sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Da inteligência


Levei anos e anos a render-me à inteligência, característica que considerava factor primordial para escolher as minhas amizades. E, como tive a sorte de nascer numa família intelectualmente dotada e culturalmente interessada - como, aliás, tantas outras que conheci - desde muito cedo fui habituada a tê-la como norte. Havia, por isso, de se tornar determinante até nas questões do foro afectivo. Apesar disso, sempre suspeitei que existia algo mais importante que, mais cedo ou mais tarde, eu descobriria.
Os anos e os múltiplos encontros que eles me proporcionaram haviam de me ensinar que a inteligência, por si só, valia bem menos do que eu pensava. Com efeito, ela é um meio, um valor, uma qualidade que, isoladamente, nos serve de muito pouco, se não estiver suportada em valores éticos. Sem eles pode até vir a ser prejudicial.
Muitas pessoas me marcaram neste já longo caminho percorrido. Nem todas seriam de excepcional inteligência. Mas todas elas tiveram em comum o raro dom da imensa bondade.
Ter tomado consciência deste facto, fez mudar a minha ordem de prioridades e perceber que o valor da inteligência depende, sobretudo, do uso que lhe damos e da pessoa que somos. Ou seja, "ter" inteligência e não "ser" bondoso, significa hoje, do meu ponto de vista, muito pouco.
A história do mundo está cheia de mentes brilhantes. Mas quem fez mover esse mundo, foram aqueles que souberam aliar bondade e inteligência.

HSC

17 comentários:

Paulo Abreu e Lima disse...

Helena,
Não consigo dissociar inteligência de bondade. A grande inteligência incorpora sempre valores éticos como a bondade de intenções. Sem esta dimensão não existe inteligência, apenas muita "espertice".

Helena Sacadura Cabral disse...

Paulo
Einstein era inteligente. Mas não creio que fosse bondoso...

Anónimo disse...


Helena,
o bom, era ter os dois atributos, creio que existem pessoas que conseguem conciliar as 2.

"Quando aprendemos a usar a inteligência e a bondade ou afeto em conjunto, todos os atos humanos passam a ser construtivos."
Dalai Lama

Carla

bea disse...

Tudo que possuímos depende do uso que lhe damos:) Nada é bom ou mau em si mesmo, mas é-o para alguém ou alguma coisa. Aliás, sem esse alguém nem haveria bom e mau com as imensas gradações between.

A razão humana não é cega,e só é verdadeiramente ela quando se torna moral e escolhe em função do bem. É a vontade que não obedece apenas à razão. E eu diria que isso é que torna a vida mais interessante.

Paulo Abreu e Lima disse...

Não sei se se refere à sua vida privada, não li nenhuma biografia da sua vida. Sei que que era contra o uso das suas descobertas na Guerra e lembro-me desta frase dele que fui pesquisar à net para ser mais exacta:

A ciência só pode ser criada por aqueles que estão profundamente imbuídos de uma aspiração de verdade e compreensão. Todavia, a origem deste sentimento nasce na esfera da religião. A esta esfera pertence também a fé na possibilidade de as regulações válidas para o mundo real serem racionais, isto é, compreensíveis pela razão. Não sou capaz de imaginar um cientista genuíno sem essa fé profunda.

Albert Einstein, in 'Conferência (1940)'

Anónimo disse...

A inteligência pode ter dois caminhos a seguir,o bom ou o mau,a bondade só um...o bom.
(Excluíndo as "maldades" boas)

:-)

Anónimo disse...

...já logo caminho...

Gralhas

Anónimo disse...

As mentes brilhantes são as mentes bondosas,as outras,de tanto quererem brilhar ás vezes ofuscam.

Ghost

Virginia disse...


Concordo que é necessário aliar as duas vertentes. Não concordo que todas as pessoas inteligentes serão bondosas.
A bondade existe em muitas pessoas que não são especialmente cultas ou com um QI acima da média, todos nós conhecemos famílias pobres e incultas que são solidárias, mesmo quando não têm nada.
Penso que as pessoas cultas e inteligentes deveriam ser mais bondosas pois já tiveram o bónus da inteligência.

Helena Sacadura Cabral disse...

Paulo
Não conhecemos todos nós pessoas inteligentes que de boas têm pouco?

Til disse...

A inteligência tem a ver com a capacidade de observar sem julgar.Para isso,como é óbvio,é preciso muita bondade.Bondade pura*

CS disse...

Cara HSC:
Correcto e afirmativo!

Paulo Abreu e Lima disse...

Helena,

Há muito que distingo "génio" de inteligência. Esta obedece a padrões éticos. Mais: busca sensos e afasta dissensos. É parecido com a competência, isto é, não basta a apetência.

(Resquícios de uma educação jesuíta, que quer...? :-)

Anónimo disse...

Hand on hand...

http://youtu.be/RiK5Q56KPB8

A

Anónimo disse...

Senhora,desejo-lhe um dia doce neste que é o último de Janeiro.E cuide-se para não "gripar" com o frio.

Ambrósio

Anónimo disse...

Há alguma inteligência que acaba em insolvência.
Sara

Fátima Costa disse...

"Saber aliar bondade e inteligência" totalmente de acordo. Só entendo a inteligência se ela servir para...por exemplo para gerir afectos. É inteligente saber abraçar, saber sorrir,beijar. Tudo na hora certa. Isto resume-se muito simplesmente a amar (sem sabor a cliché).