quarta-feira, 19 de outubro de 2016

Que triste espectáculo, o da América!

 Há fotos que são fatais, como esta do casamento de Trump, com todos tão amigos!

A política "per se" nunca me interessou. Quem tiver lido o meu último livro, pode bem perceber porquê. Da sua obcecada prática só me vieram desgostos e eu tenho pouca vocação para o martírio...
Assim, de há uns meses para cá, nem sequer paro em noticiários nacionais, dado que ou tratam de futebol, ou de salgalhadas partidárias ou de assassinos em fuga, semana após semana. Como se depreende, o meu interesse por este tipo de assuntos é nulo.
Tirando algumas excelentes séries, pairo de vez em quando, nos noticiários estrangeiros, procurando informação económico financeira que aqui me é subrepticiamente sonegada. Mas, para mal dos meus pecados, acoplada a essa informação vem, quase sempre, a guerra nojenta das eleições americanas em que um troglodita adequadamente chamado Trump, tenta amesquinhar miseravelmente a sua opositora.
Confesso que se a política portuguesa já é irremediavelmente entediante com os seus frente a frente, com gente sistematicamente oriunda dos corredores partidários, os debates americanos atingiram um nível tal que eu não sei se consentiria que um adolescente a eles assistisse, porque a mensagem passada a estas crianças em vias de desenvolvimento, não podia ser pior.
Quando se pensa no sonho americano, nesse embuste de que todos podem chegar onde quiserem, o espectáculo destas eleições parece contradizer totalmente tal paradigma. Enquanto houver homens como Trump, a poderem alcançar o lugar mais importante da Nação, esta não pode ser o expoente daquele sonho!
Hoje a América irá assistir ao ao último debate, aquele em que o jogo sujo será maior. Só espero que Hillary se mantenha e não ceda, porque mais do que elegê-la, a América precisa que Trump não seja eleito.

HSC

8 comentários:

C.N. Gil disse...

Estas eleições (como quase todas, infelizmente, diga-se) são a escolha entre o menor dos males!
Quando as escolhas não são entre o melhor dos melhores, mas entre o menor dos males, vale sequer a pena escolher? Ao escolhermos o menor dos males não estaremos a ser co-responsáveis do que acontece a seguir, e que nunca é nada de bom?

Eu, por mim, sempre achei que votar era um dever para com o meu país, mas estou farto de ser co-responsável pela trampa que tem sido feita desde que me lembro! Só não rasgo o meu cartão de eleitor porque já não tenho um. Os votos não contam nem servem para absolutamente nada a não ser a decisão de quem vão ser os próximos "boys" a ocupar cargos estupidamente bem pagos para o que produzem (que normalmente ou é nada ou é algo que não devia sequer ter sido imaginado quanto mais produzido!)

Apesar de o Trump ser uma criatura abominável, que merecia levar com equipamento de minagem na tromba até este se desfazer, não sei, ainda assim, se não será o menor dos males...
...porque a Hilary...
...não é mesmo flor que se cheire!
Só é mesmo mais polidinha que o Trump, mas entre os dois...

:)

João Menéres disse...

Tem toda a razão nos aspectos ( e tantos são ) que foca.
Contudo, se Trump é de excluir, que hei-de eu dizer da sua opositora que sempre tudo fingiu ignorar perante a sua obcecada ambição ?

Melhores cumprimentos.

Helena Sacadura Cabral disse...

Meu caro João Menéres
Por isso é que eu termino dizendo que não será tanto eleger Clinton mas evitar que se eleja Trump.
Julgo que a América está numa difícil encruzilhada desde Bush filho. Obama foi uma desilusão e as actuais eleições desiludem todos aqueles que gostam de política.
Eu conheci, felizmente, outra América e outra Europa. Hoje olho para elas e não as reconheço, tal o estado de decadência de cada uma delas...

Dalma disse...

Estava em Boston quando do primeiro debate entre os dois concorrentes e pude vê-lo em direto. Não disseram nada que já não tivessem dito, atropelaram-se, interromperam-se, repetiram o que já de outras vezes tinham dito, o que aconteceu tb no confronto do eventuais vice-presidentes!
Coisa interessante é que por lá não há "outdoors" toda a campanha se faz na televisão e os que gostam de mostrar quem apoiam põem uma espécie de bandeirinhas no jardim!

TERESA PERALTA disse...

Concordo, querida Helena! A América ainda é uma potência. Pode, por isso, abalar desmesuradamente a política mundial. Do mal o menos, pois se esse Troglodita ganha as eleições não sabemos ao certo o que pode acontecer. Prefiro o mal conhecido do que o pior desconhecido.
Beijinho

João Menéres disse...

" "Só mais uma coisa antes de apresentar este génio da comédia", começou por dizer Madonna. "Se vocês votarem em Hillary Clinton, eu faço-vos sexo oral. Ok?", perguntou depois a cantora de 58 anos."
Será isto a América Clinton ?


Melhores cumprimentos.

Maria Eugénia disse...

Acho que o mais importanta é que Trump NÃO ganhe! Para bem do país e do mundo!
Num país tão grande ainda há tanta gente que vota nele. São mesmo infantis, pouco maduros, onde durante toda a vida tudo lhes foi facilitado. Não cresceram...
Bjs da Maria do Porto

onónimo quiescente disse...

Observo, com tristeza, o contínuo desfilar de fantoches, o indivíduo reduzido à eterna escolha do menor dos males sabendo que a sua decisão de nada vale em sistemas de um "pluralismo enviesado" que permite, e sobrevive à custa de, a sobreposição grosseira dos interesses particulares de uma minoria oligárquica. Aqui, lá, no resto da Europa. E mais triste ainda é saber que esse é o menor dos males por diagnóstico diferencial com o resto do mundo.

Se sobrevivemos a um Putin, a um Clinton, um Bush, um Obama digno da apresentação de programas de variedades num mundo cada vez mais caótico - embora muita gente não tenha sobrevivido a qualquer um deles -, e aos nossos próprios caciques, qual o motivo para não sobrevivermos ao espalhafato obsceno mas cuidadosamente encenado de um Trump? Alguma vez será Clinton uma alternativa credível? Alguma vez representará os interesses de uma maioria de eleitores?

Um político é acima de tudo um ser pragmático que se adapta à estupidez generalizada do "seu povo". Os disparates de campanha, tal e qual as promessas, leva-os o vento. Se esperamos moralidade viemos procurar no local errado.

Lamento igualmente a indigência intelectual daquilo que em Portugal temos por "comunicação social".

Os meus cumprimentos.