quinta-feira, 21 de junho de 2018

Por mais que se queira...


Por mais que alguém se queira desligar do futebol, não é possível enquanto durar este mundial. Ontem creio que todo o país terá parado - felizmente para a economia nacional foi no horário do almoço... - para assistir ao jogo com Marrocos. O primeiro e único golo nacional, de Ronaldo, aos primeiros minutos ditaria a nossa sorte. Porque foi, de facto, sorte. A seleção portuguesa - como com Espanha - foi bastante medíocre, os assobios foram mais que muitos e alguns bem merecidos. Estiveram desorganizados, sem posse de bola frente aos marroquinos, que se mexeram bem mas, chance nossa, não sabem marcar. Porque senão poderíamos ter sido bem despachados... 
Julgo que Fernando Santos demorou a fazer substituições e quando as fez deixou Quaresma no banco. Mas alguém, além de Ronaldo, nos deu a vitória. Foi Patrício que, na baliza, mais parecia um lince. Para mim, esse, foi o grande porteiro da noite. Revi todas as defesas que fez e fiquei orgulhosa com o espectáculo. 
Grande Patricio!

HSC

sábado, 16 de junho de 2018

Salva-nos o Ronaldo


No mesmo dia em que, por motivos fiscais, decidira pagar ao fisco espanhol milhões de euros e ficar com uma pena de prisão suspensa, Cristiano Ronaldo permitiu-nos uma verdadeira sessão de egoterapia.
Pertenço ao grupo dos que apreciam o jogador nacional mais amado - e talvez, também, mais odiado - do mundo do futebol. O espectáculo de ontem foi, novamente, algo de arrepiante e simultaneamente fascinante. Sobretudo, o último golo, que havia de determinar o empate.
Podemos concordar ou discordar, gostar ou detestar, aceitar ou combater, mas o mundo que roda em torno do esférico é um valor que move como nenhum mais os portugueses. Nem a política, outro valor da terrinha, se lhe compara.
E Ronaldo, goste-se ou não, é o melhor desse mundo e é português!

HSC

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Tanta e lamentável "efeméride"

Tenho tido muito pouco tempo para aqui vir escrever. Possivelmente porque os acontecimentos são tantos e reveladores, que me pergunto se valerá a pena alguém debruçar-se sobre eles. 
Como sempre as manobras no futebol e na política ocuparam os noticiários. A novela do Sporting - será que ainda existe clube? -, a novela do que se está a fazer para que a tragédia de Pedrogão Grande se não repita, a comédia das rendas da EDP, o mundial de futebol, a nossa dívida que não pára de aumentar, o turismo a expulsar as populações das zonas habitacionais, a situação na Itália a fazer esquecer a da Grécia e, a fechar o círculo, o Real de Madrid a comprar  o selecionador de Espanha em vésperas do encontro com Portugal. Tudo isto sem referir seiscentos refugiados que, não tendo podido contar com ninguém, acabaram por ser encaminhados para o país vizinho.
Perante tanta e lamentável efeméride, alguém consegue escrever o que quer que seja ou até seleccionar um tema sobre o qual não nos envergonhemos?!

HSC

sábado, 2 de junho de 2018

À espanhola



Aproveitando os efeitos da sentença do caso Gürtel, o bonitão Pedro Sánchez, que vinha perdendo terreno nas sondagens, lançou mão de uma moção de censura que lhe permitiu, com alguma facilidade, chegar a Primeiro-Ministro de Espanha.
Apesar de apenas ter 84 dos 350 deputados do parlamento espanhol, os socialistas conseguiram reunir o apoio de um total de 180 votos, que incluem os representantes do Unidos Podemos (Extrema-esquerda, 67), a Esquerda Republicana da Catalunha (ERC, separatistas, nove), o Partido Democrático e Europeu da Catalunha (PDeCAT, separatistas, oito), o Partido Nacionalista Basco (PNV, cinco),o Compromís (nacionalistas valencianos, quatro), o EH Bildu (separatista basco, dois), e a Nueva Canarias (nacionalista, um).
Albert Rivera, por seu lado, desesperou por não ter havido eleições, já que todas as sondagens lhe davam o primeiro lugar. Mas, na política como na guerra, há o velho ditado de que quem com ferros mata com ferros morre.
Sanchez e a difícil solução que forjou estão longe, creio, de revelarem gabarito e unidade suficientes para enfrentar os melindrosos problemas que têm pela frente. Veremos, por isso, até onde conseguirão chegar. Porque, convém lembrar, esta espécie de geringonça espanhola nada tem, felizmente, a ver com a nossa...

HSC

quinta-feira, 31 de maio de 2018

Que a sorte nos proteja!


"Os problemas económicos e financeiros portugueses não estão ultrapassados, como sempre aqui se tem dito. Os efeitos que sofremos com a crise política italiana mostram até que ponto continuamos vulneráveis ao mais pequeno abalo político ou económico. Ninguém quer ouvir, mas corremos riscos de pagar caro o facto de não termos dado ainda maior prioridade à descida da dívida. Uma crise que obrigue, de novo, a cortes nos salários da função pública e nas pensões será catastrófico para Portugal. Resta-nos a esperança de António Costa continuar a ter sorte, para nós termos também.

... A perspectiva de crescer menos está presente desde finais do ano passado reflexo do abrandamento externo e da incapacidade que a economia portuguesa tem revelado em aumentar a produtividade. Juntou-se a isso a subida do preço do petróleo.
... Como se tudo isto não fosse suficiente, a situação política italiana veio colocar de novo Portugal no radar dos financiadores. Lá está a taxa de juro da dívida pública portuguesa a subir nas comparações com Itália e Espanha...

... O que se está a passar demonstra que devíamos ter sido mais prudentes no passado recente, dando desde logo maior prioridade à redução da dívida pública – e não apenas agora -, para nos aproximarmos o mais depressa possível do porto seguro da solidez financeira. Assim como devíamos ter na mão uma lista de medidas das chamadas políticas estruturais, em vez de termos para apresentar reversões.

... A gestão económica e financeira de António Costa só passa no teste se Portugal conseguir ultrapassar, sem problemas de maior, uma crise económica ou uma tempestade financeira. Os efeitos que já tivemos da crise italiana não são sinais positivos para este Governo passar na avaliação da sua política económica. Como sempre se disse aqui, a combinação de políticas seguida pelo Governo foi arriscada e, ao mesmo tempo, pouco ambiciosa. Sim, sabemos que a política de conquista e manutenção do poder assim o exigiu. Esperemos agora que a sorte continue a proteger António Costa para não pagarmos um preço elevado por essa falta de prudência."

                     ( Helena Garrido in Observador )

Está aqui feito um retrato do que pode acontecer-nos se continuarmos a assobiar para o lado. E a prova de que basta um vento lá fora para podermos ter uma tempestade cá dentro...

HSC

sábado, 26 de maio de 2018

Franz


                          

Sou uma apreciadora do realizador François Ozon. Por isso, fui ver o seu filme Franz que tem, entre outros prémios, o Leão de Ouro.
É uma história muito curiosa - passada no clima do pós guerra e do ódio entre franceses e alemães -, que aborda um tema a que poderemos chamar do "valor da mentira” e conta as repercussões que a mesma teve sobre a vida das personagens retratadas.
Talvez seja uma película um pouco lenta e longa, talvez até demasiado melancólica. Mas é certamente uma bela obra a branco e preto, que revela dois novos excelentes atores – Paula Beer e Pierre Ninney -, para mim, até agora, completamente desconhecidos.
Saí do cinema tocada pela forma hábil como o autor narra aquilo que muitos de nós sabemos de antemão, isto é, que a mentira, por norma, arrasta consigo outras tantas. A fita não pretende fazer juízos morais e talvez esteja aí um dos motivos pelo qual, julgo, ela prende os espectadores.
Para quem gosta da sétima arte, eu diria que esta vale mesmo a pena!

HSC