terça-feira, 12 de setembro de 2017

O Principio da Incerteza

Como já aqui tenho referido, oiço pouca televisão. E digo "oiço" porque olhar já seria um sacrifício demasiado para a minha capacidade de sofrimento. Abro, no entanto, algumas excepções que, por norma, se situam na RTP2.
Há, no entanto, na RTP3 um programa intitulado "O Principio da Incerteza" que vejo com alguma frequência, porque tem como comentadores residentes Helena Matos e Viriato Soromenho - Marques, duas pessoas inteligentes que se preparam para os temas que vão debater, algo que já é muito raro encontrar.
Recentemente houve uma conversa acerca de Lutero e dos 500 anos de História que sobre ele decorreram. O convidado foi o Prof. Paulo Mendes Pinto, Coordenador da Área de Ciência das Religiões da Universidade Lusófona de Lisboa e um estudioso destas questões.
O diálogo pôs uma vez mais a nu a necessidade de trazer o debate religioso para o espaço público, sem que isso seja tomado como um qualquer compromisso entre o Estado e a Religião. Esta existe, faz parte da vida das pessoas, mesmo que só sob o manto "light" da espiritualidade e a sociedade dos incréus não pode impedir que a mesma se discuta.
Aconselho vivamente quem se interesse por estes temas a "ver" o referido programa em diferido. Vale a pena, mesmo que se não tenha qualquer filiação religiosa.

HSC


domingo, 10 de setembro de 2017

E continuo a falar de...livros

O meu filho que gosta tanto ou mais do que eu de livros, cada vez que viaja - e agora, felizmente para ele, por razões profissionais viaja muito - traz-me sempre as últimas novidades, preocupado que anda por eu ter deixado de trabalhar. Como nunca tinha assistido à sua mãe desempregada, deve pensar que enquanto estou a ler, estou "empregada". E de facto se já lia muito, agora tresleio!
O último que me trouxe e a que vou dedicar-me, em simultâneo com o ensaio do Nobel da Economia de que vos falei, é de uma belga, Amelie Nothomb e intitula-se "Frappe-toi le coeur". 
Não tem, na capa ou nas badanas, qualquer referencia a si ou à sua obra. Trata-se de um livro deste ano e, face ao desconhecido, fui à net indagar.
Pois bem, fiquei mesmo muito surpreendida, pois trata-se de uma jovem romancista francófona, que passou parte da sua infância na Ásia, mas nasceu em Etterbeek, na Bélgica, em Julho de 1966. 
Em 1992, com 26 anos publicou a sua primeira novela intitulada Hygiène de L' Assassin, e a partir daí a autora lança um livro por ano. Os seus romances estão entre as melhores vendas literárias e têm tradução em várias línguas, o que terá concorrido para se tornar Comandante da Ordem da Coroa e valido o título de Baronesa, concedido pelo rei Philippe da Bélgica
O seu romance Fear and Trembling ganhou o Grande Prémio do romance da Academia Francesa em 1999 e, em 2015, a senhora foi eleita membro da Real Academia de Língua e Literatura Francesa na Bélgica.
Como se deduz, a lamentável ignorância era minha, que nunca tinha ouvido falar deste nome, ou então não lhe terei dado a devida atenção. O que é estranho, dado que, por norma e interesse pessoal, sou bastante atenta aquele mercado livreiro. Ora Amelie tem vinte e oito obras publicadas e algumas já traduzidas para português. Acontece aos melhores, como se vê!
Veremos se a realidade responde às expectativas criadas...

HSC

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

PÁTRIA


Embora julgue que já estou a dar sugestões de mais, o que é certo é que gosto de partilhar o que julgo ser bom e que os outros podem, também, apreciar. O mês de Agosto e o de Setembro eram os meses em que, antes, lia mais. Agora, depois do IRS que me fizeram pagar, decidi não trabalhar e, por isso, tenho todo o tempo que Deus me der para ler. Espero que seja muito e bom.
Ontem falei-vos de um ensaio do qual vou lendo umas páginas por dia e que me tem prendido toda a atenção. Hoje, vou falar-vos de um excelente romance de Fernando Aramburu, intitulado PÁTRIA, que decorre no tempo em que a ETA anunciou o abandono das armas. É uma história que mostra muito bem como a ideologia e a violência podem arrasar a vida das pessoas, em particular quando as cisões se passam entre família.
O autor é considerado como um dos narradores mais destacados em língua espanhola e eu pude lê-lo no original, já que uma parte dos meus se exprime nesse idioma e eu apanhei um pouco desse jeito.
Ignoro se há tradução portuguesa, mas foi um dos romances mais importantes de ano passado e, depois da sua leitura, percebe-se muito bem porquê. A não perder!

HSC

terça-feira, 5 de setembro de 2017

Jean Tirole


Jean Tirole ganhou o Premio Nobel da Economia em 2014. A partir daí cidadãos anónimos começaram, na rua, a pedir-lhe opiniões acerca da actualidade. A sua passagem do âmbito académico ao terreno público levou-o a reflectir sobre o papel que o economista desempenha na sociedade. 
E foi dessa reflexão que nasceu o livro intitulado L' Economie du Bien Commun", um apaixonado manifesto a favor de um mundo em que a economia longe de ser considerada uma "ciência lúgubre", seja vista como uma força positiva a favor do bem comum.
A obra responde às múltiplas perguntas que colocamos hoje sobre o estado da economia, do emprego ou das mudanças climáticas, da Europa, do papel dos EUA, da economia digital, etc, etc, com o fim de nos oferecer soluções de futuro.
Tirole trata temas que interessam todos nós, mas fa-lo de modo acessível e instrutivo, o que transforma este ensaio num livro que aspira a conciliar-nos sob o signo da inteligência.
Vou a meio e, confesso, há muito que não lia um livro de economia com tanto gosto e me conciliasse tanto com aquilo que sou profissionalmente.

HSC

Ainda os 13 milhões

Prometi aqui que o assunto dos 13 milhões de euros doados pelos portugueses para minorar os efeitos da catástrofe que se abateu sobre Pedrogão Grande, seria assunto que não iria abandonar, até que estivesse plenamente esclarecida sobre quem os guardava, onde estavam depositados e como seriam aplicados.
Pois bem, parece que o assunto começa a levantar suspeitas já que os três presidentes das Câmaras Municipais de Pedrógão Grande, Castanheira de Pera e Figueiró dos Vinhos, desconfiam que os donativos feitos às vítimas dos incêndios em Junho possam ter sido desviados.
Com efeito, o presidente da CM de Pedrógão Grande, em declarações à RTP lembra que, depois dos fogos, foram abertas dezenas de contas de solidariedade. Valdemar Alves quer saber onde pára o dinheiro.
Por outro lado, o jornal i adianta, hoje, que está marcada uma reunião dos presidentes daquelas três Câmaras, para decidirem eventuais medidas que  esclareçam se houve ou não desvio de verbas.
Os três autarcas vão pedir a intervenção do Ministério Público para saber, junto do Banco de Portugal, onde pára o dinheiro que foi doado às vítimas dos incêndios de Junho.
Só pecam por tardias estas medidas. Todos temos o direito de saber onde se encontra esse dinheiro ou o que foi feito com ele. E há muito que, neste blog, coloco essa questão!

HSC

segunda-feira, 4 de setembro de 2017

Marcelo Mathias, uma entrevista a não perder.


Não é a primeira vez que aqui falo do Embaixador Marcelo Mathias. Sou uma admiradora da forma como escreve, do domínio que tem da língua e, de certo modo, também, da forma como vê o mundo que o cerca.
Trago hoje, de novo, à baila o seu nome para vos aconselhar a leitura da entrevista que concedeu ao jornal Publico, em conversa com a jornalista Isabel Lucas. 
É um diálogo que vale a pena ler porque se trata de uma visão muito particular da Europa e do país, numa altura em que para muitos de nós o Velho Continente parece aproximar-se de uma agonia antecipada.
Marcelo Mathias é um homem da minha geração. E embora as nossas mundivivências tenham sido diferentes, a sociedade que nos rodeou foi a mesma. Assim, é muito mais o que nos aproxima do que aquilo que nos poderá afastar. 
Aliás, muitas vezes, ao lê-lo - em particular nos diários - tenho a sensação estranha de me sentir dentro das páginas que escreve. Ou, dito de outro modo, penso no prazer que me daria ter sido eu a escrever algumas delas. 
Não tenho uma relação melancólica com a vida, mas percebo muito bem - tive um irmão na carreira - que um diplomata que vive uma parte importante da sua vida a defender o país fora dele, possa tê-la. Não por pessimismo, mas porque quando estamos longe, essa melancolia é uma forma de expressarmos o amor que temos à terra onde nascemos e à qual sentimos que pertencemos. De facto, uma entrevista a não perder!

HSC

sábado, 2 de setembro de 2017

A Sentada


A viver na África do Sul há vários anos, Sandra Nobre regressou a Portugal devido a um novo projecto televisivo sobre culinária que passa aqui na terrinha e, julgo, num canal por cabo, em Angola, no qual pretende pôr em prática os conhecimentos que adquiriu no curso Cordon Bleu e a experiência que ganhou no restaurante La Colombe, na Cidade do Cabo, onde trabalhou. 
Ela é, assim, a anfitriã, do programa "A Sentada", que passa no canal 24 Kitchen, que nos guia por uma viagem de sabores, pratos e estilos, mostrando que cozinhar bem e comer ainda melhor, pode ser tão simples como ligar a TV. 
Ao longo dos já vários episódios exibidos, vemo-la a confeccionar refeições completas, que vão das entradas às sobremesas, comportando-se com uma enorme simplicidade quer na linguagem usada quer no vestuário que enverga, o que contrasta com o estilo de alguns “mestres de culinária” daquele canal.
Sandra Nobre ostenta a genuinidade tranquila de quem apenas quer partilhar o que sabe.  E essa é uma das qualidade que a aproxima do telespectador, que se apercebe do gosto que lhe dá aquilo que faz.
A sofisticação de alguns pratos é sempre temperada por uma abordagem clara e desafectada, que cativa os que a seguem, e prende tanto iniciados ou amadores, como  chefs de cozinha, ou homens que gostem de cozinhar. 
O programa é uma produção local do mundo Fox e ao que julgamos saber Sandra contará com a aprovação de Artur Albarran.

HSC