sexta-feira, 8 de dezembro de 2017

Quantos anos tenho?

Tenho a idade em que as coisas são vistas com mais calma, mas com o interesse de seguir crescendo.
Tenho os anos em que os sonhos começam a acariciar com os dedos e as ilusões se convertem em esperança.
Tenho os anos em que o amor, às vezes, é uma chama intensa, ansiosa por consumir-se no fogo de uma paixão desejada. E outras vezes é uma ressaca de paz, como o entardecer em uma praia.
Quantos anos tenho? Não preciso de um número para marcar, pois meus anseios alcançados, as lágrimas que derramei pelo caminho ao ver minhas ilusões despedaçadas…
Valem muito mais que isso
O que importa se faço vinte, quarenta ou sessenta?!
O que importa é a idade que sinto.
Tenho os anos que necessito para viver livre e sem medos.
Para seguir sem temor pela trilha, pois levo comigo a experiência adquirida e a força de meus anseios.
Quantos anos tenho? Isso a quem importa?
Tenho os anos necessários para perder o medo e fazer o que quero e o que sinto.
Estas foram as palavras de José Saramago que hoje me apeteceu tornar minhas no dia do meu aniversário. É assim que eu me sinto!
HSC

terça-feira, 5 de dezembro de 2017

Dr. Jekyll e Mr. Hyde

A nomeação do nosso Ministro das Finanças para presidente do Eurogrupo fez-me lembrar, mal comparada, a história do médico e do monstro. Porque cá dentro ele vai continuar a ser o médico. Mas lá fora vai, muito possivelmente, ter de tomar medidas que, a muitos, irão parecer algo "monstruosas". Os parceiros que sustentam este aparelho governativo não podem nem devem estar nada satisfeitos ...
Ouvi, hoje, Mario Centeno enaltecer-se e enaltecer o peso do seu futuro papel para o país. Quem o ouvisse, até julgaria que nunca tal distinção teria sido atribuída a um português. Não havia necessidade, nem é verdade. Ao contrário, não é nada invulgar ver portugueses a desempenharem altas funções a nível internacional. Temos Guterres, Vítor Constâncio, Vitor Gaspar e tivemos Durão Barroso, para citar apenas alguns em cargos até mais importantes do que a presidência em causa. Infelizmente, que eu me lembre - e creio ter ainda boa memória -, não nos terão vindo grandes proveitos destas nomeações. Algum prestígio pessoal do português que se destaca por ser bom aluno e fiel cumpridor dos preceitos, mas não mais do que isso.
O que, para cada um de nós, até pode representar, mesmo, algum risco. Porque, quem preside ao Eurogrupo assume responsabilidades que, jugo, hierarquicamente serão superiores àquelas que assumiu como ministro. E, nesse tabuleiro, é evidente que os interesses de Portugal não serão a peça mais importante.
Neste campo, não só partilho as dúvidas do PC e do BE, como considero que as palavras de Marcelo Rebelo de Sousa foram muito claras, quando relembrou a Centeno que ele só tem este lugar porque é ministro de Portugal. Oxalá o futuro Presidente do Eurogrupo não o esqueça...

HSC

quarta-feira, 29 de novembro de 2017

Belmiro de Azevedo


“Belmiro de Azevedo, que hoje desaparece, é um nome grande do mundo empresarial português. Com grande visão, soube criar um grupo económico muito sólido, que gerou largos milhares de empregos, em Portugal e no estrangeiro. Faz parte dos novos empresários que surgiram depois do 25 de abril e que, com os anos, consolidaram um papel determinante na economia do país.
... O triste gesto que o PCP hoje teve na Assembleia da República, recusando juntar-se ao voto de pesar aí aprovado, releva de uma visão deselegante, fruto da sua hostilidade endémica a todos os projetos empresariais privados que assumam uma certa dimensão. O Bloco absteve-se. Nada de novo.” 

                               In http://duas-ou-tres.blogspot.pt

Está tudo dito nestes dois parágrafos. É, de facto, uma pena que em Portugal, numa dita democracia, assistamos a gestos desta natureza. Entretanto, alguns elogiam governos como o da Coreia do Norte...

HSC

domingo, 26 de novembro de 2017

A não perder


“Com selecção e organização de José Mário Silva, "Os Cem Melhores Poemas Portugueses dos Últimos 100 Anos" é uma antologia arrojada de um século de poesia singular, liberta e corajosa, mensageira de uma individualidade complexa e moderna, diversa na abordagem à forma e, todavia, sempre intensa. Entre grandes nomes canónicos já desaparecidos e jovens e promissórias vozes, o mundo da poesia portuguesa contemporânea é-nos apresentado com uma frescura e originalidade inesperadas e os poemas vão guiando o leitor numa viagem íntima por esse mundo à parte e imorredouro, apesar de actualíssimo, que é a poesia. Reúne poemas de autores como Fernando Pessoa, Camilo Pessanha, Jorge de Sena, Vitorino Nemésio, Sophia de Mello Breyner Andresen, Herberto Helder, Alexandre O’Neill, Mário Cesariny, Fiama Hasse Pais Brandão, Ruy Belo, Eugénio de Andrade, Natália Correia, António Ramos Rosa, Luiza Neto Jorge, Carlos de Oliveira, Alberto Pimenta, Vasco Graça Moura, Joaquim Manuel Magalhães, AI Berto, Maria Teresa Horta, Pedro Tamen, Rui Knopfli, Ana Hatherly, Manuel António Pina, Fernando Assis Pacheco, Jorge Sousa Braga, Daniel Faria, Adília Lopes, A. M. Pires CabraI, José Tolentino Mendonça, Miguel-Manso, Inês Dias". 


Será preciso dizer mais sobre uma obra destas? Talvez, que ela me parece indispensável para todos os que, como eu, gostam muito de poesia. Nesta selecção estão autores que me acompanharam ao longo da vida. Mas outros haveria, ainda, a registar mostrando bem como somos ricos numa área que, por mais estranho que pareça, não é devidamente apreciada. Talvez o ensino tenha nisso uma boa parcela de culpa...

HSC             

sexta-feira, 24 de novembro de 2017

A morte


Morreu hoje o Pedro Rolo Duarte. Era uma morte anunciada para quem, como eu, viveu há cinco anos, exactamente a sua história. 
Talvez por isso, o meu primeiro pensamento vá para a sua mãe, a quem a vida acaba de roubar o bem mais precioso e, só depois, para o filho. Para este, haverá sempre uma lógica temporal, que não existe no caso da sua avó. Nenhuma mãe deveria, alguma vez, passar por isto.
Finalmente, o meu pensamento vai para os amigos que sempre lhe serviram de esteio e jamais o abandonaram. E eram muitos. Muitos, mesmo!
Conheci o PRD há muitos anos quando, com o Miguel Esteves Cardoso, o meu saudoso MEC, faziam aquela inesquecível revista chamada KAPA. E era eu quem lhes tinha sempre de cortar os orçamentos. Não foi, assim, um primeiro encontro fácil dado que era olhada como aquela que lhes cerceava os sonhos. Havíamos de, aos poucos, ir resolvendo esses problemas já que, com o lançamento da minha FORTUNA, passei a ter mais projectos para gerir. Mas ele e eu  havíamos de nos cruzar noutros aventuras.
Depois, amigos comuns juntaram-nos na GRUPA, esse conjunto de gente de quem eu podia quase ser a "avozinha", mas que me tem dado muito bons momentos. Aí conheci um outro Pedro, que o tempo havia transformado e enriquecido. 
Era um homem livre, que dizia o que pensava, uma cabeça que não parava, um comunicador excelente, uma verdadeira força da natureza. Não conseguiu vencer essa besta que é o cancro. Mas julgo poder dizer que na batalha da vida, ela a dominou e terá sido um homem com muitos momentos felizes!

HSC

terça-feira, 21 de novembro de 2017

A Isabel e a Teresa

“Precisava às vezes de uns dias de solidão e silêncio para se encontrar consigo e ganhar novas energias. Para sentir de novo o prazer e a liberdade de gerir a vida inteiramente à sua vontade. Sabia que o tempo ajudava a sarar todas as feridas, a colocar tudo no sítio certo e a afastar o que não tem valor. Gostara sempre de homens misteriosos e inquietos, de almas sinuosas e sobressaltadas e, por isso, todos os seus amores eram complexos e controversos, diferentes do que acontecia à sua volta. Ou talvez não...
Com o tempo aprendera a viver em serenidade entre solidão e companhia, a não ter medo nem pressa, a deixar-se levar pelo desejo de cada instante e a entregar-se ao que o amor tem de melhor sempre que ele surgia inesperado, grandioso e avassalador, a sobrepor-se a tudo.
E se, muitas vezes, em momentos de fragilidade excessiva, lhe apetecia ter quem tomasse conta de si, parecia-lhe também quase sempre muito claro que era a sós consigo que conseguia pensar(-se) e reencontrar o bem-estar físico e emocional que permitia que estar acompanhada fosse vivido de uma forma muito mais plena, que a cumplicidade e a partilha pudessem ser ainda mais verdadeiras, porque genuinamente desejadas. Sem obrigação nenhuma...”

                      In http://isabelmouzinho.blogspot.pt/

A net traz, por vezes, algumas surpresas. Através dela conheci duas mulheres inteligentes, cultas, simpáticas. Hoje são duas ótimas amigas com quem falo, passeio e rio. Tudo o que se pode pedir aos bons amigos.
Uma é professora. Outra investigadora. Uma Isabel. Outra Teresa. Já passámos, cada uma de nós, nestes três ou quatro anos de estima continuada, por várias ocasiões difíceis, E estivemos sempre juntas.
Hoje, ao passar pelo blogue da Isabel, encontrei este texto. Senti-o como se eu própria o tivesse escrito. Portanto, limitei-me a roubar-lho. No mesmo dia em que a Teresa, que me sabia triste, vinha trazer-me a casa as batatas fritas de que tanto gosto!
Senti-me, neste tempo em que um amigo querido tenta vencer a morte, como uma criatura verdadeiramente abençoada pela vida.
Obrigada meninas, pela vossa amizade!

HSC