terça-feira, 23 de julho de 2019

A paz interior

Levei muito tempo a pensar que a paz interior só se obtinha quando perdoávamos todos os que, por um motivo ou por outro, nos tinham magoado. Tempo demais, julgo hoje, que sinto de forma diferente.
Explico-me melhor. A vida deu-me desgostos, algumas raivas, mas jamais ódios. Não sei odiar, não sei como seja possível faze-lo e não estou minimamente interessada em entender quem seja perito nestas questões.
Talvez o facto de ser católica me tenha ajudado. Mas acredito que geneticamente não recebi essa capacidade. Vivi numa familia em que muitos pensavam de forma diferente, mas isso nunca afectou o amor que os unia. Recebi, portanto, dos meus, essa dádiva.
Mas, para compensar este aspecto positivo, tenho uma memória de elefante, que não esquece nada, o que dificulta algumas vezes aquela paz interior. E ninguém a tem, se tiver mágoas. 
Muito trabalho pessoal nesse sentido, alguma ajuda lá de cima e de quem me dirigia espiritualmente, acabaram por me reduzir a memória do que era menos bom e a aumentar a lembrança do que fizera a minha felicidade. 
Os anos foram-me ajudando a perceber que as energias só devem ser gastas naquilo que nos torna melhores pessoas. Ora, para isso, não é preciso saber perdoar. É preciso saber aceitar. Aceitar nomeadamente a diferença.
Nem sempre é fácil, mas é absolutamente necessário para se ter, na minha idade, o prazer que, afinal, proporciona saber gostar dos outros como eles são, sem cair na tentação de os querer transformar à nossa imagem e semelhança.

HSC

segunda-feira, 22 de julho de 2019

É melhor esclarecer

Tudo o que aqui escrevo é de minha autoria e corresponde ao que penso, ao que sinto ou ao que julgo. Em certos casos, até esclareço, logo de início, que a minha opinião pode ser menos fiel por ter preferências.
Significa isto que quando falo de um filme, de um livro, de um creme, de um perfume, de uma loja, dou uma opinião pessoal e não recebo pagamento por isso. Há quase 11 anos que mantenho este blogue  e essa foi sempre a minha conduta. Em consequência, já em várias circunstâncias me abstive de falar de temas ou produtos, que até deviam ser publicitados. 
Decidi que isso se não repetiria e que nada justifica que eu não tenha a liberdade de dizer bem ou criticar produtos do meu quotidiano. 
Todos os que me lêem sabem, por exemplo, que tenho cinco livros de cozinha publicados. Ora nessa actividade que mantenho, há novidades que interessam a muita gente que, como eu, tem prazer em cozinhar. Algumas são boas, outras assim assim e outras são para esquecer.
Também diariariamente cuido de mim - para a idade que tenho podia estar pior, se me não cuidasse - e  tento estar confortável com a indumentária que uso. Não sou de espalhafatos, tenho bom senso e nunca escondi a minha idade. Talvez porque julgo que isso tudo junto faz parte daquilo que sou.
Por todas estas razões, vou passar a ter aqui no blog, duas secções novas: o que "gosto" e o que "não gosto". Em futuro próximo irei migrar de plataforma e fazer umas alterações no lay out do Fio de prumo de modo a conseguir âmbito muito alargado, onde possam caber as minhas "livres opiniões" sobre o que vejo, o que oiço, o que leio, enfim, o que compro ou não compro.
Assim já posso falar do que entender com a única finalidade de informar. E se, para tanto, tiver que recorrer a informações de editoras ou de marcas, tal será devidamente assinalado.

HSC

domingo, 21 de julho de 2019

As três poderosas




Na Europa, neste momento, são três figuras femininas que dominam o panorama politico europeu. 
Falamos de Angela Merkel, de Ursula van der Layden e de Annegret Kramp-Karrenbauer, conhecida pelas iniciais AKK, presidente da CDU alemã e possível sucessora da actual Chanceler. 
Teresa May e Christine Lagarde já foram importantes, nomeadamente em 2018. Aquelas três é que deterão nas suas mãos a capacidade de fazer girar o mundo.
Esta circunstância de domínio feminino, não deixa de ser curiosa quando, por outro lado,  continuam a existir países neste velho continente, em que a igualdade de género exista, mas não passa do papel. Aqui mesmo, em Portugal, começa a haver gestoras, ministras, formadoras de opinião, mas elas são, sobretudo importantes nos negócios privados. 
No domínio das funções publicas e excepto no campo da Saúde as ministras que temos, ocupam os cargos menos sofisticados. Mesmo assim, esta evolução dá-se, sobretudo, a partir do século XXI. Digamos que o domínio masculino leva séculos de poder...

HSC

A Mulher em destaque


A eleição de Ursula von der Layen para a presidência da Comissão Europeia foi um dos temas que marcaram esta semana. O facto de ser mulher, de ser alemã, de ser mãe de 7 filhos e de ser médica foram abundantemente referidos no seu retrato, como se estes factores influenciassem particularmente a forma como viria a exercer o cargo. As mulheres ainda precisam destes dados biográficos, para justificar a escolha de um alto cargo na hierarquia profissional. Talvez  também ajudasse saber se gosta de cozinhar e se o faz...
A dirigente alemã conseguiu ser eleita, por margem escassa, depois de prolongadas negociações com as famílias políticas do Parlamento Europeu. 
A sucessora de Jean Claude Juncker não vai ter a vida fácil. Com efeito, a primeira batalha que vai ter de  enfrentar até final do verão, será a formação da sua equipa de comissários.
E, no intuito de agradar a gregos e troianos, como já fez no seu consensual primeiro discurso, avisou que pretende ter consigo um executivo paritário, no qual pelo menos 50% serão mulheres. 
Promessas são promessas, mas esta encontra algumas dificuldades de concretização, já que que a maior parte dos comissários são do género masculino.
Percebo a vontade, como também percebo a questão das quotas para mulheres. Mas, pessoalmente, dizem-me pouco, porque os meus caminhos são outros. Não é pela imposição de mulheres nos centros decisórios que a nossa posição será reconhecida. 
Aqui trata-se de um direito comum aos dois sexos. E esse direito estabelece que as escolhas devem ser feitas pela excelência e não pelo género.
O que me não impede de ficar satisfeita com a escolha de Ursula von der Layen, se ela for a pessoa competente para o cargo. Este é que será o verdadeiro teste para avaliar da opção feita!

HSC

sábado, 20 de julho de 2019

A Filipa Garnel


Digo já que sou amiga da Filipa e do seu marido. E que gosto muito de ambos.
Foi por ela que fiz parte dos juris da Lux sob sua direção e devo-lhe provas de amizade de que ambas nos rimos bastante. Acresce que esta ligação se estendeu sempre aos meus filhos o que a consolidou ainda mais.Assim, quando soube que fora nomeada directora de programas da TVI fiquei muito feliz.
A Filipa é uma "cabecinha pensadora", que sempre soube rodear-se de gente competente e fiel que   a ajudou a dar corpo às suas ideias. Por isso, acredito que ela consiga dar uma reviravolta aos programas da estação e que já tenha em mente outros novos. Admito mesmo, que lá para Outubro comecemos a ver o resultado da sua "mãozinha".
A oportunidade surge-lhe na altura própria, quer pessoal quer profissionalmente, em que já deu variadíssimas provas na área da comunicação e do entretenimento. E, acima dela, tem como director geral Luis Cabral, alguém que conheci no velho Independente e que, ao longo da sua carreira já mostrou saber muito daquilo que a TVI precisa.
Tenho a certeza de que algo vai mudar para muito melhor na estação e que uma maior concorrência entre canais só pode beneficiar o entretenimento e a informação. Aguardemos pois.
Para já, deixo aqui o meu apertado abraço à Filipa Garnel e os votos de sucesso para ela e para a equipe que escolher!

HSC

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Ainda serei economista?

As notícias sobre a banca portuguesa deixam-me o sangue a ferver. Chego, por vezes, a acreditar que se trata de uma invenção, tal a criatividade / permissibilidade que se alcançou nesta área. 
Hoje pode ler-se nos jornais a lista, sem nomes, dos maiores devedores - ia-me saindo outro nome, mas infelizmente sou muitdo educada - e nela se dá conta de que "há devedores e devedores na banca portuguesa e entre os maiores está a Grécia. É o cliente “112” da lista divulgada pelo Banco de Portugal. Os gregos deram um rombo de 766 milhões de euros ao BCP e BPI, depois do maior perdão de dívida da história, concedido ao país em março de 2012, aquando do segundo resgate financeiro internacional a Atenas".
Alguém consegue entender o que isto representa e como é que aconteceu? É que por mais que tente servir-me da preparação técnica que tenho, assola-me já sempre a dúvida, real, sobre os meus próprios conhecimentos, enquanto economista. Daí o titulo deste post...

HSC

terça-feira, 16 de julho de 2019

Destino marcado

Esta questão recente de Fátima Bonifácio, que empolgou o país, acabou por me proporcionar a leitura    de muita coisa que me fez pensar. 
O caso dos ciganos, de novo retomado, lembrou-me o drama de uma colega que tive e foi marginalizada pelos seus, porque se apaixonou por um homem que não era da sua etnia. Nem calculam o que esta mulher passou.
Do ponto de vista feminino a obrigação de casar com os seus, na adolescência, e numa iliteracia ainda muito grande, dada a pouca simpatia que os pais têm pela actividade escolar das filhas, causa-me algum incómodo.
Como conciliar tradições, que vão contra os nossos costumes, com a integração que todos desejamos porque eles são tão portugueses como qualquer de nós? Angustia-me pensar que algumas daquelas mulheres interiorizaram de tal modo em si aquelas tradições, que as sentem como fazendo parte do seu destino e nem sequer estão interessada em fazer nada para o alterar.
Aquela minha colega sofreu tanto, que quando enviuvou, quis voltar para o seu povo. Mas, entretanto, já tinha tido filhos e filhas que foram para a Universidade e a aconselharam a não o fazer, porque duvidavam que a mãe depois de proscrita, fosse aceite. E muito menos, com filhos que nunca por lá haviam passado.
Como fazer? Como integrar sem aceitar praticas que ferem os nossos princípios? Há quem acredite que é possível. Decerto têm razão. Mas parece-me tão difícil!

HSC