sexta-feira, 19 de novembro de 2010

Pronto, o meu novo livro saiu na terça feira. Fica aqui a capa como "cheiro" para o que ela encerra. Agora já posso dizer. São short stories nas páginas ímpares e "poesias" nas páginas pares. Tudo originais, à excepção do primeiro conto, mais longo, que foi publicado num livro escrito em parceria com outras autoras e agora remexido. São estórias de amor que nem sempre culminam em finais felizes. Mas contêm, todos elas, um lado de humor que contrabalança essa falha de felicidade.
Porque amar é muito mais do que gostar, resolvi meter mãos à obra e ensaiar dois géneros em que nunca tinha ousado pisar. Agora já está no mercado. E, por muito que me assuste, a criança vai caminhar pelos seus pés!

HSC

Chocolate


Ontem seis divas da literatura lançaram um livro conjunto com histórias em que o chocolate é a matéria prima principal. Eu tinha sido, no início, abordada para participar. Mas tal não foi possível. Fiquei feliz que o projecto se tivesse podido concretizar sem mim.
No grupo de seis estão duas grandes amigas minhas: a Rita Ferro e a Alice Vieira, dueto de mulheres com quem partilho muita coisa. E, para culminar, outra das narradoras, a Catarina Fonseca, é filha da Alice e do Mário Castrim, que foi um dos meus bons amigos.
Na assistência encontrava-se a nata da nata. Nem cito nomes, tal o peso deles. No meio dessa nata, uma comum amiga, a Rocha, como lhe chamamos para abreviar a importância do apelido, era o meu garante de um jantar supimpa de gargalhada a três.
A Rita, que durante cinco dias deixou de fumar, queria um restaurante onde se pudessem exalar nuvens de fumo. Sugeri um. Iam-me matando porque era caro. Remeti-me ao silêncio, envergonhada. Acabámos num italiano, ótimo, barato e que, numa quinta feira, tinha apenas tres mesas ocupadas.
Foi o derrame total. Em lugar de nos deprimir deu-nos um fôlego surpreendente. Rimos tanto, mas tanto, que dois pombinhos enamorados que estavam numa mesa, foram fazer ninho para outro local. Pior, porque o nosso riso aumentou. Deliciado, sim, estava o empregado que nos servia de olhos esbugalhados!
Se o chocolate daquelas seis histórias souber tão bem aos leitores como a noite nos soube a nós, estou feita. A concorrência aos meus livros será feroz! Sucesso amigas. Merecem!

HSC

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Debates

As televisões genéricas nacionais - salve-se o canal 2 - foram acometidas duma virose que anda a minar o país: os frente a frente ou as mesas de debate.
De que se trata? De um bónus que os respectivos canais dão a certos políticos - sempre os mesmos, mas em alternância -, para arredondarem os seus réditos mensais.
De que falam? Da crise económica ou das crises dos partidos nos quais não estão filiados ou de que não são simpatizantes.
De quem se trata? De veículos humanos dos ideais ou das teses das agremiações políticas em que se empenham.
Que montantes recebem ? São valores muito variáveis e que dependem da categoria politico profissional dos convidados. Mas, atendendo a que alguns desempenham funções de comando na sociedade portuguesa - como António Costa ou Pacheco Pereira, para só citar dois - devem poder atingir níveis bastante elevados.
Como se deduz do que acima descrevo, a originalidade dificilmente será grande, porque os conteúdos também não o são. As caras são quase sempre as mesmas. Conhecidas. Ou são opinion makers ou politólogos. Os primeiros, são intragáveis. Nos segundos, encontram-se alguns interessantes. Mas estes, por azar, são os que menos aparecem. Como os temas pouco ou nada variam e como falam todos para o seu umbigo, a linguagem utilizada é, na maioria dos casos, inacessível a grande número de espectadores.
Por tudo isto, alguém consegue explicar-me como se deixaram as generalistas invadir por esta virose e que razões justificam a sua manutenção? Só se for pela simpatia que mereçam da Alta Autoridade para a Comunicação Social.
É que não é, decerto, pelas altas audiências...

HSC

Um outro tipo de deficite!

Tranquilizem-se, não vou falar do deficite de Teixeira dos Santos. Não vou falar do mundo económico, mas do mundo dos afectos e do saldo que o acompanha.
Hoje de manhão fui à SIC testemunhar a minha estima por Nicolau Breyner, que vê agora publicada a sua biografia. Eu e mais uns tantos amigos. Que, por sua vez, estão todos ligados entre si. Lá apareceram, também, o Raposo e o Eiró.
A risota foi total. Como sempre acontece quando juntamos várias gerações unidas pelo humor, pela amizade e pelo gosto de viver. Faltaram muitos com quem sempre nos rimos, mas estavam longe, a trabalhar. Se o Fernando Mendes tem ido, então, não teria sido possível ter feito o programa, porque as gargalhadas abafariam as nossas vozes. Mesmo sem ele, já foi difícil.
Portugal precisa disto. De solidariedade, de amizade, de felicidade. De muitos Nicos. E de poucos sabichões a botarem opiniões pagas a peso de euros. O país tem superhavit opinativo e deficite de boa disposição e de bom humor, porque este existe mas é negro.
A vida, já sabemos, é e vai continuar a ser muito dura. Então, por favor, não nos sirvam mais dramas televisivos. Ao menos, façam-nos sorrir. É barato e dá milhões...de votos!

HSC

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O verso e o reverso

Portugal no passado recente, com algum peso na consciência, ajudou Timor. Este país quer, agora, ajudar-nos comprando dívida nacional.
A China com quem indirectamente, através de Macau, estabelecemos relações, veio aqui e ofereceu-se para comprar débitos soberanos.
Angola que foi uma antiga colónia é, hoje, accionista das maiores empresas portuguesas e está disposta a fazer do Continente um devedor privilegiado, aplicando aqui enormes quantias de dinheiro.
Podia continuar a citar a lista daqueles que tendo sido, no passado, dependentes de nós, se prontificam, nos nossos dias, a depositar na mão estendida, aquilo que hoje é o nosso infeliz quotidiano. Ou seja, o dinheiro pago a juros de ouro.
Não me movem nestas palavras quaisquer resquícios racistas. Nunca o fui, não o seria agora. Até prefiro que sejam aqueles que falam a nossa língua os nossos liquidatários. Mas não posso deixar de sentir uma tristeza semelhante à daqueles pais que, a certa altura da vida, se tornam dependentes dos seus filhos. Mesmo que esses filhos digam que os ajudam de livre vontade...

HSC

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Um sonhador...

Faz hoje oitenta e seis anos que o meu tio morreu, no Mar do Norte, a 15 de Novembro de 1924. Perseguia o sonho de dar a volta ao mundo de avião. Como antes sonhara e conseguira, com o seu amigo Gago Coutinho, atravessar por via aérea o Atlantico Sul e ligar Portugal ao Brasil, os dois países irmãos .
Nunca foi homem de bajular ninguém. Nunca se vergou ao que os outros consideravam impossível. E quando voltou, como herói, ao seu país, foi claro no discurso que proferiu. O "feito" fora em nome de Portugal e dos portugueses. Nenhum governo ou político dele se aproprearia.
Julgo que terei herdado dele este amor entranhado à minha terra. Amor tão fundo que esquece os defeitos ou até os defende. Mas tambéu eu entendo que Portugal é dos portugueses. Não de quem nos governa. O meu tio tinha toda a razão!

HSC

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

E esta?

Acabo de receber uma carta da Galp Energia que me informa que a minha factura de gás natural vai passar "a incluir um valor adicional que corresponde à taxa municipal de ocupação de subsolo, cujo montante é determinado pela sua autarquia, nos termos da legislação em vigor. Este valor é apresentado de forma destacada na factura de gás natural, com indicação do município a que se destina".
Mais informam que as empresas do sector são alheias a este valor, de que apenas são instrumento de cobrança, sendo o mesmo entregue, na íntegra, ao Município.
A resolução do Conselho de Ministros nº 98/2008, de 8 de Abril estabeleceu, através de contratos de Concessão de Serviço Público de Distribuição Regional de Gás Natural, que os custos com esta taxa de ocupação de subsolo seriam suportados pelos consumidores de cada Município.
Estou de boca aberta. Fui obrigada a substituir o gás que tinha, pelo natural. E agora vêm-me cobrar uma taxa de ocupação do subsolo?! E a água? E os telefones? E a televisão por cabo? E tudo o que anda pelo susolo também vai cobrar taxa para o Dr. António Costa me deixar cheia de buracos à porta e de lixo nas ruas que só são lavadas pela chuva?
Mas o que é isto? Mete-se a mão no bolso de quem quer que seja? E já agora os mortos também vão pagar por ocupação de subsolo?

HSC