Parece que Obama terá enviado cartas de agradecimento ao Presidente da República e ao Primeiro Ministro. Diplomáticas, como seria de esperar. E simpáticas, ao associarem o nosso país e os seus respectivos chefes, à prossecução de um mundo mais seguro. Mas, certamente, graduadas pela importância dos países que o terão felicitado pela vitória...
Porém, nós que somos de oito ou oitenta, umas vezes pedintes e outras príncipes, logo entendemos dar às suas palavras, o sentido de que a América "conta" com Portugal na luta que trava pela segurança. Será que ninguém percebe que há missivas de circunstância e circunstâncias que explicam certas missivas?!
Muito possivelmente o Presidente dos EUA nem sequer olhou o que assinou - se é que a assinatura não foi digitalizada - porque há, na sua entourage, pessoas destacadas para este tipo de tarefas.
Mas, aqui no burgo, quem de direito, sem qualquer noção do ridículo, entendeu dar às cartas a publicidade que as mesmas não justificavam. Certamente para mostrar que Obama sabe e agradece a enorme importância de Portugal...
H.S.C
Análise séria e acutilante, humorada ou entristecida, do Portugal dos nossos dias, da cidadania nacional e do modo como somos governados e conduzidos. Mas também, um local onde se faz o retrato do mundo em que vivemos e que muitos bem gostariam que fosse melhor!
segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Nós por cá...
No jornal Destak o Ministério da Economia publica hoje um anúncio de página inteira em que publicita um desconto de 50% sobre o preço de venda de painéis solares.
Telefona-se para o referido Ministério e ninguém sabe onde se deve dirigir o individuo que pretenda usufruir do benefício. Insiste-se, referindo que se o anúncio é oficial, alguém deve saber fornecer a indicação ou então a mesma não deveria ser publicitada. Perante a obstinação de quem pergunta, pausa no telefonema. Minutos depois vem o esclarecimento. O interessado deverá dirigir-se a um banco e estabelecer com ele um contrato. Mas só a partir do dia 2 de Março...
Este é um exemplo típico de como se comunica com o cidadão. Primeiro, anuncia-se a medida como imediata. Depois, informa-se que afinal não é, mas que há-de vir a ser...
Alguém, já, se admira? Julgo que não!
H.S.C
Telefona-se para o referido Ministério e ninguém sabe onde se deve dirigir o individuo que pretenda usufruir do benefício. Insiste-se, referindo que se o anúncio é oficial, alguém deve saber fornecer a indicação ou então a mesma não deveria ser publicitada. Perante a obstinação de quem pergunta, pausa no telefonema. Minutos depois vem o esclarecimento. O interessado deverá dirigir-se a um banco e estabelecer com ele um contrato. Mas só a partir do dia 2 de Março...
Este é um exemplo típico de como se comunica com o cidadão. Primeiro, anuncia-se a medida como imediata. Depois, informa-se que afinal não é, mas que há-de vir a ser...
Alguém, já, se admira? Julgo que não!
H.S.C
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
O Futebol
Confesso que me dá muito prazer ver um bom jogo de futebol. Confesso que em estádio tenho que me controlar bastante para, por vezes, não dar uns gritos valentes. Confesso que tenho um clube preferido e um alternante para quando "o meu" não joga. Confesso, ainda, que me maravilho a ver o "puto maravilha" o qual, aliás, já começa a ter idade para ser tratado de outro modo.
Mas nada disto invalida que algo de perverso se passe neste mundo e que eu fique sempre estupefacta perante os milhões que o jogo movimenta e pelas astronómicas quantias que se pagam em salários e transferências.
Valerá mais o futebol do que a investigação, mais um jogador do que um cientista? Todos conhecemos os nomes dos craques. Alguém sabe quem são aqueles que na sombra dos seus gabinetes trabalham para melhorar a nossa vida?
Não haverá aqui uma profunda inversão de valores na qual, no fundo, todos nós temos um quinhão de responsabilidade?
HSC
Mas nada disto invalida que algo de perverso se passe neste mundo e que eu fique sempre estupefacta perante os milhões que o jogo movimenta e pelas astronómicas quantias que se pagam em salários e transferências.
Valerá mais o futebol do que a investigação, mais um jogador do que um cientista? Todos conhecemos os nomes dos craques. Alguém sabe quem são aqueles que na sombra dos seus gabinetes trabalham para melhorar a nossa vida?
Não haverá aqui uma profunda inversão de valores na qual, no fundo, todos nós temos um quinhão de responsabilidade?
HSC
sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009
O que um certo PS gosta...
"Eu cá gosto é de malhar na direita e gosto de malhar com especial prazer nesses sujeitos e sujeitas que se situam de facto à direita do PS. São das forças mais conservadoras que eu conheço e que gostam de se dizer de esquerda plebeia e chique".
( Frase atribuída a Augusto Santos Silva, actual Ministro dos Assuntos Parlamentares)
Ora aqui está uma frase à altura do discurso próprio dum ministro da actual situação. O democrata socialista gosta de malhar. De preferência na direita. E de caminho na esquerda caviar. Está no seu direito. E nós no nosso, ao achar lamentável este tipo de afirmações, em democracia.
Sabe-se, desconfia-se, quem o tolerante militante pretendia visar. Finíssimo no trato dos seus, como se vê. Como não será com aqueles que não pertencem à sua familia política?!
Eu sou uma das "sujeitas" que pode fazer parte do grupo em quem, com prazer, ele pretende malhar. Não sou da sua esquerda. Mas gostava de ser chique, só para ver como um homem socialista malha numa mulher, sem ser acusado de violência e de cometer um crime público!
Aqui está um belo exemplo da qualidade de alguns dos nossos governantes. Mais comentários para quê?
H.S.C
( Frase atribuída a Augusto Santos Silva, actual Ministro dos Assuntos Parlamentares)
Ora aqui está uma frase à altura do discurso próprio dum ministro da actual situação. O democrata socialista gosta de malhar. De preferência na direita. E de caminho na esquerda caviar. Está no seu direito. E nós no nosso, ao achar lamentável este tipo de afirmações, em democracia.
Sabe-se, desconfia-se, quem o tolerante militante pretendia visar. Finíssimo no trato dos seus, como se vê. Como não será com aqueles que não pertencem à sua familia política?!
Eu sou uma das "sujeitas" que pode fazer parte do grupo em quem, com prazer, ele pretende malhar. Não sou da sua esquerda. Mas gostava de ser chique, só para ver como um homem socialista malha numa mulher, sem ser acusado de violência e de cometer um crime público!
Aqui está um belo exemplo da qualidade de alguns dos nossos governantes. Mais comentários para quê?
H.S.C
quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009
Nacionalizem os buracos...
Já não consigo ler as notícias nacionais por inteiro. A útima "caxa" sobre a crise que nos aflige, revela que o buraco do BPN atinge, na actualidade, mais de metade do custo do novo aeroporto! Ou seja, o que "se conhece", que ronda os 1800 milhões de euros constitui, assim, o dobro do que se previa. E isto é "só" o que se conhece...
A este ritmo daqui a um mês já não vale a pena construir-se o novo aérodromo, porque ele cabe inteirinho no buraco virtual da falecida instituição privada, agora renascida como banco nacionalizado.
Passo por Lisboa e na zona onde resido os buracos nas ruas constituem verdadeiras obras de filigrana em alcatrão. Saltitando neste rendilhado, lembrei-me de propor ao Dr António Costa que nacionalize as cavidades lisboetas. Era uma atitude que resolveria, de imediato, o problema das suspensões dos utilitários de todos nós, para além de constituir uma forma de justiça distributiva dum dinheiro que ninguém suspeitava que tivessemos.
A última versão a que assisti, mostrava dois carros enfaixados na mesma medonha fractura térrea, sita na rua Borges Carneiro, mesmo à porta do Chef, casa conhecida por alimentar vários políticos da nossa praça. Parece que as donas e empregadas do tal altar da gastronomia já terão reclamado várias vezes, sem resultado!
Assim, insisto, por favor, senhor Presidente da Camara Municipal de Lisboa, candidate-se à nacionalização de todos os buracos da capital, para evitar quedas maiores do que aquelas que já demos.
H.S.C
A este ritmo daqui a um mês já não vale a pena construir-se o novo aérodromo, porque ele cabe inteirinho no buraco virtual da falecida instituição privada, agora renascida como banco nacionalizado.
Passo por Lisboa e na zona onde resido os buracos nas ruas constituem verdadeiras obras de filigrana em alcatrão. Saltitando neste rendilhado, lembrei-me de propor ao Dr António Costa que nacionalize as cavidades lisboetas. Era uma atitude que resolveria, de imediato, o problema das suspensões dos utilitários de todos nós, para além de constituir uma forma de justiça distributiva dum dinheiro que ninguém suspeitava que tivessemos.
A última versão a que assisti, mostrava dois carros enfaixados na mesma medonha fractura térrea, sita na rua Borges Carneiro, mesmo à porta do Chef, casa conhecida por alimentar vários políticos da nossa praça. Parece que as donas e empregadas do tal altar da gastronomia já terão reclamado várias vezes, sem resultado!
Assim, insisto, por favor, senhor Presidente da Camara Municipal de Lisboa, candidate-se à nacionalização de todos os buracos da capital, para evitar quedas maiores do que aquelas que já demos.
H.S.C
segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009
Mulheres
"Esquecer uma mulher inteligente custa um número incalculável de mulheres estupidas"
( Frase atribuída a António Lobo Antunes)
Hoje não me apetece falar do estado do país. De manhã, estive no programa Fatima a comentar o aumento das taxas moderadoras. Por isso, já desabafei sobre o quotidiano socio-político da terrinha.
Prefiro ocupar-me dum mail que me enviaram com a frase que cito acima. Tenho muita admiração pelo indigitado autor, mas jugo que a afirmação não respeita apenas as mulheres. Porque esquecer um homem inteligente dá, também, um trabalho imenso. E, se houvesse verdadeira igualdade de sexos, seguramente que muitas de nós confessariam quantos homens estúpidos esse esquecimento lhes teria custado. E suportar homens menos dotados intelectualmente, é capaz de ser muitíssimo indigesto!
O problema é que os homens só em teoria apreciam mulheres inteligentes. Na prática, isto é no quotidiano, preferem, quase sempre as outras, que dão manifestamente muito menos trabalho.
Durante anos a inteligência foi, para mim, junto com a cultura, a condição indispensável do meu interesse por alguém. Hoje, com muita vida vivida, dou primazia ao carácter. Porque aquelas sem este, não têm qualquer valor!
H.S.C
( Frase atribuída a António Lobo Antunes)
Hoje não me apetece falar do estado do país. De manhã, estive no programa Fatima a comentar o aumento das taxas moderadoras. Por isso, já desabafei sobre o quotidiano socio-político da terrinha.
Prefiro ocupar-me dum mail que me enviaram com a frase que cito acima. Tenho muita admiração pelo indigitado autor, mas jugo que a afirmação não respeita apenas as mulheres. Porque esquecer um homem inteligente dá, também, um trabalho imenso. E, se houvesse verdadeira igualdade de sexos, seguramente que muitas de nós confessariam quantos homens estúpidos esse esquecimento lhes teria custado. E suportar homens menos dotados intelectualmente, é capaz de ser muitíssimo indigesto!
O problema é que os homens só em teoria apreciam mulheres inteligentes. Na prática, isto é no quotidiano, preferem, quase sempre as outras, que dão manifestamente muito menos trabalho.
Durante anos a inteligência foi, para mim, junto com a cultura, a condição indispensável do meu interesse por alguém. Hoje, com muita vida vivida, dou primazia ao carácter. Porque aquelas sem este, não têm qualquer valor!
H.S.C
domingo, 1 de fevereiro de 2009
O silêncio dos bons
"O que mais me preocupa não é o grito dos violentos,
nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem
carácter, nem dos sem ética.
O que mais me preocupa é o silêncio dos bons"
( Frase atribuída a Martin Luther King)
Há afirmações que não precisam que se lhes acrescente nada mais. A verdade é tão forte que constitui um murro no estomago de quem se sinta vivo.
Durante anos assisti ao silêncio de muitos "bons", cuja coragem apenas era proporcional ao medo que os calava. Medo próprio e medo por aqueles que os rodeavam, em particular a família. Não me sinto capaz de os julgar.
Tentei, ao longo da minha vida, não silenciar ninguém com os meus medos. Que também exitiram. E existem, claro. Mas as injustiças, quando nos acontecem têm, muitas vezes, o efeito surpreendente de nos tornar mais fortes. Porque já fui objecto - não vítima, papel que recuso - de algumas e porque já ninguém depende de mim a não ser eu própria, há bastante tempo que me dou ao luxo de dizer o que penso. E de incentivar os meus netos a fazerem o mesmo. Como fiz com os meus filhos.
Se houver um só leitor a quem eu dê força para me seguir, fico muito feliz. Porque sinto que, afinal, continua a haver bons que ninguém silencia.
H.S.C
nem dos corruptos, nem dos desonestos, nem dos sem
carácter, nem dos sem ética.
O que mais me preocupa é o silêncio dos bons"
( Frase atribuída a Martin Luther King)
Há afirmações que não precisam que se lhes acrescente nada mais. A verdade é tão forte que constitui um murro no estomago de quem se sinta vivo.
Durante anos assisti ao silêncio de muitos "bons", cuja coragem apenas era proporcional ao medo que os calava. Medo próprio e medo por aqueles que os rodeavam, em particular a família. Não me sinto capaz de os julgar.
Tentei, ao longo da minha vida, não silenciar ninguém com os meus medos. Que também exitiram. E existem, claro. Mas as injustiças, quando nos acontecem têm, muitas vezes, o efeito surpreendente de nos tornar mais fortes. Porque já fui objecto - não vítima, papel que recuso - de algumas e porque já ninguém depende de mim a não ser eu própria, há bastante tempo que me dou ao luxo de dizer o que penso. E de incentivar os meus netos a fazerem o mesmo. Como fiz com os meus filhos.
Se houver um só leitor a quem eu dê força para me seguir, fico muito feliz. Porque sinto que, afinal, continua a haver bons que ninguém silencia.
H.S.C
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