terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Mais respeitinho, por favor!


"O primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, apelou hoje aos portugueses para serem “mais exigentes”, “menos complacentes” e “menos piegas”, porque só assim será possível ganhar credibilidade e criar condições para superar a crise".

Começo a andar muito cansada deste tipo de conselhos. Depois de arcarmos com uma série de sacrifícios, o menos que se pode pedir, é que quem nos governa, tenha por nós mais respeitinho.
Gostaria muito de saber - já não estarei entre os vivos - se Passos Coelho, na minha idade, alguma vez trabalhará as doze horas que eu trabalho, sem me queixar.
Por isso, e porque estou longe de ser única, julgo que o PM deve ter algum cuidado com as palavras que usa e com o modo como avalia os portugueses.

HSC
Nota: Ouvi hoje, dia 8 de Fevereiro, o discurso na net. Embora a frase esteja fora do contexto, o conteúdo não foi, a meu ver, adulterado. Por isso mantenho que o PM tem de mostrar pelos portugueses muito apreço, nomeadamente quando lhes pede sacrifícios que, para muitos, são insuportáveis. Respeitinho sim, porque o merecemos, mais do que ninguém!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sessenta anos


Sessenta anos num trono é obra. Goste-se ou não de monarquias, Isabel II é a representação viva do seu país. Irrepreensível, mesmo para aqueles que são republicanos.
Quando se tem "uma certa ideia" de um povo pode pensar-se em De Gaulle, mas não se deve esquecer a raínha de Inglaterra. Ambos representam um país, uma gente, um determinado orgulho e dignidade no exercício dessa função.

HSC

domingo, 5 de fevereiro de 2012

Quando é que saímos disto?


O presidente do Euro-grupo e primeiro-ministro do Luxemburgo, Jean-Claude Juncker ameaçou hoje a Grecia com o fim das ajudas da UE e não descartou a hipótese do país se ver confrontado com a capitulação e a insolvência.

Segundo Junker - em declarações à revista semanal alemã Der Spiegel -, se não não forem aplicadas as reformas que se impõem, não se poderá esperar que se concretizem "os contributos solidários dos demais", o que augura a bancarrota do país num prazo de dois meses.

"No caso de chegarmos à conclusão que as culpas são todas da Grécia, não haverá um novo programa de ajudas, o que significará, em Março, a declaração de quebra", disse Juncker, que lamentou ainda o atraso no processo de privatizações.

"A Grécia deveria saber que não vamos ceder no tema das privatizações", advertiu o chefe de governo luxemburguês, que considera ser prejudicial para a imagem do país a "existência de elementos corruptos em todos os níveis da administração".

Mas Jean-Claude Juncker também destacou que antes de uma decisão sobre um novo programa de ajudas, os credores privados terão que ter acordado as respectivas contribuições para o resgate. O que torna ainda necessárias conversações com as autoridades helénicas sobre medidas suplementares de poupança.

Como se pode deduzir, tudo caminha muito devagar, apesar do precipício já estar à vista!

HSC

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Um sorriso


Uma pessoa muito querida mimou-me, hoje, com este verso de Eugénio de Andrade, um dos meus poetas preferidos. Aqui fica em partilha com todos os que me lêem. É lindíssimo!

O Sorriso


Creio que foi o sorriso,

o sorriso foi quem abriu a porta.

Era um sorriso com muita luz

lá dentro, apetecia

entrar nele, tirar a roupa, ficar

nu dentro daquele sorriso.

Correr, navegar, morrer naquele sorriso.

Obrigada!

HSC


Em que ficamos?


A agência de notação Fitch avalia Portugal como não representando um risco para a zona euro - ao contrário da Grécia, sempre o mesmo fado - , porque as autoridades do nosso país estão a tentar conter a crise financeira.
Já não se suporta este permanente filme a que a Europa está ser sujeita. Não há dia em que uma das três agências de notação não desclassifiquem qualquer coisa, perante a imobilidade de quem tem por obrigação tomar conta do velho continente.
Uma de duas. Ou não se liga e não se propala. Ou se liga e urge fazer alguma coisa. Em que ficamos?!

HSC

Matem-nas!


A Standard & Poors, vulgo S&P, reduziu a notação da EDP para BB, um nível de lixo. A agência justifica a medida pela "elevada exposição" da empresa energética aos riscos associados ao país.

A inoportunidade da decisão só pode ter que ver com a sua falta de inocência...

E não se podem matar as agências de notação? Estão à espera de morrer para fazer alguma coisa?


HSC

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

Não invocarás o nome de Krugman em vão

"Sem pôr em causa o mérito académico (teórico, portanto) de Paul Krugman, convém não esquecer que os textos que publica no seu blog ou nos jornais são, antes de mais, colunas bem escritas de opinião política. E que essa opinião tem uma posição marcada quer no âmbito da discussão das opções internas americanas, quer quanto às relações entre os EUA e a Europa (e o dólar e o euro).

Depois, importa perceber que aquilo que Krugman defende, bem ou mal, é uma solução geral cuja viabillidade só pode ser aferida perante situações concretas. Ora, os estímulos que preconiza dependem de eléctrodos. Que são, no caso, aquilo com que se compra os melões. Coisa que manifestamente nós não temos. Da mesma maneira que não temos dinheiro para pagar aos funcionários públicos se não nos emprestarem.

O que Krugman nega é a via da austeridade como solução para a Europa globalmente considerada. Na sua visão, os Estados com contas públicas equilibradas (isto é, a Alemanha e poucos mais) devem adoptar uma política expansiva. Mas, como aqui reconhece implicitamente, esse já não era o caso de Portugal nem da Grécia em 2008. Isto para dizer que invocar Krugman como voz autorizada contra as políticas de austeridade concretamente aplicadas em Portugal é como defender que a escolha do vestuário a usar no Verão deve ser feita tendo em conta as temperaturas médias do Alaska no mês de Dezembro. Aliás, o próprio Krugman admitiu recentemente que (...) il faudrait que, disons d'ici les cinq prochaines années, les salaires baissent, dans les pays européens moins compétitifs, de 20 % par rapport à l'Allemagne.

Infelizmente, para Portugal a austeridade não é uma escolha. É, antes de mais, uma imposição da realidade e, depois, daqueles de quem dependemos para comprar os melões.Significa isto que não há espaço para a crítica e para opções de política interna? Claro que há.

Ao alcance dos decisores continua a questão do combate ao desperdício e da gestão racional e eticamente aceitável dos escassos meios que existem. A escolha, agora mais do que nunca dramática, coloca-se, por exemplo, entre a captura de rendas pelos poderes instalados e a existência de uma barreira de protecção mínima para os que se afogam na enxurrada e precisam realmente de apoio. Ou entre a compressão de alguns direitos adquiridos e a necessidade de dar resposta a 30% de desemprego entre os jovens. São estas as decisões políticas que o governo deve fazer e é por elas que deve ser julgado."

Este texto que aqui reproduzo é da autoria de Rui Costa e foi postado hoje no blogue colectivo Delito de Opinião. É um texto que merece ponderação.

HSC