terça-feira, 8 de setembro de 2009

Um salto a Paris

Por muitíssimas e boas razões, gosto muito de Paris. Sinto-me em casa e corro para os meus locais de perdição. Mato saudades. Depois delicia-me passear pelas ruas, olhar as montras, entrar nas livrarias e sentar-me onde me apetece a ver as gentes passar.
Levo dois dias a ambientar-me. Só depois é que sinto que "estou" mesmo cá. E, nessa altura, confesso, tão longe das preocupações quotidianas, apodera-se de mim uma vontade muito grande de ficar . Um dia, possivelmente, e para surpresa de alguns, acabo mesmo a dividir-me entre o aí e o aqui.
É que em Paris tenho bons amigos e a diversidade da vida cultural é imensa. O difícil está só na escolha. Sobretudo, para quem vem apenas por uns dias. No meu caso particular, escolhi a sugestão dada por um conhecedor e fui ver, no Centro Cultural Calouste Gulbenkian, a exposição intitulada "No Feminino - Mulheres fotografam Mulheres" que tem a originalidade de reunir cento e quarenta trabalhos em que quer as fotógrafas quer as fotografadas - cerca de uma centena - são do género a que pertenço.
E, de caminho, claro,"livrei-me" das cansativas campanhas que, em Portugal, pretendem ensinar-me em quem votar. Trata-se, para já, de outra mais valia extraordinária.

H.S.C


segunda-feira, 7 de setembro de 2009

Só nos faltava esta...

Por dever de ofício lá tenho que assistir aos debates. Nuns sofro. Noutros rio. Noutros fico estupefacta. Como economista e na esperança de melhorar o meu entendimento, interessam-me particularmente os de Louçã e Ferreira Leite, ambos oficiais do meu ofício.
Soube-me a pouco o que pôs frente a frente esta dupla. Continuaremos a aguardar os desenvolvimentos e a esperar os resultados. De esclarecimentos, ainda não tive grandes ganhos. Mas, admito, o defeito será meu, que, ou sei demais ou sei de menos.
Mas o que aqui me ocupa hoje é a acérrima discussão que se estabeleceu entre os dois maiores acerca da propriedade da palavra "verdade". Alguém acredita que, num país com dezenas de problemas para resolver, os dois possíveis PM's se envolvam a perorar sobre quem tem direito a usar, com justiça, a dita palavra?
Já nem falo do conceito, porque a filosofia ensina-nos que cada um tem o seu. Falo, sim, do abuso que se faz dela, sem qualquer réstea de pudor. E, já agora, que verdade sobra para os restantes concorrentes? Alguém me esclarece sobre o silêncio ensurdecedor dos mesmos, a tal respeito?

H.S.C

sábado, 5 de setembro de 2009

Cartões vermelhos

A Teresa Santos do blogcronicasdateresa.blogspot.com desafiou-me para participar do "Cartão Vermelho", teste a dez pessoas, comportamentos ou factos que nos incomodem, nos desagradem, com os quais não concordemos e que consideremos merecedores da censura corporizada no dito cartão. Há a hipótese - facultativa - de justificar as punições. Depois e só depois, deveremos desafiar cinco blogues. E esperar pelos resultados.
Belo desafio. Aqui vai:
1. A lentidão da justiça,
2. A violência doméstica, seja ela física ou psicológica,
3. O racismo em qualquer das suas formas
4. A intolerância
5. A hipocrisia
6. A mentira deliberada
7. O predomínio do "ter" versus "ser"
8. O consumismo ofensivo
9. As promessas não cumpridas
10. A má educação

Tudo coisas simples que não precisam justificação. E que infelizmente vão fazendo cada vez mais parte do nosso dia dia. E desafio cinco blogues, a saber:

ocigarrilha.blogspot.com
criativemo-nos.blogspot.com
escrita em dia (blogda-se.blogspot.com)
anamoradadewittegenstein.blogspot.com
duas-ou-tres.blogspot.com
Aqui fica o desafio. Vamos à coragem

H.S.C

sexta-feira, 4 de setembro de 2009

Como já se esperava...

Confesso que apanhar debates televisivos e crises nos meios audio visuais não é pera doce para ninguém em vésperas de duas eleições. Muito menos para aqueles que, como eu, ainda estão a adaptar-se ao "estranho mundo do trabalho"...
Não me pronuncio sobre o primeiro debate entre o presidente do CDS e o Primeiro Ministro, como bem se compreenderá. Já sobre a "conversa de café" entre Jerónimo e Louçã, fiquei esclarecida. Sobretudo acerca daquilo que os uniu. Adiante. Veremos o que se segue.
O que já pairava no ar mas não se esperava fosse tão rápido, foi o que aconteceu na TVI. Não pretendo fazer do tema processo de intenção, mas que soa mal o que se passou, isso não restam quaisquer dúvidas.
Não interessa se Moura Guedes fazia ou não o que se desejava que fizesse. Cada um de nós era livre de ligar ou não o canal 4. Mas a forma como a pivot de sexta feira foi afastada é tudo menos correcta. E se há uma Autoridade para a Comunicação Social, ela tem a obrigação indeclinável e estrita de apurar responsabilidades.
Mas há um outro aspecto, a meu ver, igualmente grave. É a intromissão de um país estrangeiro no assunto. A ordem terá vindo, ao que a imprensa informa, de Madrid, nesta terça feira. E uma intervenção destas no conteúdo dum jornal nacional, é algo que merece reflexão profunda. Porque pode repetir-se se não for exemplarmente julgada!

H.S.C

quinta-feira, 3 de setembro de 2009

Passado...

"... O que se perdeu foi aquela coisa de encontrar as pessoas, aquele frémito de excitação, aquele friozinho na barriga de querer muito que este ou aquele menino aparecessem, a expectativa de quando se abriria a porta do Stone's e talvez no minuto seguinte vissemos a tal pessoa descer os degraus. Eu e o Nuno falávamos muito disso, era um sentimento comum. Mas o Nuno morreu, não tarda nada faz dois anos. E acho que já mais ninguém percebe..."
( "Le Temps retrouvé" em gotaderantamplan.blogspot.com de 28/08/09)
O texto que reproduzo fala de uma época que vivi em moldes bastante semelhantes aos da sua autora. Tanto, que na fotografia que acompanha o post, estão alguns amigos comuns de ontem e de hoje. Como é o caso da Anica Duarte Silva, que continuo a reencontrar em casa do meu querido Nicolau Breyner.
Mas o que trouxe esta "intimidade" à colacção não é falar do meu passado, mas sim da actualidade do seu conteúdo. Sei pouco da noite de hoje. Há muito que deixei de participar dela e os meus netos, pela idade que têm e por gosto pessoal, dedicam-nas mais a conviver com os amigos em casa dos respectivos pais. Ambos desportistas, não se deitam muito tarde e o mais velho tem a sua própria banda que lhe dá prazer e ocupa os tempos livres. Em resumo crianças normais, pelo menos, por enquanto.
Do que vejo na zona onde vivo fico preocupada. Saem das discotecas à hora em que vou comprar jornais e o lixo de copos nas ruas não deixa muitas dúvidas acerca do quanto se lá bebe. O quê e com que dinheiro é para mim um mistério. Quanto à idade que aparentam...isso é outra história. Alguns estão ainda a sair da adolescência. Pergunto-me sempre que pais terão estas quase crianças. É outro mistério.
Mas a Teresa tem razão. A noite lisboeta já não é o que era. Nem as noites do resto do país. Nem tão pouco as nossas vidas. Melhor? Pior? Difícil responder para quem não é passadista e não tem mais 20 anos... Mas que julgo que a nossa era melhor, isso não há dúvida!

H.S.C

quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Famílias e dinastias

Não referi aqui a morte do senador Edward Kennedy. A verdade é que me não senti com vontade de o fazer. O clã não tem a minha particular simpatia e acabei por explicar as minhas razões nos comentários feitos em dois blogues que frequento diariamente e que se haviam ocupado do tema.
Mas o nosso Embaixador em França, Dr Seixas da Costa, no seu duas-ou-tres.blogspot.com abordou o assunto numa vertente que eu achei muito curiosa, fazendo a distinção entre família e dinastia. E é aqui que reside o nó górdio da questão. Não gosto de heranças dinásticas.
Ora a família Kennedy foi, sobretudo, uma dinastia. Que estaria destinada a "reinar" a América.
É assim que eu os vejo. Possivelmente serei injusta. Mas quando dois irmãos lutam pela Presidência e são ambos assassinados e o terceiro é afastado porque um acidente de percurso terá impedido o desiderato, não parece difícil fazer este julgamento. Aliás, a história dos velhos emigrantes, seus pais, só corrobora que tal seria o fito para o qual foram educados.
Eu não aprecio particularmente este tipo de clãs, possivelmente por causa da minha própria aventura familiar: sogro, cunhado, marido, filhos, todos políticos. Se isto já é uma overdose, calcule-se o que poderá ter sido aquele outro tipo de ambição. Com uma diferença. É que nem a morte dos filhos alterou o sonho dos seus pais.
Depois, confesso, aquele catolicismo de origem irlandesa, sempre presente como uma marca de qualidade, num país que o não professa, provoca-me alguma irritação. Até porque a vida de cada um dos seus membros esteve longe de ser exemplo da dita religiosidade.
Mas é verdade que foi uma estirpe com um percurso dramático. E que aguentou firme, onde muitos teriam sossobrado. Para o bem ou para o mal, todavia, esse não é o meu modelo de família.

H.S.C

terça-feira, 1 de setembro de 2009

Os bons e os maus

Ainda estou "atoleimada" como dizem os açoreanos. É que depois de um mês sem notícias, chego ao continente e tenho dificuldade em me adaptar ao novo ritmo.
Hoje de manhã, enquanto tomava a sagrada bica no café da rua - apesar da bela Nespresso que possuo, continuo a sair para engolir a mistela acastanhada -, passei os olhos pelo Correio da Manhã, o jornal disponível na tasquinha, e li a crónica do meu estimado Francisco José Viegas.
O tema surpreendeu-me. Não devia. De certo foi por ter andado no nirvana e ter esquecido o que por cá se passava. Parece que Socrates terá insistido naquela blague de que eles, o PS e o seu chefe, é que serão os paradigmas da modernidade e da excelência. Os outros serão uns néscios que pretendem deitar mão a um país que, há quatro anos, é o paraíso na terra. É com este distinguo que se pretende enganar os tolos. Pior. Depois deles, ou melhor, sem eles, só a catástrofe nos pode acontecer.
Não será, já, altura de alguém dizer a estes senhores que estamos no sec XXI e não no sec XVIII? Que democracia implica diversidade de opiniões e que maltratar os opositores só os favorece? Que diabo, o eng. Sócrates começou no PSD e não devia esquecê-lo...

H.S.C