terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Nostalgias

Um querido amigo meu perguntou-me, hoje, se eu sou ou não nostálgica. Respondi-lhe, a rir, que não. Dou o passado por adquirido naquilo que ele teve de bom e de mau. Não rumino nas dores e não enfatizo felicidades que, se sabe de antemão, serem sempre passageiras.
Todavia, quando ele me disse que a maioria das mulheres o eram, fiquei a meditar na questão e nos seus possíveis cambiantes.
Fazendo uma introspecção sou, claro, capaz de me lembrar de momentos muito especiais na minha vida, diria mesmo gloriosos. Mas acontece que eles o foram "naquela época", quando eu era uma "certa pessoa". Traze-los de volta, sem eu própria retornar ao que fora, não teria qualquer significado. E, mesmo que tal fosse possível, eu já teria vivido outras experiências e o mais natural era que não sentisse do mesmo modo.
Olho o passado com ternura. Mas não me empenharia em voltar a ele. O seu significado ficou lá atrás com a pessoa que então fui. Hoje, o que me move é o presente e até um certo futuro. É isso que me dá perspectiva, que me empolga, que me dá força.
Assim, creio ter sido inteiramente verdadeira, quando afirmei não ser nostálgica. E até creio que a nostalgia pode, mesmo, impedir-nos de ser felizes. Que é a nossa maior obrigação!

HSC

19 comentários:

Isto e aquilo disse...

Concordo consigo quando diz que "a nostalgia pode impedir-nos de ser felizes." Porque quem vive demasiado preso ao passado não consegue viver plenamente o presente, que é o que devo importar-nos, digo eu. E, dito isto, é claro que é impossível não relembrar alguns momentos vividos, sobretudo aqueles em que fomos particularmente felizes. Também não me considero nostálgica. Até me acho, hoje, uma pessoa muitíssimo mais interessante do que era há vinte ou há trinta anos. ;)

Beijinho
Isabel Mouzinho

Anónimo disse...

obrigada por mais um assunto que nos põe a pensar e muito!
a nostalgia é um ingrediente que faz parte da vida, mas cada um doseia-o segundo o modo como vive os acontecimentos e os anos de experiência e as vezes em que teve de ultrapassar obstáculos.
beijinhos cheios de carinho,
lb/zia

Helena disse...

Bonito texto. Grata pela verdade das suas palavras. Beijinho

Um Jeito Manso disse...

Boa. Concordo. É isso mesmo.

Teresa Peralta disse...

Tudo é relativo no tempo e no espaço. Gostei da ideia! Procurar ser feliz é uma obrigação que nos assiste. Incluindo, é claro, o respeito pelos outros.
Viver o momento, fazendo as nossas escolhas, sempre numa perspectiva positiva, de esperança, acaba por adormecer a nostalgia que nós portugueses gostamos tanto de explorar. Reconheço, ter sido sempre, nesta perspectiva, que, ao longo dos tempos, soubemos vencer as maiores adversidades, pessoais e colectivas.

Blondewithaphd disse...

Benvinda ao clube das não-nostálgicas!
Eu pensava que a minha não-nostalgia se devia à alma pouco lusa, muito embrenhada ainda da minha germanidade incapaz de grandes saudades passadistas e, afinal, há mais gente assim. Prova também que nem todas as mulheres são nostálgicas.
O passado tem coisas boas sim. Mas nunca me apeteceria regressar. O que se vive é o presente, o que se espera é o futuro. O que passou ficou lá trás num tempo não mais acessível e é aí que deve estar.
Gostei muito de ler.

Anónimo disse...

A mim move-me o presente, o passado e o futuro.
Quando me apetece deixar a nostalgia espairecer um pouco, deixo-a desde que nunca domine nem deturpe o caminho que percorro agoa.

olinda silva disse...

Cara Helena, como é bom o exercício a que nos obriga diáriamente, devia ter uma sala num desses ginásios muito na moda, para fazermos exercício mental, que tanta falta nos faz.
Eu tento não ser nostálgica, porque também concordo que a nostalgia nos impede de sermos felizes, mas tenho saudades dos sonhos que tive para o meu futuro. Agora não consigo sonhar nada assim muito interessante.
Um beijinho

Anónimo disse...

Bom dia,
eu ainda não sei bem se sou ou não nostálgica ... mas tenho a certeza de que gosto muito do meu presente, isto é, das pessoas com quem partilho o meu presente e tenciono continuar a partilhar o futuro...
Mas lembro-me que à cerca de 3, 4 anos, andava num período muito nostálgico e isso devia-se ao sentimento geral de infelicidade que experimentava com a "vida" que tinha ... após determinadas decisões tomadas, um novo ciclo se iniciou e esse sentimento foi-se sumindo.
É um ponto de vista ...
Cumprimentos
Cláudia

Isabel Pais disse...

Olá,

Concordo consigo, a nostalgia só faz rugas!

Um Abraço

Isabel

Hélia Cruz disse...

Cara Helena,
Subscrevo totalmente o que disse sobre a nostalgia.Também não me sinto nostálgica, embora reconheça que há algumas portuguesas que o são. Felizmente penso que temos obrigação de ser felizes, apesar da vida nos ir pregando partidas.Mas a vida é feito de muitos momentos difíceis e de alguns de grande felicidade.Quanto aos últimos vivo--os intensamente como reserva para quando vêm os outros que não gosto, mas que aceito como fazendo parte da minha vida.
Sempre com amizade.

Raúl Mesquita disse...

Que belo tema para um ensaio, Cara Helena!

Já atraiu tantos filósofos, desde os antigos, os verdadeiros clássicos, até aos chamados clássicos da nossa era (séculos XVII e XVIII) como sabe. Os românticos fizeram ficção para exprimir a Nostalgia.

E eu?

Desculpe usar o seu Blogue, mas hoje não resisto perante o prato que nos serve.

A memória é o motor da minha vida, logo, da minha escrita também. Já fui mais agarrado ao passado, agarrado com mais força, quero dizer, porque ele está quase sempre presente. Melhores ou piores, esses momentos são o esqueleto "a priori" daquele que sou, como aquele que sou agora fundamenta o meu futuro. Saudades, sim, são mais frias, mas estão cá. Note-se, tenho pena que estejam mais frias na sua forte presença.

Neste momento vivo num mar de descrença perante a humanidade e não apenas por aquilo que todos sabemos, mas porque as pessoas não têm palavra: das poucas coisas que ainda não sei perdoar. Perco horas de sono por causa das mentiras e das dúvidas que a falta de palavra cria. Ah, que bem que sabem as memórias então, mesmo gélidas como agora quase sempre são...

NB. As mentiras e as as dúvidas que referi não têm nada a ver com o plano amoroso.

Raúl.

Anónimo disse...

Talvez seja esse mesmo, o eterno futuro, o segredo da sua juventude, talvez seja esse o motivo porque é por todos ouvida e por imensos querida ...

"Será pela juventude? Pelas belas pernas? Pelo rosto encantador? Pelas plásticas que faço? Pelo ócio da minha vida? Porque tenho um marido rico? Ou porque só digo baboseiras?"

A primeira é um sim rotundo e confirma-se desde já ... ;) Como aliás a vasta maioria dos seus leitores fartam-se de repetir e parece não querer acreditar.

N371111

DNO disse...

Nos ultimos tempos este tem sido um tema de reflexão para mim, pois realmente dei-me conta de que o passado passou e agora sou outra pessoa.
Subscrevo tudo tudo o que a Helena escreveu.
Um abraço

Anónimo disse...

Cara Helena,

Aqui está um estado de alma de que padeço e não consigo libertar-me... Bem tento!

Isabel BP

Maria de Sousa Pinto disse...

O passado passou, mas quando alguém que queríamos que ficasse no passado passado, teima em permanecer e avivar essa memória é ao mesmo tempo muito belo e doloroso!... Belo porque o tempo avivou, doloroso porque o amado olvidou...
Nostalgia?! Uma romântica apaixonada!
E há maior felicidade que amar e ter sido amada?!

Anónimo disse...

Maria (publicamente anónima)
Boa noite Drª Helena!
Que bonito! Que belo exercício que a Senhora nos apresenta, tem toda a razão, gosto da sua análise, eu também não sou a mesma pessoa que era há vinte anos. Gostei particularmente da ideia de que sermos felizes é a nossa obrigação! Alguém costumava dizer “façam o favor de ser felizes”.
Mas…o pior é que isso nem sempre é possível por diversas razões.
Mas o seu trabalho e o seu “fio de prumo” contribuem em muito para nos sentirmos felizes. Com uma escrita muito cuidada (como eu gostava de ter os seus dotes!), bons temas, assuntos interessantes e importantes que nos ensinam muito, alguns levam-nos a reflectir e a grandes interrogações.
Estes três tempos (passado, presente e futuro) não são pensados e vividos por todos do mesmo modo. Que bom que assim seja.
Obrigada e parabéns por ser assim. Continue a fazer-nos companhia com a sua comunicação.
Maria M

ves disse...

Também não sou nostalgica, mas que o passado (memórias), condicionam o meu presente/futuro, lá isso condicionam!
E às vezes é uma pena...

maria vitória silva disse...

Mais um belo texto que nos deixa a pensar!! Também concordo com a senhora quando diz que a nossa maior obrigação é a de sermos felizes. Esforço-me nesse sentido, mas não deixo de ser um pouquinho - q. b. - nostálgica. Que o melhor mesmo é viver com intensidade cada momento do presente e pensar positivo em relação ao futuro... Obrigada pelos seus textos! a senhora é uma força da natureza! Bjo
Maria Vitória