"Tendo conhecimento que nos refeitórios de grandes empresas, todos os dias existem centenas de refeições em perfeitas condições que são deitadas fora ( a isso obriga a Lei de Saúde Pública ), como explicar isto a quem passa fome ?
Uma lei tem que ter um carácter minimamente humano, pois existe de e para os homens. Tem que se encontrar uma solução técnica, para que esta situação não continue a acontecer.
Por mail, contactei há 2 anos atrás a Presidência da República que me respondeu que esse era um assunto do Governo; contactado o Governo, responderam-me que iam pensar no assunto.
Entretanto, os meses foram passando e como não tive conhecimento de nada, enviei mail's para deputados de 3 forças políticas diferentes mas, nestes casos, nem resposta tive.
Algo tem de ser feito, pois todos os dias esta situação se repete. Esperemos que através deste meio, muitas pessoas necessitadas possam beneficiar deste incrível desperdício".
Este é o texto da petição que corre na net e que me parece urgente assinar, caso se concorde com o que aqui se diz. Eu já assinei em:
http://www.peticaopublica.com/?pi=Cidadao
HSC
Análise séria e acutilante, humorada ou entristecida, do Portugal dos nossos dias, da cidadania nacional e do modo como somos governados e conduzidos. Mas também, um local onde se faz o retrato do mundo em que vivemos e que muitos bem gostariam que fosse melhor!
quarta-feira, 3 de novembro de 2010
segunda-feira, 1 de novembro de 2010
Agora segue-se um pequeno intervalo...
Estar uns tempos fora do país tem a vantagem de nos afastar dos problemas nacionais, minorar as nossas ansiedades e, finalmente, perceber como os outros, os estrangeiros, nos vêem. Mostrando que nem todos nos olham do mesmo modo...O que de facto mais me tem surpreendido é a percepção de que Portugal ainda não interiorizou a crise. Não me refiro à gente mais desfavorecida. Essa sente-a diariamente nas compras que tem de fazer e nas contas que tem de pagar. Essa não precisa de mudar o seu estilo de vida, porque já nada tem para mudar.
Os outros, os que usam o cartão de crédito como se dinheiro seu se tratasse é que ouvem falar da crise, mas não a vêem. E quando os débitos lhes batem à porta, utilizam o mesmo sistema. Pagam, de novo, a crédito, numa espiral que só tem concorrência na atitude do próprio Estado, que se não cansa de o fazer.
Os portugueses sabem que há uma crise e que ela lhes vai custar dinheiro. Só quando este acabar, o cartão deixar de existir, o crédito se tornar incomportável é que eles mudarão de vida.
Ora mudar de vida era a primeira coisa que nós deveriamos ter feito. Mas o exemplo devia ter vindo de cima. De quem nos governa. Para que houvesse autoridade para pedir e não para impôr, como está a acontecer, um estilo que os próprios não seguem!
Agora segue-se um pequeno intervalo, até ao Natal. A telenovela recomeça daqui a dois meses, mas já tem um fim anunciado.
HSC
sábado, 30 de outubro de 2010
A telenovela
Vejo algumas telenovelas. Não as nacionais, confesso. Mas as brasileiras, sim. Não as sigo, não sei bem as "estórias" que contam porque falho muitos episódios, mas vou tirando o guião pelo sentido...Nem sei explicar o porquê desta minha mediania, mas o facto é que me distraem e permitem que eu faça, pelo meio, outras coisas. Ninguém aqui em casa percebe o fenómeno e quando estou fora do país, sou objecto das maiores risadas por este meu pecadilho.
Mas ontem um amigo meu francês - não estou a escrever de Portugal -, dizia-me "mais oui, maintenant je comence a comprendre ta petite folie pour les series".
Tratava-se, como podem calcular, da telenovela política a que nós e o resto do mundo fomos assistindo. Este amigo é um ilustre francês que acompanha, vá lá saber-se porquê, com muito interesse o que se passa em Portugal. E, como vem aqui com muita frequência, conhece bem as nossas dificuldades. Aliás, tem sido, até, chamado a pronunciar-se sobre elas.
Felizmente que tudo acabou. Não porque tenha terminado bem, mas porque, para já, não há novos episódios.
Abstenho-me de dizer o que, politicamente, penso de tudo o que se passou. Mas, do ponto de vista económico, acredito que em Março teremos o FMI à porta, porque não vai ser este Orçamento 2011 que será capaz de resolver os nossos problemas estruturais, inexplicavelmente agravados em 2010.
Há, contudo, um lado otimista que convém não esquecer. É que a única vantagem desta crise e desta telenovela foi pôr a nú uma série de falsas verdades que andaram a tentar vender-nos...
HSC
sexta-feira, 29 de outubro de 2010
Trabalhar!
O lançamento do meu livro "Mulheres que amaram demais" foi na quarta feira. Fiquei feliz com a forma como decorreu e como o livro foi apresentado. Com efeito, o apresentador, O Dr. Pires de Lima, fez o que eu penso deve ser a sua tarefa. Falou do livro e não da autora, como costuma acontecer.Estive rodeada de amigos e de pessoas que me apreciam. O que, para mim, é fundamental. Sem família e sem amigos não existo.
O problema surge, por norma, com a catadupa de entrevistas a que uma promoção obriga e nas quais me sinto, sempre, a repetir o que disse na anterior. O pior, contudo, é que como nem sempre os livros são lidos, as perguntas sobre a minha vida familiar tornam-se calistas. E eu reajo manifestamente mal. Torno-me dura e fechada, o que não é o meu estado normal.
Há muito que deixei de dar entrevistas em casa, porque me sinto devassada. Desta vez, em má hora, abri uma excepção porque fui pressionada pela editora. Resultado, veio a minha casa em todo o seu esplendor, como se de uma reportagem de decoração se tratasse.
Fiquei danada, porque tinha sido clara nas condições em que abrira essa excepção. Só fotografavam o local em que estava sentada. O resto seria esbatido, caso fosse apanhado. Nada foi respeitado, o que é paradigmático do modo como se encaram os compromissos. A revista em causa - nem refiro o nome para lhe não fazer publicidade - está banida, para mim, no futuro.
Ontem e ainda hoje estou, claro, de ressaca. Assinei setenta livros e já não tenho vinte anos. E, como sempre acontece, acabei por não estar com os amigos a gozar da sua estima, tanto quanto queria.
Daqui a uma semana sai mais outro livro meu. Este, de cozinha. Um clássico. Um retorno ao receituário tradicional, sem fotografias e com muitas e boas receitas. Um misto de Pantagruel e de Isalita, mas com récipes da minha família. Muito boas.
Passados dez dias sairá ainda outro, que será uma surpresa. A única coisa que revelo é o nome. Chamar-se-á "NÓS DE AMOR"!
Alguém do governo me poderá, alguma vez, dizer que preciso trabalhar, depois de publicar quatro livros num ano?! E, ao mesmo tempo, dar aulas e fazer televisão? Com a idade que tenho? Tomaram eles!
HSC
quarta-feira, 27 de outubro de 2010
O que os outros querem para nós...
"...José Cardoso Pires morreu, precisamente, há 12 anos. A melhor homenagem que lhe podemos prestar é lê-lo. Foi um dos grandes escritores da língua portuguesa e um homem que sabia o que queria da vida e o que queria para a vida de nós todos".( Em http://duas-ou-tres.blogspot.com/)
O excerto que acima trancrevo, extraído de um post do nosso Embaixador em Paris, e cujo bold é de minha responsabilidade, ficou a martelar-me na cabeça, ontem, uma boa parte do dia. Sobretudo, porque o li a seguir às notícias que davam por terminadas as negociações entre os dois maiores partidos, para aprovação do Orçamento 2011.
E porquê, se uma coisa nada tem a ver com a outra? Porque continuo a constatar que o mais difícil na existência de todos nós é conciliar, com o menor sofrimento possível, a liberdade individual com a organização do colectivo, dado que esta última representa, na maioria dos casos, uma forte limitação da primeira.
Um pequeno exemplo, banal, é o das medidas anti tabágicas. Eu tenho a liberdade de fumar ou não. Mas essa liberdade individual deixa de existir, quando o colectivo me impõe que dentro de certos espaços, eu não fume. A solução será não ir a esses espaços... ou deixar de fumar.
E porquê, se uma coisa nada tem a ver com a outra? Porque continuo a constatar que o mais difícil na existência de todos nós é conciliar, com o menor sofrimento possível, a liberdade individual com a organização do colectivo, dado que esta última representa, na maioria dos casos, uma forte limitação da primeira.
Um pequeno exemplo, banal, é o das medidas anti tabágicas. Eu tenho a liberdade de fumar ou não. Mas essa liberdade individual deixa de existir, quando o colectivo me impõe que dentro de certos espaços, eu não fume. A solução será não ir a esses espaços... ou deixar de fumar.
Logo, vontade cerceada e liberdade curta. Poderia, à exaustão, enumerar casos destes.
Assim, cada um tem que se submeter à vontade de uma maioria na qual, uma parte expressiva de todos nós delegou o poder de estabelecer regras. Mas, face ao que venho assistindo, tenho cada vez mais dificuldades em aceitar o que os outros querem para a minha vida. Porque o que eles querem para mim é, justamente, aquilo que eu não quero...
Assim, cada um tem que se submeter à vontade de uma maioria na qual, uma parte expressiva de todos nós delegou o poder de estabelecer regras. Mas, face ao que venho assistindo, tenho cada vez mais dificuldades em aceitar o que os outros querem para a minha vida. Porque o que eles querem para mim é, justamente, aquilo que eu não quero...
HSC
terça-feira, 26 de outubro de 2010
Os PEC'S
"Portugal vai entrar num período profundo de recessão "durante muitos anos" e "vão ser precisos outros PEC" considerou ontem Daniel Bessa. "Vamos entrar num período profundíssimo de recessão, durante muitos anos [...]. As medidas que estão tomadas vão fazer a economia entrar em recessão. Mais tarde ou mais cedo, o Estado vai perceber que as receitas não chegam", afirmou o economista, durante um debate na Universidade Católica".(Notícia do Publico de hoje)
Quando lemos uma notícia destas, em que um economista respeitado prevê o que o governo nega, é caso para perguntar quando será que o país conhecerá a verdade toda sobre a sua real situação. Eu sei que há sempre gente que apelidará este discurso de pessimista. Mas isso não resolve o problema de andarmos a ser sucessivamente enganados e punidos como se a culpa fosse exclusivamente nossa.
Claro que todos temos uma parcela de responsabilidade no que se está a passar. Primeiro, porque este governo foi eleito com os votos da maioria do povo português. Depois, porque havendo vozes que chamaram a atenção para o excesso das despesas governamentais e familiares, não foram ouvidas e até foram enxovalhadas. E, finalmente, porque apesar de, mesmo agora, essas vozes dizerem que este PEC não chega, ninguém as leva a sério.
Portugal está doente. Mas grande parte do fardo dessa doença, compete aos medicamentos que o médico prescreveu porque ignorou os efeitos secundários. A outra parcela pertence ao doente que tomou sempre os remédios fora de horas...
HSC
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
Fazer contas à vida!
Com algum masoquismo, confesso, decidi neste fim de semana, ver o que posso cortar nas minhas despesas de modo a situar-me, sem defice, nas novas condições que o excelso grupo que nos governa me irá impor.A primeira realidade vem do lado da receita. Antes, eu trabalhava cinco meses para o Estado e sete para mim. Mais coisa, menos coisa. Agora, com quatro livros publicados neste ano, o mesmo Estado vai arrecadar cerca de sete meses do meu esforço e eu... cinco.
Logo a solução para o próximo ano, será trabalhar menos, para manter a anterior paridade. Mas como tudo vai ficar mais caro só tenho dois caminhos. Um, a troca directa - o meu trabalho contra trabalho de outrem que me faça falta - ou o meu trabalho contra os bens de que necessito. O outro caminho será o trabalho marginal. Não, não é esse que estão a pensar. O decoro e a idade não mo permitem. Falo de explicações dadas aos alunos maus das famílias boas. Esse é dinheiro limpo e não paga qualquer indecoroso imposto.
Do lado da despesa aqui vão os cortes. Tinha empregada doméstica nove horas por semana. Vai passar a seis. Enchia o depósito do carro de dez em dez dias. Vai passar a quinze. Ia ao cabeleireiro uma vez por semana. Vai passar a uma vez de quinze em quinze dias. Almoçava fora três vezes por semana. Passarei para duas. Ia ao gourmet do Corte Inglês duas vezes no mês. Passo a uma. Mantenho os livros, as pessoas que ajudo e continuo a viajar em leilão ou por pontos. Se nada mais se alterar o meu nível de vida desce mas é, ainda, suportável.
Se conseguir vender a casa, como pretendo, mando tudo às ortigas e vou viver para a minha segunda cidade de eleição, Paris, que sempre fica mais perto do meu neto que está em Bruxelas. É que nem ginjas, como diria o nosso povo.
Tenho uma imensa tristeza só de pensar em deixar a terrinha. Mas a minha tensão arterial volta ao normal, o sono reequilibra-se, as tristezas desaparecem e eu sobrevivo sem estas telenovelas políticas de baixa classe B...
HSC
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