sexta-feira, 1 de março de 2013

Fraternidade e bom senso...

A meu ver são lamentáveis as declarações de D. Januário Torgal Ferreira e do Padre Carreira das Neves sobre a opção sexual de D. Carlos de Azevedo. E reparem que apenas me estou a referir a estas e não às de assédio que também lhe foram feitas.
As últimas, a serem provadas, se com menores, constituiem crime público. As primeiras dizem respeito à vida privada e como tal deveriam ser olhadas. Pelo Estado e pela Igreja.
Carreira das Neves já veio retratar-se. É pena que tenha tido de o fazer. Mandava o bom senso que se não pronunciasse sobre uma questão desta natureza, em particular de um seu "irmão".
Quanto a D. Januário a memória começa a faltar-lhe porque, por muito menos, se considerou vítima de um linchamento político, há bastante pouco tempo. As suas afirmações relativamente a D. Carlos de Azevedo são, no mínimo, um linchamento de carácter, porque até se ser condenado, todos somos presumidos inocentes. Falar da homossexualidade de alguém, num país que legalizou as uniões entre pessoas do mesmo sexo é, a meu ver, de uma tremenda falta de senso. E de fraternidade!

HSC

16 comentários:

Carlos Fonseca disse...

"Quanto a D. Januário a memória começa a faltar-lhe porque, por muito menos, se considerou vítima de um linchamento político, há bastante pouco tempo"

Discordei de si nesse tempo a que se refere no seu texto.

Concordo agora, totalmente, com o que escreveu neste texto.

São lamentáveis e profundamente infelizes (para não dizer mais) as palavras quer de um quer do outro.

Fariam bem melhor se tivessem ficado calados.

zia disse...

É de lamentar toda e qualquer observação sobre as opções sexuais de cada um, contudo os padres são seres humanos com qualidades e defeitos!...
Um abraço,
lb/zia

miminhos cruzados disse...

Para mim, foi um choque quando estas notícias vieram a lume.
Não conheço pessoalmente, nenhum dos envolvidos, nem D. Carlos Azevedo nem o sacerdote que o denunciou.
Mas lamento que as denúncias só sejam feitas (ou só se alerte para o facto) quando D. Carlos Azevedo tem maior protagonismo: em 2010 aquando da visita papal a Portugal e agora que, ao que se ouve, tinha grande probabilidade de vir a ser eleito Cardeal Patriarca. Acho isto, no mínimo estranho.
Mas enfim... é a minha opinião e vale o que vale.

Quanto ao padre Carreira das Neves, não sei o que ele disse, já nem me lembro de o ver. O D. Januário, estava agora a falar, mas quando cheguei já apanhei o final da conversa e (francamente) não prestei grande atenção.

No que concerne à orientação sexual... cada um tem a sua... supostamente os padres estão obrigados ao celibato pelo que falar de homoseualidade ou de heterosexualidade é indiferente. Desde que não tenha cometido nenhum acto execrável com menores, D. Carlos Azevedo continua a ter toda a minha estima e consideração

Bom fim-de-semana
Vãnia

ERA UMA VEZ disse...

Mas, se afinal a Igreja obriga os seus membros (não leigos) a serem castos, porque razão estamos a falar das suas opções sexuais???

Se não podem praticar, então aquilo que "sentem" não deveria ser apenas do seu foro pessoal?

Quanto a assédio...aí sim, o assunto já é do interesse público, claro.

Teresa Peralta disse...


Mais uma vez concordo com o seu discernimento.
Sendo a celibato e a castidade um voto obrigatório para padres e bispos, como é que irmãos na fé e no dever da fraternidade humana se prestam a comentar publicamente este assunto, fazendo considerações despropositadas e, ainda por cima, quero crer que, sem conhecimento de causa.... Ai... ai...!
Um abraço enorme

Anónimo disse...

Subscrevo inteiramente as suas palavras.

Admirei e admiro D Carlos Azevedo.

Sou católica convicta.

Procuro que a minha vida se pareça mais e mais com a de Jesus Cristo.

Espero e esperarei da forma activa ao meu alcance que a Igreja tenha o jeito de Jesus, que fez círculos na areia e pediu aos que acusavam que atirassem a primeira pedra.

Só que a Inquisição existe. E mata.

Teresa Frazão

rmg disse...


O país legalizou "de jure" mas não legalizou "de facto".

Como muito do que nos cerca , as pessoas acham "lindas" da boca para fora muitas coisas que continuam a achar "feias" da cabeça para dentro .

Há que "parecer" , como sempre .
E chamar hipócritas aos outros antes de que alguém se lembre de nós .

RuiMG

CF disse...

As uniões não devem ser analisadas, ponto, exceptuando as que possam ser abusivas ou criminosas, claro. E isto independentemente de género ou de outras questões, que muito vêm ao alto, sem qualquer legitimidade de quem as comenta. Partindo do pressuposto de que há sentimentos, respeito e vontade, de ambos os intervenientes.

Anónimo disse...

As opções sexuais de cada um não são a meu ver discutíveis.
A haver assédio, deverá ser tratado pelas instâncias
próprias.
Mas atacar quem está a ser atacado, parece-me muito, muito feio.

Anónimo disse...

Parece-me mais um caso de linchamento e da "invejite" lusa quando D. Carlos de Azevedo tem protagonismo na hierarquia da Igreja Católica.

Sou católica não patricante, fui educada no seio de uma família materna muito católica (sem fanatismos!) e uma família paterna agnóstica. Confesso que são estes casos que me entristecem e levam a que, cada vez, haja menos praticantes.

Questiono-me se o sacerdote acusador não será mais um daqueles que vive no armário ou terá "atracção" pelo D. Carlos de Azevedo... Pois, diga-se, em abono da verdade, é um homem bem interessante e culto!

Quando aos outros dois visados (D. Januário Torgal Ferreira e Padre Carreira das Neves), já entraram no estilo "velhos dos Marretas"...

Isabel BP

P.S. Há uns anos, contactei com o D. Januário Torgal Ferreira e fiquei deveras decepcionada com a antipatia...

Anónimo disse...

Detesto ser "leviana" a fazer comentários e parece que cometi uma injustiça naquilo que escrevi.

De acordo com um amigo com o qual acabei de falar, o sacerdote que denunciou o "assédio" representa o estilo de integridade que aprecio na Igreja Católica.

Quero apenas retratar-me nesse aspecto, não obstante manter grande parte daquilo que escrevi.

Isabel BP

Raúl Mesquita disse...

A demissão do Papa, Cara Helena, não terá nada a ver com asneiras que alguns Cardeais e Monsenhores dizem publicamente e com certas "proibições criminosas" como as do preservativo, que ele oficialmente condenou, mas, quem sabe se no seu coração e cérebro lhe custou muito fazê-lo?

Não crente, como sabe que sou, tive sempre a impressão de estar perante um homem muito culto, acima do seu predecessor, por exemplo. Este não era populista. É apenas a minha opinião, sem querer ferir alguma susceptibilidade.


Raúl.

Anónimo disse...

Como comentado, quando a Igreja Católica impõem a castidade aos seus vigários é raciocínio silogístico que é noticia quando um deles, para mais numa posição tão elevada, não o cumpre... a questão da homossexualidade (num país com ou sem casamento homossexual) é acessória quando o que está em causa a quebra de uma regra canónica de tal magnitude.

A questão de assédio é também crime pelo que se justifica, a todos os níveis, o interesse do público sobre a questão.

Compreendendo o interesse do público não percebo os comentários tornados públicos, independentemente do seu teor, de outros vigários.

São despropositados, acerca do crime não se deve opinar até decisão judicial, sobre os comportamentos sexuais de quem quer que seja dispenso quer a informação quer a opinião dos “comentadeiros”, por óbvia interferência de uma esfera privada que só ao próprio diz respeito e só ao próprio interessa e deve interessar, sobre a castidade nada de interessante disseram e esse era o único ponto sobre o qual, enquanto alvos da norma, teriam toda a legitimidade e interesse em comentar ....

N371111

Anónimo disse...

O assédio sexual ou perseguição é um comportamento prepotente ou um conjunto de comportamentos insistentes, através de actos ou verbalmente, com intenções sexuais, levados a cabo por alguém que se encontra numa posição de poder em relação ao perseguido ou perseguida (poder hierárquico, económico, social, etário, etc.)

É UM ACTO CRIMINOSO, REPROVÁVEL, CUJO JULGAMENTO NÃO PODE ILIBAR NINGUÉM, QUER SEJA UM ASSÉDIO HETERO OU HOMOSSEXUAL.

Acresce que, esteja-se ou não de acordo, os religiosos juram castidade.

O facto de o assédio sexual ser exercido sobre um homem ou sobre uma mulher maiores de idade, reduz o peso do crime, mas não o anula.

ENFIM, MAIS UM EXEMPLO DE QUE A IGREJA NÃO É MAIS DO QUE UM ENREDO DE HIPOCRISIAS, TRÁFICO DE INFLUÊNCIAS, CONLUIOS E MANIPULAÇÕES. NÃO SÃO BONS EXEMPLOS PARA NINGUÉM, EMBORA REPRESENTEM O PAPEL DE EXEMPLARES.

UM BOM EXEMPLO, SIM, SÃO OS HOMOSSEXUAIS, ALGUNS COM GRANDE VALOR SOCIAL QUE, NÃO OBSTANTE TODA A REPROVAÇÃO E DISCRIMINAÇÃO DE QUE AINDA SÃO VÍTIMAS, ASSUMEM PERANTE A COMUNIDADE A SUA ORIENTAÇÃO SEXUAL.

Anónimo disse...

Quando vejo que alguns comentadores admiram D. Carlos de Azevedo por ser 'um homem bem interessante e culto'(poupem-me, por amor da santa!!!)pergunto-me se estas críticas a D.Januário e ao Padre Carreira das Neves não vêm 'branquear' a acusação de assédio sexual repetido, feita a D.Carlos A.
Estranhamente nunca ninguém foi ouvido, e enquanto não se esclarece a situação, D. Carlos A. não é culpado, mas tb não é inocente.E sem esse esclarecimento seria totalmente inaceitável a sua sucessão a Cardeal Patriarca, mesmo sendo tão bem parecido e culto!!!Oh que pena tão jeitoso...

Segundo o sacerdote José Nuno Silva, tido por muitas personalidades credíveis da nossa sociedade, como um exemplo de honestidade, e que fez a queixa em 2010, para além do assédio de que foi vítima, tem conhecimento de outros casos de assédio por parte de D. Carlos A.

Estas críticas neste post ignoram ainda que D. Januário tem feito declarações muito mais importantes como aquela em que sublinha que as pessoas na governação estão a dar cabo do país e a semear a miséria.
O próprio Padre Ferreira Neves afirma que o problema estaria em haver ou não assédio, e não na homossexualidade.

Segundo o Padre António Fontes de Vilar de Perdizes está em causa a necessidade de abolição do celibato, que evitaria muitos comportamentos desviantes na Igreja.

Tudo isto está enrolado num enorme novelo de questões bicudas (muito fraternais, oh se são!!!)
- ninguém foi ouvido quando da queixa em 2010;
- a guerra entre a maçonaria católica e a opus dei a que se deveria a ida de D. Carlos A. para o Vaticano, para uns como castigo, para outros como promoção;
- a chamada Vatileaks, isto é, o escândalo originado pela vinda à tona de documentos secretos do Vaticano que revelaram uma ampla rede de corrupção,favoritismo, um lobby homossexual, a lavagem de dinheiro, a falta de transparência financeira, os subornos, etceteríssima.

Anónimo disse...

Não esqueçamos que ao negar publicamente as acusações de assédio de que foi acusado, D. Carlos de Azevedo deixou no ar insinuações meio encobertas por uma capa de torpe 'beatitude', de que o sacerdote que o acusa seria ou estaria mentalmente perturbado quando os factos ocorreram, tendo tomado por assédio a sua proximidade de mentor espiritual.
Por três vezes o assédio, a última em 2009.

Não é este o comportamento de muitos perseguidores, predadores? Para eles são as vítimas os culpados, foram as vítimas quem os seduziram ou as vítimas são mentalmente perturbadas, vêm coisas onde elas não existem.

Ele nunca disse: vamos esclarecer tudo isto.

É grave, muito grave, muito muito muito feio e execrável. É VISCOSO.