domingo, 1 de maio de 2016

A missa deles...

Há uma semana o Padre Tolentino na sua missa de domingo, na Capela do Rato, invocou, a nosso pedido, o meu filho Miguel. Como sempre, tudo quanto disse, pareceu escolhido de forma especial. A referência ao meu filho foi comovente. Tanto, que nesse dia não consegui escrever sobre o assunto.
Hoje, oito dias decorridos, em que o Dia da Mãe coincide com o dia em que o Miguel faria 58 anos, o Padre Tolentino invocou o Paulo Varela Gomes sobre quem disse o que só ele sabe dizer e lembrou também o aniversário do meu Miguel, seu amigo. 
Fiquei feliz por ele os ter ligado na mesma missa. Há gestos e palavras que nos sabem muito bem, sem quase sabermos explicar porquê. Foi o caso. Obrigada Padre Tolentino!

HSC

sábado, 30 de abril de 2016

Morreu Paulo Varela Gomes


"...Todavia, não houve um único dia em que não tenha pensado na morte. Nem um. Ao princípio não receei mas também não compreendi essa Senhora de Negro e, portanto, ofereci-lhe de bandeja as inúmeras oportunidades que, demoníaca, busca dentro de nós para nos fazer a vida num inferno ou para nos levar. É verdade que a vontade de viver teve desde sempre mais poder sobre mim do que a desistência perante a morte ou a ida ao seu encontro -- já não estaria aqui se assim não fora".

Estas são palavras do Professor Paulo Varela Gomes, ao tempo já em luta contra um cancro que há quatro anos lhe aparecera. Escritor, historiador de arquitectura e crítico, vai fazer muita falta a todos quantos o apreciavam e ao próprio país.
A primeira vez que ouvi falar no apelido Varela Gomes foi ao meu saudoso amigo Sérgio Sabido Ferreira, médico que o operou, a quando do golpe de Beja, sob forte fiscalização militar. Não o conhecia de lado nenhum. Fê-lo porque era um homem de carácter e um médico que jurara salvar vidas. 
Depois havia de ouvir falar da amizade que se teceu entre o seu filho Paulo e o meu filho Miguel. Viveram algumas perigosas aventuras juntas e uma delas foi a constituição do MAESL - Movimento dos Estudantes do Ensino Secundário- que deu origem à detenção de cerca de 150 estudantes, entre eles Portas e Varela Gomes.
Nessa ocasião, um energúmeno da PIDE havia de me telefonar às 11h da noite dizendo-me que o meu filho estava detido - tinha 13 anos - tendo-me invectivado de tudo e mais alguma coisa, antes de me dizer que o fosse buscar. Lá encontraria a mãe Varela Gomes e uma centena de pais a aguardar a saída dos filhos. O nosso encontro foi surreal, eu furiosa de ele me não ter avisado, ela orgulhosa da detenção, a dar-me lições de política. Finalmente o Miguel apareceria de cabeça rapada já por volta das 3 da madrugada. Se encontrasse, de novo, o homem que lhe fez aquilo, teria o prazer de o descompor. Isto se não me chegasse a ele para o esbofetear. E eu era uma mulher de mão pesada...
O tempo havia de me tornar sua admiradora, mesmo quando não concordava com ele. Julgo que se terá tornado católico no fim da sua vida. Mas o que me leva a admirá-lo mais ainda, foi a dura luta que travou contra essa malvada doença que também levou o Miguel. Adoeceram em tempo próximo e o Paulo subirá ao céu a tempo de celebrar o dia do aniversário do amigo, que é amanhã!

HSC

Hoje há  oestadodaarte.blogspot.com

quinta-feira, 28 de abril de 2016

Duas boas noticias e algo para pensar


A primeira boa notícia é a de que O Museu Nacional de Arte Antiga já tem os 600 mil euros necessários para adquirir "A Adoração dos Magos", de Domingos Sequeira. Vai ser restaurado e regressá a casa a 21 de maio.

A segunda boa notícia - que pode não ser surpresa para quem a conhece bem -, que não deixa de ser um orgulho, é que Lisboa foi considerada uma das 50 cidades mais bonitas do mundoEsta foi a eleição dos leitores da importante revista Condé Naste Traveller.

A terceira notícia não é em si boa ou má. A leitura que dela fizermos é que é muito importante Trata-se de uma afirmação do padre Francisco que nos deve tocar particularmente e que diz que "não é automático que quem frequenta a casa de Deus e conhece a sua misericórdia saiba amar o próximo.» «Podes conhecer toda a Bíblia, podes conhecer todas as rubricas litúrgicas, podes conhecer toda a teologia», mas «amar não é automático, amar tem outro caminho, com inteligência, mas com algo mais.»

Aqui fica algo que confirma que os portugueses sabem responder aos estímulos, quando a eles são chamados. E também que os lisboetas devem sentir-se felizes por poderem gozar a sua cidade, pese embora algumas mazelas que bem podiam não existir.
Finalmente que os católicos, ou os que se dizem como tal, pensem bem na sua opção, porque a prática litúrgica está longe de ser o mais importante na salvação das suas vidas...

HSC

quarta-feira, 27 de abril de 2016

Constâncio

Hoje fala-se no Estado da Arte da "humildade" revelada por Vitor Constâncio.

www.oestadodaarte.blogspot.com

Vá, clique no link em cima e passei-se por lá. Talvez concorde comigo!

HSC

terça-feira, 26 de abril de 2016

O que acontece em 3 dias...

Numa semana que decorre entre a morte do Miguel a 24/4 e o seu aniversário a 1 de Maio, confesso que a vontade de abrir a televisão foi nenhuma. Assim, depois da missa vim para casa e almocei com duas amigas no meu terraço sem qualquer cerimónia franguinho assado e batata frita comprados na altura. 
Não parecia uma mesa minha - posso até comer na cozinha, mas tenho sempre o cuidado de a tornar agradável e cuidada. Desta vez, nem isso, e estivemos as três a aboborar os primeiros raios de sol.
Na verdade pretendi deixar à minha família a possibilidade de ir comer com o pai/avô, sem constrangimentos, porque eu pertenço à velha guarda  de desejar a todos muitas felicidades, mas sempre com cada um na sua casa. Não censuro nada as misturas das  tuas, minhas , nossas, mas não tenho qualquer vocação para essa prática...
Por tudo isto, desde o dia 23 que ando fora do mundo. Hoje, ao abrir a televisão caíram-me uma série de notícias em cima, desde os comentários ao discurso de Marcelo, até ao de Paula Teixeira da Cruz, passando pela presença dos capitães de Abril e pelas palavras de Manuel Alegre. Foi demais para uma só manhã. Andei o que se chama "aos papeis" porque ouvia as opiniões mais diversas e até julguei que estavam a brincar, quando me disseram que toda a Assembleia da República aplaudiu Marcelo, excepto Arménio Carlos que, como lhe competia, não terá bugido da cadeira onde se encontrava.
Quando pensava que já tinha ouvido tudo, sai-me há pouco um comentador a dizer que para o mês que vem o Ministro das Finanças deveria ter de lançar o seu plano B, porque houve um "descarrilamento" qualquer das contas. Nem ouvi bem. E hoje não vou ouvir, porque quero dormir sem pensar em geringonças ou peças da mesma que não encaixam. 
Logo agora que eu estava, finalmente, a gostar tanto de ouvir as notícias e os relatos, apanho com esta carga de nebulosidade?! O tempo que eu vou gastar só a pôr todos estes discursos em ordem.
E, já agora, será impressão minha, ou de cada vez que abro a televisão vejo o presidente da Republica? Antes era só ao Domingo. Agora é todos os dias uma montanha de afecto. Valha-nos Deus que este país vai do oito ao oitenta. Nem dá para respirar. Daqui a pouco já nem me lembro do PM!

HSC

sábado, 23 de abril de 2016

Quatro anos depois


Hoje é no meu cantinho mais privado, no Estado da Arte em http://oestadodaarte.blogspot.pt/ -  que me ocupo dos  quatro últimos anos da minha vida.

HSC

sexta-feira, 22 de abril de 2016

Um aplauso merecido

O livro "Nenhum caminho será longo - Para uma teologia da amizade" de José Tolentino Mendonça foi aplaudido pela "Nouvelle Revue Théologique", uma das mais antigas e prestigiadas revistas católicas de teologia.
A obra que havia sido publicada entre nós em 2012, pela Paulinas Editora, foi traduzida em francês em 2014, pelas edições Salvator, com o título "Petit traité de l'amitié".
Todos os que me lêem sabem a admiração que nutro pelo padre e pelo poeta e quanto, desde a morte do meu filho Miguel, lhe devo e não escondo de ninguém. Como também sabem o papel que a amizade – traduzida em afecto - desempenha na minha vida.
Neste livro trata-se a amizade como um sentimento forte e intenso e uma experiência que se exprime sempre com particular discrecção. Não é por acaso que nas nossas sociedades o amor se encontra institucionalmente protegido e, ao invés, não exista qualquer lei que proteja a amizade. Todavia, a amizade é um património da humanidade sem o qual as nossa vidas não seriam as mesmas ou, quem sabe, nem sequer seriam vidas.
Nenhum livro deste autor é fácil. Todos os que conheço e li obrigam a que sejamos capazes de olhar para dentro de nós, o que nem sempre é tarefa viável, tão míopes estamos em relação ao que somos, ao que importa, e ao que nos cerca. Esta obra não é excepção. Mas é uma preciosa “ferramenta” para quem esteja interessado em se encontrar nesse difícil caminho para chegar a Deus.


HSC