sábado, 12 de março de 2011

O censo obrigatório às... 20 horas!

Eram cerca das 20h de ontém, sábado, quando a campaínha da porta de cima tocou. Perguntei de dentro quem era. Responderam-me que era do Censo e que precisavam de me fazer perguntas. Respondi que as fizesse de onde se encontrava porque eu não abria a porta a ninguém àquela hora. E sugeri que deixasse na caixa do correio os impressos respectivos.
Que não podia ser, porque precisavam de saber quantas pessoas viviam aqui em casa. Esclareci este ponto. Quis saber se eramos da família ou não e se aqui ficava a empregada. Disse que não tinha empregada e ainda que só responderia ao restante em dia de semana e com identificação prévia. Insisti que as pessoas que aqui viviam saberiam responder aos questionários em causa e que, se fosse necessário, também saberiam como ser esclarecidas. Nada. O homem ficou especado no patamar até que a luz automática da escada se apagasse, tendo ainda acrescentado que o Censo era obrigatório. Foi quando clarifiquei ser esse mais um motivo para ele deixar na caixa postal os ditos documentos.
No meio da violência de que muitos de nós podemos ser vítimas, será que as 20h de um sábado, constituirão a altura mais adequada a este exercício?!
Eu sei que a maioria das pessoas trabalha e que, portanto, para ser inquirida, o ideal será em horário pós laboral. Mas ao sábado, dia habitual de descanso?!
Eu sei e compreendo que se fazem censos de dez em dez anos. Mas utilizando este caminho, de usar o fim de semana à noite, muitos de nós não vão poder "responder obrigatoriamente", porque têm cuidados especiais em relação à segurança da sua residência. Nomeadamente se viverem sós. Seria bom que as autoridades competentes tivessem consciência desta dificuldade.
Hoje de manhã fui ver a caixa do correio para saber se lá tinha ficado o que precisava para responder via net. Não havia lá nada. Logo, neste momento, não sei sei se quem me procurou era o censor ou alguem a fazer-se passar por ele. E que, mal eu abrisse a porta, me assaltasse a casa...
Fui à net informar-me. O número de apoio só funciona nos dias úteis das 9 às 20 horas. Ou seja os serviços só atendem nos dias de trabalho. Mas os inquiridos são abordados... ao fim de semana.
Se o inquiridor tivesse deixado na caixa do correio os números de identificação necessários ao acesso via net, eu estaria agora habilitada a cumprir a minha obrigação. Como não o fez vou ficar à espera. O que muito possivelmente significa não poder responder no dia 21 de Março.
Com censo ou sem ele, eu não abro a porta a ninguém a partir das 20horas. Apenas a amigos e conhecidos que previamente se identificam. Como eu, muita gente mais!
Porque será que as decisões entre nós nunca são devidamente ponderadas? Sobretudo quando são obrigatórias...

HSC

25 comentários:

Presépio no Canal disse...

Faz muito bem, Helena! Nao abra mesmo. E um perigo. E nunca indicie que esta sozinha. Outra coisa que faco e nao escrever no blog ou no FB quando vou de ferias e
durante quanto tempo. Nos tempos que correm, todo o cuidado e pouco. Bjs e cuide-se bem que nos faz muito falta!

Lura do Grilo disse...

Bem visto!

Ele há cada uma!

Anónimo disse...

Este País vai de disparate em disparate até ao desastre final!
Ao que a prepotência governamental chega!
P.Rufino

Maria Augusta disse...

Censo às 8 da noite num sábado????? É caso para dizer que é mesmo falta de senso...Eu também não abro a porta se vierem ter comigo àquela hora.Deixem na caixa do correio que eu depois faço pela net.

maria augusta disse...

Dra Helena
Volto aqui novamente porque estiveram mesmo agora a informar-me que nesta fase não fazem perguntas e que têm autorização para deixar na caixa do correio.
Parece-me que no caso que relata era mesmo qualquer coisa estranha.
Ainda bem que não abriu a porta.

(c) P.A.S. disse...

Cara Helena

Tal também me aconteceu e a "precária" à rasca teve o bom senso de me deixar à porta de casa o questionário e o código. O bom senso pelos vistos também é precário e anda à beira, como todos nós, de um ataque de nervos!

carolina disse...

Correndo o risco de cometer um erro terrivel sempre virei em defesa dos "censores" aceitando desde já que possa ter uma visão viciada uma vez que o meu filho mais velho, estudadante universitário, no 3º ano do seu curso, teve a "sorte" de ser classificado para fazer parte desse rol de gente que bate à nossa porta a solicitar informações que pelos vistos são "obrigatórias", talvez não seja muito certo baterem à porta das pessoas depois das 20H, pelas reacções dos demais comentadores, parece ser unânime que devemos pôr-nos a milhas dessa gente, pois bem no caso do meu filho que é o que conheço e da sua namorada também ela finalista de medicina, sempre direi que eles são os tais jovens à rasca, que porque estudem e no caso particular do meu rapaz, é do Porto e tem um estágio não remunerado em Lisboa, onde tem de deslocar-se 3 dias por semana, pagar transportes, refeições e dormida ( e ficar eternamente grato por tão extraordinária oportunidade só dada a alguns..imagine-se), e que me está a deixar completamente enrrascada, tem ainda os outros dois dias de aulas na faculdade... pois não é apenas porque as pessoas estão em casa depois do trabalho, sendo certo que com o numero de portugueses a receberem, rendimentos de reinserções social e todo o genero de subsidios com que os nossos sucessivos governos aplacam a sua má consciência socialista, fazendo-nos crer que até somos muito amigos dos pobrezinhos, podendo espizinhar á vontade quem trabalha e não ganha suficiente para sustentar uma prole de dois filhos universitários, sem poder contar com ajuda paternal porque, pai negligente também é um crime que compensa (tavez fosse fácil encontrar a maioria em casa durante o dia a dormir ou então no café da esquina)...Ah mas voltando aos censos, entendo todas as reservas em abrir a porta a um rapaz desconhecido depois das 20H, mas por favor, depois de verificada a sua identificação depois de todos os cuidados, que devem ser reforçados podemos pensar que para além de ser uma boa hora para se encontrar um familia reunida poderá ser o unico tempo que um jovem à rasca tem sacrificando também ele o seu tempo de descanso e de estudo para ajudar uma mãe também ela à rasca... Obrigado e tenham cuidado

Xantipa disse...

Olá!
Percebo perfeitamente as suas cautelas, mas conheço uma jovem que está na equipa dos censos e eles só trabalham pós-laboral, portanto, à noite e fim de semana, que é quando encontram as pessoas em casa.
A nossa casa vieram ontem Domingo, de manhã.
Penso que eles podem deixar, a pedido, o código de acesso à Internet, precisamente para essas situações. Quando deixam em papel, deixam um imprenso por morador, e daí a pergunta. Mas sendo pela net, basta deixarem o código na caixa do correio, a pedido do morador, como foi o caso, e não deviam insistir.
Cumprimentos e votos de boa semana!

rosaamarela disse...

Eu vivo numa moradia, e lá dentro grito sempre fique do lado de fora do portão para que eu o/a veja !!!

Temos pena,(já me estou a rir)mas para mim parece que tb não vai haver senso.

Helena Sacadura Cabral disse...

Prezada Carolina
Eu sei que o censo tem de ser feito em horário pós laboral. Disse-o no post. Mas ao sábado o horário poderia ser entre as 11h da manhã e as 18h. Fora deste horário vai ser um problema porque, de facto, quem vive só não abre a porta.
Então arranjem-se soluções. Por exemplo que nas respectivas Juntas de Freguesia haja censores que ajudem aqueles que lá vão. Ou que quem queira, como é o meu caso, preencher pela net receba na página do Censo/INE os códigos necessários.
Num país onde a violência começa a assustar, muitos censores ir-se-ão deparar com o problema de lhes não abrirem a porta.
Hoje telefonei para o INE e a resposta que me deram é que hão-de cá voltar...ou seja, a cena pode vir a repetir-se.
A culpa não é dos censores, coitados, que como o seu filho estão a trabalhar. A culpa é de quem não preparou devidamente a população para isto. Temos uma tv pública que recebe dinheiro do Estado e ainda tem publicidade paga. Ela podia, devia, explicar co muito cuidado, tudo o que se vai fazer e como.
Eu por mim não vi nada que me esclarecesse nos jornais ou na tv!

Anónimo disse...

Cara Carolina,

De facto, há a componente humana dos censores "jovens à rasca", mas os cidadãos também andam "à rasca" por causa de ladrões "rascas".

Resumindo, com tanto "enrascado" todo o cuidado é pouco!

Isabel BP

CAL disse...

Cara Senhora,

deixo aqui um link que leva a uma imagem digitalizada dos Censos. Respeita os trabalhadores a recibo verde, e a forma como lhes é pedido que se "identifiquem".

Cumprimentos.

http://www.facebook.com/photo.php?fbid=10150206289119148&set=a.164290129147.149376.106536539147&theater

Carlos II disse...

Que falta de senso!

Anónimo disse...

Obrigatório ??? Que alguém me tente obrigar que vai daqui corrido a tiro!!! Eu não abro a porta nem respondo a nada. Abram a pestana que ninguém vos pode obrigar e vai haver muito roubo à custa disso.

Ältere Leute disse...

Os blogues ( com os comentários que suscitam e que quem faz a "respectiva moderação" permite ) são bons para isto: abrem-nos os vários ângulos / lados das questões! Obrigada!

Anónimo disse...

Cara Helena,

Ontem, já comentei o post mas aqui vai uma notícia que acabei de ler no Correio da Manhã online a corroborar alguns receios:

“Falso responsável dos Censos burla idosa

Uma octagenária foi assaltada esta terça-feira na aldeia de Copeiro, Figueira da Foz, por um falso responsável dos Censos, que burlou a idosa em mais de 1000 euros.

A vítima, uma senhora com 84 anos, foi abordada cerca das 12h30 quando se encontrava a trabalhar no quintal.

A idosa permitiu a entrada no homem na sua residência, alegadamente para a realização do Censos 2011.

Quando foi questionada se possuía dinheiro em casa, a vítima respondeu positivamente, e em seguida mostrou o local onde guardava o dinheiro.

O assaltante empurrou a idosa para se apropriar da quantia, causando-lhe hematomas na cabeça.

O homem aparentava ter entre 55 a 60 anos, e colocou-se de imediato em fuga, deixando para traz uma lata com 1 240 euros, mas ainda escapou com uma quantia estimada entre os 1000 e os 1 500 euros.
Segundo dados recolhidos pela GNR junto da idosa, o presumível agressor fez-se transportar num veículo de cor cinzenta e vestia um colete verde e umas calças azuis.”

Os larápios devem estar radiantes com o sistema utilizado nos Censos 2011, nem tiveram que se esforçar para inventar uma burla em que tantos portugueses, infelizmente, vão cair.

Não foi anunciado que estaria sempre uma patrulha na zona onde estivessem os responsáveis pelos censos, para o caso de haver dúvidas quanto à sua legitimidade?

Por que não são os impressos enviados pelo correio e respondidos através da internet ou entregues nas juntas de freguesia (neste caso, para proteger os idosos residentes em locais isolados)?

Isabel BP

patricio branco disse...

é mais barato assim e a consciencia fica limpa, sempre tentaram

LOUVA A GREVE PERMANENTE EM DEUS disse...

1º o pessoal dos census ganha ou ganhava por impresso logo quantos mais fizer mais ganha

geralmente é pessoal sem emprego (estudantes) ou pessoal que os faz desde os idos de Março de 1991 e assi
os faz em pós-laboral

têm indicações dos burocratas que os chefiam para actuar assi

2º ou 14º Podendo-se entregar os impressos na junta de freguesia
deveria ter informado e não ter forçado a nota

ou atribuir um nº para os submeter electronicamente

o dito cujo devia ter fornecido essa alternativa os daqui do burgo ofereceram-se para me dar um nº de acesso

mas pressuponho
que essa vertente não lhe dará mais-balias censuais

Helena Sacadura Cabral disse...

Caros comentadores
Depois de todas as tentativas telefónicas que fiz junto do INE continuo a aguardar que me venham deixar o envelope com os códigos...

Marcolino Duarte Osorio disse...

Drª. Helena,
Eram 21:25 horas. Estava repimpado a olhar Tv a ver o Real de Madrid e o Lion defrontando-se, quando tocaram a campainha do meu apartamento. Distraidamente perguntei, sem olhar pelo óculo, quem era. Respondeu-me uma voz feminina informando que era do Censos 2011. Tranquilamente abri a porta e verifiquei que esta senhora estava devidamente identificada com um colete amarelo forte, com uma frase a preto «Censos 2011», além de um documento indentificador da pessoa em questão.
Perguntou-me quantas pessoas habitavam aqui, ao que informei que era só eu. Entregou-me gentilmente 3 questionários, um sobre Alojamento Familiar, outro sobre Familia e um terceiro questionário Individual. Manifestei que preferia entregar via Internete. Facultou-me, de seguida, um envelope timbrado do I.N.E. com os códigos de acesso ao site sobre o Censos 2011. Perguntei-lhe se, aqui neste bairro, trabalhavam também aos sábados às 20 horas. A resposta foi afirmativa justiificando que tinham necessidade de cumprir os objectivos traçados pelo I.N.E., mas quem o fizesse, também estava devidamente credenciado, além de vestir este colete identificador.
Acho que fui explicito.
Cumprimentos
MO

rosaamarela disse...

Como sempre, aliás, depois de casa arrombada trancas á porta, agora que uma velhota já foi roubada, "já vieram falar nos coletes e na identificação".

g. disse...

A mim aconteceu-me o mesmo que o Marcolino, 3a feira de carnaval a meio da tarde tocou a campainha e qdo espreitei vi logo q era dos Censos pq a senhora estava identificada c/o colete amarelo a dizer censos e c/1 cartão identificador c/foto pendurado.

perguntaram-me logo se pretendia preencher em papel ou pela net e é claro q optei pela 2a, foi-me dado 1 envelope c/o código de acesso e respectiva senha e um questionário em papel (rosa) sobre o Alojamento Familiar e aqui eles "censores" fazem algumas perguntas simples para preencherem o cabeçalho do questionário não só para nós como para o registo deles para q tudo corresponda e saibam que naquele prédio entregaram X quest pela net e Y em papel q terão de ser recolhidos posteriormente

Cabeçalho: [as perguntas que fazem sobre o nº de pessoas é porque é necessário colocar os seguintes códigos identificadores]
- freguesia
- identificação do alojamento que é um código de algarismos respectivamente:
1) DTMNFR 6 números
2) Secção/Subsecção 3/2 números
3) Edifício 3 números
4) Alojamento 3 números

para quem entrega em papel para além destes códigos todos ainda temos
5) Família 2 números
6) Pessoa 2 números

se entrega-se em papel o meu cógido seria:
150309 040/06 002 007 01 01

[como aceitei a opção da net nos registos deles é que colocaram o nº código completo]

I- tipo de alojamento familiar (Clássico, Barraca...)
II- forma de ocupação (resid habitual/sazonal...)


despedi-mo-nos e eu voltei para o filme que estava a ver e eles coitados continuaram a bater de porta em porta.

aos meus pais e sem que eles pedissem deixaram os respectivos questionários (1-Alojamento Familiar, 2-Família, 3-Pessoa Individual e este pelo nº de pessoas que foi indicado) e também o envelope de acesso pela net.

desculpem ter-me alongado mas acabei de preencher o meu censos e o dos meus pais através da net e como estava com a mão na massa deixei o esclarecimento.

o preenchimento pela net é mais intuitivo que em papel é mesmo só ir respondendo e quando damos conta estamos no final do questionário.

creio que não é obrigatório abrir a porta e olhar a pessoa pode dar as informações para que sejam preenchidos os códigos e registos e pedir para que coloquem por baixo da porta ou então combinar a hora para que o Sr dos censos vá lá a casa e pode recebê-lo à entrada do prédio, só tem de indicar o andar onde mora para ser colocado no registo.

quanto às pessoas que são burladas... são aquelas pessoas que ainda e sempre acreditam no conto do vigário por muitas e muitas vezes que se lhes diga o que responder.
o censos é apenas para saber o nº de pessoas e o nível escolaridade/trabalho e não saber quanto dinheiro tem e onde o guarda.

bjs a todos

Pedro disse...

Não obstante de tudo o que foi dito, devia ser respeitado o trabalho dos recenseadores, que efectivamente trabalham ao sábado e ao domingo, de manhã, à tarde e à noite... Se calhar esses indivíduos também preferiam estar em casa às 20:00 de sábado...

Anónimo disse...

Nenhuma dos seus pensamentos a levou a julgar que um recenseador às 20:00 de um sábado, estaria a executar uma actividade que lhe deve dar imenso prazer?
Nenhuma das sua teorias a levou a pensar que o trabalho dos outros deve ser respeitado, mesmo quando este seja inferior ao seu?
E se pensasse mais um pouco?...

Helena Sacadura Cabral disse...

Caro Anónimo
A vida vai ensinar-lhe que não há trabalhos inferiores e superiores. Há trabalho.
E creia que penso bastante. Acontece que já fui assaltada e isso deixa no nosso comportamento cuidados especiais.
O que está em causa não é o vosso trabalho, mas sim a forma de garantir que o mesmo seja feito em segurança.
Já pensou nisso?