quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Sete Mandamentos para atravessarmos a crise


1º - A primeira de todas as dívidas soberanas, e certamente a mais fundamental, é aquela que cada um de nós mantém para com a Vida. Essa dívida nunca a pagaremos, nem ela pretende ser cobrada. Reconhecer isso em todos os momentos, sobretudo naqueles mais exigentes e confusos, é o primeiro dos mandamentos.

2º - Se a maior de todas as dívidas soberanas é para com um dom sem preço como a vida, cada pessoa nasce (e cresce, e ama, luta, sonha e morre) hipotecada ao infinito e criativo da gratidão. A dívida soberana que a vida é jamais se transforma em ameaça. Ela é, sim, ponto de partida para a descoberta de que viemos do dom e só seremos felizes caminhando para ele. É o segundo mandamento.

3º - O terceiro mandamento lembra-nos aquilo que cada um sabe já, no fundo da sua alma. Isto de que não somos apenas o recetáculo estático da Vida, mas cúmplices, veículos e protagonistas da sua transmissão.

4º - O quarto mandamento compromete-nos na construção. Aquilo que une a diversidade das profissões e as amplas modalidades do viver só pode ser o seguinte: sentimo-nos honrados por poder servir a Vida. Que cada um a sirva, então, investindo aí toda a lealdade, toda a capacidade de entrega, toda a energia da sua criatividade.

5º - A imagem mais poderosa da Vida é uma roda fraterna, e é nela que todos estamos, dadas as nossas mãos. A inclusão representa, por isso, não apenas um valor, mas a condição necessária. O quinto mandamento desafia-nos à consciência e à prática permanente da inclusão.

6º - As mãos parecem quase florescer quando se abrem. Os braços como que se alongam quando partem para um abraço. O pão multiplica-se quando aceita ser repartido. A gramática da Vida é a condivisão. Esse é o mandamento sexto.

7º - O sétimo mandamento resume todos os outros, pois lembra-nos o dever (ou melhor, o poder) da esperança. A esperança reanima e revitaliza. A esperança vence o descrédito que se abate sobre o Homem. A esperança insufla de Espírito o presente da história. Só a esperança, e uma Esperança Maior, faz justiça à Vida.


Há alturas em que dar a conhecer o pensamento dos outros é mais importante que revelar o nosso. É o caso deste texto do Padre José Tolentino de Mendonça, um poeta e pensador que não requer apresentação.

HSC

5 comentários:

Anónimo disse...

Conheço a fundo essa retórica e claro vindo donde vem, encaixa que nem uma luva!

Eu vou resumir toda essa retórica numa frase, que também é muito recalcada pelos representates de Deus na Terra!

Para uns o morrer também é o nascer e por isso a morte não é o fim mas o principio de uma coisa linda e maravilhosa. Por isso o sacreficio é o caminho sagrado ( via sacra) para o paraiso onde a nossa alma descansará eternamente !

Tá a ver como nem é preciso ir À missa para conhecer a cartilha de cor!!

Tété disse...

Querida Helena,
Quase bebo as suas palavras quando ouço as suas homilias nas missas de Sta. Isabel.
Como se consegue encontrar tanta concentração de sabedoria e eloquência numa só pessoa.
Grande beijinho
Teresa

Anónimo disse...

Muitas vezes encontramo-nos nas palavras dos outros,Helena.

Margarida disse...

Esse homem é deveras abençoado.

Raúl Mesquita disse...

Cara Helena:

Não fui educado em nenhuma Religião. Ao ler este escrito, vejo-me perante o texto de um homem que, profundo pensador humanista, é verdadeiramente ecuménico. Todas as religiões, mais, todos os lugares, deviam ter homens como este. Infelizmente não têm.

Obrigado por me ter dado a conhecer estes 7 Mandamentos! Vou imprimi-los e guardá-los para relê-los e lê-los a quem não os conheça.

Um Abraço muito Fraterno do

Raúl.