sábado, 11 de junho de 2016

Algo confuso...


A líder do Bloco de Esquerda (BE) disse em Santarém, na Feira Nacional da Agricultura que “o Governo terá, mais cedo do que tarde, de explicar exactamente as contas da Caixa, como é que lá chegámos e como é que estamos. As responsabilidades não são deste Governo, bem sabemos que vêm de trás e não só do Governo anterior, mas também de outros antes, mas é bom que seja tudo esclarecido”. No entanto frisou que para o BE, a prioridade “é garantir que há uma recapitalização pública” da Caixa, e explicitou que isso “não significa concordar com tudo no que diz respeito à Caixa Geral de Depósitos (CGA) ou à forma como está a ser gerida”.
Pedindo que não se misture “o que não deve ser misturado” – a questão da capitalização com os salários dos gestores -, por ser “uma boa forma de levar as pessoas a aceitarem o que querem e o que não querem”, Catarina Martins afirmou que “no discurso sobre a CGD existe uma enorme pressão da direita e da Comissão Europeia, que sempre teve o plano da privatização da Caixa embora tenha sido obrigada a recuar”. “Ou seja, a mesma direita e a mesma Comissão Europeia que viram com tão bons olhos a recapitalização pública de bancos privados quer agora atacar a capitalização pública do banco publico. Isto é inaceitável. Portugal precisa de um banco público”, acrescentou.
Sobre os salários dos gestores públicos, Catarina Martins reafirmou que devem existir “regras bastante apertadas”, adiantando que nesta matéria o BE “não se limita a discordar do Governo” pois tem neste momento na Assembleia da República um projecto de lei sobre a limitação dos salários dos gestores públicos que, “se for aprovado, implica a todos, inclusivamente aos da CGD”.
O discurso parece-me um pouco confuso. Então o Bloco que sempre atacou a recapitalização dos bancos privados, concorda agora com a capitalização do banco publico, mesmo antes de serem apuradas as responsabilidades de tal acontecer?!
HSC

Nota: Hoje há http://oestadodaarte.blogspot.pt/

sexta-feira, 10 de junho de 2016

O Senhor Contente e o Senhor Feliz

Em que pais é possível encontrar a comanda-lo esta dupla? Em Portugal, claro. E onde poderia ser mais?
O pais tem um PM contente, pese embora os índices que se conhecem não serem exactamente para isso. Esperam-nos surpresas na Banca, o investimento não arranca, as importações aumentam e as exportações diminuem. Mas o turismo continua a deixar-nos dividendos apesar de Lisboa, em véspera de eleições se ter transformado num estaleiro.
O país tem um PR que nasceu para o ser, que diariamente mostra a sua felicidade nas televisões nacionais, e, suprema misericórdia, nem o PC nem o Bloco o hostilizam. Já não há austeridade, apesar de não haver mais dinheiro e de ser novamente com o nosso que a banca se irá financiar. E se for só ela, já devemos dar graças.
Com a CGD que vai precisar de 4 mil milhões, ninguém parece preocupar-se muito dado que até se encara aumentar o salário dos seus futuros administradores.
Com a emigração também se passam maravilhas. Antes insistia-se nos 500 mil que foram obrigados a sair, mas ultimamente só oiço falar de 250 mil. Não sei se os restantes já voltaram sem que tenhamos dado por isso...
Enfim, o país está sereno, o futebol anima as almas, o PM  está contente e o PR feliz. O que é que se pode desejar mais?!

HSC

quinta-feira, 9 de junho de 2016

Os milagres da ciência


Confesso-vos que tive de esperar um dia para escrever sobre este milagre da ciência, de manter viva uma mãe morta, para que esta pudesse dar ao filho, a vida que transportava consigo antes de ter sofrido um acidente vascular cerebral fatal.
Confesso-vos também a minha particular admiração pela família que assim decidiu e pela equipa de médicos que corporizou essa opção. Abençoado amor de mãe, abençoados pai e avós que irão criar esta criança numa altura da vida em que a maioria de nós apenas se dedica a gozar do afecto dos netos.
Talvez porque perdi um filho sem poder trocar a minha vida pela dele - o que não daria para o poder fazer ! - este caso comove-me profundamente. Porque fala dos milagres da ciência, mas também fala do amor ilimitado, sem esperança de retorno, que marca o sentimento que une pais e filhos.
Que o caminho desta criança e de todos os que nela se empenharam possa, no futuro, ser o espelho daquilo que uniu todos eles.

HSC

domingo, 5 de junho de 2016

Objectores de consciência

A vida tem coisas curiosas. Quando era pequena ouvia muitas vezes falar, em casa dos meus avós, dos objectores de consciência. Eram amigos que não concordavam com uma série de princípios que lhes impunham e com os quais não queriam viver. Era uma questão de liberdade e, por isso, muitos deles sairam de Portugal para países onde essas opções pessoais eram aceites. Tratava-se sobretudo de questões políticas. Mas não só.
Hoje, curiosamente, temos liberdade e portanto parece já não fazerem qualquer sentido tais  situações. Pura especulação. 
Pessoalmente - e não sou única - sinto-me objectora de consciência em relação a uma série de coisas às quais sou obrigada e com as quais não concordo. A única diferença é que ouso e posso dize-lo. Mas isso não altera o sentimento de que, sob muitos aspectos, me não é permitido fazer várias coisas às quais me julgo com direito. 
Logo, a liberdade não é o nó górdio do ser humano. É, sim, a capacidade que temos ou não de fazer algo com ela, não esquecendo que há sempre quem não possua esse poder de expressão!

HSC

As Mulheres de Camões


É sabido de quem me lê a estima e admiração que tenho por Maria João Lopo de Carvalho, como pessoa e como profissional.
Depois de ter escrito dois romances históricos, a "Marquesa de Alorna" e a "Padeira de Aljubarrota", que foram autênticos best sellers, a autora lançou agora "Até que o amor me mate", obra na qual pretende dar a conhecer o "poeta dos poetas, através das sete mulheres que amou", ao longo dos seus 55 anos de vida.
"Até que o Amor me Mate" é uma história de conquistas e esperas, de amores e desamores, de tempos de ventura e desventura, de ódios e paixões; uma história contada no feminino a sete vozes que, vindas de longe e atravessando terras e mares, encontram porto de abrigo na intimidade dos nossos corações. Esta é a história de um homem que em palavras, versos, estrofes consegue viajar no tempo para nos trazer a história singular de um mundo maior e de um amor maior. Uma história imortal que 500 anos depois continua viva, nova, próxima e presente."
Para escrever este percurso amoroso de Luis de Camões, Maria João Lopo de Carvalho, atravessou 16 cidades, passou aeroportos, voou dezenas de horas de mochila às costas, onde religiosamente colocara os Lusíadas. É obra!

HSC


sexta-feira, 3 de junho de 2016

Permitir e depois punir...


“As Finanças aceitarem durante quatro anos uma isenção de IVA para depois virem exigir o seu pagamento com juros é um assalto. Nisto, os profissionais das terapêuticas não convencionais têm toda a razão. Não a têm na exigência de um tratamento fiscal igual ao da medicina convencional. Se as opções individuais passassem a ocupar o lugar de políticas públicas com base nas evidências científicas possíveis, como cada um acredita no que quer não haveria limites para o disparate. E se eu quiser, com o dinheiro público, trocar o psiquiatra pela bruxa? E se eu quiser que me alinhem os chacras?
“…Os empresários e profissionais das terapêuticas não convencionais estão a protestar porque a Autoridade Tributária decidiu cobrar-lhes 23% de IVA. Consideram-se descriminados em relação à medicina tradicional. A cobrança está a ser feita com juros e multas relativas aos últimos quatro anos, já que as finanças decidiram agora que esta atividade não se poderia inscrever como isenta. A situação afeta osteopatas, homeopatas e acupuntores, entre outros.
Há uma parte, que me parece a mais relevante e urgente, em que estes profissionais têm razão: as Finanças aceitarem durante quatro anos uma isenção de IVA para depois virem exigir o seu pagamento com juros é um assalto. Pior: foram as próprias finanças que os enquadraram nas atividades de saúde isentas. Por isso, eles não cobraram IVA aos clientes e agora são massacrados pelo fisco. Nisto, os profissionais das terapêuticas não convencionais têm toda a razão.”

            In Expresso, excertos do texto de Daniel Oliveira

O Estado não deve ser neutro em assuntos que envolvam a saúde pública. Nem noutros, aliás. Assim, compreende-se que não reconheça o mesmo valor ao que tem validade científica e ao que resulta apenas da legítima convicção de cada um. 
Que a sociedade actual tenda a optar pelas medicinas alternativas é um facto e eu até o compreendo. Daí, que a regulamentação das terapias não convencionais sirva para proteger os consumidores e a saúde pública de pessoas que sem qualquer habilitação para o que fazem, se aproveitem de uma liberalização que não foi criada para eles.
Já o passo seguinte, da "equiparação de todos" à medicina convencional - e porque aqueles riscos existem -, deve impor critérios de grande rigor científico. Uma coisa é desejar ver regulamentadas práticas milenares de valor reconhecido, outra é dizer que estas são iguais às convencionais. Não são. E ao que é diferente deve dar-se tratamento específico. O que não quer dizer, atenção, mais oneroso.
Mas nada disto altera a razão que estes profissionais têm relativamente ao tratamento que as Finanças estão a aplicar-lhes, nem isenta quem o consente!

 HSC

quarta-feira, 1 de junho de 2016

As mulheres mais influentes em 2015

A revista Executiva, uma publicação online - com já duas edições em papel - que tem por objectivo dar a conhecer as mulheres que ao longo dos anos  - e muitas vezes num relativo anonimato - têm ajudado a construir e desenvolver o país, decidiu criar um prémio que pusesse em evidência o seu labor em prol da sociedade portuguesa.
A cerimónia decorreu ontem, ao fim da tarde, na Casa da Imprensa e reuniu muita gente que ali se deslocou a convite de Isabel Canha e Maria Serina, as duas directoras daquela publicação.
A lista de nomes distinguidos é extensa e variada, como se pode verificar no quadro acima. E, caso raro neste tipo de celebrações, não só os discursos das agraciadas foram inteligentes, como a abertura feita pela Secretária de Estado para a Cidadania e Igualdade, Catarina Marcelino, foi muito bem articulado e revelou alguém que me pareceu absolutamente comprometida com dar às mulheres a tal igualdade de oportunidades de que ainda não dispõem. Porque afinal é  também disso que se trata.
Estão, assim, de parabéns as organizadoras, as nomeadas, e até a representante do governo que, confesso, me impressionou muito positivamente.
Um bom e proveitoso fim de dia!

HSC