terça-feira, 12 de dezembro de 2017

Mais um caso estranho

Não param os escândalos no país. Agora é a Raríssimas, uma instituição de solidariedade social sem fins lucrativos que o Presidente da Republica quer ver fiscalizada de modo a que se obtenha o apuramento total do escândalo que sobre ela pesa.

A reação do Presidente decorre da revelação, pela TVI, de um alegado  caso de gestão danosa da presidente da Associação, que apoia doenças raras em crianças. 
Ainda segundo a TVI, o ministro da Segurança Social já teria sido avisado mais do que uma vez para o uso indevido destes fundos. 
 O escândalo acabou por rebentar no ultimo sábado após a exibição de uma reportagem da TVI na qual em resumo, se dava a conhecer que:

1 A presidente da Raríssimas, Paula Brito da Costa – cuja IPSS só em 2016 recebeu mais de meio milhão de euros em subsídios públicos - teria usado parte do dinheiro em proveito próprio e da família. 

           2. Segundo a TVI, Paula Brito da Costa recebia um salário base de 3 mil euros mensais, ao qual acresciam 1300 em ajudas de custo, 816,67 euros de um plano poupança-reforma e ainda 1500 euros em deslocações. A estas quantias, que já ultrapassam os 6500 euros, acrescia o aluguer de um carro de luxo com o valor mensal de 921,59 euros e compras pessoais que a presidente da Raríssimas faria com o cartão de crédito da associação. Na reportagem, são mesmo apresentadas facturas relativas a um vestido de 228 euros e a uma despesa em de 230 euros em gambas.
       3. Mostra-se, também, que Paula Brito da Costa cobraria à Associação as deslocações diárias de casa para o trabalho, declarando que estas eram feitas em carro próprio, quando este pertencia à Federação de Doenças Raras, associação da qual foi presidente e onde, segundo a TVI, auferia 1315 euros acrescidos de 540 euros de despesas, também elas de deslocação.
.       4.Para finalizar esta “estória”, Ricardo Chaves, que foi tesoureiro da Raríssimas em 2016 e 2017, sugere que existiriam mapas de deslocações fictícias, com elevados valores sem qualquer justificação Tratar-se-ia de mapas de "deslocações fictícias, que nunca existiram”, acrescentou. 
     


Se entrei neste detalhe é porque me custa a compreender como se torna possível que uma Associação deste tipo, que deve publicitar as suas contas, caia num enredo destes. Confesso, tendo em vista os fins da Raríssimas e os nomes a ela ligados, que toda esta “estória” carece, como pede Marcelo, de um apuramento total do que verdadeiramente se passou, para que se não instale a desconfiança que um caso destes pode gerar em instituições que fazem um digno trabalho em prol da sociedade. E muitas delas, em regime de voluntariado, sem nada receberem!

HSC

7 comentários:

Pedro Coimbra disse...

Como hoje escrevi, infelizmente está longe de ser uma caso raríssimo.

Fatyly disse...

Não me espantou nada porque devido à falta de fiscalização dos sucessivos governos. Peço a Deus que os seus trabalhadores e sobretudo utentes não sejam afectados pela ganância e desonestidade de quem dirige, pois estes serão sempre o elo mais fraco.

Mas há mais, muito mais e já nem falo em lares e creches e por mais incrível que pareça os legalizados são os mais fiscalizados.

Que revolta Drª Helena...que revolta!

Um abraço

Silenciosamente ouvindo... disse...

Drª. Helena, o que tenho lido e visto nas televisões é de
arrepiar!!! Como é possível tais coisas acontecerem!!!

Até viagem ao Brasil com o secretário de estado que agora
se demitiu, com imagens de uma intimidade, que nem merece
comentários.

A Srª. parece que não tem curso superior, mas exigia ser
tratada por Srª. Drª.

O Estado, segundo li, em 5 anos deu 5 milhões àquela Instituição.

E não havia um controle contínuo dos gastos?

E será que o dinheiro que era para o tratamento das crianças,

a ser verdade, sendo desviado para interesses próprios da Presidente,

não prejudicou imenso as crianças, que deveria ser a razão principal

daquela Associação?Mas, não há dúvida que ela soube mexer-se junto

do poder, e até a Rainha de Espanha visitou a Associação.

Há pessoas "que têm uma capacidade" enorme para fazerem o que não

devem...mas a ser tudo verdade pergunto:

vai ser castigada?
vai ter que devolver o que usou indevidamente?

E parece que ela não se queria demitir, mas apenas suspender

as funções, o que a lei não permite.

Os meus cumprimentos, drª. Helena e aguardemos pelo final.

Irene Alves




a

Anónimo disse...


Dra. Helena,
Custa muito ver estas situações que nos entram pela casa dentro através das televisões!
Que mundo é este? Que ambição desmedida é esta? Que pessoas são estas que não olham a meios para atingir os fins? Como podemos continuar a ajudar e a acreditar nas pessoas? São inúmeras as perguntas que ficam no ar!
Para já uma questão me inquieta, como pode esta senhora utilizar a Associação que fundou por causa de um filho com uma doença rara, proceder desta forma e desonrar a sua memória???
Espero sinceramente que não fique impune, ela e os seus cúmplices.
Um Beijinhos
FL

Ricardo- águialivre disse...

Penso que só existe uma coisa que não pesa dentro do bolso: São os EUROS.
Quem trabalha com muitos, geralmente tem a tentação de guardar algum dentro do bolso. Não pesa, lool
.
Poema livre (conheça o meu blogue)
.
O GRITO DO SILÊNCIO DOS AFLITOS.
.
Que a luz do amor ilumine o seu coração
.

Teresa disse...

Mas pelos vistos,não foi só ela!Ontem no "Sexta às 9", mostraram provas,estranho a TVI não ter falado nisso,e os mesmos tesoureiros que falaram e deram a cara,agora não quererem falar!!!??? Foi o que disse a jornalista no fim do programa.

Helena Sacadura Cabral disse...

Teresa
Não vi o programa. Que deve haver situações embaraçosas, não duvido, porque a "força" com que a senhora diz que se a demitirem teriam que lhe dar todas as indemnizações a que tem direito, não deixa muitas dúvidas do embaraço da causa...