sexta-feira, 14 de abril de 2017

Igreja: As palavras do Papa (5)

Neste tempo de Quaresma, partilho convosco um texto atribuído ao Papa Francisco, pedindo desculpa de ir em espanhol. Mas foi assim que o recebi e julgo que se compreende muito bem.
Seja ou não do nosso Papa, é um belo texto e constitui um excelente tema de meditação na época que atravessamos.

"Puedes tener defectos, estar ansioso y algunas veces vivir irritado, pero no te olvides que tu vida es la mayor empresa del mundo.
Sólo tú puedes evitar que ella vaya en decadencia.
Hay muchos que te aprecian, admiran y te quieren.
Me gustaría que recordaras que ser feliz, no es tener un cielo sin tempestades, camino sin accidentes, trabajos sin cansancio, relaciones sin decepciones.
Ser feliz es encontrar fuerza en el perdón, esperanza en el esfuerzo, seguridad en el palco del miedo, amor en los desencuentros.
Ser feliz no es sólo valorar la sonrisa, sino también reflexionar sobre la tristeza.
No es nadamás conmemorar el éxito, sino aprender lecciones en los fracasos.
No es solamente tener alegría con los aplausos, sino tener alegría en el anonimato.
Ser feliz es reconocer que vale la pena vivir la vida, a pesar de todos los desafíos, incomprensiones y períodos de crisis.
Ser feliz no es una garantía del destino, sino una conquista para quien sabe viajar para adentro de su propio ser.
Ser feliz es dejar de ser víctima de los problemas y volverse actor de la propia historia.
Es atravesar tórridos desiertos, más ser capaz de encontrar un oasis en lo recóndito de nuestra alma.
Es agradecer a Dios cada mañana por el milagro de la vida.
Ser feliz es no tener miedo de los propios sentimientos.
Es saber hablar de sí mismo.
Es tener coraje para oír un "no".
Es tener seguridad para saber recibir una crítica, aunque sea injusta.
Es besar a los hijos, mimar a los padres, tener momentos poéticos con los amigos, aunque a veces algunos de ellos nos hieran.
Ser feliz es dejar vivir a la criatura libre, alegre y simple, que vive dentro de cada uno de nosotros.
Es tener madurez para decir *'me equivoqué'*.
Es tener la osadía para decir *'perdóname'*.
Es tener sensibilidad para expresar *'te necesito'*.
Es tener capacidad de decir *'te amo'*.
Que tu vida se vuelva un jardín de oportunidades para ser feliz...
Que en tus primaveras seas amante de la alegría.
Que en tus inviernos seas amigo de la sabiduría.
Y que cuando te equivoques en el camino, comiences todo de nuevo.
Pues así serás más apasionado por la vida.
Y descubrirás que ser feliz no es tener una vida perfecta,
sino usar las lágrimas para regar la tolerancia.
Usar las pérdidas para refinar la paciencia.
Usar las fallas para esculpir la serenidad.
Usar el dolor para aprender de él.
Usar los obstáculos para abrir las ventanas de la inteligencia.
Jamás desistas...
Jamás desistas de las personas que amas.
Jamás desistas de ser feliz, pues la vida es un espectáculo imperdible!"

HSC

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Os novos cinquentões


“Você sabia que a revista mais vendida no mundo (excluindo as de cunho religiosos) tem como principal assunto o estilo de vida do homem americano de meia-idade com uma tiragem bimensal de 22,5 milhões de exemplares?”

                                  in Linkdin.com

Este excerto fez-me lembrar uma época da minha vida em que fui directora de novos projectos numa empresa para a qual trabalhei durante uns anos.
Foi um periodo muito aliciante, em que lancei quatro revistas. E, quando saí, a minha intenção era, justamente, fazer um produto editorial destinado aos que tinham mais de 50 anos. Já nessa altura intuí que seria um nicho de mercado com crescente potencial.
Não me enganei. O mercado americano, bem típico,  explora este perfil não só no consumo como na mão de obra. Segundo o Centro de Estudos sobre Longevidade de Stanford, calcula-se que até 2020, os trabalhadores com 55 anos ou mais, serão responsáveis por 25% da força de trabalho, em comparação com apenas 13% em 2000.
Com efeito, muitos dos negócios de sucesso nos Estados Unidos foram iniciados por pessoas que já tinham mais de 50 anos. Basta lembrar empresários como Colonel Sanders, do KFC (Kentucky Fried Chicken) de 65 anos, Raymond Croc, fundador da rede de fast food McDonald's de 52 anos e John Pemberton, fundador da Coca Cola de 55 anos que com McDonald's, está no top 5 das marcas mais valiosas do mundo.
Porque é que os "cinquentões" norte-americanos são tão produtivos? A explicação pode residir no facto de serem mais saudáveis e, sobretudo, por terem uma escolaridade cada vez maior.
Outro factor que se presume também seja determinante é a chamada inteligência emocional. Hoje, a maioria das profissões procura, além do conhecimento técnico, um grau razoável de inteligência emocional. Esta combinação é, mesmo, nalguns casos, um pré-requisito ponderável em processos selectivos ou de promoções.
Uma pesquisa da Universidade de Berkeley mostra que o pico da nossa inteligência emocional se atinge quando entramos na casa dos 60 anos.
Por outro lado, além da área profissional, o consumo deste público é mais selectivo e dá mais valor não só aos detalhes do  que compra como ao atendimento que lhe é prestado.
Com maior longevidade, autonomia, qualidade de vida e independência financeira, a terceira idade está a tornar-se uma grande força no mercado do consumo, revertendo a velha noção de que só os jovens é que gastam.
Experiência e força emocional constituem os grandes activo e atractivo destes cinquentões. Por isso, convém que aqui na Europa – com algum atrazo, tudo acaba por cá chegar -, as empresas não os ignorem e estejam atentas. É que os maiores de 50 anos, além de selectivos influenciadores do mercado agora, continuarão a se-lo, ainda mais, num futuro bem próximo!

HSC

Nota: Não gosto especialmente de Clooney. Gosto apenas do café que ele promove. Mas tem tantas admiradoras que lá o escolhi para a foto...

terça-feira, 11 de abril de 2017

Entre o nascimento e a morte


Hoje, ao fim da noite, liguei a televisão. Foi um gesto tão automático como ligar o micro ondas para aquecer um alimento que não foi acabado de fazer. O que significa não ser frequente ligar o aparelho, já que aprecio bastante comer aquilo que preparo. Luxos, enfim, aos quais ainda tenho acesso, já que gosto muito de cozinhar e não gosto menos de mim...
Eis senão quando apanho uma entrevista feita ao médico Gentil Martins que, aos 86 anos, é um exemplo de vitalidade e de alegria de viver, pese embora o dramático mister a que se dedica, de lutar contra a morte e contra o que a vida, às vezes, traz de imperfeições ás crianças.
Dizia ele que o nascimento e a morte são secundários, O que, sim, verdadeiramente conta, é o que fazemos entre esses dois momentos da existência. O entrevistado constitui, sem dúvida, um bom exemplo do que afirma!

HSC

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Igreja: A Bíblia (4)

“...Pensar que o estudo da Bíblia e as suas traduções só merecem confiança, se forem obra de clérigos e de editoras católicas submetidos ao Imprimatur episcopal, é supor que a Bíblia é propriedade privada de empresas confessionais. Que os responsáveis das comunidades católicas zelem pela formação bíblica dos seus membros e pelas expressões da fé cristã é o mínimo que se lhes pode pedir. Infelizmente, nem sempre cumprem esta missão.
Ninguém tem o monopólio da Bíblia e só há vantagens em que seja reconhecida e trabalhada como o Livro dos livros, a expressão das raízes judeo-cristãs da civilização ocidental. Há muito a fazer para se tornar parte activa da cultura portuguesa, nas suas diversas expressões...”

            (Excerto do artigo de Frei Bento Domingues no jornal Público)

Decerto a maioria dos leitores deste blog terá visto a tradução da Bíblia de Francisco Lourenço, que inundou as nossas livraria no mês de Março. Este projecto que a Quetzal assumiu, não se limita a uma nova tradução do Novo Testamento, do qual já existem várias, de diversos estilos, mas à tradução de toda a Bíblia Grega, judaica e cristã.
Neste tempo de Quaresma não é despiciendo lembrar o que representou esta ciclópica tarefa, levada a cabo por um académico a quem não são conhecidas quaisquer filiações religiosas. É um bom tema de meditação num país que tem um conceito muito restrito do que possa ser o pensamento universal.

HSC

sexta-feira, 7 de abril de 2017

Qual será pior?


A três semanas das eleições francesas, o jogo está longe de  se poder considerar decidido e os cenários possíveis deixam muito a desejar.
Jean-Luc Mélenchon, Benoit Hamon, Emmanuel Macron, François Fillon e Marine Le Pen têm, nas sondagens – que, como se sabe, são cada vez menos fiáveis - percentagens que não se diferenciam muito e que só se irão destacar, na final, por transferência do chamado voto útil.
A conclusão possível parece, assim, saltar à vista, com  qualquer destes candidatos a poder passar à segunda volta. O que eventualmente significará que a França irá escolher... um péssimo presidente e que essa escolha afectará, também, a Europa!


HSC

domingo, 2 de abril de 2017

A venda do Novo Banco

Do que li e numa tentativa de compreender o que representa a solução escolhida para o Novo Banco, consigo resumi-la nos seguintes pontos
1. Os bancos perderam, até agora, em termos de prejuízos acumulados, cerca de 14 mil milhões de euros e o retorno do capital próprio continua em terreno negativo.
Pode, assim, deduzir-se que este negócio não é muito rentável para os accionistas destas instituições.
2. Os bancos devem ser rentáveis. O que significa que o panorama da banca europeia e também da nacional, deverá ser mudado. Essa mudança imporá um esforço de inovação na prestação dos seus serviços.
3. O Novo Banco irá ter de enfrentar esse desafio, com a agravante de que ainda possam pairar sobre ele contingências de todo o processo de resolução do antigo Banco Espírito Santo.
4. Tais contingências constituem um factor de risco e de alguma incerteza que pode perturbar a sua avaliação.
5. Além disso e apesar do que o governo continua a anunciar, as perdas imputáveis a todo este processo vão estar no Fundo de Resolução, e vão ser suportadas pelos bancos nos próximos 30 anos.
6. O que significa que vamos todos contribuir … porque os bancos, ao pagarem ao Fundo de Resolução, vão, necessariamente fazer repercutir esse custo nas suas operações.
7. Acresce que o Estado, como accionista, vai assumir um risco que pode correr bem ou pode correr mal. Se a operação correr muito bem e o banco se valorizar, a participação do Estado valorizar-se-á e o Estado ganhará com isso. Mas se houver problemas no banco, se correr mal, o Estado vai ter de suportar os custos dessa situação.
8. E isto apesar de tal participação ser detida pelo Fundo de Resolução, em vez de ser detida pelo Estado.
9. Assim, parece que o que se pretendeu, de facto acautelar nesta solução, terá sido uma exigência a nível comunitário.
10. É o que se pode deduzir do que está a passar-se com a Caixa Geral de Depósitos, que, segundo foi anunciado, precisará de reduzir o seu pessoal e de fechar balcões.
11. O mesmo se iria passar no Novo Banco se a opção fosse a nacionalização. Portanto, a ideia de que nacionalizando a instituição, isso permitiria preparar o banco para o vender melhor mais tarde, não é muito crível.
12. Com efeito, o banco, enquanto entidade estatal, iria ser confrontado com pressões e resistências políticas que o iriam impedir de prosseguir o seu caminho no sentido da sua valorização.
13. Assim, é do interesse do país e do sistema financeiro que este problema se resolva de uma vez por todas, já que a experiência mostra que quanto mais tempo demoramos a resolver estas querelas, maior será, por norma, a factura que vamos ter de pagar.
14. Esta é, aliás, no fundo, a grande lição que devemos a tirar do caso BPN.

Parece, então, que destes quinze pontos se poderá concluir que:
A - a solução encontrada, nas actuais circunstancias, sendo má, terá sido a menos má de todas as outras possíveis.
B – é quase certo que,  de forma directa ou indirecta, todos iremos pagar esta factura.

HSC


Em tempo: Todas as notícias que vêm sendo dadas posteriormente a este post só confirmam que os contribuintes, uma vez mais, irão ser chamados a pagar. Para além do facto de esta venda parecer tudo menos uma venda...

sábado, 1 de abril de 2017

Transparente? Pouco...

A palavra "transparência" entrou no léxico económico e político nacional. Não se sabe bem o que ela significa mas é usada à exaustão. A venda do Novo Banco, dizem, é um negócio transparente. A Caixa Geral de Depósitos foi um caso exemplar de transparência. O Montepio Geral - de que já aqui falei há uns meses -, parece ser tudo menos transparente. Enfim, até a bolsa que sustenta uma parte do apoio concedido ao II volume da biografia de Jorge Sampaio é, insistem, transparente.
O problema de tanta transparência, reside no facto de existirem uns diminuídos mentais, nos quais me incluo, que não conseguem descortinar a dita. Pelo contrário vêem tudo bastante opaco.
Conclusão, eles e eu, estamos a precisar de ir ao oftalmologista ou, em alternativa, quem sabe, ao psiquiatra... para lobrigar a diferença entre o cristalino e o obscuro!

HSC