sexta-feira, 22 de maio de 2015

Pessoas de quem eu gosto: Pedro Abreu Loureiro (9)


Já aqui me ouviram falar dele por mais de uma vez. Pedro Abreu Loureiro para além de meu amigo é meu cardiologista. Entreguei-lhe o meu coração há mais de vinte anos e se ele ainda bate é aos seus cuidados que tal se deve.
Mas entreguei-lhe muito mais do que isso. Entreguei-lhe a minha total confiança nas decisões que toma a meu respeito. Nunca as questionei e jamais consultei alguém que não fosse ele. No seu consultório ele ouve o meu coração mas, sobretudo, ouve-me a mim, como se o tempo não existisse, numa evidência clara de que sabe que quem o procura carece da sua total atenção. 
O Pedro alia a tudo isto uma família que considero, também, um pouco minha. Jamais esquecerei, que num Natal doloroso, após a morte do Miguel, ele propôs que me juntasse a todos eles. 
A boa medicina pode pagar-se. Mas ter no médico alguém que é simultaneamente pai, irmão, amigo, isso não tem preço, porque é uma dádiva que só quem a tem, a pode avaliar.

HSC

O retrato

"...Romper com este ciclo de ilusão desencantada é um dever de quem quer estar na política como uma pessoa de bem. E ainda há muitas pessoas de bem na política, se bem que haja outras que - tira-se-lhes "pela pinta", basta olhar-lhes para a cara! - se percebe logo "ao que andam". Estar na política como pessoa de bem obriga a cumprir o que se prometeu, a não se enredar na desculpa estafada de que a realidade trouxe surpresas e de que, afinal, as coisas não eram aquilo que pareciam. Um político que quer ser uma pessoa de bem, se acaso não pode pontualmente cumprir algo a que se comprometeu, pede desculpa, explica isso ao país, não tenta "jongleries" verbais, meias-verdades que querem fazer passar os outros por parvos. A humildade é um sinal de caráter.

Nas eleições legislativas que aí vêm, para além dos partidos e dos seus programas, estaremos a escolher a pessoa que vai dirigir o futuro Governo. Dir-me-ão que não é bem assim, que são os deputados que iremos selecionar. A mim, contudo, importa-me essencialmente a cara daquele a quem eu posso pedir contas pelo voto que lhe dei. E, neste jogo de caras, de credibilidade, eu só estarei ao lado de uma pessoa de bem, de quem tenha um passado político e cívico cristalino e intocável, de alguém a quem nunca tenha visto fazer o contrário daquilo que prometeu."
               
     Francisco Seixas da Costa in http://duas-ou-tres.blogspot.pt

O autor do texto acima é um homem muito culto e inteligente. Ao lê-lo só me resta perguntar se ele conseguiu, sempre, encontrar ao longo dos anos em que terá votado, os políticos que cumpriram com este seu retrato.
É que, basicamente, os votantes desejam sempre que o modelo seja este. Todavia o aumento inegável da abstenção parece demonstrar o contrário...

HSC

quarta-feira, 20 de maio de 2015

A despedida

A missa a que acabo de assistir pela minha amiga Maria foi lindíssima. A prédica sacerdotal focou dois aspectos muito importantes das nossas vidas. Um, que nos confronta com o facto de nos estarmos sempre a despedir de algo ou de alguém, ao longo da nossa existência. O outro, que foca a questão da morte no seu verdadeiro sentido, lembrando que a pergunta natural que todos pomos - "porque partiu?" - deveria ser substituída por outra, essa sim vital, que é - "porque viemos?" - dado que  é esta interrogação que dá sentido aos nossos dias.
A encomendação do corpo seria precedida por um dos fados preferidos da Maria, que foi cantado por Camané, outro seu grande amigo e que deu à Basílica da Estrela uma humanidade que nem sempre lhe encontro.
Quer ontém no velório, quer hoje na missa de corpo presente, a variedade de pessoas que por lá vi, fez-me voltar, por momentos, aos anos sessenta. Lá estavam muitos dos compagnons de route desse tempo, misturados com as artes e as ciências de agora. Uns e outros não quiseram deixar de estar presentes na cerimónia de despedida de alguém a quem muitos deles devem bastante. Foi uma comovente despedida!

HSC

terça-feira, 19 de maio de 2015

Adeus doce Maria!


Morreu esta madrugada a Maria Nobre Franco, que todos aqueles que em Portugal têm ou tiveram ligações à cultura decerto conhecem. Para mim, ela será sempre e só a "doce Maria".
Era uma das minhas grandes amigas, a que nunca me abandonou nos dias infelizes e que esteve sempre do meu lado a combater o que considerava ser injusto, mesmo que isso lhe acarretasse dissabores.
Foi uma lindíssima mulher e apesar dos anos que passavam, a serenidade do seu olhar mantinha-se a mesma. 
Ligaram-nos mais de 50 anos de amizade sem falências. A notícia da sua morte, para além de me deixar profundamente abalada, torna-me mais pobre afectivamente. O consolo que me resta é saber que, a muitos títulos, ela fez da sua vida o que entendeu ser mais certo. Nem todos podem dizer isso. Eu só quero dizer-lhe, adeus minha doce Maria, voltaremos a estar juntas!

HSC

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Um ano de OBSERVADOR


O jornal on line OBSERVADOR faz hoje, à meia noite, um ano de existência. Leio-o desde que apareceu. Nem sempre concordei com o que se lá opina, mas sempre entendi que, mesmo quando isso acontecia, valia a pena ler as suas teses.
Há muito tempo que me "passei" para a leitura dos jornais na net. E agora, confesso, já não tenho grande atracção pelos impressos. Ao contrário dos livros, que continuo a preferir ler em papel, para lhes tocar e sentir o seu odor. 
Um livro, se gostamos dele, fica na nossa vida e na nossa memória. O jornal, a notícia, têm uma durabilidade muito limitada, não ficam connosco. Mas satisfazem a necessidade de informação do momento. E o OBSERVADOR cumpriu bem até hoje, para mim, esse papel. Merece os meus parabéns!

HSC

O silêncio e os silêncios


Já por mais de uma vez falei aqui da necessidade que tenho de silêncio e de como me apercebo do som que ele pode ter em certas ocasiões.
Hoje ao deambular pelos blogues que mais aprecio dei com um belo texto sobre este assunto que abordava a questão sob uma óptica na qual tenho pensado muito. Explico-me: é que há uma enorme diferença entre "o silêncio" e "os silêncios". O primeiro, quando apreciado, exerce um papel libertador que apazigua o espírito. Os segundos, ao contrário, criam fracturas profundas e vazios insuportáveis. 
Costumo dizer que a pior solidão que conheço é a solidão acompanhada. Pois bem, os silêncios entre as pessoas criam imensos poços de vazio e pesam muito mais do que se possa imaginar. Ficar só acontece a qualquer de nós num dado momento da vida. Ser solitário envolve uma opção pessoal. Mas estar acompanhado e sentirmo-nos só é algo que nos torna completamente impotentes face ao mundo que nos cerca.

HSC

sábado, 16 de maio de 2015

Essa espécie de íman

“...Além de tudo o mais: senti, quando ela chegou, nesse primeiro momento, uma sensação desconhecida. Era como se ela, cujo nome nem fixara, fosse nova e antiga para mim...” 

          (“Dallow and I”  in http://anaturezadomal.blogspot.pt/)

De vez em quando acontece-me encontrar um texto com o qual me identifico totalmente ou que me desperta para algo que, por uma qualquer razão desconhecida, ainda não fora verbalizado.
Hoje deparei-me com esta frase num post muito curioso que aborda o enamoramento mas que, no fundo, também questiona essa outra forma de conhecimento que não vem da convivência, mas sim da particularidade de um olhar do outro ou sobre o outro.
Vivi belas histórias na minha vida que nasceram de “um pequeno nada” ou de “um grande tudo”, que só à distância consegui analisar. E, com maior ou menor intensidade, continuo a vivenciar momentos destes. São ocasiões em que cruzamos o olhar de alguém que não conhecemos mas que intuímos ter feito parte de um passado que embora não recordemos, sabemos ter existido.
Ainda recentemente isto me aconteceu na entrega de um prémio. Com efeito, ao “olhar” o premiado, a noção física que tive – e que a conversa posterior atestou -, foi a de que já nos havíamos encontrado. E não foi só do meu lado que isso aconteceu.
Na longa conversa que então tivemos pudemos ambos confirma-lo. Falámos, aliás, disso e a conclusão a que chegámos é que não era a primeira  vez que tal nos acontecia.
Se acreditasse nelas, diria que estes casos acontecem entre “almas gémeas”. Porém, não só não acredito, como não se trata de semelhanças entre duas pessoas. Trata-se de uma espécie de íman que nos aproxima de quem precisamos ou devemos  conhecer”!

HSC