segunda-feira, 2 de novembro de 2015

O meu amigo Zeto


Vou, aos poucos - e como é natural -, perdendo os meus amigos. Agora foi o José Fonseca e Costa a quem me ligava um amizade de mais de cinquenta anos. Sempre nos uniu um sentimento muito especial que podia, em certa altura, ter-se tranformado noutro tipo de relação, se ambos não tivessemos a plena consciência de que se tal acontecesse, iriamos perder esse conluio que tinhamos, essa cumplicidade ora feita de palavras, ora feita de silêncios, ora feita de gestos de ternura.
Realizador de profissão, jurista que não chegou a ser, o Zeto era, sobretudo, um contador de histórias e um homem de amores, por quem muitos corações femininos se perderam.
Meu amigo e amigo dos meus dois filhos por igual, o Zeto - como eu lhe chamava -, era um anti sistema, um observador da sociedade, um militante de causas, que entrou e saiu do PCP, enfim, alguém cuja ausência e permanente irreverência me vai fazer muita falta.

HSC

10 comentários:

Anónimo disse...

🌷

Anónimo disse...

To you Dama d'Ouro...Destino.

http://youtu.be/1GFkN4deuZU

Ghost

Virginia disse...



Sinto muito, Helena.

Anónimo disse...

Hand on hand.

A

Silenciosamente ouvindo... disse...

Também o conheci pessoalmente, através do Cinema, no tempo em que
eu andava por essass áreas. Tenho a melhor das impressões dele.
Paz à sua alma.
Os meus cumprimentos.
Irene Alves

Anónimo disse...


Bom dia Helena.
O cinema português ficou mais pobre, desejo que o seu pedido seja concretizado, terminarem o seu último filme. Era um homem charmoso, bonito, gostava de o ouvir.
Bonita a sua amizade com ele.

Um abraço
Carla

Anónimo disse...

🌟🌟🌟🌟🌟

ERA UMA VEZ disse...

Querida Helena

Deve ter sido no ano 2000
Nessa altura esta sua amiga frequentava aulas de guionismo na Universidade Moderna.
José Fonseca e Costa era um dos professores a par de outros realizadores bem conhecidos.
Percebia-se facilmente que havia alguma tensão entre eles ...por mais estranho que isso pareça.
Do que vi fiquei com a ideia de que não é uma classe muito unida apesar de tão poucos.

Numa das primeiras aulas, José Fonseca e Costa, entrou furioso na aula, olhou-nos em silêncio alguns instantes e de repente tenta
explicar as suas desavenças com algumas pessoas que dirigiam o curso.

Poucos de nós terão percebido as suas razões nesse momento. Assustou-me a sua palidez. Fez nova pausa. Levantou-se, agarrou a canadiana, olhou-nos de novo intensamente e disse PARA MIM CHEGA VOU-ME EMBORA!!! Vocês desculpem, não têm culpa nenhuma mas tenham cuidado com esta gente.

Parecia tão perturbado que dois de nós fomos atrás dele. Num café próximo obrigamo-lo a beber um chá, recuperou a calma à medida que nos contava "os podres" do cinema, dos subsídios, das rivalidades, enfim.
Depois trouxe-me até ao centro da cidade no seu classe A.
Conversámos todo o caminho. Elogiou a minha coragem na aventura. Talvez quisesse dizer loucura. E eu encantada a ouvi-lo e a não perceber como subitamente me tinha tornado confidente daquele homem do cinema.
Agradeceu vezes sem conta a "minha paciência"...

Foi assim. Longe dos cinquenta anos, talvez tenhamos convivido cinquenta minutos. Nunca saberei se teria razão nas suas queixas mas diz-me o instinto que foi AUTÊNTICO.

E é essa autenticidade que lembro.

E que é cada vez mais rara...

MIAUZA Curado disse...

"Perdi "recentemente alguém que o pouco que pude compartilhar de vivências com ele. Mas , bastou-me o primeiro dia quando me apresentei ao trabalho, em Loulé , no Tribunal Judicial , para que eu perceber que estava alguém ali que nas suas veias corria a palavra, carinho, acolhemento, conta-comigo e amor. Também ele um "Zé".
E ao deixar este comentário, aperta-me a garganta e os meus olhos querem deitar cá para fora o excesso que existe no meu corpo.
Conforta saber , que recebeu de mim na mesma proporção.
Permita-me deixar-lhe um abraço de uma mulher mãe de filhos, e também já foi esposa, em que 22 anos foram vividos a tentar fazer ver ao homem que amava que não tinha o direito de se privar da liberdade enquanto pessoa , em prol daquela "amante" tão egoísta, tão "ladra" de vidas de almas ..

Cristina Moura disse...

Em primeiro lugar,os meus sentimentos,Dra Helena.
Não é meu hábito comentar e muito menos "desabafar" mas o que transmite da personalidade do seu amigo e da vossa relação tocou-me muito.
Também eu tenho um grande amigo com um perfil semelhante,um bom conversador,de uma alegria esfusiante,um contador de estórias impar!Mas sobretudo alguém que sei e sempre soube que podia contar.No nosso caso,a relação ao fim de alguns anos tomou outros contornos,que fácilmente se anteviam desde o início do nosso conhecimento.
Mas,consciente que toda a relação tem o seu fim e,que em muitos casos a amizade,esse bem tão precioso,pode esfriar ou mesmo terminar,não permitimos que essa vela ardesse até ao fim.

Receba um beijinho com muito carinho