Quando qualquer escolha é má, não estamos diante de um dilema
comum, mas de um território onde a lógica falha e a consciência pesa. É o
momento em que todas as alternativas carregam perdas, culpas ou consequências,
que ferem algo essencial. Não há saída limpa, não há decisão que permita dormir
em paz, sem que uma parte de nós fique acordada, cobrando explicações.
Nessas situações, escolher deixa de ser um ato de vontade e
passa a ser um ato de resistência. Não se escolhe o bem, mas o mal que parece
menos destrutivo, menos definitivo, menos contrário àquilo que acreditamos ser.
Ainda assim, a sensação de falha persiste, porque o critério não é a vitória, e
sim a sobrevivência — moral, emocional ou até física.
Quando qualquer escolha é má, o silêncio interior se torna
ensurdecedor. Pensamos mais, adiamos mais, desejamos que alguém decida por nós,
ou que o problema desapareça sozinho. Mas a ausência de escolha também é uma
escolha, e muitas vezes a mais cruel, pois entrega o controle ao acaso ou ao
medo.
Esses dilemas revelam algo profundo sobre a condição humana.
É que nem sempre somos livres para fazer o certo, apenas responsáveis pelo que
fazemos, diante do inevitável. É nesse ponto que a ética deixa de ser ideal e
se torna trágica. Não há heróis, apenas pessoas tentando minimizar danos num
mundo imperfeito.
Talvez a aprendizagem mais dura seja aceitar que errar,
nesses casos, não significa falhar como pessoa. Significa apenas que a
realidade impôs limites ao que era possível. Quando qualquer escolha é má, o
que resta não é a certeza, mas a honestidade consigo mesmo, de escolher sabendo
o peso, assumir as consequências e seguir em frente, mesmo carregando
cicatrizes.
Porque, às vezes, viver é exatamente isso: continuar, mesmo
quando nenhuma opção parece certa.