domingo, 3 de maio de 2015

Eu sei que ele me ama


- Eu sei que ele me ama. Tenho a certeza disso.
- Mas como é que tu podes ter essa certeza quando ele te faz a vida num inferno?
- Ele tem ciumes e é por isso que fica com mau feitio
- Mau feitio dizes tu. Ele humilha-te perante toda a gente
- Mas depois em casa pede-me desculpa
- Maria ele já te levantou a mão por duas vezes
- Mas pediu desculpa depois
- E tu?
- Eu perdoei-lhe e ele voltou a fazer amor comigo
- Voltou?! Mas não fazia?
- Não. Há quase um ano que me não procurava
- E agora?
- Bom, agora anda muito cansado. E eu compreendo porque ele trabalha até muito tarde. Nunca chega a casa antes das duas da madrugada
- E há quanto tempo ele não te procura?
- Agora, há uns quatro meses
- E tu não falas com ele sobre esse assunto?
- Já tentei...mas ele diz que depois de dez anos de casado, é assim.
- Ó Maria abre os olhos
- Que é que tu queres? É a sua maneira de gostar de mim. Porque eu tenho a certeza que ele me ama. Disso eu não duvido.

Este diálogo é real. Não foi inventado. Que conselhos dar num caso destes? E não se pense que são duas pessoas de uma classe social menos alfabetizada. Não senhor, pertencem a uma classe média abastada... 
Para o bem ou para o mal eu não acredito que a Maria seja, de facto, amada. Porque quem nos ama não nos faz sofrer!

HSC

35 comentários:

Teresa disse...

Difícil de entender como estes "diálogos" ainda existem com tanta informação!!!!! Ontem vi a sua entrevista na RTP-N Parabéns!!!

Anónimo disse...

O mais cego é aquele que não quer ver....

Anónimo disse...

O que se diz? Nada. Só podemos ouvir. O que quer que digamos, cairá em saco roto. Nada a fazer. Só a pessoa em questão poderá dizer-fazer alguma coisa por ela.
A última frase teria sido desnecessária. A violência doméstica sempre foi transversal, em tudo e em todos. Os ricos apenas podem esconder melhor (medicos amigos e coisas do género). E quando falo de violência domestica (encoberts), incluo os filhos; porque sao ricos, os casos têm mais dificuldade em aparecer nas urgências hospitalares.

Anónimo disse...

Mas isso é prato do dia. E toda a gente sabe que se passa em todas as classes. Ter muito dinheiro até é uma grande ajuda para ter 'mais que uma vida'.

maria isabel disse...

Custa a entender tanta dependência. Por muito muito menos(apenas uma aventura)convidei o meu marido a ir dar uma voltinha sem regresso e já lá vão 25 anos. Fiquei sozinha,com 1 filha de 11 anos e um casal de gémeos com 6.Foi muito duro. Passei a viver com muitas dificuldades mas ... falta de respeito e mentira NÃO.
Sou muito doce,mas difícil de enganar e manipular.

Anónimo disse...

Quem "feio" ama bonito lhe parece.

Maria C. disse...

O maior cego é aquele que não quer ver, não há dúvida nenhuma!

Anónimo disse...

Desde quando é que toda a classe média abastada é toda inteligente?

Pecado e Gula disse...

Totalmente de acordo em 2015 e ainda se acredita nisto...

e Adorei a Sua conversa na RTP-N muito boa, Parabéns, Pecado & Gula

Maria do Porto disse...

Esta reacção da mulher é de uma pessoa insegura, frágil, carente e mal amada. Há muitas assim e o comportamento é típico deste tipo de pessoas.
Precisam de ser aceites, de lhes darem atenção.
Assim vai tendo isso embora desta forma dolorosa...
Não tem a ver com cultura, meio social ou económico,tem a ver com o lado emocional de uma pessoa.
Estas pessoas precisariam de ajuda com profissionais desta área, porque sofrem e não as podemos criticar...

Virginia disse...


Daqui a una anos está um trapo e nessa altura não tem saída!

Benó disse...

Eu interrogo-me: Quando as mulheres deixarão de ser "cegas"?Aceitando situações de puro machismo sobre elas dentro de sua casa, submetendo-se ao servilismo "amoroso", como podem querer igualdade? Parabéns à Maria Isabel pela decisão tomada.

Anónimo disse...

Infelizmente há cada vez mais tragicomédias desta natureza. E a maioria é silenciosa!

Anónimo disse...


Boa tarde Helena!
Às vezes o amor é cego, existem tantas mulheres nessa situação.
Pobre daquelas, que querem dar o grito do ipiranga e não tem condições financeiras para o fazer.
Pobres, das que não veem os que os outros veem, só desejo que um dia despertem.

Carla

Anónimo disse...


Gostava de ver a entrevista da Helena, alguém a pode colocar aqui o link.

Carla

Anónimo disse...

Mulher voadora derruba o BCE
http://puxapalavra.blogspot.pt/

Anónimo disse...

Maria Isabel corajosa.Maria do Porto,boa observação.Há casos difíceis de resolver e nem todos têm força.
Preferem acreditar na verdade da mentira,penso eu e vale o que vale.Mas estes casos são reais,infelizmente.
Sara

Helena Sacadura Cabral disse...

Carla creio que poderá ve-la indo ao site da RTP Informação e procurar o porograma Ainda bem que vieste"

Helena Sacadura Cabral disse...

Carla
Aqui fica
http://www.rtp.pt/play/p1728/e193643/ainda-bem-que-vieste

Anónimo disse...

O fácil, o correcto, o socialmente correcto é criticar. Aprendi que nunca conhecemos todos os contornos e dimensões da vida dos outros, o que a nós nos parece ilógico ou irracional muitas vezes não é uma escolha, é o resultado do somatório de todas as partes.
Quem responde como a Maria não desconhece a verdade, mas está a tentar proteger-se dos julgamentos.
Quem responde como a Maria precisa de protecção de quem julga a sua suposta escolha.
Quem responde como a Maria precisa de ajuda e não de julgamentos.
Porque as vítimas de violência doméstica, são duplamente vítimas, do seu agressor e da sociedade que lhes imputa a culpa de serem vítimas.

Anónimo disse...

Ê evidente que a Maria não é amada pelo companheiro, e que o facto não induz qualquer compaixão nos outros, a julgar pelos comentários que lhe foram feitos.
Alguém que é vítima de violência, não mereceu aqui (salvo uma tímida excepção) qualquer comentário, que não fosse o da responsabilização da própria pelo facto de ser vítima.
As vítimas de violência doméstica, são na nossa sociedade responsabilizadas pela sua condição de vítimas.
Mas claro que isto só acontece numa sociedade onde a violência doméstica abunda e prolifera, onde se julga a vítima e não o agressor. É notável que os comentários não contenham qualquer julgamento ao agressor, mas que se tenham centrado sem qualquer contemplação na vítima.

Fatyly disse...

"Para o bem ou para o mal eu não acredito que a Maria seja, de facto, amada. Porque quem nos ama não nos faz sofrer!"

Posso dar aqui o meu contributo na primeira pessoa que sofreu a mais vil "violência" a psicológica:

- Só a própria ou o próprio porque também há homens que sofrem ou sofreram do mesmo, poderá descobrir, sentir, ver a dura realidade em que vive. Dizem que não existe "o amar demais", existe sim e eu que o diga. Não há classes na vivência deste diálogo, e nem médicos, psiquiatras, psicólogos, amigos, familiares que consigam destruir esse espelho terrível de uma vida a dois.Podem dar apoio, ouvir, ajudar mas demover? Só quando ela (ou ele) num dia inesperado se apercebe, vê e sente que afinal esteve e ou está a amar e a dar tudo de si a "um homem que construiu na sua cabeça bem longe do presente".

Foram anos a pensar nisso onde havia sempre obstáculos e preocupações, sobretudo quando há filhos Dª. Helen. Batia sempre nesse espelho até ao dia em que "acordei" e o tal ser construído na minha cabeça, despencou-se totalmente e a decisão foi imediata e sem volta a dar, apenas esta: FIM sem medos! Perdi 20 anos da minha vida num desgaste gritante. Criei as filhas numa decisão acertada e já lá vão 24 anos.

Só quem está dentro desse "filme sem classes mas transversal" é que pode actuar e o que mais custa, mas custa muito e isso não esqueço...são as opiniões/críticas/nomes como parva, burra etc.

Hoje dou-lhes razão, mas como criticar e opinar é tão fácil, mas tão fácil.

Não sei se me fiz entender!

Um abraço

Anónimo disse...


Bom dia Helena!
Obrigada.

Carla

Anónimo disse...


Maria Isabel
Parabéns pela sua coragem, mesmo sabendo que ia passar mal, o seu amor próprio prevaleceu.
Tomará muitas mulheres terem a sua coragem!
Hoje, deve ter orgulho de ter educado os seus 3 filhos, sem se ter submetido a resignação, uma aventura é traição, a meu ver traição não tem perdão.

Carla

Anónimo disse...


Helena
Gostei muito da entrevista, os seus pais foram deveras bons conselheiros.Os pais são os pilares para uma vida saneada de segurança, auto estima, ter o poder de decidir, querer, vontade.
O seu ego " gosto de muito de mim ", é o reflexo dos seus pilares.
Hoje, também posso dizer o mesmo, e fico feliz por o poder afirmar.
Parabéns por ser assim, genuína, frontal, por ensinar e dar força a outros para desencapsular.

Carla

Anónimo disse...

Ó Mãe VPM!
Vi a sua entrevista,e ainda bem que foi,só lhe digo:
É um Diamante Puro. :-)))
Cuidado a família Soares não a rapte!...com a apetência que tem aos ditos "brilhinhos".Eu também tenho mas nem por isso ia num Antonov á Jamba.Russos,sabem mais a dormir que o pessoal todo acordado.
Continue com o seu brilho, mas,já agora,faça um seguro!

Anónimo disse...

Eu sei que Ele a ama.

:-)

Helena Sacadura Cabral disse...

Anónimo das 02:23
Longe de mim fazer juizos de valor sobre a Maria.
Ela ama quem lhe provoca sofrimento. E isso é que dói; é perceber que ela prefere a dor de estar com ele e ser maltratada, à dor de o perder.
Eu não teria, nunca, essa força!
E, confesso-lhe, não a quereria ter...

Anónimo disse...

Quem ama não faz sofrer,NUNCA.A Maria vê mas prefere fazer de cega.A falta de coragem das vítimas é que dá força ao agressor.Triste a vida da Maria.E como diz a Dra Vírginia se não mudar vira farrapo.Quanto ao agressor,nem merece tempo de antena.É o que é,doente mental.Triste sina a da Maria e de muitas mais Marias.
Teresa

Anónimo disse...


Bom dia Helena!

Ao anónimo das 17:04
"Eu sei que Ele a ama".

Que forma estranha de amar...
Ou será que o amor deu lugar à amizade?
Amar é cumplicidade, desejo, companheirísmo, o querer estar com o outro, ter saudade, são 2 em 1 só.
O marido da Maria parece ter outra visão do amor, a Maria ainda não conheceu o que é bom. Existem muitas mulheres, que assim pensam.
Cito Coimbra de Matos:
Fazer sexo sem amor é um pouco insípido, amor sem sexo é para os impotentes.

Carla

Anónimo disse...


UMA BEM HAJA A TODAS AS MARIA ISABEL E FATYLY DESTE PAÍS!

Helena Sacadura Cabral disse...

Creio que a frase "Creio que ELE a ama" se dirigia ao amor de Deus por mim!

maria isabel disse...

Agradeço as palavras de apoio que aqui deixaram. Queria acrescentar o seguinte:não sou exemplo para ninguém, porque não sei se fiz bem ou mal.
Eu nunca,mas nunca fui vítima de violência física ou psicológica.
Mas a dor de ser traída, de deixar de ser amada,foi tão grande que me custa a entender como se consegue aguentar dor física. Respeito e tenho muita pena das mulheres que sofrem essas dores.
Eu não aguentei e não queria ter sido diferente,por isso foi com muita dor que deixei uma vida de sonho para viver uma vida de dificuldades.
Hoje faria o mesmo. Ninguém é dono de ninguém

Anónimo disse...

Estimada Dra Helena,estamos em sintonia.
Afirmativo.

:-)

Anónimo disse...


Maria Isabel,
já pensou nas princesas que vivem naqueles palácios, com tudo de bom e melhor?
Muitas delas não são felizes, falta-lhes o melhor, o ser respeitadas e amadas como todas as mulheres/homens deviam ser.
Acima de tudo, hoje penso que o importante é a relação o afecto, os bens, paredes são secundários.
Passou a viver com dificuldades, mas a sua mente ficou mais leve, viver uma vida de farsa, corroí,vai destruíndo o ser.
A meu ver seguiu o melhor percurso, traição é duro, viver uma vida de sonho, sendo traída não é sonho, mas sim pesadelo.

Carla