Durante muito tempo, estudar foi considerado como o caminho
mais seguro para a subida na vida. Tirar boas notas, fazer uma faculdade,
conquistar um diploma eram os meios de garantir um bom emprego e estabilidade
financeira. Hoje, no entanto, para muitas pessoas, essa promessa parece cada
vez mais distante da realidade.
O mercado de trabalho mudou. Os diplomas multiplicaram-se,
mas as oportunidades de qualidade não acompanharam o mesmo ritmo. Muitos
profissionais, altamente qualificados, enfrentam salários baixos, contratos
precários ou até o desemprego. Ao mesmo tempo, vemos pessoas sem formação académica
tradicional, obterem sucesso financeiro por meio do empreendedorismo, das redes
sociais ou de trabalhos informais, o que reforça a sensação de que estudar
deixou de compensar.
Além disso, o custo da educação é alto. Anos de dedicação,
mensalidades caras, transporte, materiais e, muitas vezes, dívidas. Quando o
retorno não vem na forma de reconhecimento profissional ou estabilidade, a
frustração é inevitável. Estudar passa a ser visto não como investimento, mas
como um risco.
No entanto, afirmar que estudar não compensa, pode ser uma
generalização perigosa. O problema talvez não esteja no ato de estudar, mas no
modelo de educação e nas expectativas criadas em torno dele. Estudar, apenas
para obter um diploma, sem desenvolver pensamento crítico, habilidades práticas
e capacidade de adaptação, realmente tende a gerar pouco retorno.
Hoje, mais do que nunca, estudar precisa de ter sentido.
Aprender a aprender, desenvolver competências relevantes, buscar conhecimento
de forma estratégica e contínua, pode fazer a diferença. A educação ainda
transforma vidas, mas não de forma automática nem garantida como antes.
Portanto, talvez a questão não seja se estudar deixou de
compensar, mas como, o que e para quê estamos a estudar.
Sem essa reflexão, o estudo perde valor. Com ela, pode continuar a ser uma
poderosa ferramenta de mudança.