sábado, 14 de outubro de 2017

Um momento único!


Portugal vive um momento único e original. Se não relembremos sem ordem nem pontuação que o Ministério Publico concede entrevistas, os banqueiros e os empresários suspeitos de má conduta mantêm o mesmo estilo de vida, o Orçamento é apresentado antes de tempo, mas fora de horas, a reunião que se lhe segue decorre de madrugada, Madona vive em Portugal e diz-se encantada, os portugueses estão felizes como as cigarras costumam estar antes do inverno chegar, a dívida sobe paulatinamente mas ninguém parece lembrar-se da formiga que amealha no bom tempo para sobreviver na tempestade, os sindicatos só falam na função publica, esquecendo que há quem não tenha o Estado como patrão, o relatório sobre Pedrogão Grande é arrasador mas a ministra, tendo mesmo ao seu lado António Costa, afirma que se não demite, pese embora ja tenha demitido um responsável, que já fora readmitido e agora volta a ser demitido. Confuso? Nada! 
É o Portugal europeu, aquele que até já saíu do lixo de uma agência, pejado de turistas, comprado por chineses e paraíso fiscal para todos menos para aqueles que aqui tiveram a sorte de nascer e resolveram ficar. Amália e o Marceneiro, sim, é que nos haviam de cantar... mas azar nosso, já morreram e faltam-nos poetas para propalar o tal momento único e original! 

HSC

sexta-feira, 13 de outubro de 2017

A Voz das Mulheres


A Inês Pedrosa e a Patricia Reis são as comissárias do primeiro encontro "Mulheres nas Artes - Percursos de Desobediência" que se realizará nos próximos dias 16 e 17 na Fundação Calouste Gulbenkian. A curadoria destas duas escritoras é garantia da qualidade do que ali irá decorrer. 
Para este encontro vem a escritora libanesa Joumana Haddad, que aproveitará a ocasião para lançar, pelas 19h, o seu livro "Eu Matei Xerazade: Confissões de Uma Mulher Árabe em Fúria", cuja apresentação estará a cargo de Nuno Júdice.
Este vai, também, ser  o primeiro título da nova editora Sibila, que a Inês se propõe agora lançar. 
A programação, extensa para um blog, pode ser consultada no site da FCG, ou através da net e está recheada de matérias de grande importância e actualidade. A não perder.

HSC

domingo, 8 de outubro de 2017

É o que há...



"Tendo em conta que o alvo da campanha para sensibilização da população para a vacinação contra a gripe são sobretudo os idosos, e entre estes, provavelmente, os com menos instrução serão os que mais carecerão ser sensibilizados, quem se lembrou de ir buscar a Guerra dos Tronos e um texto em inglês? Melhor: quem foi a besta que autorizou esta campanha?" 

                  Rui Herbon em Delito de Opinião

Alguém me explica porque é que se faz uma campanha pró vacinação em inglês?! Será que alguém considera que há mais turistas que portugueses? Ou, pior, que estes são mais importantes que nós?
Francamente, estas cabecinhas pensadoras, deixam muito a desejar...
É a vida. É, sobretudo, o que temos...

HSC

quinta-feira, 5 de outubro de 2017

Vulnerabilidades...

“Por mais que me custe admiti-lo, a verdade é que na presença de um médico, qualquer que ele seja, me sinto de algum modo intimidada. É inevitável. De todas as vezes, toma-me uma estranha sensação que nem sei explicar bem. Talvez seja a inquietação diante de um veredicto que se espera sempre feliz, o nervoso miudinho que traz o desconforto do que não é certo nem visível, a intuição de que sabem mais do que querem dizer(nos) temendo que não o possamos entender, ou a esperança no bom resultado do que advém dos seus diagnósticos, das suas decisões, do trabalho preciso das suas mãos.
Veja-se o caso do dentista: como podemos não nos sentir diminuídos e especialmente frágeis quando estamos em posição inferior, no sentido literal, com um "guardanapo" ao peito e o médico inclinado sobre a  nossa boca escancarada e cheia de tubos e os mais diversos instrumentos, que nos impedem de dizer o que quer seja? Não me parece que alguém possa sentir-se confortável nesta situação, sempre constrangedora, quase humilhante. Enfim, podia dar outros exemplos, mas não me parece necessário. 
Precisamos dos médicos, hélas, dependemos deles até para grande parte do que é o nosso bem-estar e a nossa saúde (o mais precioso de todos os bens), mas eu não consigo livrar-me desta coisa assim meio infantil de estar sempre a querer fugir deles”.

             Isabel Mouzinho em isabelmouzinho.blogspot.pt

Hoje é a minha amiga Isabel a dona deste espaço. Tudo o que ela escreve aqui em cima, eu assino por baixo. E só por alguma contenção, é que não falo no constrangimento que sentirmos, nós mulheres, perante uma consulta ginecológica...

HSC

terça-feira, 3 de outubro de 2017

Auto promoção



Os Nove Magníficos tem uma nova edição, revista, que chega no dia 11 às livrarias. Aqui ficam as palavras que escrevi quando saíu e que continuam hoje inteiramente válidas.
"É evidente que, como seres humanos, cometeram erros e obtiveram sucessos. Porém, todos eles irradiaram, no seu tempo, uma luz que, definitivamente, os distinguiu dos simples mortais. Não ousarei dizer quais são os meus magníficos de eleição. Mas eles existem. E, provavelmente, cada leitor elegerá os seus, de acordo com valores muito próprios. Espero, até, que essa diversidade seja uma das mais ‑valias deste livro.
Os reis que aqui estão correspondem a uma escolha minha. Que, como tal, é discutível. Escolhi‑os não só porque foram magníficos homens de poder, mas também porque a sua existência os revelou seres humanos especiais!"

HSC

A sabedoria popular...

“Quando era pequeno, mesmo sabendo que os bolsos dos meus pais tinham muito pouco ar e ainda menos dinheiro, de tempos a tempos fazia, como qualquer criança, birras quando a resposta ao "quero" era "não". O meu pai nunca respondia "não" a qualquer "quero", respondia sempre com uma frase complicada que nos deixava a pensar: "Uma coisa é o que tu queres ter, outra é o que podes ter e outra é o que tens". Nunca descobri onde ele teria aprendido tal frase mas ainda hoje, na minha família, ela funciona como resposta a qualquer "quero". A coisa está tão interiorizada que quem tem mais de 2 ou 3 anos nunca diz "quero".

Marcos Dantas  
ISCTE-IUL comentário a uma notícia sobre uma eventual futura greve da Frente Comum

Curiosamente, a minha avó Joana sempre disse a mesma coisa aos seus muitos netos. Foi, talvez por isso, que este comentário que não comento - nem tal seria necessário - despertou a minha atenção. Há uma sabedoria popular que é, de facto, muito superior a certos manuais de economia!


HSC

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Já está. Falta o resto.

O fim de semana foi, como se previa, cheio de emoções. Uns satisfeitos pelas vitórias reais alcançadas, outros a disfarçar algumas derrotas e outros ainda derrotados mesmo. Na política como na vida, é preciso "estar preparado".
Confesso que, acamada com uma virose que não me tem dado muitas tréguas, andei com o zapping entre a tv nacional e a tv espanhola. Quando os resultados estavam aqui apurados, pensei que a política seria, de facto, a única actividade que eu nunca exerceria. Ela exige um conjunto de qualidades que não possuo e um conjunto de defeitos que eu tenho, mas que, felizmente, sendo necessários, não são suficientes. Talvez por isso tenha conseguido lobrigar, entre beijos e abraços, um ou dois rostos que me lembro de se estarem a regozijar, há uns tempos, noutras áreas de poder. Mas quem é que, ao longo da vida, não muda? Os burros, como se sabe.
Assim, Portugal, essa nação una e indivisível, tem agora o seu mapa regional clarificado. E eu não serei capaz de tecer, no momento, qualquer outro comentário  sobre este assunto. O povo votou, cumpra-se a sua vontade que é a única verdadeiramente importante.
Já o mesmo não se poderá dizer de Espanha, infelizmente. E o que se passa aqui ao lado vai trazer consequências até para nós. Basta pensar nas populações raianas, que se deslocam todos os dias entre os dois países, para lembrar que há vírus que se podem transmitir com o passar dos anos e das fronteiras. Se, um dia, a Espanha ficar sem algumas das suas regiões, podermos correr o risco de sermos olhados de forma bem gulosa. Hoje não há guerras como aquelas que a nossa história comum conheceu. Mas o poder das armas,  foi substituído pelo poder financeiro e este fere mais do que as balas...

HSC