Viver depois de uma calamidade é estranho.
É como acordar num mundo que continua funcionando… mas por dentro já não se é
mais o mesmo.
Há dias em
que tudo parece normal demais — e isso incomoda.
Há dias em que qualquer barulho, qualquer lembrança, faz o coração apertar.
E tem dias em que simplesmente não se sente nada. Só um vazio.
Depois de
algo grande demais acontecer, a vida não volta ao que era. Ela vira outra
coisa. E talvez essa seja a parte mais difícil de aceitar.
Às vezes
sente-se culpa por seguir em frente.
Às vezes sente-se raiva porque ninguém nos entende.
Às vezes cansa ser “forte”.
Mas viver
depois de uma calamidade não é ser forte o tempo todo.
É levantar quando se consegue.
É descansar quando não dá.
É permitir-se reconstruir devagar.
Há algo de
que quase ninguém fala:
sobreviver muda a forma como se vê o mundo. Passa-se a perceber a fragilidade
das coisas — e, ao mesmo tempo, a força que insiste em continuar.
Não é preciso
ter respostas agora.
Não é preciso transformar dor em lição.
Às vezes, o primeiro passo é, mesmo, só continuar respirando.