
Ando numa fase estranha. A maior parte das coisas não me apetece. A outra pouco me move. Não se trata de querer ou não querer, de dever ou não dever, de sim ou de sopas.
Tenho nas mãos o último livro de Julian Barnes, The Sense of an Ending, que foi o vencedor do Man Booker Prize 2011. Tanto melhor. Foi por isso que o comprei. Mas será que um prémio diz alguma coisa sobre aquilo que eu julgo ser a qualidade literária? Devia dizer. Mas nem sempre diz. Melhor, muitas vezes não diz.
Folheei-o e nada me atraiu, além do título que é amargamente apelativo.
Passo os olhos pelos jornais. As notícias são para chorar. Ou tratam do presente cinzento, ou prevêem o negro futuro.
Ligo aos amigos. Se estão no poder ou perto dele, só falam de percentagens, acordos, cifras e quejandos. Se não estão, ou se queixam ou parece que não vivem aqui.
Será que é por tudo isto que ando numa fase estranha? Se calhar é...
HSC





