terça-feira, 20 de janeiro de 2026

DE QUE LADO ESTÁ O CORAÇÃO?

Enquanto ia na maca para a sala de operações, talvez já um pouco sedada, a questão que eu levantava a mim mesma, era a de não saber de que lado estava o meu coração, porque era ele que ia ser reparado. Ainda hoje me rio, com este quadro clínico. Quando já estava acordada, meia zonza, mas a insistir na pergunta, lembro-me de que alguém, dada a estranheza da minha pergunta, terá tido a paciência de me contar esta história.

O coração humano está localizado predominantemente do lado esquerdo do tórax, entre os pulmões, ligeiramente inclinado para a esquerda. Embora muitas pessoas imaginem que ele fique totalmente à esquerda, na verdade ele encontra-se quase no centro do peito, com cerca de dois terços de sua massa voltados para o lado esquerdo do corpo.

Do ponto de vista anatómico, essa posição facilita a distribuição eficiente do sangue para todo o organismo. O coração funciona como uma bomba incansável, responsável por levar oxigénio e nutrientes às células e retirar substâncias que o corpo não precisa. O seu lado esquerdo é especialmente importante, pois é ali que ocorre o bombeamento do sangue rico em oxigénio para todo o corpo através da artéria aorta”.

Sei hoje, que a minha pergunta “de que lado está o coração?” ultrapassava a biologia. Simbolicamente, eu sabia que o coração é associado aos sentimentos, ao amor, à empatia e às escolhas humanas. E era justamente essa, a minha preocupação. Porque também sentia, com alguma lucidez, que nesse sentido, ele não está apenas à esquerda ou à direita. Está do lado das atitudes, das decisões que tomamos e da forma como nos relacionamos com os outros. Porque enquanto a ciência nos ensina que o coração está fisicamente do lado esquerdo do peito, a vida nos lembra que, simbolicamente, ele está sempre do lado daquilo que nos torna mais humanos. Nessa altura o pano desceu e eu adormeci, para mais tarde recordar tudo isto!

 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

O fator aleatório na nossa vida

O fator aleatório na nossa vida é aquela força invisível que rompe a ilusão de controle. Planejamos, calculamos, tomamos decisões racionais — e, ainda assim, um encontro casual, um atraso, uma palavra dita no momento errado (ou certo) pode mudar tudo.

Esse acaso não significa ausência de sentido. Muitas vezes, ele atua como um catalisador: revela quem somos quando o roteiro falha. Uma demissão inesperada pode abrir um caminho mais autêntico; um erro pode gerar aprendizagem; um imprevisto pode criar vínculos que jamais existiriam se tudo fosse previsível.

Vivemos numa tensão constante entre escolha e sorte. As nossas ações importam — moldam probabilidades —, mas não determinam totalmente os resultados. Reconhecer isso pode ser libertador. Em vez de buscar controle absoluto, aprendemos a cultivar flexibilidade, resiliência e atenção ao presente.

Talvez a sabedoria esteja em fazer o melhor possível com o que depende de nós e, ao mesmo tempo, aceitar que o aleatório faz parte do jogo. Afinal, é justamente essa imprevisibilidade que torna a vida menos mecânica e, paradoxalmente, mais humana

 

domingo, 18 de janeiro de 2026

A CAMINHO DA SEGUNDA VOLTA

Acabou a primeira volta das Eleições. Parecem estar definidos os candidatos à segunda, Não vai ser fácil viver neste tumulto, agora em numero mais limitado, outra vez ...

Dá mesmo uma sensação de recomeço do aperto. A primeira volta termina, mas o clima não acalma — às vezes até fica mais tenso, porque agora tudo se polariza de vez.

Viver este período pode ser cansativo. Mas talvez ajude lembrar que:

  • não se é obrigado(a) a acompanhar tudo o tempo todo;
  • escolher quando e onde se informar, já é uma forma de autocuidado;
  • dá para discordar do tumulto sem se desligar da realidade.
  • Emocionalmente: sensação de cansaço, irritação, ansiedade, desânimo ou até um aperto difícil de explicar.
  • No dia a dia: dificuldade de se concentrar, vontade de se desligar de notícias/redes, rotina mais pesada, menos energia.
  • Nas relações: evitar certos assuntos, tensão com familiares/colegas, medo de conflito, afastamento de algumas pessoas.

Não precisamos elaborar muito — podemos dizer algo como “mais emocional”, “mais nas relações” ou “um pouco de tudo”. 

sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

APÓS O VOTO

Depois de votar, fica no ar uma sensação difícil de definir. É uma mistura de alívio por ter cumprido um dever cívico e de inquietação pelo peso da escolha feita. O gesto é simples — um papel, uma cruz, uma urna — mas o significado é profundo. Por alguns instantes, sente-se que a própria voz ganhou forma, ainda que pequena, dentro de um processo muito maior.

Há também um silêncio interior que acompanha o momento seguinte: perguntas sobre o futuro, dúvidas sobre se a decisão foi a melhor, esperança de que o voto represente mudança ou, ao menos, continuidade responsável. O estado anímico oscila entre a confiança e a apreensão, entre o orgulho de participar e a consciência de que os resultados escapam ao controlo individual.

No fim, votar deixa uma marca emocional discreta, mas duradoura. É a sensação de pertença a uma comunidade que decide em conjunto, carregando tanto expectativas como receios. Mesmo sem certezas, permanece a ideia de que participar importa — e que, naquele breve momento, cada escolha contou.

 

quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

AS NOSSAS ELEIÇÕES (Entre o sério e o sorriso)

Chegou a época das eleições, esse período mágico em que ninguém tem passado, todos têm esqueletos no armário e alguns até descobrem que o armário afinal era um motel. Não faltou nada: corrupção, cunhas, mensagens apagadas, amizades repentinas, moralidade retroativa e, claro, sexo — porque sem sexo não há campanha digna desse nome.

Os programas eleitorais passam para segundo plano, substituídos por dossiês, memórias seletivas e denúncias arqueológicas. Vale tudo: escândalos fresquinhos, boatos requentados e até acusações que parecem ter sido desenterradas com pincel e cuidado, como fósseis. Melhor do que isto só mesmo o caso do Iglesias, que aos 81 anos é agora apontado por alegados assédios cometidos há 30 — um prodígio temporal que faz da política a única ciência onde se envelhece para trás.

Nesta altura, não se escolhem ideias, escolhem-se sobreviventes. Ganha quem tropeça menos nas pedras que convenientemente aparecem no caminho — pedras essas que ninguém viu durante anos, mas que brotam do chão assim que alguém sobe nas sondagens.

No fim, vota-se cansado, desconfiado e com a sensação de que participou não numa eleição, mas numa novela mal escrita, onde todos juram inocência, todos têm provas “graves” e a verdade… bem, a verdade ficou presa numa comissão parlamentar qualquer.

 

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

À espera dos resultados eleitorais,

O país quase sustém a respiração.
Não são apenas resultados que se aguardam,
mas caminhos possíveis para a nossa forma de viver em conjunto.

Em cada número há decisões que chegam à escola, ao hospital,
ao trabalho, à casa onde se tenta chegar ao fim do mês.
Há direitos que podem ser fortalecidos ou fragilizados,
há vozes que podem ser ouvidas — ou silenciadas.

A espera é tensa porque sabemos que a escolha não é neutra.
Ela define quem é protegido, quem é esquecido
e que ideia de futuro estamos dispostos a defender.
Entre a esperança e o receio, aguardamos,
conscientes de que amanhã pode exigir mais luta
ou permitir mais dignidade.

 

terça-feira, 13 de janeiro de 2026

A alegada calúnia sobre Cotrim Figueiredo pode acabar por o beneficiar

Não falo habitualmente de política. Especialmente, num quadro eleitoral como este que atravessamos que ultrapassa tudo o que se considera democrático. Mas vou abrir uma exceção,

Na vida pública, nem todas as tentativas de difamação produzem o efeito desejado. Em alguns casos, uma alegada calúnia dirigida a uma figura política pode transformar-se num fator de fortalecimento da sua imagem. Quando a acusação é percebida como injusta ou infundada, a reação do público tende a ser de solidariedade e defesa do visado.

No caso de Cotrim Figueiredo, se surgirem ataques que não sejam sustentados por provas, estes podem contribuir para reforçar a sua credibilidade e visibilidade. A atenção mediática gerada por situações deste tipo, muitas vezes permite que o próprio esclareça os factos, reafirme os seus valores e consolide a confiança dos seus apoiantes.

Além disso, numa sociedade cada vez mais atenta à desinformação, acusações levianas podem prejudicar mais quem as faz do que quem as recebe. O público tende a valorizar a coerência, a transparência e a postura serena perante a adversidade, o que pode transformar um ataque num ganho político e pessoal.

Assim, embora a calúnia seja sempre condenável, a verdade é que, em certos contextos, ela não só não atinge o seu objetivo, como pode acabar por compensar quem é alvo dela, fortalecendo a sua posição perante a opinião pública.