quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Cá se fazem...

Julgo que poucos se terão admirado com a notícia de que a ex primeira dama de França lançou um livro de 330 páginas, sobre a sua experiência no Eliseu, durante ano e meio que lá viveu.
Depois da humilhação pública a que foi sujeita, e face aos contornos que cada um evidenciou no desenrolar dos acontecimentos, era expectável que tal pudesse acontecer.
O livro foi escrito em segredo, pela própria, que não se coíbe de nele relatar detalhes íntimos e desconhecidos de François Hollande.
Entre as variadas confissões, Valerie admite ter tomado uma dose de comprimidos, após ter descoberto a relação extra-conjugal de Hollande com a actriz francesa Julie Gayet.
Trierweiler considera o ex companheiro calculista e frio nas relações pessoais e conta, a título de exemplo, que o líder do Eliseu apelida os franceses mais pobres de "desdentados".
O relato sobre os dezoito meses passados como primeira-dama de França, descreve um Presidente que passa demasiado tempo dedicado à vida sentimental.
A revista Paris Match publica excertos onde Valerie dá a conhecer que, no fim da relação, depois de se saber do caso amoroso, o Presidente francês lhe chegou a enviar 29 mensagens por dia a pedir perdão.
No livro intitulado "Obrigado por este momento", a jornalista confessa que o fim abrupto da relação foi "como cair de um arranha-céus" ou "ser atingida por um comboio de alta velocidade".

Os relatos de vidas íntimas são sempre lamentáveis. Mais ainda, quando se trata de figuras com responsabilidades cívicas.
Todavia, Valérie que está longe de ser ingénua, já havia feito passar a Ségolène Royal aquilo por que depois passou…
Parece ser a concretização do velho ditado “cá se fazem, cá se pagam”!

HSC

21 comentários:

Anónimo disse...

Tão mas tão medíocre!

Raúl Mesquita disse...

É isso, Cara Helena, deixemos os pormenores íntimos para os triângulos…

Raúl.

Isabel Mouzinho disse...

Também concordo que são lamentáveis oa relatos de intimidades e a exposição pública de toda a espécie de histórias de alcova (adoro esta expressão!). E não consigo entender que tipo de prazer se pode ter com estas vingançazinhas primárias que, além de deprimentes, ridicularizam o visado e também o seu autor/autora. Enfim...

Beijinho :)

Anónimo disse...


Helena,
já diz o velho ditado:

«Não faças aos outros, o que não queres que te façam a ti»

Parece, que o livro deve ser do mesmo genero que foi feito ao Pinto da Costa.
Não compro, nem tenho interesse em ler, livros vazios que nada ensinam, apenas servem de desabafo e alimentam o ego ferido, de quem os escreve.

Carla

Maria do Porto disse...

" Cá se fazem, cá se pagam", claro.
Mas desta maneira, não! Acho deprimente fazê-lo públicamente.
Revela muita mediocridade, falta de educação, até.
Podia "vingar-se" de muitas maneiras, mas na privacidade deles.
E, não é que nós as mulheres temos TANTO jeito! :=))))

maria isabel disse...

Parece-me de muito mau gosto,vir com essas vinganças a público.Se era assim tão mau, porque estava com ele? Para aproveitar o título?.
Estas confissões só lhe ficam mal, vai cair no ridículo. Fazia melhor estar calada,porque também não foi nenhuma santa.
Não é de pessoa elegante.

Anónimo disse...

Boa tarde,
chamar desdentados aos pobres é insultuoso. Contudo, se observarmos com atenção os moradores pobres, principalmente os dos bairros sociais, verificamos que a grande maioria não só são desdentados, como ostentam o cigarro ao canto da boca, passeiam a sua pochete debaixo do braço com o fato de treino vestido. Pobreza material existe bastante em Portugal, mas existe principalmente pobreza de espírito.
Cumprimentos.

Alcipe disse...

Qualquer amante de qualquer rei de França valia mais do que a Sra Trierweiler. Digo mesmo : tinha bem mais valor aquela generosa senhora cujo impetuosidade fogosa causou, involuntariamente, a morte do pobre Presidente Felix Faure. Outros tempos, outra França...

Alcipe disse...

Isto dito, vou a correr amanhã comprar o livro...

Helena Sacadura Cabral disse...

Nem mais, meu caro Alcipe.
Depois da investigadora do CNRS ter escrito um pseudo romance sobre DSK, só nos faltava esta!
Mas vai ver que esgota, porque o voyeurismo não tem limites...

Virginia disse...

Nenhum comentário.

Todas as palavras são demasiado caras para gastar neste tipo de chachada ( desculpe o termo).

Bom fim de semana!

Anónimo disse...

O coração tem razões que a própria razão desconhece.
Sara

Anónimo disse...

Bom, a temática parece-me desinteressante, quer a autora, quer o personagem principal não me interessam particularmente, logo, o livro, por mim, ficará na prateleira da livraria!
Cada um "vinga-se" à sua maneira, mas a de Ségolène Royal pareceu-me bem mais astuta!
E o pormenor do "desdentado" ficaria bem numa gaveta ... parecem "queixinhas" à moda de infantário!

Cláudia

DL disse...

Cara Helena,

Ao contrário de outros comentadores, acho que o livro tem valor e deveria ser arrumado na secção "educação" das livrarias. Esperarei com impaciência pelo "outro lado da história", o contraditório, como se diz no meio jornalístico. Nenhum espanto, também, pela forma como FH se refere aos pobres. Hoje em dia ninguém chega a presidente da França (nem a PM de Portugal) gostando de pobres - esta é a triste realidade, o resto é propaganda.

Como disse uma comentadora, VT poderia ter inventado uma vingança pior (queremos exemplos!) do que a humilhação mediática do ex-companheiro. Ou então ter tratado do caso em privado, porque não? Infelizmente a lavagem de roupa suja em público ainda não está sujeita a multa por atentado à salubridade pública.

Sérgio S disse...

Não sei porque, mas o nome desta senhora faz-me lembrar Rottweiler. Mulher Rottweiler... Não é coisa bonita... Pelo que percebi, já só fica a faltar o livro da senhora Gayet para terminar a triologia, com lançamento previsto para o Natal de 2015.

rmg disse...



http://www.lepoint.fr/politique/closergate-trierweiler-drole-de-premiere-dame-14-01-2014-1779904_20.php

Vindo do "Le Point" de meados de Janeiro merece leitura, nesses tempos cerca de 70% dos franceses detestavam a senhora, o que é um pouco diferente do que se passa com Hollande pois os franceses não o detestam , não o querem é como presidente.

Este livro é portanto mais um exercício de "voyeurismo" do que outra coisa e , como tal, merece bem que alguém o leia e nos conte o que lá está, mera cultura geral...

RuiMG

Anónimo disse...

Alguém com classe não faria nada disto.
Quem ama de verdade jamais se vinga.
É o que penso!...a intimidade é algo tão profundo que devia ser guardado e não partilhado.
A

Helena Sacadura Cabral disse...

Rui MG
Pode ser que algum dos comentadores venha a faze-lo e a beneficiar-nos do seu resumo.
A mim, este tipo de vinganças dá-me azia. Compreendo a humilhação pública. Até aceito o desejo de pagar na mesma moeda. Mas mesmo para isso é preciso classe e subtileza. E jamais a partilha de vida íntima, da qual a própria participou.

João Menéres disse...

Era esta senhora que viveu no Eliseu ?
Mais me lembra uma de mãos na cintura a regatear em qualquer bairro modesto de Portugal.

Anónimo disse...

... e ainda há livreiros e livrarias

http://rue89.nouvelobs.com/rue89-culture/2014/09/06/a-cause-trierweiler-libraire-est-venere-254682

rmg disse...


Cara Drª Helena

Totalmente de acordo.
Alguém nos há-de resumir aquilo e suspeito que não seja nenhum comentador daqui, mera cultura geral como disse.
A consulta dos jornais locais chegará.

Mas Hollande devia saber que nada pior que alguém ressabiado, muito em especial se esse alguém já tinha dado tantas provas do seu carácter ao ponto de ser detestada pela grande maioria dos francesesem muito pouco tempo.

E se não sabia (ou não queria saber) é forçoso que um Presidente da República ouça mais pessoas do que aquelas que lhe dizem o que ele quer ouvir.

Qualquer um de nós que tenha algum bom senso e alguma experiência da vida evita cuidadosamente ficar "nas mãos" de determinadas pessoas, em termos sentimentais, mesmo sabendo que se der para o tôrto a "história" não vai parar aos jornais lá da terra quanto mais aos do mundo inteiro.

Ora via-se logo o que isto ía dar, chegámos a falar aqui e por sua iniciativa do "título" que a própria queria escolher (ou "1ª jornalista de França" ou qualquer patetice "do coração" de que não me lembro agora).

Mas entre o ar de "criança desprotegida" e a aura do poder, o senhor não precisou - pelos vistos - de conselhos até agora.

RuiMG