terça-feira, 16 de agosto de 2016

Perguntar o obvio?!

A situação que temos estado a viver, com o relato ao vivo e a cores do que se tem passado por este nosso Portugal tem, também, permitido perceber as  diferenças ou as semelhanças entre o que entre nós se chama de comunicação social. A qual, na luta pelas audiências, parece ter um prazer mórbido em explorar o lado mais trágico destes acontecimentos, como se eles próprios não fossem, já por si, suficientemente dramáticos.
É isto que explica que um jornalista , há dias, tenha perguntado a uma idosa que tudo perdera, "como é que ela se sentia e o que tencionava fazer?", explorando uma boca sem dentes e as lágrimas que corriam por um rosto sulcado de rugas. A senhora ainda arranjou forças para responder "sinto-me perdida, quase morta". 
Será que alguém, com sensibilidade, poria esta questão? Ou esperaria que uma pessoa naquelas circunstâncias tivesse cabeça para responder alguma coisa? Talvez, com um negro sentido do humor, a inquirida pudesse dizer que estava "muito feliz"!

HSC

7 comentários:

Anónimo disse...

Inconseguimento de jornalista.
Teresa

Mineu Martins Santos disse...

Isto faz-me lembrar uma jornalista que, à chegada de uma atleta que tinha ganho uma medalha de ouro,lhe perguntou se tinha valido a pena a sua participação...
Perguntas pertinentes...

Virginia disse...


Essa eporter devia pura e simplesmente ir para o olho da rua ou ser achincalhada no FB até se tornar viral. Talvez aprendesse a não brincar com os sentimentos e miséria das pessoas. Não vi um unico telejornal enquanto estive fora - 20 dias - e não me fez falta nenhuma. De vez em quando é preciso desligar da cretinice ou somos engulidos por ela.

Silenciosamente ouvindo... disse...

Penso que a minha parte das vezes são tareifeiros e não jornalistas.

Mas até os jornalistas com alguns anos de carreira por vezes fazem
cada pergunta...

Desceu a muito baixo nível a n/Comunicação Social.

E o dizerem constantemente: x pessoa aterrou no aeroporto tal.

Então é a pessoa ou o avião que aterra?

Os meus cumprimentos.
Irene Alves

João Menéres disse...

E esse tal "jornalista" não merecia outra resposta !


Melhores cumprimentos.

Maria Manuela Pires disse...

Senhora Dra. Helena

Como sempre, tem muita razão.

É incrível, chega a ser cruel, a exploração que se tem feito da desgraça de tantos portugueses!
Tão reprovável também é a acção de um órgão de comunicação social que edita as tristes e incompetentes perguntas dos seus jornalistas.

Sílvia Colaço disse...

Infelizmente está a tornar-se banal.

Quando se celebram as aparições em Fátima, por exemplo, insistem em perguntar aos peregrinos que promessa estão a pagar...Porque se dirigem ali...Acho um assunto tão pessoal...Pelo amor de Deus!