que vos traga aqui este texto, publicado ontem pelo Pedro Rolo Duarte no seu blog, porque ele traduz muito do que penso serem as vertentes principais da discussão que está aberta sobre a eutanásia ou se preferirem, a expressão mais doce de morte assistida. Oportunamente darei a minha opinião. Mas por enquanto fica neste post, que me permiti "roubar", por considerar que ele invoca muito daquilo que deve ser a verdadeira discussão sobre o assunto. Aqui vai:

"Estou a ver na TV, num canal de notícias, uma curta troca de argumentos sobre a eutanásia. Estremeço. Antecipo o “amplo e profundo” debate que o Presidente Marcelo desejou há dois dias: vai dar asneira. Um dos intervenientes era mesmo o bastonário da ordem dos médicos, José Manuel Silva - e a forma como ridicularizou as opções que um doente terminal pode ter, para concluir que o mais “barato” era o suicídio, deu para perceber como podem extremar-se questões tão delicadas e sensíveis como esta, e como se pode cair lamentavelmente na demagogia e no disparate. Ora, se com a vida não se brinca, então com a morte… 
Confesso: sou impotente para vir a terreiro argumentar sobre a eutanásia. Parece-me uma questão de foro tão intimo e pessoal, tão individual e tão pouco política ou sequer ética, que não consigo ver quem possa “querer” ter razão e taxativamente estar “contra” ou “a favor”. Por mais que haja quem pense que a vida não nos pertence - a quem pertencerá? Ao Estado? A Donald Trump? Aos constitucionalistas que decidiram a nossa vida? -, não consigo escapar à evidência: se cada um de nós faz da sua vida o que entende e quer, parece meridiano que a vida de cada um de nós é mesmo de cada um de nós, desculpadas as repetições e redundâncias. E assim sendo, cabe a cada indivíduo decidir o que fazer com a vida quando ela está em causa, quando não tem saída, quando já só resta sofrimento e dor. Quem sou eu para confrontar um ser igual a mim que decide, pela sua cabeça, conscientemente, antecipar o inevitável em nome de uma qualquer paz interior? Quem sou eu para dizer a 90% dos necessitados de cuidados paliativos, que os não recebem por falta de capacidade de resposta da rede, que não devem ou podem recorrer à eutanásia.
Não me passaria pela cabeça debater a eutanásia justamente por entender que ela já existe, interiormente, na opção de fim de vida de todos os seres humanos, mesmo quando não lhe têm legalmente acesso. Menos ainda referendar ou levar ao Parlamento. No limite, legislar sobre as condições essenciais - de saúde, ou falta dela - que garantissem que a decisão não serviria para abusos, desvios, fatalidades, facilidades. O mínimo indispensável.
Dito isto, parece-me que o debate vai dar disparate. Vamos ver repetir-se a dicotomia esquerda/direita, católicos/ateus, novos/velhos, numa estúpida cisão sem sentido, ditada por preconceitos e falsas premissas, e que não corresponde, seguramente, ao sentir da maioria. Enquanto nas ruas cada um pensará por si, nas televisões e nos jornais vamos ver “frentes unidas” com cargas ideológicas e religiosas, numa repetição de outros debates passados, alguns deles de infeliz memória. É mais tempo perdido, mais energia gasta desnecessariamente - enquanto se adiam, se esquecem e apagam tantos debates por fazer, tanto país por construir.”

A cada um dos meus leitores cabe tirar conclusões sobre o que acabam de ler. Eu já tirei algumas. Preciso, porém, de as ligar para conseguir ser suficientemente clara quando as expressar. Mas considero este texto muito esclarecedor.

HSC