terça-feira, 26 de dezembro de 2017

À bon entendeur salut!

Mas nenhum político além de Bagão Félix se indigna ou se interroga sobre o “negócio” Montepio Geral / Santa Casa da Misericórdia?
O Governo não pia, nem lhe convém piar. O Presidente da República está distraído. A Igreja, surpreendentemente, parece alheia ao assunto. A comunicação social não vê na questão tema que cative audiências e apenas se salva, honrosamente, António Costa do jornal ECO.
Estamos todos tão contentes que nos não importamos de desviar a pequena minudência de 200 milhões de euros, para fins diferentes daqueles que deveriam ser os seus usando, com despudor, a insólita via da Santa Casa e o anuncio da criação de um milagroso “banco social” destinado a salvar um banco?
Pegar em 200 milhões de euros para entrar no capital de uma instituição cujas condições são tristemente conhecidas, viola todos os princípios em que assenta a Misericórdia, nomeadamente:

1. a proporcionalidade dos fins estatutários,
2. a probidade institucional,
3. o equilíbrio estrutural de balanço. É que os 200 milhões são cerca de 1/3 dos seus “capitais próprios”.
4. a matriz cristã que a deve enformar  
5. o respeito da opção preferencial de apoio aos mais desprotegidos

A factura há-de vir mais tarde, quando já ninguém se lembrar.  E surgirá com a agravante - quanto aos pagadores – de juntar aos contribuintes, os beneficiários da acção social da Santa Casa. 
Difícil de perceber? Nada. É que nessa altura, como diz e bem Bagão Félix, de santa ela já  terá pouco e de casa, quem sabe, mais parecerá... uma loja!
À bon entendeur, salut, como dizem os franceses.

HSC

3 comentários:

João Menéres disse...

Depois da escandaleira à socapa ( também ) dos benefícios milagrosos votados por QUASE todos os partidos em seu próprio proveito, já ninguém tem mão nestes desvarios.

Melhores cumprimentos.

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro Joáo Menéres
O meu amigo a falar e eu a escrever. Transmissão de pensamento!

Maria Isabel Mesquita disse...

Como diria a minha avó se fosse viva" muito há-de ver quem não morrer" . Mas vai ver muita coisa torta, ai se vai.
Anda tudo doido.
Maria Isabel