sexta-feira, 24 de julho de 2009

Tempo

A propósito da frase de Mia Couto, que afirma que "não tem tempo para dar tempo", fiquei a pensar com os meus botões. Eu penso muito com eles, de facto. Agarro-me a um e, enquanto os neurónios percorrem caminhos sinuosos, vou-o rodando entre os dedos. De repente, paro. É sinal de que alguma luz se acendeu aqui dentro.
Foi o que agora aconteceu. Haverá, na verdade, algo mais valioso para dar a alguém do que o nosso tempo? É uma afirmação de um homem que sabe pensar com o coração. Que é uma outra forma - infelizmente não muito frequente - de pensar.
O tempo é não só aquilo de que mais necessitamos, como aquilo de que os outros mais necesitam que lhes seja dado. Oferecido.
Lembrei-me do meu neto mais velho, que nunca me pede nada, a não ser tempo. Lindo, num tempo em que o tempo tem pouco valor, apesar de ser um bem cada vez mais escasso!

H.S.C

2 comentários:

Margarida Pereira disse...

Certíssima. Oferecermos o nosso tempo, traduzido em presença, palavras, pensamentos e, até, orações, é das riquezas mais valiosas deste mundo humano.
A importância traduz-se nessa balança de disponibilidades e vontades. De dádiva.
Hoje, de facto, o tempo é um bem escasso e quando o cedo ou o recebo, há encontros verdadeiros e luminosos.
Mimos simbólicos: "toma esta música, recebo a tua imagem, leva este poema, deixa essa pintura, fala comigo, ouve-me, fica aqui, abraça-me", são coisas, momentos, sentires, que tantas vezes boiam por aí, às vezes em brados, outras em completo silêncio, e haver resposta - em havendo compreensão e reciprocidade - a vida torna-se mais suportável.
... talvez não exactamente 'a vida', mas as faltas nela.
... Abreijo, darling Milady.

muipiti disse...

Bonito post!
Como é bom ouvir falar desta pessoa especial que é Mia Couto que mexe com a consciência de nós com as suas lições de vida.
Considero-a um pessoa rara que transmite de uma forma muito serena, nobre e apaixonante os seus múltiplos saberes e experiências!
Teresa