sexta-feira, 27 de março de 2015

O trabalho como prazer



Por norma, tento que tudo o que faço, seja por gosto. É uma característica pessoal que advém da educação que tive. Os meus Pais tinham pouca tolerância para pieguices e obrigavam-me, quando as ensaiava, a olhar para quem tinha bem menos do que eu e não se queixava.
Assim o “epicurismo” só apareceu tardiamente na minha vida. Mas tive a vantagem de tomar por prazeres, a maior parte dos meus deveres.
Chegada a esta bela idade oiço, com frequência, a pergunta calista “mas porque é que trabalhas tanto e te divertes tão pouco?”. Costumo responder com um gargalhada e a frase “ porque o trabalho me diverte”.
Mas há dias conversando com um grande amigo acerca da sobreocupação de alguém de quem ambos gostamos muito, ele saiu-se com esta expressão “ou não sabe fazer mais nada, ou não quer encarar a vida que tem”. Embora não concordasse inteiramente com o que ele disse a propósito da pessoa de quem falávamos, a verdade é que, pensando bem, a sua frase encerrava uma boa parte de verdade.
Há, de facto muita gente que não sabe dar valor à preguiça. Como há também muito boa gente que não preguiça, porque ignora ou não é capaz de estar sem fazer absolutamente nada. São atitudes que têm algo de estranho, de incomum e que, julgo, vale a pena perceber o que escondem ou porque é que acontecem!


HSC

quinta-feira, 26 de março de 2015

É estranho


O trágico acidente aéreo onde morreram, há dois dias, cento e cinquenta pessoas é, agora, descrito - com base na única caixa preta até ao momento encontrada -, como um acto suicidário do co-piloto do avião.
Sei tanto do que se passou como qualquer outra pessoa que leia jornais ou veja televisão. Mas há algo que não posso deixar de estranhar e que respeita a movimentação política que o dito desastre provocou. Três altos dignitários dos países envolvidos - França, Alemanha e Espanha -  estiveram presentes, nomeadamente o Presidente Hollande, a Chanceler alemâ Angela Merkel, o PM e o rei de Espanha. É verdade que este último se encontrava numa visita oficial e por isso tomou imediato conhecimento do caso. 
Mas já houve outras tragédias semelhantes que não provocaram a mesma reacção. É por isto que eu penso que deve haver algo, que ainda não conhecemos, que explique o porquê desta vez ter sido diferente. Aguardemos.

HSC

Os "torturadores"



Hoje tive que esperar sentada, como costuma dizer-se. Esperar a minha vez de obter um documento de que carecia. Por isso resolvi faze-lo num café perto do local onde me dirigira. E, como não tinha levado nada para ler - sou uma crédula e julguei que às 15 horas a demora não seria muita -, limitei-me beatificamente a olhar quem passava. E, garanto-vos, valeu a pena!
Havia muita gente a passear àquela hora, nomeadamente mulheres. Ora foi esse facto que despertou a minha atenção para a "tortura" a que algumas tinham os pés sujeitos. Não percebo como elas não têm mais doenças da coluna. Vi saltos agulha tão altos que quase davam tonturas e aquelas que os usavam faziam surpreendentes exercícios de equilibrio.
Não se acredita que mulheres inteligentes aceitem submeter-se a tais sacrifícios. E não percebo as razões que levam os seus criadores a sujeitá-las a tal ridículo. Numa rapariga nova já seria preocupante. Mas que dizer de mulheres que já ultrapassaram os cinquenta, a caminhar naquela situação de equilíbrio deprimente?
Lembrei-me, então, das japonesas e do que elas no passado sofreram para manter os pés pequenos. Viam-se autênticas deformações. Estas mulheres que eu vi hoje, estavam a ser sujeitas a uma tortura semelhante. O que explicará que os designers de sapatos se tenham tornado nos nossos "torturadores"?!

HSC

quarta-feira, 25 de março de 2015

Sabedoria


Esta foto foi roubada ao Pedro Rolo Duarte que a publicou no seu blogue dizendo que fora encontrada na porta de uma Igreja em Manchester. 
Será preciso dizer mais sobre a sabedoria que o seu conteúdo revela?!

HSC

Sem Paraíso!


Metaforicamente "fomos expulsos do paraíso e é longe dele que teremos de aprender a viver".
Esta frase revela algo de que nem sempre nos damos conta. A “expulsão”, ou, melhor, a “saída” faz, afinal, parte da vida de todos nós e é através dela que vamos vivendo. Se não, vejamos.
Começamos por sair do ventre materno. Depois vamos largando a casa paterna quando  saímos para a escola e Universidade. Terminados os estudos, saímos de casa dos Pais para viver a nossa vida e constituir família. E nesta, acontece muitas vezes sairmos dela para constituirmos outra, que julgamos ser melhor. Finalmente o ciclo será recomeçado com os filhos que formos tendo.
Em todo este processo cruzam-se passado, presente e futuro. No passado ficará tudo aquilo de que nos vamos libertando. No presente ficará tudo aquilo de que, sabemos, nos iremos libertar e, no futuro, ficará apenas a capacidade individual de sonhar. Porque ninguém pode ter a certeza de que esse futuro existirá na realidade. Se existir, então, talvez ele possa ser o nosso presente de algum dia, com todas as lições que, eventualmente possamos ter tirado do que já se tornou passado!


HSC

terça-feira, 24 de março de 2015

Pais ilegítimos

Há muito tempo, antes da Revolução, existiam duas abomináveis designações na lei portuguesa. Eram os filhos de pai incógnito – a mãe sabe-se sempre quem é – e os filhos ilegítimos. Não é difícil perceber a causa da designação.
Sempre que abordo este tema relembro um caso que se passou comigo num exame. Estávamos numa oral e eu folheava a caderneta de uma aluna que ia interrogar . Buscava simplesmente ver quais as cadeiras que ela já havia terminado e com que classificações.
Faço a primeira pergunta e nada. Esperei e passei a outra questão. De repente a minha examinanda desata num choro convulsivo. Preocupada pedi para saírem todos da sala de exame e fiquei a sós com ela. Depois de algum tempo a chorar e inquirindo o que se passava, acabei por ter eu um choque.
A rapariga era filha ilegítima e tomou o meu folhear da caderneta como sendo uma busca de sua identidade. Fiquei tão varada que nem sabia o que dizer.
Quando eu própria recuperei do espanto, disse-lhe  que os filhos nunca eram ilegítimos. O que existiam, sim, eram “pais ilegítimos”. Isto pareceu serena-la.
Fez exame no dia seguinte e ganhou uns expressivos 17 valores. Ainda hoje sou sua amiga e madrinha de casamento!


HSC

Séries deste blogue

Quem escreve nem sempre fala de si. Nem mesmo quando o faz na primeira pessoa. Neste blogue a diversidade de temas que abordo é enorme. O que não espanta quem me acompanha há mais tempo e sabe que não tenho assuntos tabú.
Creio que o período em que já entrámos e que vai arrastar-se até às próximas eleições promete ser feio, ofensivo e visando o ataque pessoal. A minha situação familiar e o pouco interesse que a política desperta em mim, fez-me admitir a hipótese de suspender o Fio de prumo até Outubro. E ainda não dei o assunto por arrumado.* 
Aliás, no mesmo sentido, deixei de visitar ou comentar blogues que se alimentem e nos alimentem desse precioso material que poderá apelidar-se de campanha partidária de esclarecimento. Eles não perdem nada e eu também não. Lá para Novembro retomarei as suas leituras.
A outra hipótese possível, seria escrever sobre tudo menos política. Foi este, para já, o caminho encetado. Posso acidentalmente, abordar uma questão desse tipo. Mas será sempre por outro motivo maior. Assim, no imediato,  resolvi iniciar duas séries mais intimistas. Uma real - "As pessoas de quem gosto" - e outra ficcionada - "Página de um Diário - escritas na primeira pessoa. Admito uma terceira, mas ainda é cedo para falar dela. Irão ter uma certa continuidade e abordariam aquilo que na vida mais me motiva, que são as pessoas.
Todavia a "Página de um Diário", talvez por ser escrita na primeira pessoa, acabou por ser tomada como um diário pessoal. Não é. O que não impede que eu esteja muito grata aos comentadores que a tomaram como tal e me ofereceram o seu carinho.
É que para alguém poder ser "diarista" - um estilo que muito aprecio - é necessário ter-se tido uma vida pessoal muito rica, que interesse a muita gente e ter conhecido mundos muito diversos. Não é o meu caso, que levei e levo uma vida normal, igual a tantas outras que existem por aí. 

HSC

* Se suspender o Fio de prumo, irei ter outro blogue, escrito com um pseudónimo e onde a minha situação familiar não seja tema de conversa...