sábado, 25 de junho de 2016

Uma tarde quase perfeita

Ontem, ao fim da tarde, no terreiro que cerca a Capelinha de Belém, onde os navegadores iam pedir clemência divina para as tormentas que iriam encontrar nas suas viagens, realizou-se uma das mais originais apresentações de livros a que já assisti. Tratava-se da Maria João Lopo de Carvalho e da sua obra sobre as mulheres de Camões.
O apresentador, o conhecido psicanalista Prof. José Gameiro, decidiu alternar a sua análise do perfil psicológico das diferentes figuras femininas, com temas musicais por ele escolhidos e gravações das palavras do poeta. O efeito foi completamente inesperado. Mas, mais surpreendente ainda, seria o final, que culminou com uma imprevisível carta,  na qual José Gameiro,  assumindo o papel do poeta, escreve à autora uma carta. É difícil descrever a surpresa que toda esta encenação causou entre o publico que o ouvia e o aplaudiu  
Por seu lado, Maria João deu-nos uma sincera e comovente explicação da paixão que nutre por Luís de Camões. Começou na  juventude e foi crescendo à medida que o tempo passava. Cresceu tanto, que havia de “corporizar-se” nestes últimos quatro anos, em que a sua vida girou à volta da vida do homem que estava por detrás do poeta. E esse período foi de tal forma intenso que, na véspera do lançamento, a autora sentiu necessidade de se refugiar nos Jerónimos e de, junto ao túmulo, se despedir.
Esse gesto de despedida era o ponto de partida de quem sentia que o importante, agora, era que o seu amor pudesse de deixar de ser apenas seu e levasse os portugueses a ler os Lusíadas e a lírica do nosso maior poeta.

O fim do dia estava esplendoroso e os amigos da nossa Lopa, tiveram o privilégio de ter o Tejo a seus pés e a alma repleta de Camões. Foi, diria, uma tarde quase perfeita!

HSC

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Sofrer, morrer e resuscitar!


Na minha família tenho vários ressuscitados. Todos na política ou no gosto da aventura, o que, do meu ponto de vista, anda lá muito perto.
Pois bem, o nosso jogo hoje com a Hungria foi isso mesmo: morremos, ressuscitámos, morremos de novo e finalmente acabámos empatados, mas bem vivinhos da costa, num jogo que parecia mais um serial killer. Há, de facto, coisas bonitas que podem ser arrasantes. Foi o caso!
Ronaldo que os portugueses amam e odeiam - e com quem são muito injustos - fez uma dupla com Nani que deu gosto ver. Talvez agora os jornalistas que fazem perguntas idiotas, dêem ao melhor jogador do mundo algum descanso. Ele bem merece!

HSC 

domingo, 19 de junho de 2016

A rainha do deserto


Quem é que se meteria ontem num cinema, numa noite em que jogava a selecção?! Só podia ser eu, arrastada por um filho, para um cinema para lá do sol posto, onde pudemos usufruir de uma sala inteira ao nosso dispor. Foi uma experiência inédita e apesar de só haver dois espectadores na sala, lá se cumpriu o ritual do intervalo, que me pareceu completamente inútil. Mas em Portugal só as regras inúteis é que são para cumprir...
Ambos estávamos convencidos, pelo andar da carruagem, que a selecção não ia ganhar e preferimos não sofrer.
Fomos ver "A rainha do deserto", que não sendo um filme muito bom, é uma película especial, com fotografia de excelente qualidade. O filme só quebra quando aparece o canastrão do Robert Pattinson, que ousa ser Laurence da Arábia e cada vez que aparece estraga qualquer cena. Com efeito, faz de Laurence idiota, o que certamente ele não era.
Tirando esses felizmente escassos minutos em que o dito aparece, Nicole Kidman não podia estar melhor e James Franco não lhe fica atrás,
A história conta a vida de Gertrude Bell, uma mulher que influenciou a política britânica e deu força á emergência de países como o Iraque e a Jordânia. A sua história de des(amor) é muito bem contada e Herzog que realizou e é autor do argumento, fa-los com a experiência que se lhe conhece, conseguindo dar ao narrador da história momentos de verdadeira poesia. Um filme que merece a pena ser visto!

HSC

sábado, 18 de junho de 2016

O lado bom!

Nunca sabemos o que é que aproxima as pessoas. No meu caso, creio que os próximos e os opostos me atraem com igual intensidade. Tenho amigos entre pessoas que pensam de forma muito semelhante à minha e outros entre pessoas cujo pensamento é o oposto do meu. Devo a esta versatilidade comportamental muito do que de bom e de menos bom aconteceu na minha vida. Alguns queixar-se-iam no meu lugar. Outros, como eu, conseguem acreditar que os maus bocados, uma vez ultrapassados, deixam marcas de que podemos tirar proveito. Grande parte da minha existência foi sempre passada nesta espécie de carrossel, o qual acabou por me permitir ter alguma bonomia sobre os outros e também sobre mim própria.
Como nunca cometi pecados mortais, os que tenho fazem tão parte de mim que, se os não tivesse, não seria decerto quem sou. E isto apesar de ter havido na minha vida algumas boas almas que tentaram moldar-me a outros figurinos. Trabalho evidentemente inútil, porque eu gosto de ser quem sou.
Este longuíssimo intróito também serve para admitir que talvez seja esta minha característica que explique que, ao longo dos sete anos que mantenho este Fio de prumo, tenha conseguido fazer, entre os meus leitores, alguns amigos.
Uns, conheci. De virtuais passaram a reais. Outros, não os conheço fisicamente, mas o diálogo que foram estabelecendo comigo ao longo do tempo, permite-me perceber que têm mundos que me são afins e que, se não fosse a blogosfera, muito possivelmente nunca os teria encontrado. Este é o lado bom das redes sociais.
No meu caso, frequento pouco as outras redes. Estou nelas, porque escrevo e elas constituem uma ferramenta, entre outras, de dar a conhecer o que publico. Mas, para além disso, só as uso para colocar "bonecos" que dizem coisas parecidas com as minhas, sempre sob a faceta do humor, que é a melhor via de falar verdades.
Enfim, na net como na vida, é preciso fazer escolhas. Eu apenas visito blogs ou redes de pessoas de quem gosto ou de gente que não pensa como eu, mas faz um excelente uso da sua inteligência. Para o resto não tenho tempo...

HSC

Humor negro


A deputada Mariana Mortágua fez, ontem, num frente a frente com Adolfo Mesquita Nunes, a seguinte afirmação : "Não nos opomos em princípio a nenhuma comissão de inquérito."
Como disse?!
Pergunto eu, claro! 

HSC

quarta-feira, 15 de junho de 2016

A surpresa

video

Há uns tempos, falei-vos de um novo projecto no qual me iria envolver e em que teria como companheiros os meus amigos da Grupa, de que tanto vos tenho falado neste blogue.
Pois a data de saber de que supresa se trata aproxima-se e, hoje, cada um de nós irá publicar nas redes sociais que frequenta um pequeno vídeo próprio, em que apenas levanta uma pontinha do véu.
Aqui no meu, vocês entram a correr no meu escritório para me verem saudar-vos. Os restantes oito elementos devem ter feito o mesmo nos seus canais de comunicação habituais, que eu creio, será sobretudo o Facebook.
Até ao fim do mês vão ficar a saber tudo...

HSC

Brexit

“Como nasceu o referendo nacional? O primeiro-ministro Cameron tinha um problema eterno no partido e decidiu renegociar os termos de permanência do Reino Unido na União Europeia - algo que aconteceu em fevereiro deste ano. O referendo era, portanto, uma espécie de tira-teimas. Mas David Cameron não só não conseguiu o que queria, como ainda perdeu a mão na Nação. E agora arrisca-se a ficar na história por três motivos: conservadores desavindos, Reino desunido e Europa amputada.
...Pode o Reino Unido deixar a União Europeia? Pode. Há meia dúzia de meses, a hipótese era bastante remota, mas hoje as principais sondagens dão vantagem ao voto no exit. Desde sempre, especialmente com Margaret Thatcher, os ingleses desafiaram Bruxelas, provocaram o eixo franco-alemão, chantagearam todos, puxaram o tapete a alguns e, no essencial, sempre agiram unilateralmente. Foi muitas vezes por causa dos britânicos que percebemos como era fraca e desinteressante esta Europa. Pior só a Europa (ainda mais) fragilizada com a saída deles.
...O que perde o Reino Unido? Perde, muito provavelmente, a união. Os escoceses, que estiveram à beira da secessão, esperam por um pretexto para retomar o referendo à independência - ao contrário de Inglaterra, a Escócia é pró-Europa, pois quanto mais forte for Bruxelas mais fraca será Londres. O brexit deixa a Irlanda à beira de um ataque de nervos, porque a paz entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte assenta num equilíbrio frágil e só possível num quadro de integração europeia. O Reino Unido até pode recuperar a soberania que à Europa cedeu. Mas pode paradoxalmente perder-se no próprio país. O brexit abre uma caixa de Pandora, de nacionalismos contidos a tensões religiosas a custo recalcadas...
...O que perde a Europa? Perde muito. Perde o seu principal centro financeiro. Perde a sua segunda maior economia. Perde a sua voz mais influente no plano internacional. Londres até pode ainda repartir com Paris um certo domínio na diplomacia mundial, mas é inegavelmente a maior potência militar da Europa Ocidental, o país da União que joga um papel mais determinante nas questões de segurança. A saída do Reino Unido deixaria a Europa mais pobre e menos relevante no mundo.”...

       Excertos do artigo de Sérgio Figueiredo hoje no DN

Sérgio Figueiredo faz no seu artigo uma análise mais extensa cuja leitura aconselho vivamente. Aqui limitei-me a escolher as questões que, do meu ponto de vista, são as que nos podem vir a causar maior turbulência.
Aguardemos, assim, o resultado da consulta que vai ser feita!.


HSC