sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Um susto familiar

Aqueles de quem sou amiga sabem que, para mim, falar ao telefone se resume a dar recados rápidos. E sabem também que só atendo números que tenho na minha agenda. Não possuo voice mail nem no fixo nem nos móveis e o ideal para quem quiser comunicar comigo é mandar-me um mail ou uma mensagem escrita. Aliás, na minha família próxima todos seguem o mesmo critério. Nem filho, nem irmãos têm caixa de voz. 
Ao invés, usei e uso o Skype com imensa frequência para trabalho. E, também, para conversar com os ausentes. Foi deste modo que vi os netos crescerem na Bélgica. E é através dele que, diariamente, mato as saudades do meu irmão mais novo e da minha cunhada, quando ambos estão em Moçambique. Não me deito descansada sem esta rotina que me alimenta a alma e me deposita nos braços do Morfeu.
O que significa haver sempre alguém que sabe de mim, porque mesmo quando está em Lisboa a minha cunhada Paula - mais irmã do que cunhada - todos os dias me fala. Porém, de vez em quando, preciso de ficar em silêncio, numa espécie de meditação contínua que não cede nem à familia. 
Recentemente, para tranquilizar o clã, numa destas minhas ausências, mandei à minha cunhada uma mensagem escrita muito afectuosa, na qual até gracejava com ela e com o meu mano, seu marido. Fiquei descansada.
Qual não é o meu espanto, quando os fixos e os móveis entraram num frenesim de toques tal, que me vi forçada a atender, julgando que algo se passara com o irmão mais velho, que tem estado bastante doente.
Felizmente, a razão era de uma comicidade atroz. Sem querer, eu enviara a mensagem escrita para o telefone fixo e não para o móvel. Em consequência aquele tocou, a minha cunhada atendeu e ia morrendo de susto quando ouviu uma voz que parecia vinda do Além, começar a ler o que eu tinha escrito, tipo autómato ou robot, sem qualquer modulação. A surpresa foi tal, que nem percebeu que se tratava de uma leitura mecãnica e julgou que fosse uma brincadeira de mau gosto. 
Resultado, como ninguém conhecia este serviço de telemensagens - nem eu, confesso - foi um reboliço familiar para saber quem é que eu tinha mandado ler o meu discurso e porquê. Só na minha família!
Ah! E, claro, o facto de ter passado a ter conhecimento dele desta forma, só me leva a ter mais cuidado e nunca mais mandar mensagens escritas para um telefone fixo...

HSC 

5 comentários:

Fatyly disse...

Imagino a confusão e o susto por parte dos seus. Desconhecia por completo este método que refere.

Um bom sábado

Observador disse...

Estimada Helena
Sugere, nesta postagem, a utilização do mail para a contactar.
Há algum tempo que pretendo fazê-lo. Só que não sei como nem descubro o seu e-mail.
Se me der o privilégio de fornecer o seu endereço electrónico, poderá enviá-lo para o meu, o que está ligado ao blogue.
Os meus cumprimentos e obrigado.

Helena Sacadura Cabral disse...

Ao Anonimo que me presenteia com os you.tube.

Agradeço a gentileza, mas deverá escrever a palavra seguida, sem ponto no meio, ou seja youtube. De outro modo nunca conseguirei ve-las!

TERESA PERALTA disse...

Querida Helena
Ainda não experimentei esse serviço, agradeço a informação.
Prefiro falar ao telefone mas, tudo muito rápido, não gosto de fazer grande conversa, apenas o essencial. Hoje, sou forçada a utilizar com frequência as mensagens e o skype, uso e abuso, desde que a minha filha, recém-formada, foi, há dois anos, praticamente obrigada a ir trabalhar para Berlim. Para dizer a verdade, as mensagens que trocamos são um exagero (eheheh): Pela manhã, por WhatsApp, damos os bons dias; ao fim da tarde e à noite usamos o Facebook; e quando estamos com saudades, que é dia sim dia não, vemo-nos e falamos pelo Skype. E, depois disto tudo, ainda tenho imensa vontade de lhe dar uns abraços e uns beijinhos.
Quando penso nas razões que nos obrigaram a este afastamento, fico triste e indignada, porque se cinge, em grande parte à actuação política e governação anterior que, em dois mandatos, nos levou praticamente à "sepultura".
Berlim é o “centro” da Europa, o custo de vida é bastante acessível. Os assalariados usufruem de bons direitos, como resultado de deveres escrupulosamente cumpridos. Descontam uma média de 40%, a 50% dos seus ordenados, não em desespero de bancarrota, mas porque é essa a política implantada. O Estado Social financia-se a si próprio, dado que consegue dar uma resposta colectiva eficiente, às necessidades de cada um.
Enfim, um exemplo de sucesso…
Não é costume, mas hoje o meu comentário vai um bocadinho extenso. Termino, com um agradecimento especial à Helena, e ao seu blog, pela “lufada de ar fresco” que me dá, todos os dias, à cabeça e à alma...
Beijinho e abraço grande para si.

Anónimo disse...


Bom dia Helena!!
Imagino o susto da sua cunhada, quando ouviu a voz do além...
Não gosto de deixar mensagens faladas, por norma só as faço no trabalho, caso não consiga contactar a pessoa em questão.
O Skype comecei a usar para a familia falar com o meu irmão, vive na Noruega.
Depois de ler o comentário da Fernanda, posso dizer que segundo o que conta o meu irmão a Noruega é um país muito bom para viver.
Existe segurança, não há desemprego, as pessoas são calmas, educadas, não existem animais abandonados, penso que ele ainda não viu pessoas sem abrigo, bons salários, abono das crianças 100 € para todos.
O que ele sente falta é do nosso clima, do nosso sol e da familia claro.
Helena também tenho dias, que gostava de viver num monte alentejano, sem comunicações, rodeada da natureza, galinhas ao ar livre, passear com os meus cães pelo campo.
Viver a minha infância
( férias ) no campo foi uma das melhores experiências que tive.

Carla