sábado, 6 de março de 2010

Violência

Fala-se muito ultimamente de bulling, essa forma de violência que nas escolas tem vindo a tomar proporções preocupantes. Por outro lado, e por norma nas escolas superiores, as "praxes" não são menos chocantes e revestem-se de prácticas que deixam qualquer pessoa normal perfeitamente abismada pela brutalidade de que as mesmas se revestem.
No primeiro caso ainda se acredita que, tratando-se de adolescentes, se pode ir a tempo de corrigir, pela educação, esse tipo de comportamento. Embora eu, pessoalmente, duvide muito, da eficácia dos métodos até aqui utilizados.
Mas no segundo a práctica perpetua-se entre jovens, por norma psicologicamente formados, e nada anuncia que consigam modificar-se, a menos que as ditas praxes sejam pura e simplesmente proíbidas.
Em ambas as situações, é dos futuros homens da Nação que se trata. Que precisam, urgentemente, de serem fiscalizados e punidos. Porque é desta raça que saem habitualmente os ditadores ou os violadores...

HSC

11 comentários:

Anjos disse...

Boa tarde,
excelente o seu depoimento. Concordo a 100%.
Como mãe tento educar os meus filhos na base do respeito mútuo, afastando a violência como forma de conseguirem impor o seu espaço, como forma de conseguirem dominar as outras crianças e o seu respeito, estou em crer que é de pequenino que se "torce o pepino", violência gera violência! Mas penso muitas vezes se os educo bem, se não os estou a tornar demasiado docéis...e com pouca capacidade de defesa num mundo cada vez mais cruel e violento!
Quanto às praxes...até me custa falar, conheci essses rituais bem cedo, ainda no 9ª ano, na altura eramos autênticas crianças, entrava para uma escola profissional Agricola...e vi, presenciei e vivi praxes dificeis de conceber na cabeça da maioria do comum dos mortais...andei posteriormente em 3 estabelecimentos do ensino superior...e nunca vi nada assim!
Têm razão, têm que haver fiscalização, porque muito difícilmente vão ser os jovens a queixarem-se dessas situações...as pressões e os medos são muitos.
Bom trabalho, da sua fã
Sílvia Rocha

Raúl Mesquita disse...

Cara Helena:

A violência nas escolas aumenta, é verdade, mas sobretudo nos EUA onde muitas crianças têm acesso às pitolas dos pais, porque nesse enorme país não se distingue realidade e ficção ("Sunset Boulevard", do Billy Wylder...)A seguir, creio que vêm os primos, RU, aqui já não com armas de fogo, mas com a primeira coisa que apanham à mão, um vaso, sei lá... É claro que estas coisas se passam nas classes mais pobres e nas famílias degradadas pela pobreza. Se há crimes nas "middle e upper crusts", há, são diferentes, e aí entramos nas praxes. As daqui são "pudding", em comparação com as de..., por exemplo, Eton. Agora, o problema. Tolerância zero para com os jovens ou para com os "Tutors" (caso de Reino Unido) que fomentam essas práticas...? Como disse a Anjos, muitos jovens têm medo de se queixar das praxes para não passarem por aquilo que ainda se chama "os maricas!". Mas é preciso dar alguma coisa "em troca": mais arte, mais música clássica, mais bom teatro, mais exposições e mais bilhetes de estudantes e, claro, mais divulgação nos meios de comunicação, logo, também mais investimento monetário. Mas os governos acabam por preferir a violência porque sai mais barata ao Estado, apesar da manutenção das prisões e há outra razão... Who's Afraid of a Cultured Youth?

Raúl.

continuando assim... disse...

convite para seguir a história de Alice, lá no
--- continuando assim... ---

bj
bom fim de semana
teresa

Ibel disse...

sexta-feira, 5 de Março de 2010

EM MEMÓRIA DE LEANDRO FILIPE
Tinha 12 anos e tinha medo
E tinha um pesadelo
E um pântano no olhar
E o corpo numa grade
E a alma numa cela
E o sonho de um rio
Onde o medo se afogasse.
Tinha doze anos e uma escola
Que lhe ceifava as asas
E o fechava nesse medo
Que tinha e tinha doze anos!
"Tão jovem! Que jovem era?
Agora que idade tem?"
Chamava-se Leandro e era pequenino
Com um pavor tão grande
Que se abraçou às águas
No rio triste que o acolheu
Para o libertar do pântano
Onde o medo lhe tolhia
O respirar de cada dia.
E voou...
Que céu te acolhe, Leandro?
Que escola te matou?

Nuno Sotto Mayor Ferrao disse...

Caríssima Senhora Drª Helena Sacadura Cabral, concordo que as formas de violência e de "bullying" se têm alastrado cada vez mais nas escolas, falando por experiência própria como professor.

Contudo, é um fenómeno internacional que está, a meu ver, ligado à competição excessiva e à falta de ética que contaminou as nossas sociedades. A competição deve ter sempre por limites a ética e o respeito pelos Direitos Humanos. Concordo com a reinstauração de um sistema simplificado de punição que não implique mecanismos processuais parecidos com os aplicados pelo sistema judicial. Por outro lado, como nos tem chamado a atenção várias vezes o Professor Medina Carreira é necessário uma cultura de esforço e de disciplina nas nossas escolas para que a qualidade educativa aumente.

Por outro lado, deve-se, pois, incutir na mentalidade colectiva o espírito de dever no exercício de cidadania, porquanto o enfoque dado aos Direitos tem gerado cidadãos excessivamente reivindicativos e demasiado displicentes em relação aos seus Deveres. A nossa matriz Civilizacional tem de encontrar de novo um ponto de equilíbrio!

A violência gratuita do "bullying" e das praxes só pode ser superada com uma mudança de rumo Civilizacional, porque a questão que está por detrás parece-me ser o facto do Estado Providência estar em crise devido à velha questão Malthusiana ( recursos < população ) que conduz as nossas sociedades a aumentarem o espírito competitivo que acaba por descambar na competição selvagem do mais forte ( o "darwinismo social" do século XIX).

Não há volta a dar: sem senso ético, sem sensibilidade pelos Direitos Humanos e sem um sistema punitivo ágil que facilite o trabalho dos professores nada mudará. Temos, necessariamente de caminhar para outro paradigma Civilizacional para que possamos ter um desenvolvimento integral da pessoa humana como nos diz Bento XVI na sua última Encíclica.

Já fiz parte do diagnóstico histórico da problemática do Ensino Não Superior em Portugal no artigo "O Estado do Ensino, Básico e Secundário, em Portugal: contradições, hesitações e ambiguidades (1970-2009)" no meu blogue ( in www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt ).

Obrigado Senhora Drª Helena Sacadura Cabral por nos lembrar da necessidade de tolerância zero perante o "bullying" e "as praxes selvagens" nas escolas!

Saudações cordiais, Nuno Sotto Mayor Ferrão
www.cronicasdoprofessorferrao.blogs.sapo.pt

Lura do Grilo disse...

Trata-se tão só de um problema associado a desagregação da família e à perda do sagrado que tinha a vida humana.

Vejo miúdos, que eram colegas dos meus filhos, cair nesta teia : sem pais presentes, sem carinho e sem atenção agarram-se a grupos que lhe dão o que não têm e os fazem sentir-se importantes.

Disse-o aos meus filhos: estes miúdos vão parar à prisão mais cedo ou mais tarde. Um já lá está por assassínio.

Fada do Bosque disse...

Que dizer mais? os nossos filhos parecem condenados a um futuro negro...
O meu coração anda alvoroçado e destroçado, com a substituição da Educação pela violência! Media metidos e empenhados e a net também fomenta.
Temos a sorte, de não ter acontecido como aconteceu nos EUA, e países do norte, em que os miúdos pegaram em armas e foi o que foi! Mortes! está muito mau, mesmo. :((

Blondewithaphd disse...

Subscrevo! Na íntegra.

José Ricardo Costa disse...

Conceptualmente estimulante a ligação entre o psicológico e o político através da figura do ditador. Sugiro a bela metáfora da omeleta invisível que nos é dada por Isaiah Berlin, a qual revela a incapacidade de distinguir o mundo real e um mundo ideal. O ditador é aquele que vai partindo ovos atrás de ovos, sempre com o objectivo de obter uma omeleta invisível. Na vida pessoal também é isso que muitas vezes acontece. Há pessoas que partem ovos e ovos e mais ovos, quase sempre com vista à obtenção de fins inviáveis. O problema, quase sempre, é que desde muito cedo as impediram de os partir.

Cumprimentos,
JR

carolina disse...

Confesso, que me impressiona muito, que um menino de 12 anos se tenha suicidado, faz-me pensar assustada que estamos num mundo louco, que será da nossa vida se as crianças, que são o melhor que temos perdem a alegria ao ponto de cometerem o suicidio, que será do nosso mundo ?
mas confesso que me impressiona ainda mais o espalhafato que se faz á volta do tal buyling, por amor de Deus, tentam dó, onde estão os pais das crianças que chegam a casa com nódoas negras, que perdem a alegria, que morrem por dentro, onde estão os pais destas crianças???? reclama-se junto das associações de pais, junto da direcção das escolas, junto dos Ministros dos governos e, Oh digam-me onde estavam os Pais que não viram? não lutaram não protegeram que não gritaram, que não mimarem nem abraçaram?... tenham dó! Li esta semana que os conservadores ingleses acusam a desagregação das familias de serem culpadas pelo desiquilibrio emocional das crianças, pois esta é uma atitude hipócrita e perigosa, hipócrita porque um mau casamento nunca será um bom ambiente para uma criança, por muito casados que sejam os pais. Uma mãe alcoólica, negligente, submissa, um pai violento e incapaz nunca serão bons pais ou educadores, por muito casados que sejam. Uma mãe divorciada, adulta, bem formada e emocionalmente estável será sempre uma boa mãe, por muito divorciada que seja e, os seus filhos serão sempre refelxo da força da ternura do esforço e do amor que ela lhes dedica. Uma mãe ou um pai que não olha para os seus filhos .... desses falam os Leandros deste mundo, com a benção das igrejas e dos conservadores.

Anónimo disse...

Este problema não é novo,lembro-me perfeitamente dos meus tempos de escola, quem não sabia defender-se tornava-se o Cristo de serviço, mas o que mais me impressionava e isso não consegui superar era o
bulliyng por parte dos professores, acredite sofri e presenciei maus tratos físicos e psicológicos de professores duma violência inacreditável e isso criou em mim uma convicção que o ser humano consegue ser muito perverso se isso lhe der jeito e que mais me impressiona é que vejo isso no seio das próprias famílias Saudações