Como
se pode depreender do que escrevo, não sou uma mulher fria. Pelo contrário, sou
emotiva. Mas, anos e anos de vida com gente profundamente racional, conseguiram
fazer de mim uma criatura pragmática na forma como me impus ver o mudo à minha
volta. Não quer dizer que me desgaste menos o controle das emoções do que as
próprias emoções. Mas teve que ser assim depois de alguns anos de análise me
terem feito perceber que a “minha realidade familiar” teria que ser gerida de forma muito objectiva pouco propícia a estados de alma.
Estou,
aos poucos, a soltar-me. Foi isso que o Miguel me disse que fizesse, quando o
irmão deixasse a política, algo que ele previu com muito maior sagacidade do
que eu. E nós éramos parecidíssimos...
Tenho-me
dado conta disto na forma como vou reagindo aos acontecimentos dos últimos
meses, quer cá quer lá fora. Pessoalmente tive problemas de saúde. E, além disso, como
toda a gente assisti à queda da Dilma, às duplas eleições em Espanha, ao
Brexit, ao terrorismo, aos refugiados, ao desastres naturais e ao futebol, tudo
ocasiões impróprias para cardíacos, mas a que me não subtraí. Porquê? Por puro
pragmatismo. Porque, agora, eu já não estou sujeita às emoções familiares de antigamente.
Porém,
raramente aqui falei destes temas, na medida em que adivinhava muito do que veio a
acontecer e não queria ser a mensageira de mau agoiro. À excepção das catástrofes
naturais, nunca duvidei que o Reino Unido sairia – a própria Rainha o preferia
– e que em Espanha fossem necessárias novas eleições que, até acredito, possam
ter de repetir-se.
Nunca
fui europeísta, nunca me senti sequer parecida aos outros 27 e sempre julguei
que a Europa Unida que hoje conheço diferia muito, nos objectivos, daquela a
que assisti a fundar. Á vista está o resultado!
HSC