domingo, 18 de setembro de 2011

Preparar-se para o pior


Jacques Attali descreve no L' Express de 14 de Setembro, dez cenários nos quais considera necessário reflictir, para que os franceses se preparem para o duplo choque da crise bancária e da crise das finanças públicas. Ei-los numa tradução minha bastante livre.
1. A Grécia, sem meios deixa de pagar aos credores, algumas pensões e parte dos salários da função pública. Os bancos que lhe emprestaram dinheiro e as empresas que lhes venderam armas e outros bens suportam perdas. Mas a Grécia não sai da Zona Euro nem a isso está obrigada.
2. Para "desencalhar" o país a Zona Euro recusa utilizar os magros recursos do Fundo Europeu de Estabilização Financeira, visto que os eurobonds só têm sentido com uma fiscalidade e um controle europeus, para evitar o seu mau uso.
3. Sem instrumentos financeiros comunitários suficientes, os outros países abandonam a Grécia à sua sorte.
4. Os mercados, essencialmente a Ásia e o Médio Oriente, inquietam-se com a situação e fazem pagar cada vez mais caro os seus capitais em Portugal, na Espanha e na Itália.
5. A crise estende-se a França que toma consciência de que a sua situação não está segura, face aos activos tóxicos das suas instituições financeiras.
6. Para evitar que os bancos se afundem procuram-se accionistas privados ou públicos. Em vão.
7. Em pânico o Banco Central Europeu consente num financiamento massivo a esses bancos para resolver o seu problema de liquidez e solvabilidade.
8. Horrorizada pelo laxismo a Alemanha sai do euro e cria um "euro+", de acordo com um plano já previamente preparado, que irá custar muito caro a cada cidadão alemão ( entre seis mil a oito mil euros, no primeiro ano e depois entre três mil e quinhentos a quatro mil e quinhentos ).
9. A explosão do euro revela aos mercados que os bancos anglo - saxónicos não vão melhor.
10. É então que se verifica o desmoronamento do sistema financeiro ocidental, uma grande depressão e um desemprego generalizado, levando a questionar a própria democracia.

Ninguém pode exorcizar por completo uma tal tragédia em França e, por maioria de razão noutros países europeus. Por isso é urgente que os governos se reunam e actuem para o evitar.
Attali acaba por sugerir que o Parlamento Europeu se reuna em sessão extraordinária e se declare Assembleia Constituinte para votar a criação de um verdadeiro federalismo orçamental, do qual depende de tudo aquilo que a Europa construiu até agora.

HSC

10 comentários:

voz a 0 db disse...

O vosso pânico de ver o Sistema Monetário a ruir/morrer é deveras divertido de se assistir.

Fada do bosque disse...

Atente aí, Dª Helena à palavra MALFEITORES!!!

«(...)A diferença nos custos unitários do trabalho significa que um cabaz comparável de bens e serviços produzidos em 2000 com o mesmo custo em todos os países da zona euro, custa agora 25% mais, se se trata da Grécia do que da Alemanha, sendo o mesmo verdadeiro quanto a Espanha, Portugal e Itália. Mas a diferença para a França é de 13%, embora a França tenha sidoi o único país da zona euro, onde o custo unitário do trabalho seguiu rigorosamente a meta de inflação de 2% fixada pelo Banco Central Europeu.


A meta de inflação é crucial quando se tenta julgar os MALFEITORES. A UEM não era para ser uma união de inflação zero, mas 2%. A Medida contra esta escala a conclusão é óbvia: a meta de inflação de 2% é compatível com a 2% de aumento de custos unitários do trabalho, mas um aumento de 2,7%, como na Grécia significou viver acima das suas possibilidades, mas violou a regra a um menor grau do que os alemães, pois estes vivem abaixo de suas posses em 0,4%. A Alemanha explicitamente concordou com a meta de cerca de 2%, porque era a sua própria meta antes da UEM. Dada esta meta e a importância primordial dos custos unitários do trabalho para a inflação, a Alemanha caminha para uma clara VIOLAÇÃO DO OBJECTIVO COMUM uma vez que o governo federal começou a colocar enorme pressão sobre as negociações salariais para melhorar a competitividade do país, tanto na zona euro como fora dela.

Globalmente, a lição é clara: a concorrência entre as nações não segue as mesmas regras que a concorrência entre as empresas. Seja com taxas de câmbio fixas ou flexíveis, um país endividado só pode pagar a sua dívida se o país excedente o permitir que o país em défice possa recuperar mais cedo ou mais tarde, com um excedente por meio de mudanças na competitividade através de ajuste de preços provocados por salários e / ou taxas de câmbio . Uma vez que um país excedente se recusa a se tornar um país deficitário, a inadimplência do devedor é inevitável, porque para uma recessão que é longa e dolorosa, para produzir um excedente deixando cair as importações, seria suicidio político.»
Fonte: http://www.europesworld.org/NewEnglish/Home_old/Article/tabid/191/ArticleType/ArticleView/ArticleID/21834/language/en-US/Eurozonepointerstoanewglobalmonetarysystem.aspx

A subserviência dos líderes políticos às corporações, transformaram o Mundo numa oligarquia que põe e dispõe quando querem provocar GUERRA e fazer uma despopulação em massa, causar a ruína dos Estados , destruir para construir de novo e voltar tudo ao mesmo, ou seja, o lucro dos capitalistas de sempre que usam a guerra para concentrarem ainda mais a riqueza e o poder!!
Quem pensou que tal não ía acontecer, não estudou História!

Fada do bosque disse...

Drª Helena,
Parece que o seu filho Miguel ao propor 100 medidas no Parlemento Europeu, foi boicotado pelos Media portugueses (não vejo TV, até pode ter saído, mas duvido). De repente e como são medidas que visam o bem de todos, parece que neste País só existe um Portas, porque o outro, como diz o brasileiro, deixa p´ra lá! veja aonde fui encontrar a notícia sobre o seu filho Miguel... no Brasil! Num blogue político! Bem Haja por ter tido um filho assim!

Helena Sacadura Cabral disse...

Cara Fada
Não há só "um" Portas. Há o Prof. Nuno Portas, há o Prof Carlos Portas e ambos andam na política há mais tempo que os meus filhos.
O Miguel decidiu ser deputado europeu. Sabe-se tanto o que ele diz como se sabe o que diz a Ilda Figueiredo ou Paulo Rangel para não falar de outros de quem ninguém sabe o nome . Ou seja, muito pouco.
Mesmo assim o Miguel tem uma coluna semanal no jornal O SOL e outra na ANTENA 1, onde pode muito bem falar das suas propostas.
Depende exclusivamente, dele!
Você pode só gostar do Miguel, mas essa é outra questão! :))

Um Jeito Manso disse...

Interessante o texto que aqui hoje nos trouxe.

É muito inquietante o que se está a passar. O tempo passa e uns são fracos, outros abúlicos, outros estão prisoneiros do seu eleitorado e, no conjuno, a Europa está uma massa inerte que se afunda, quase sem reacção.

Muitas vezes tenho dito que temo um retrocesso civilizacional. E o tempo vai passando, sem que ninguém se levante para o impedir.

Anónimo disse...

Você devem interrogar-se sobre as politicas que foram implementadas nos ultimos anos e que levaram à falência. perda de independência e de soberania do nosso pais!
Devem interrogar-se sobre as razões de as câmaras, os institutos publicos terem desbaratado dinheiro sem qualquer critério!

Se vocês interrogarem-se sobre isso vão chegar à conclusão de que a queda do EUro foi "fabricada" e monitorizada!!!
Eu ainda me lembro do Socrates em 2008 dizer que o Estado tinha uma folga no orçamento, fruto das suas politicas e que por isso, Portugal estava a suportar melhor a crise do que os outros paises!
Passaram apenas 3 anos e agora é só buracos e buracos para tapar!

Na politica não há imprevistos! Tudo é planificado com muita antecedência!
Înfelismente o nosso país não tem politicos que o defendam!
Nos ultimos 40 anos apenas Sá Carneiro tinham-os no sitio e por isso o mataram. Infelismente a politica é suja e maldosa!

Anónimo disse...

Um cenário arrepiante!
P.Rufino

Fada do bosque disse...

Pois é Dr~ª Helena... muitos Portas! :)) Quanto aos manos, claro que aproveitei para nomear o Miguel, pois só tenho visto referências aqui no blogue ao Paulo... assim, resolvi trazer aqui alguém digno disso também e que devia ser mais mediático, pelas verdades que diz e pela mensagem que traz. Foi mais por isso...
As pessoas que vêem TV deveriam ter acesso à contradição e á verdade, mas como a TV pertence aos interesses instalados, compreende-se que as oposições seja remetidas ao silêncio e os fantoches comentadores sejam promovidos...
Já agora deixo aqui um blogue que sigo com um vídeo do Miguel e que vem muito a propósito deste post. "Quem permitiu tanta gula?" Ora assim é que se fala! :)

Helena Sacadura Cabral disse...

Ó Fada far-me-á a justiça de não ver no meu blogue referências aos meus filhos que não sejam exclusivamente de ordem familiar.
Era o que me faltava, a mim que tenho grande mágoa pela profissão que ambos escolheram, andar a dar-lhes e aos respectivos partidos, promoção!
Qualquer deles - repito, Miguel e Paulo - têm os meios para se promoverem. E até lhe digo que a simpatia dos órgãos de comunicação social pelo BE é notória.
Se a Fada ligasse a tv veria muitas vezes o meu filho Miguel. Até parece que tem lugar cativo no Prós e Contras...
Mais me surpreende que do pai deles pouco se fale, quando o Urbanismo lhe deve tanto. E isto num tempo em que o PS, onde milita, era governo!
Sabe, eu tenho igual orgulho nos meus filhos e no Pai deles. Ainda há gente assim!

Fada do bosque disse...

Mau era se assim não fosse...Drª Helena. Quando falo em referências é relativamente aos comentadores, nunca seria outra coisa.
Que bom que o Miguel faz passar a mensagem e vai dando outras perspectivas ao público.
Quanto ao Dr. Nuno Portas, tem toda a razão... é um defeito dos portugueses não divulgarem as pessoas de valor. Na literatura, Fernando Pessoa e agora o Saramago. Na arquitectura, Siza Vieira e Souto Moura... há duas personalidades em destaque para cada modalidade pois mais é demais... não entendo...