sábado, 7 de novembro de 2026

A ESCOLHA PARTIDÁRIA

 

Uma pessoa honesta poderá entrar na política porque acredita que os partidos são, apesar de todas as suas imperfeições, instrumentos essenciais da democracia. Porque entende que ficar de fora, limitando-se a criticar, também é uma forma de deixar o espaço livre para aqueles cujas motivações podem não ser as mais nobres.

Mas há um preço. A filiação partidária exige, ou parece exigir, uma capacidade de integração num coletivo, de aceitação de hierarquias e de disciplina. E é precisamente aí que pode surgir o conflito: até onde se pode ir em nome da pertença a um partido sem trair a própria consciência?

A honestidade, na política, não deveria ser uma qualidade excecional nem uma bandeira de circunstância. Deveria ser uma condição de entrada e uma exigência permanente. Não significa ser perfeito, nem acreditar que se tem sempre razão. Significa não abdicar da liberdade de pensamento, não pactuar com aquilo que se considera errado e não trocar convicções por lugares, favores ou protagonismo.

Talvez o que ainda possa atrair uma pessoa honesta seja a possibilidade de contrariar, por dentro, aquilo que tantas vezes critica por fora. De tentar mudar práticas, devolver dignidade à participação política e demonstrar que a fidelidade a um partido nunca poderá estar acima da fidelidade aos princípios.

Mas há uma pergunta que cada pessoa deverá fazer a si própria antes de entrar: estou disposta a mudar a política ou corro o risco de deixar que a política me mude?

Porque entrar num partido pode ser um ato de cidadania. Permanecer nele, sem perder a independência de pensamento e a integridade moral, pode ser um verdadeiro exercício de coragem.

sexta-feira, 6 de novembro de 2026

O JANTAR ANUAL DE CELEBRAÇÃO DE JOSÉ AGUALUZA

Há encontros que são muito mais do que simples jantares. Mais do que nos juntarmos no seu aniversário, gesto de que ele tanto gostava. São momentos de amizade, partilha, admiração e celebração em que embora ele não esteja fisicamente presente, tudo o relembra

O jantar anual de celebração de José Agualuza é uma ocasião especial para reunir os seus amigos mais chegados, a chamada GRUPA, amigos, admiradores que reconhecem o valor de uma personalidade cuja obra e percurso tanto contribuíram para a valorização da marca Perfumes& Companhia.

À volta da mesa, cruzam-se histórias, memórias, conversas e afetos. Celebra-se o profissional, o homem, a sua criatividade, a sua liberdade de pensamento e a capacidade única de transformar palavras em pontes entre o ambiente da perfumaria em Portugal

Mais do que homenagear uma carreira, este jantar celebra a amizade, a generosidade e o privilégio de partilhar momentos com alguém que continua a inspirar tantos de nós.

Porque há pessoas que merecem ser celebradas não apenas pelo que fazem, mas também pela marca que deixam em todos aqueles que têm o privilégio de as conhecer.

Um brinde ao nosso José Agualuza, à amizade e a muitos mais encontros felizes!

quinta-feira, 5 de novembro de 2026

AS PLÁSTICAS (QUE EU NÃO FAÇO)

Nada tenho contra as cirurgias plásticas. Cada um é livre de fazer o que entender com o seu corpo. Há quem invista em viagens, quem prefira obras em casa e quem opte por remodelar a fachada. São escolhas!

Eu, por enquanto, decidi não entrar nessa corrida contra o tempo. Até porque, convenhamos, o tempo costuma ganhar. E não há bisturi que consiga convencê-lo do contrário!

Não tenho vontade de apagar as rugas, esticar o que a gravidade, com a sua persistência habitual, resolveu fazer descer, nem de trocar a minha expressão por aquela cara universal, ligeiramente imóvel, de quem parece estar sempre à espera de uma fotografia.

As minhas rugas têm currículo. Já viram muitas gargalhadas, algumas lágrimas, umas quantas indignações e, certamente, demasiadas surpresas. Não são propriamente decoração, são experiência acumulada!

Também não ambiciono ter 30 anos para sempre. Seria até um desperdício: já passei dessa fase e, felizmente, aprendi algumas coisas pelo caminho.

Admiro quem se sente melhor depois de uma intervenção estética. Mas não me seduz a ideia de entrar numa clínica com uma fotografia antiga e sair de lá com uma versão atualizada, embora com algumas funcionalidades expressivas desativadas.

Prefiro continuar a reconhecer-me ao espelho, mesmo que ele, por vezes, seja pouco diplomático.

Não quero parecer mais nova. Quero parecer eu. Com rugas, expressão, sentido de humor e alguma irreverência.

Afinal, envelhecer é inevitável. Ficar sem personalidade por medo de parecer velha é que me parece uma cirurgia verdadeiramente dispensável!

 

quarta-feira, 4 de novembro de 2026

PORQUE ESCREVEMOS?

Escrevemos porque temos necessidade de comunicar, de expressar aquilo que sentimos, pensamos e imaginamos. Escrevemos para dar voz às nossas emoções, partilhar ideias, contar histórias e transmitir conhecimentos.

Escrevemos porque nem sempre conseguimos dizer tudo através da palavra falada. Às vezes, a escrita permite-nos encontrar as palavras certas para expressar aquilo que nos vai na alma.

Escrevemos para recordar o passado, compreender o presente e imaginar o futuro. Escrevemos para guardar memórias, eternizar momentos, fazer perguntas e procurar respostas.

Escrevemos para nos conhecermos melhor, para organizar os nossos pensamentos e, por vezes, para aliviar o coração. Escrevemos para chegar aos outros, mesmo quando estão longe, e para deixar um pouco de nós em cada palavra.

Escrevemos porque as palavras têm o poder de aproximar pessoas, despertar sentimentos, transformar pensamentos e mudar o mundo.

No fundo, escrevemos porque temos algo a dizer, algo a partilhar e uma vontade imensa de deixar a nossa marca no mundo.

Escrever é dar vida ao pensamento e transformar sentimentos em palavras.

 

segunda-feira, 2 de novembro de 2026

Como é bom mudar de vida!

Mudei de vida há pouco mais de três meses. Nem calculava o que de bom essa resolução me trouxe. Nem quase me reconheço, mas agora sou mesmo eu.

Como é bom mudar de vida! Como é bom olhar para trás e perceber que já não somos a mesma pessoa, que aprendemos, crescemos e tivemos coragem de deixar para trás aquilo que já não nos fazia feliz.

Mudar de vida é abrir as portas a novas oportunidades, descobrir novos caminhos e permitir-nos viver de uma forma mais leve, tranquila e verdadeira. É deixar de aceitar menos do que merecemos, afastar o que nos tira a paz e escolher aquilo que faz bem ao nosso coração.

Nem sempre é fácil mudar. Exige coragem, determinação e, por vezes, a capacidade de recomeçar do zero. Mas há uma felicidade especial em perceber que estamos finalmente a viver a vida que desejamos, e não aquela que os outros esperam de nós.

A vida é demasiado curta para permanecermos em lugares onde não somos felizes. Nunca é tarde para recomeçar, para sonhar, para mudar de rumo e para escolher ser feliz.

Como é bom mudar de vida! Como é bom sentir paz, recuperar o sorriso e perceber que, afinal, a melhor decisão que podemos tomar é aquela que nos aproxima da nossa felicidade. 

sábado, 31 de outubro de 2026

Há diversas formas de felicidade

Há bastantes anos que estudo o tema da felicidade. Continuo a fazê-lo.

A felicidade não tem uma única forma, nem se manifesta da mesma maneira para todas as pessoas. Há diversas formas de felicidade, e cada um encontra a sua à sua maneira, de acordo com os seus sonhos, valores e experiências de vida.

Para uns, a felicidade está nas pequenas coisas do quotidiano: um café partilhado, um abraço apertado, uma conversa sincera ou um passeio junto ao mar. Para outros, está na concretização de um sonho, no sucesso profissional, numa viagem, no amor ou na descoberta de novos caminhos.

Há também a felicidade que nasce da tranquilidade, de aceitar quem somos, de viver em paz com as nossas escolhas e de saber apreciar aquilo que temos. Por vezes, ela encontra-se na companhia de quem amamos; outras vezes, na liberdade de estarmos connosco próprios.

Nem sempre a felicidade significa rir, festejar ou ter tudo o que desejamos. Às vezes, é simplesmente sentir serenidade, ultrapassar uma dificuldade, recuperar a esperança ou encontrar beleza num dia aparentemente igual a tantos outros.

Talvez o segredo esteja precisamente em compreender que não existe uma receita universal para ser feliz. Cada pessoa tem o seu próprio caminho, o seu tempo e a sua maneira de sentir.

Porque, afinal, há diversas formas de felicidade, e todas são válidas, quando nos fazem sentir que a vida vale a pena. 

quarta-feira, 28 de outubro de 2026

A ARTE DE CRUCIFICAR

Há muitas formas de crucificar alguém, sem sequer tocar no seu corpo. Às vezes, basta uma palavra maldosa, um julgamento precipitado, uma acusação injusta ou um olhar carregado de desprezo, para fazer alguém sofrer em silêncio.

Vivemos num mundo em que muitas pessoas se sentem no direito de julgar a vida dos outros, apontar os seus erros e condenar as suas escolhas, como se fossem perfeitas e nunca tivessem falhado. Esquecem-se, claro, de que por detrás de cada rosto, existe uma história que desconhecem, feridas que não veem e batalhas que não imaginam.

É fácil atirar pedras, quando não somos nós que estamos no centro da tempestade. É fácil condenar, quando não conhecemos a verdade por inteiro. Difícil é ter empatia, estender a mão, ouvir sem julgar e compreender que todos somos humanos, todos erramos e todos precisamos, em algum momento da vida, de compreensão e perdão.

Antes de crucificar alguém com palavras, convém lembrar as  próprias fragilidades Antes de condenar uma história, procure conhecer os seus capítulos. E antes de apontar o dedo, olhe para dentro de si, porque ninguém é tão perfeito que tenha o direito de se considerar juiz da vida alheia. Já basta os que foram incumbidos de tal função!

Que nunca nos falte humanidade para compreender, humildade para reconhecer os nossos próprios erros e sabedoria para perceber que, muitas vezes, o silêncio é mais nobre do que o julgamento.

Porque destruir alguém com palavras pode levar apenas alguns segundos, mas as marcas deixadas no coração podem durar uma vida inteira.

Não crucifiquemos quem já tenta sobreviver às suas próprias dores. Sejamos abrigo, não tempestade; compreensão, não condenação. Afinal, o mundo já tem sofrimento suficiente para que sejamos nós a acrescentar-lhe mais.