O que é a felicidade? Não sei responder. Nem sequer sei se há um conceito que se aplique à generalidade das pessoas. Apenas sei, melhor, o que, acontecendo, me torna infeliz.Usei a expressão "torna" e não "faz", como seria mais natural porque, para mim, o estado de infelicidade deve ser transitório e o verbo fazer tem uma conotação mais rígida que o verbo tornar. É pessoal e não gramatical, a interpretação.
Depois, o que me torna feliz, muito possivelmente não diz nada a outras pessoas. E o que me dá, hoje, felicidade, é bem diferente daquilo que, há 30 anos, me provocava tal sentimento.
Assim, quando os economistas e sociólogos pretendem encontrar uma "taxa de satisfação pessoal", sinto uma grande desconfiança acerca daquilo que se pretende medir. Para além de que, estar satisfeito não é o mesmo que estar feliz.
Por outro lado, se não sei responder à pergunta que coloquei, sei que o sentimento que me invade quando penso que tenho família, amor, amizade, saúde, casa e trabalho, é muito próximo do que, julgo, será a felicidade. E, quando me é dada a fabulosa possibilidade de ver dois netos crescer, eu devo estar muito próxima de ser uma mulher feliz!
Será que não deveríamos todos, neste momento difícil para muitos, tentar requalificar as nossas prioridades, de modo a sentir-mo-nos um pouco menos infelizes?
H.S.C





