Sexta-feira, 24 de Maio de 2013

Os resistentes

Aquietem-se, porque não é de política que vou falar. É de homens. Os que guardo nas minhas lembranças. 
Aquietem-se de novo, porque também não é acerca dos meus amores que vou escrever. Esses estão no meu coração, guardadinhos a sete chaves. Vou falar-vos dos homens que estão na minha memória e que embalaram as minhas paixões.
São vários. Na música, quatro: Sinatra, Montand, Cohen e Aznavour. Georges Moustaki é da mesma fornada mas não ocupava o lugar dos outros. Vinha na segunda linha. Acaba de morrer. Ficará o registo da sua voz, já que o da imagem se degradou muito. Quando veio a Lisboa já era um velho. Ao contrário dos outros dois vivos que citei, nos quais o passar dos anos foi menos cruel.
No cinema Redford mantém-se entre aqueles por quem a minha pressão sanguínea acelerou. E vou ficar triste, se ele partir antes de mim.
Estas figuras contam nas suas rugas - e ainda há quem queira apaga-las! - a história de um meio século, ao qual eu tive a sorte de pertencer. As vozes, essas, com os olhos fechados, eu distinguiria qualquer delas à distância.
Redford, no meu caso, personifica "aquele" homem com quem se tem o direito de sonhar. Aos vinte, aos trinta, aos cinquenta, aos noventa! Felizmente, o coração só envelhece nos electrocardiogramas...

HSC

Será novidade?

Eu sei que há idosas que ainda sonham com o grande amor. Fazem bem. Não foi nunca o meu caso e, talvez por isso, a vida me tivesse reservado algumas agradáveis e   merecidas surpresas. Vem este intróito a propósito de algo que está a passar-se comigo e, certamente, com algumas "eleitas" mais. 
De que se trata? De uma inesperada avalanche de senhores que através de uma rede apelidada TWOO se disponibilizam, de frente ou de perfil, para o chamado "grande amor". 
A primeira vez que tal oferta chegou à minha caixa de correio limpei e não reagi. Mas agora, é praticamente dia sim dia não, que um grupo de seis ou oito seniores tentam piscar-me o olho para me alertarem para os seus predicados... A coisa começou a tornar-se insólita e por mais que eu tente excluir-me do processo, nada consigo para além de mais seis risonhos candidatos ao amor eterno.
Abstenho-me, claro, de tecer comentários sobre as fotos dos pretendentes porque elas liquidariam qualquer resto de líbido que houvesse em mim. De facto, com tais candidaturas, não sei como a rede sobrevive.
A juntar a esta nova experiência etária, surgiu ultimamente uma outra, que também começa a entupir o meu mail. Trata-se de "clubes de dança" que aliciam as participantes da sua mailing list a darem contributo artístico ao fomento do tango e do paso doble...
Calculo que devo ser uma "predestinada", embora no meu CV nada justifique essa distinção. Não danço mal, mas só gosto de dançar com quem escolho e nunca com quem me escolhe. Eu sei que é "uma pequena diferença", mas ela existe e eu pretendo mante-la. 
Qual a razão de todas estas diatribes, não a sei, como diria o poeta, mas que ela me dá fortes ataques de riso, isso é um facto... 
Será que alguém já terá caído nas malhas de tanta oferta?!

HSC

Quarta-feira, 22 de Maio de 2013

Há famílias de bom senso...

Só hoje soube que António Passos Coelho, pai do PM, teria afirmado que "nunca gostámos que ele fosse para onde foi, porque a ideia cá em casa, na família, é que isto não tem conserto. Há muitos anos, não é de agora", e que ousara mesmo dizer ao filho: "isto não tem conserto, entrega isto".
O alívio que senti foi enorme, ao confirmar que a lucidez dos progenitores não termina com a idade. Nem o amor pelos seus descendentes. Finalmente, um pai dizia ao filho algo semelhante ao que eu própria já dissera ao meu. E também ele, como eu - se estiver viva -, daremos uma festa de arromba quando tais funções acabarem. 
Com efeito, só quem tem familiares muito próximos no governo - qualquer que ele seja - é que pode avaliar o que passam pais, filhos e irmãos. Com a agravante, no meu caso, de "odiar" a política, que só é "nobre função" no pensamento de filósofos.
Lembro Hollande, homem normal como ele próprio se definiu, e vejo o que num ano  lhe aconteceu. Entrou a todo o gaz e, em pouco tempo, as decisões políticas que tomou transformaram-se num verdadeiro ziguezague de avanços e recuos, com a inevitável  e merecida queda de popularidade. Que arrastou, claro, a subida da direita mais radical.
Possivelmente, só Seguro deseja mais do que eu e António Passos Coelho, o fim de tudo isto. Falando, é evidente, daqueles a quem se costuma incluir no "arco da governação". 
Pelo menos, agora já não me sinto tão solitária ao confirmar ainda existem famílias cujo bom senso não fica afectado pelo poder..

HSC.

Segunda-feira, 20 de Maio de 2013

Megalomania despesista


"A Câmara de Gaia está a projectar a construção de um túnel rodoviário mergulhado nas águas do Douro para ligar a praia de Lavadores (Gaia) à zona do Castelo da Foz (Porto). A obra custa 54 milhões de euros. Para o túnel ser sustentável deverá ser portajado". ( in Jornal de Noticias)

O país anda louco com certeza. E aqueles que ainda não enlouqueceram estão a caminho disso quando lêem notícias destas. Deve ser mais uma PPP na calha em que os lucros vão para o privado e os prejuízos para o portuga contribuinte. Haja decoro!

HSC

A mobilidade...

Aqui está um exemplo de como se pode criticar sem usar jargões e sem ofender. É nestes moldes - concordando-se ou não - que entendo a crítica ao que entendemos não estar correcto nem se justo. Com a vantagem de todos perceberem...

HSC 

Domingo, 19 de Maio de 2013

O grande Gatsby

São cerca de duas horas e meia de filme para contar o "O Grande Gatsby". Pareceu-me excessivo. É um bom retrato da época, transforma o romance de Fitsgerald numa história de amor um pouco mórbida, mas não passa disto.
Acresce que não aprecio Leonardo Di Caprio. E também não gostei da interpretação dele nesta película. 
Baz Luhrmann adaptou ao cinema o célebre romance homónimo de Scott Fitzgerald. Mas o livro é muito mais do que se conta na película. No livro fala-se sobre o sonho, a ilusão, o idealismo, a decepção e a luta de classes. E isso está longe da abordagem feita agora. É pena porque já tivemos anteriormente três fitas sobre o mesmo tema. Uma muda em 1926, outra em 1944 e, finalmente a melhor, de Coppolla em 1974.
A meu ver, o realizador desta última versão, sendo alguem com excelente  curriculo, não conseguiu, a meu ver, dar alma ao filme, muito por culpa de Di Capprio, que tem aqui uma das suas menos felizes interpretações.

HSC

Sexta-feira, 17 de Maio de 2013

A bílis

Sempre defendi que a blogosfera era um espaço de liberdade de que valia a pena tirar proveito. 
Como? Utilizando-a para investigar, ler e escrever e trocar ideias. Porém, quem se debruce, com algum tempo e alguma atenção, sobre os blogues ou redes sociais, tem enormes surpresas. Ontem passeei-me por vários blogues e fiquei impressionada com a violência e a virulência de alguns post's. A brutalidade da linguagem é tal que, numa primeira leitura, nem se chega perceber "o que" se critica, face ao ódio "a quem" se critica.
Creio que a liberdade de expressão, como todas as liberdades, tem limites. Não gostar, não estar de acordo, censurar, é um direito adquirido. Mas insultar, difamar, ofender, além de perturbar e de afastar certo tipo de pessoas, acaba por beneficiar quem se pretende criticar. Ou seja, consegue-se prestar um serviço ao adversário, quando, pela  forma usada, o tornamos numa vítima.
Em democracia o voto é a grande arma de punição. Ou até a falta dele, porque quanto menos pessoas votarem, menos representativos serão aqueles que votam e, por isso, menos força terá o resultado obtido. Nas ditaduras, as coisas resolvem-se com umas revoluções e umas mortes.
Mas democracias biliosas, que assentam na ofensa pessoal, não só não resolvem nada, como abrem as fracturas que acabam por justificar as piores ditaduras.
Portugal está profundamente doente. Mas se o tratamento for extirpar todos os orgãos, o mais natural é que o paciente morra... 

HSC