quinta-feira, 21 de Agosto de 2014

ARROZ DE PATO À MINHA MODA (1)

A partir de hoje irei iniciar aqui uma série de receitas que faço com frequência em minha casa. Umas são minhas, outras de família, outras de amigos e outras ainda fruto de busca por livros e blogues de cozinha. Todas foram testadas por mim. Começo por um arroz de pato, que é um prato muito ao gosto da família.


Ingredientes

1 pato limpo
6 linguiças de alho
1,5 chávena de arroz
1Limão
3 cenouras
3 dentes de alho
2 cebolas
1 ramo de cheiros
3 colheres de sopa de azeite
Sal e pimenta

Preparação

Coza o pato bem limpo na panela de pressão, com a cenoura, os cheiros, o sal e a pimenta em grão. Quando o bicho estiver cozido retire-lhe os ossos e desfie-o de forma grosseira. Guarde a água de cozer o pato e leve-a por duas horas ao frigorífico para lhe retirar posteriormente toda a gordura que solidificou à superfície.
Num tacho ponha duas cebolas cortadas às rodelas finas, o alho bem picado e o azeite. Quando a cebola ficar transparente junte as cenouras cozidas picadas muito finas (podem ser esmagadas) e três chávenas de chá de água. Quando esta levantar fervura deite a chávena e meia de arroz.
Entretanto unte com margarina uma travessa de ir ao forno e à mesa e quando o arroz estiver pronto divida-o em duas partes. Com uma delas forre a travessa e coloque por cima o pato desfiado. Sobre este distribua a terceira cebola cortada fina e aloirada em azeite. Cubra tudo com o restante arroz.
Corte as linguiças em fatias finas inclinadas e cubra todo o arroz com elas, espetando-as em viés como se fossem penas de ave. Salpique tudo com meia chávena do resto do caldo e leve ao forno a aloirar. Sirva de imediato.

HSC

quarta-feira, 20 de Agosto de 2014

Uma certa morbidez

Uma malfadada intoxicação alimentar - gosto de comer e julgo, sempre, que nada me faz mal - atirou-me para chá e torradas em frente a um telejornal que eu já deveria saber, por experiência, que só agrava ou mesmo provoca qualquer mal incipiente que possamos ter. Foi o caso.
Durante dois terços do jornal de um dos canais noticiosos, assisti a todo o tipo de desgraças: um jornalista americano degolado, um homem que queimara com água fervente a filha bébé porque ela não parava de chorar, um incêndio que matara pai e filho, que já se encontravam litigados em tribunal, a guerra na Crimeia e na Síria, os bombardeamentos na faixa de Gaza, a eventualidade do Papa Francisco abdicar, enfim, até a venda do Hospital da Luz a um grupo mexicano. 
Pergunto: teremos todos de saber, ao pormenor - com fotos dramáticas -, estas notícias? Não chegará, já, a carga dos problemas nacionais para acinzentarem a nossa vida? Não haverá um editor que saiba distinguir o trigo do joio, o essencial do acessório?
Todo este apelo à violência não gerará mais violência?! Não haverá estatutos editoriais que ponham um limite a esta exploração do miserabilismo?
Só posso dizer que estamos a caminhar para uma sociedade cada vez mais alucinada e mais mórbida e que uma certa comunicação social tem grande responsabilidade nisso!

HSC

segunda-feira, 18 de Agosto de 2014

Contemplação

"A contemplação não é uma sabedoria onde nos instalamos: é antes uma forma de exposição desarmada do olhar, uma colocação sem reservas, uma aprendizagem sempre a ser refeita, um depojamento dos porquês".

Este é o penúltimo parágrafo da crónica desta semana do Padre Tolentino de Mendonça, na revista do Expresso. Curiosamente ela vem ao encontro de um tema sobre o qual me tenho debruçado nos últimos tempos, que é o da necessidade do silêncio dentro de nós. Este pode vir da meditação, da contemplação ou até do desejo pontual de vazio.
Apesar dos dois primeiros estádios serem, muitas vezes, atribuidos a uma busca de espiritualidade, eles são cada vez mais uma necessidade do ser humano para quem o espiritual não está necessariamente ligado a uma prática religiosa.
Se a meditação me tem acompanhado, com mais ou menos intensidade, ao longo da vida, a contemplação foi uma descoberta recente, de há uma meia duzia de anos. Dito de outra forma, ela existia em mim há muito tempo, mas a descoberta da sua real importância só aconteceu muito depois.
Com efeito, anos de casamento com um arquitecto para quem os volumes e as cores eram vitais, haviam-me ensinado a "olhar" para o mundo que me rodeava de forma mais atenta. Mas não me educaram para o mais importante - que vem muito bem sintetizado na frase que transcrevi de Tolentino de Mendonça -, e que é uma outra forma de conhecimento, despojado, de nós próprios e do mundo que nos cerca.
Quanto mais cresço - e todos continuamos a crescer até morrer - mais consciência tenho de que precisamos ter, no caos do dia a dia, como contra ponto dos momentos reflexivos, uns instantes de pura contemplação porque, sem eles, a vida torna-se algo muito pouco suportável.

HSC   

domingo, 17 de Agosto de 2014

Três parcas comédias


A vantagem das salas de cinema em tempo de férias, deveria ser a temperatura. Pois bem, isso era antigamente. Fui, nesta ponte de feriados, a três salas e nenhuma tinha o ar condicionado ligado. Logo, um forno com temperatura mais alta do que a que se sentia cá fora. Nem de leque se aguentava...
Vi "Que mal fiz eu a Deus?", "A Viagem dos Cem Passos" e "Nunca digas nunca", uma trilogia que se não é má, anda muito pelo medíocre e que apenas se tolera porque é suposto, em férias, o cérebro trabalhar menos.
Do meu ponto de vista pessoal teria ganho bastante mais se tivesse ficado a ler um livro e a ouvir um bom jazz, no conforto da minha casa. Mas a vida é como é e eu estava a precisar de ver cinema. O preço foi alto e o calor também. É a crise!

HSC

sábado, 16 de Agosto de 2014

Onra para omens onestos


Como era de esperar, os brasileiros não estão satisfeitos com o "acordo" ortográfico. E avançam já com novas sugestões para desfigurar ainda mais a ortografia portuguesa: eliminar a consoante H no início das palavras e substituir CH por X.
Genial. Homens honestos tornam-se omens onestos da noite para o dia e a honra encurta-se para onra. Tudo a golpe de engenharia legislativa liderada por analfabetos funcionais. 
Mais fantástico ainda é o método sugerido para aprovar o novo pacote de alterações ortográficas: organizar uma "videoconferência". E porque não por SMS para encurtar razões?
Ou muito me engano ou não tardarão uns imbecis a defender o mesmo por cá. Há (ou "á"?) gente capaz de apanhar qualquer comboio - ou trem - desde que esteja em andamento.

               (Pedro Correia hoje no blog Delito de Opinião)

A reprodução do texto acima, mostra mais uma nova barbaridade com a língua portuguesa. Por favor, cliquem nas duas palavras a vermelho para verem, com os vossos próprios olhos, até onde os nossos amigos brasileiros pretendem chegar. Eu fiquei incomodada, sobretudo com a proposta de "hoje" se vir a escrever "o je", que só pode vir da cabeça de um senador de "umor" muito atormentado!

HSC

quinta-feira, 14 de Agosto de 2014

Ele há dias...


Hoje foi um dia fatal para as modernas tecnologias que possuo e nas quais o meu trabalho assenta. Tudo se dessincronizou. Não sei se a palavra existe, mas sei que a situação é real.
Com efeito, aqui em casa toda esta aparelhagem está sincronizada e quando uma falha, o resto vai atrás de roldão. 
A saga começou quando tentei mandar uma fotografia duma parede do meu terraço para uma amiga me dar a sua opinião sobre qual o arbusto que lá deveria ser colocado a fim de evitar que me olhassem de fora e também para que a minha vista ficasse limitada apenas ao Tejo.
Impossível. O mail não saía, por mais ordens que lhe desse. Resolvi recorrer à mensagem mutimédia. Qual quê, a foto não bugia e o correio não se mexia. Numa última tentativa, ensaiei o refresh. Nada de nada. A esferazinha parecia enlouquecida a girar sem parar. 
Entretanto, o arroz de pato ia esturricando porque, na furia tecnológica, pura e simplesmente me esqueci dele no forno. Lá se foi o chouriço ao ar, dado que não aguentou a intensidade bronzeadora e mirrou até à sua expressão mais infima.
E quando, finalmente, esperava o apoio famíliar ao jantar, eis que o Tribunal Constitucional me atrapalhou o resto do dia, sem que eu fizesse parte de qualquer orgão de soberania.
Desisti de me sincronizar, de ter aparelhos bem comportados, de tirar uma foto no telemóvel e ela me aprecer no computador, enfim, de jantar a horas decentes uma refeição medíocre. E, sei lá, até, se hoje este post aparece no Fio de prumo. 
Não há dúvida que houve aqui em casa a rebelião dos equipamentos, que se fartaram da minha ditadura e me mandaram às urtigas.  A 14 de Agosto fizeram, finalmente, o seu 25 de Abril!
E eu, como qualquer ditador que se preza e não tem contas offshore, confesso que não sei para que plataforma me voltar. Ele há dias...

HSC

quarta-feira, 13 de Agosto de 2014

Da morte e do tempo

Como se pode deduzir dos post's anteriores, a morte parece ter vindo para acinzentar o período de férias. Com efeito, esta semana já levou dois actores internacionais e um homem dos média nacionais.
Há períodos assim, em que que tudo o que é mau sucede em cascata. Como parece estar a acontecer com o tempo. Quando começa mal, leva tudo atrás. Na Europa há inundações e em Portugal, nomeadamente em Lisboa, o clima está indefinido.
Ontem apercebi-me que a minha preguiça - rara em mim - tinha como causa inesperada, a humidade. Com efeito, sentia o corpo a colar a tudo e uma moleza invulgar.
Fui espreitar o higrómetro. Sabem quanto marcava? Nada mais nada menos que 63%. Ou seja, parecia que estava em África ou nos piores dias dos Açores.
Esperemos que esta onda passe. De mortes e de humidade. Logo agora, que eu andava tão satisfeita com a frescura do Verão. Nunca se está satisfeito...

HSC