terça-feira, 29 de junho de 2010

A síndrome das Finanças

Os CTT, uma empresa muito moderna que já só serve para nos enviar o IRS, está a ser acusada de ser conivente nos assassínios fiscais em série que, através da DGI, estão a acontecer um pouco por todo o país.
De facto aqui na rua já fomos atacados. Um vizinho meu, residente no bairro, ia toma a sua bica ao café mais próximo, quando encontou o carteiro. Simpaticamente pediu-lhe a sua correspondência. Apenas uma carta. Percebeu que se tratava das Finanças.
Tal como na "síndrome da bata branca" o ritmo cardíaco dispara só com a visão do médico ou enfermeiro, também a "sindrome das Finanças" provoca uma terrível aceleração da corrente sanguínea.
O senhor Francisco olhou o envelope e sentiu de imediato o coração a bater mais. O nervoso era tal que teve de pedir um copo de água e que lhe abrissem os bordos colados da missiva. Todos os que assistimos ao caso, vimos o olhar esbugalhado do homem. Que não parava de tremer.
"Não é possível", gritava a criatura, desanimada. "Não é possível", repetia cada vez mais lívido. À terceira não acabou a frase. Está internado. Dizem que foi um ataque de pânico...
Mas nós na rua, mais realistas, pensamos que foi um ataque fiscal!

HSC

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Os novos milionários

Não. Não somos nós - eu, vós, os que diariamente lutam contra a crise - que estamos mais ricos. São 600 novos ricos que entre 20008 e 2009 apareceram, saídos sabe-se lá donde e vieram enriquecer os já muito ricos deste país. Mas não diminuiram no mesmo número os nossos pobres. Não acreditam? Mas é verdade. Eles serão certamente todos os cidadãos nacionais a quem morreu uma tia rica, saíu o euromilhões, acertaram na lotaria ou, quem sabe, até passaram por uma empresa que dá prémios chorudos. E que contribuiem, claro, para que Portugal fique ao nível dos anteriores países de Leste.
Neste momento a terrinha tem 11.000 milionários. Podemos apresentá-los ao mundo sem receio de sermos mal vistos. Somos pobres mas temos muitos ricos. Qualquer coisa como um rico para 351 aflitos.
Sugiro dividir a população aqui do burgo em grupos de 350 cidadãos comandados por um líder que será o dito milionário, o qual encherá de orgulho os restantes e os encaminhará no sentido da prosperidade. Deste modo, o nosso jovem filósofo nacional, bem como o menos jovem ministro das finanças escusavam de se preocupar com uma crise que, por este meio, deixaria de existir. Com efeito, as responsabilidades de governação seriam repartidas por 11.000 governantes, aliviando em muito o trabalho de cada um.
A ideia parece-me excelente visto que com tal solução eu já saberia quem era o responsável de eventuais reclamações. E com o dinheiro que poupávamos resolviamos o problema do deficite em menos de um ano!

HSC

sábado, 26 de junho de 2010

E pegou...

Hoje levei o dobro do tempo a ler meio Expresso escrito na língua de Lula. De facto, perdão de fato - também pode ser de saia e camisola - vi-me completamente "grega" para prestar atenção ao conteúdo dos textos, porque estava "vidrada" na nova escrita. E, como alguns acentos também caíram, a trapalhada foi enorme.
Eu compreendo o Henrique Monteiro. Há um Acordo Ortográfico, que embora não tenha merecido o acordo de muita gente, tem de ser cumprido dentro de certos prazos. Assim, ele tinha - não sei se teria - de o pôr em marcha.
Logo, foi neste belo sábado que fomos mimoseados com a prenda. Por aqui vai continuar a escrever-se como se escrevia antes do dito desacordo. Quem não gostar, abandona-me. Quem não se importar ou até compreender continuará. Eu apenas estou a exercer o meu direito à indignação... Se o Dr Soares podia e pode, eu não poderei?!

HSC

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Mais outro...

Às vezes pergunto-me como sobrevivem os portugueses à enxurrada de notícias negativas a respeito da situação do seu país. É que não há dia em que um qualquer meio de comunicação social, ou mesmo todos, não façam mais um aviso do que "ainda" falta acontecer... Eu própria, aqui neste blogue tenho dificuldade em me defender e defender os que me possam ler.
Porque, para quem tem formação económica, como é o meu caso, a preocupação é maior dado que sabe o que está pos detrás de certos chavões técnicos utilizados para fazer deglutir o que, por si, já é bastante indeglutível.
Agora foi a vez da Ernest & Young, que prevê para a economia nacional, este ano, uma quebra de 1% e antevê para 2011 um agravamento para os 1,5%. Tudo por causa da revisão, em baixa, do PIB, causada pela forte quebra verificada no investimento e pela menor expansão das exportações decorrentes das vicissitudes que o nosso maior mercado, a Espanha, está atravessar.
Fico-me por aqui em dados estatísticos, porque todos sabemos o que isto arrasta consigo, nomeadamente no emprego.
Apenas pergunto de que é que estamos à espera para mudar de vida e de rumo, quando a evidência mostra que o que estamos a seguir não serve?

HSC

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Aprender custa!

"...Criou-se a ideia de que a aprendizagem não é dolorosa" queixava-se recentemente uma professora universitária. Nada mais errado. Nada mais indutor de uma certa forma de encarar a instrução. Nada mais responsável do estado a que o ensino chegou, sobretudo em disciplinas nucleares como são a Matemática ou o Português. Nada mais errado para o desenvolvimento das relações que devem existir entre professores e alunos.
O estado de ignorância dos discentes é tão surpreendente que, numa prova de aferição, realizada há algum tempo, numa turma de caloiros do Instituto Superior Técnico, destinada a testar o seu grau de dificuldades, à questão "quanto é um meio mais um meio", 27% errou a resposta...
Ora os alunos não se tornaram menos inteligentes. O que aconteceu e acontece, é que o grau de exigência hoje pedido - para atingir certos níveis estatísticos na educação -, veio tolerar uma degradação que anteriormente se não consentia.
E se a Matemática, por exemplo, parece não ser necessária para determinados cursos, ela é indispensável para treino do raciocínio. Tanto como o ensino da língua se justifica para quem vá para medicina ou engenharia e pretenda fazer-se entender.
Torna-se cada vez mais urgente que os alunos compreendam que estudar custa, pese embora o prazer que também possam tirar disso. A cultura da década de noventa instalou no espírito dos estudantes a ideia romântica de que a aprendizagem tem que dar prazer, o que, como se sabe tem pouco de verdade absoluta.
Mais, ensinar e aprender abrange comportamentos pessoais e colectivos, que vão muito para além do conteúdo das matérias. Trata-se, também, de atitudes. Um aluno não está numa aula a falar ao telemóvel, de pés em cima da carteira, ou mesmo de boné na cabeça. Poderá ser muito modernaço consenti-lo. Mas isso não é certamente instruir ou ensinar!
Educar é algo infinitamente mais importante. É preparar para a vida. Por isso envolve escola, pais e família. E por isso eles hoje são ouvidos. Não para "aliviarem" os filhos, mas para os fazerem cidadãos dignos e competentes!

HSC

terça-feira, 22 de junho de 2010

Nós e a riqueza europeia...

A Eurostat, essa instituição europeia de produção de estatísticas, veio dizer aquilo que uns já sabiam e outros já sentiam. Ou seja, que há três anos - já portanto no governo do filósofo nacional - Portugal se mantém a marcar passo no que respeita a poder de compra, num per capita que se situa nos 78% da média da União Europeia...
Em abono da verdade e excepto para quatro - Àustria, Inglaterra, Suiça e Malta -, tudo o resto teve um mau ano para os ganhos de riqueza, porque ou perderam ou estabilizaram esses ganhos.
O nosso país mantém-se, assim, no nono lugar dos países mais pobres da UE, comparando-se agora a Malta, cuja posição de 2008 para 2009 melhorou dois pontos. Não é, de facto, comparação que nos ilustre...
O mais rico é o Luxemburgo com 268% da média europeia, apesar da perda relativamente ao ano anterior de oito posições. Depois dele vem a Irlanda e a Holanda com 130%.
Um facto curioso é o da Espanha, que apesar da crise, alinha com a média da União, com um PIB de 102% por cabeça. A Roménia e a Bulgária ocupam o fim da linha com 45% e 41% respectivamente.
Como já disse em post anterior, os indicadores valem o que valem. Mas são ferramentas de trabalho que servem para nortear medidas governativas. E, como cada vez mais, infelizmente, o governo de Portugal está nas mãos de Bruxelas, e estes dados são de um organismo da sua competência, a nossa individualidade, parece, só se mantém no futebol...
Triste destino este nosso. Antes, demos mundo ao mundo. Agora, estendemos a mão à Europa!

HSC

segunda-feira, 21 de junho de 2010

A goleada!

Portugal voltou, no futebol, por uma vez, aos tempos de glória. Enfiar sete golos na baliza da Coreia do Norte, é um fenómeno daqueles que só costumam acontecer no Entroncamento.
O Professor Queiroz, o Mister, deve estar impante. E os nossos goleadores devolveram o orgulho perdido à Pátria...
Nada de melhor podia ter acontecido a Socrates, o filósofo nacional. Durante mês e meio não houve nem haverá no Portugal dos pequeninos, agora transformado no gigante Adamastor, outro motivo de conversa que não seja o Mundial. Até ao jogo com o Brasil...
Não há crise, ninguém ouve os políticos e estes nem ousam aparecer. A única excepção foi a morte de José Saramago e até esta foi favorável - Deus me perdõe - ao Primeiro Ministro, porque proporcionou unir situação e oposições nessa humanidade que só nos cerca quando morremos.
Por isso, Portugal que ontem estava de luto, agora rejubila. São os alcatruzes da nora. Hoje em cima, amanhã em baixo. Mas sete golos é, de facto uma proeza que levou o mundo, a olhar-nos de maneira diferente. Somos devedores, estamos endividados, mas uma goleada destas ninguém nos tira. Essa é que é essa. O resto, por enquanto, são cantigas...
HSC